sexta-feira, 25 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 55



    - Na briga, eu empurrei o Felipe e ele caiu contra a porta de vidro! – Ele enxugou uma última lágrima. – Acho que me descontrolei.
    - Você acha? – Indaguei.
    - Brunno, não é hora para as suas ironias! – Diego me censurou.
    - Eu só acho que... – Comecei a falar, mas me contive. – Deixa pra lá, minha opinião é irrelevante... – Eu me levantei da cadeira e fui andando em direção a porta. Eu não queria me envolver mais com a complicação que se derivava do convívio com aqueles dois. Mas, pelo Felipe, pela forma como ele tentou me defender, eu me sentia inclinado a ficar. Senti uma mão repousar sobre meu ombro.
    - Eu sei que eu não estou em posição de pedir nada, mas... – Diego reiniciou a conversa, mas eu o interrompi.
    - Você realmente não está ’em posição’ de pedir nada, mas eu vou ficar pelo Felipe! – Retirei a mão de Diego do meu ombro e voltei a me sentar confortavelmente em uma das poltronas da sala de espera.
    Tentei evitar ao máximo falar com Diego e só respondi às suas perguntas com singelos “Sim” e “Não”. Eu não queria piorar ainda mais as coisas, até porque sabia que quando eu ficava com raiva de alguém, era preferível deixar a poeira baixar para poder conversar sobre isso depois. Esse acontecimento repentino não me afasta da ideia de que tenho que parar e reorganizar tudo na minha mente e pensar um pouco, não só na briga de hoje, mas o meu relacionamento com Felipe e Diego como um todo.

[...]

    - E aí Felipe, você está se sentindo melhor? – Perguntei ao entrar no quarto do hospital. Depois de algumas horas de silêncio mortal na sala de espera, uma enfermeira liberou a nossa entrada.
    - Bem melhor! Obrigado! – Felipe sorriu para mim de uma forma completamente nova e, a princípio, eu não sabia identificar o motivo.
    - Lipe eu queria te pedir... – Iniciou Diego, sentando ao seu lado.
    - Não precisa dizer nada Dih... Espero que isso tenha nos deixado quites! – Ele apontou para o braço direito que estava apoiado em uma tipóia e envolto com esparadrapos brancos.
    - Desculpas... – Completou ainda cabisbaixo.
    - É interessante estar no lado de cá... No lado do agredido! Eu poderia ficar ressentido com você e fazer um pouco de drama, mas isso não vai mudar o que eu sinto por você! O que tem que mudar é a forma como nós expressamos nossos sentimentos! – Agora tinha ficado bem claro o sorriso de Felipe. Apesar dos danos, essa guerra foi vitoriosa para ele. Finalmente o peso nas costas, de ter passado dos limites com Diego na última briga, aliviou.
    - Às vezes nós exageramos na dose... – Comentou Diego, como se isso fosse uma coisa completamente comum.
    - Eu prefiro quebrar todos os meus ossos, mas continuar com você! – Proferiu Felipe, ao segurar a mão de Diego.
    Nesse momento todo esse romantismo de novela mexicana estava me dando nos nervos, mais clichê que isso só filme da Disney.
    - Antes que esqueçam meus caros! – Intervim. – Aqui está o DVD, não seria nada inteligente deixar ele no centro do apartamento do Diego, vai que alguém encontrasse essa atuação digna de Oscar! – Entreguei o DVD ao Felipe.
    - Brunno... Você está com uma feição diferente... – Comentou Felipe.
    - Eu estou cansado emocional e fisicamente... Estou cansado de vocês! Eu não tenho estrutura psicológica para agüentar mais tempo nessa convivência cheia de altos e baixos! – Desabafei, e um alívio surpreendente tomou conta de mim.
    - Isso quer dizer que... – Diego começou a falar, como se ainda estivesse refletindo sobre a minha decisão. Isso é o resultado de cuidar muito do  corpo e esquecer de reservar um tempinho para a mente.
    - Tudo voltará a ser como antes! Eu já devolvi o DVD e fim de história, está na hora do “felizes para sempre” de vocês!
    - Mas, Brunno! – Felpe pareceu realmente surpreso com tudo que eu estava dizendo, até porque ele estava me usando como ferramenta para ajudá-lo a resolver seus problemas.
   - Por favor, não falem comigo amanhã, nem nos dias seguintes! ACABOU! – Finalizei, saindo as pressas dali. Não queria que ninguém me seguisse para tentar ‘conversar’. Já tinha falado tudo que queria ter dito e já tinha ouvido o suficiente. Foi a gota d’água que faltava para fazer um colapso na minha paciência.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Divulguem o Blog!

    Meus caros leitores, estou muito feliz pelos mais de 11.000 acessos, mas a gente pode conseguir mais néh? (Estou guloso por mais leitores). Quem puder divulgar, eu agradeceria imensamente! É só colar esse Banner (foto) no seu Mural do Facebook, perfil do orkut... Enfim, qualquer lugar! Quem puder divulgar só o link, também fiquem a vontade! Para facilitar pra quem vai procurar no Google é só escrever "Porcentagem Abrasiva" e tudo que aparecer lá é do meu blog!
    PS: O Banner tá meio pobrezinho, porque o seu humilde escritor o fez no paint! kkkkk Quem fizer um Banner daqueles bem fodas mesmo e me mandar, ganha 1 semana de postagens exclusivas (vai ler antes de qualquer pessoa na face da terra)! kkkkkkk


XO XO
BRUNNO BIANCCHI

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 54



    Felipe estava no chão. Entre a porta que dividia a sala da varanda. Vários estilhaços de vidro brilhavam ao seu redor e tinha sangue, muito sangue. Nós não tínhamos muito tempo pra conversa.
    - Diego, pegue as chaves do carro e eu vou pegar gelo!
    - Mas... Meu pai está usando meu carro hoje, porque o dele está na oficina... – Ele começou a chorar.
    - Pegue as chaves do Felipe, ele está de carro! – Gritei da cozinha. Estava tirando gelo de todas as cubas que encontrei no freezer. E joguei em um balde de metal que achei dentro de um armário. Voltei correndo pra sala. – Diego! Nem pense em tirar nenhum caco de vidro do braço de Felipe, ele pode ter atingido uma veia e ele pode ter uma hemorragia.
    - Desculpa... – Sussurrou ele, tirando a mão instantaneamente do estilhaço de aproximadamente sete centímetros que estava fincado no braço direito de Felipe. – E agora, o que a gente faz?
    - Vamos levar ele pro hospital... Mas, antes, vá buscar umas toalhas! Rápido! – Coloquei alguns cubos de gelo nas feridas maiores. Precisava estancar aquele sangue. Em alguns segundos ele retornou com as toalhas.
    Felipe estava no limiar entre consciência e inconsciência e gemia suavemente no chão de mármore da sala.
    - Pegue ele no braço, Diego! Você é mais forte! – Falei, tirando as toalhas da suas mãos. Percebi que ele ainda estava chocado com tudo aquilo. Fui apressadamente para o corredor e chamei o elevador. Voltei pro apartamento e ajudei Diego a colocar Felipe no braço, sem que houvesse piores danos.
    - Vamos Brunno! Rápido! – Disse Diego. Passando por mim.
    Eu me apressei e tirei a chave da porta pra fechar o apartamento e foi aí que percebi, de relance, o DVD brilhando no centro da sala. Corri para buscá-lo. Se os pais do Diego vissem aquilo tudo... Eu não tinha nem como mensurar as consequências que decorreriam, afinal, não os conhecia o bastante para calcular. Coloquei o DVD no bolso novamente e fechei a porta.
    Diego batia o pé de forma impaciente esperando o elevador abrir. Entramos no elevador rapidamente e cliquei no SS. Voltei meu olhar para Diego e pude ver uma expressão muito familiar no seu rosto: o medo. Uma expressão tal qual como a que tinha visto no rosto de Felipe depois do soco que ele deferiu em Diego, semanas atrás.
    Nesses momentos de desespero completo, eu forçava minha mente ao máximo para poder lidar com todas as situações com tranqüilidade e conseguir resolver os problemas de forma rápida e eficaz. Diego não tinha essa habilidade.
    A porta de metal se abriu finalmente e foi como se o ar ficasse mais leve, como se naqueles segundos estivéssemos presos em uma enorme caixa de metal embalada a vácuo.

[...]

    Estava no banco de trás limpando as feridas de Felipe e colocando gelo para tentar estancar o sangue. Diego tentava se manter calmo ao volante, sem conseguir muito sucesso com isso. Mas, infelizmente, eu não sabia dirigir e nem ia arriscar aprender num momento como esses.

[...]

    Levamo-lo para a emergência. Quando os médicos o levaram, a adrenalina começou a se dissipar aos poucos. Sentei ao lado de Diego em uma das poltronas da sala de espera. Comecei a dobrar uma das toalhas ensangüentadas e cobertas de pedaçinhos de gelo e cacos de vidro.
    - Agora, Diego, você pode me explicar o que aconteceu?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 53


     Das duas uma: ou eu tinha um problema sério com elevadores, ou, simplesmente, eu odiava esperar. Não há nada pior do que você estar no último andar e a porcaria do elevador estar no subsolo. Mas, é como dizem por aí ‘para descer o santo ajuda’. Não sei de fato quem é esse santo, mas, eu acho que para pessoas não alfabetizadas esse deve ser um conceito parecido com gravidade.
    Comecei a descer as escadas do prédio, que ascendiam conforme eu iria avançando. Eu nunca pensei que o fim seria esse. Ser ofendido por Diego daquele jeito, por tentar ajudá-lo. Posso ter superestimado alguns elementos da personalidade de Diego e promovido ele de ‘mauricinho cabeça-oca’ para ‘príncipe de armadura reluzente’ rápido de mais.
    Eu sempre aprendi a tentar enxergar nas piores coisas um lado positivo. Até porque, gente rica é que fica fazendo cena por uma unha encravada ou porque mandou o arquiteto fazer um projeto em azul-turquesa e ele fez em azul-piscina. Gente pobre como eu, tem que se conformar com as coisas e pensar sempre ‘podia ter sido pior’. O bom disso tudo seria que eu finalmente teria tempo de estudar massivamente como fazia outrora. Até porque estava com medo que minhas notas caíssem. E também não posso negar que, fora dessa atmosfera de brigas e agressividade, eu finalmente teria ‘paz’ ou qualquer coisa que chegasse perto disso.
    Eu penso que, em parte, as coisas que Diego falou são bem verdadeiras. Meu subconsciente pode ter me levado a fazer toda essa chantagem não só por uma vingança pessoal, devido aos maus tratos que eu e outras pessoas vínhamos sofrendo na mão de Felipe, Diego e outros membros do ‘grupinho dos populares’ de lá da minha sala, mas talvez eu estivesse curioso para saber mais sobre eles. Algo como globo repórter. Acabei imaginando o apresentador iniciando o programa sobre esse assunto: Nesse programa de hoje vamos conhecer mais sobre os ‘mauricinhos cabeças-ocas’ uma espécie nem tão rara!  Como eles vivem? Como se alimentam? Onde moram? Como se comportam? Comecei a rir de mim mesmo. Essa habilidade de tirar sarro com tudo de ruim que me ocorre era ótima para me ‘regenerar’ depois de uma grande decepção como essa. 
    Voltando a outro ponto da fala de Diego, será que eu tinha inveja deles? Talvez eu tivesse – e tenha – e possa não ter percebido isso antes. Penso que, essa inveja pode ser direcionada ao fato deles terem uma vida mais confortável, por eles terem tudo que querem de imediato, por eles serem bonitos e tudo mais. Mas, eu não tenho inveja do que eles são de verdade. Eu não tenho inveja do desempenho – ou falta dele – na escola. Nem acho que eles são pessoas boas a fim de ser invejadas. Eles são frios, egoístas e provavelmente se eu tivesse sido criado no mesmo contexto que eles eu seria assim também. Eu prefiro ser eu mesmo, com todos os meus defeitos e imperfeições, porque eu sei que sou quem sou hoje, por causa de tudo que eu vivi e tenho que me orgulhar disso e... – Meu pensamento foi interrompido.
    - Brunno! Brunno! – Gritou ele descendo as escadas. Eu pude ver Diego lá do alto descendo rapidamente e me chamando.
    Eu apenas ignorei e comecei a descer mais rápido ainda.
    - Brunno! Por favor! É urgente! Caso de vida ou morte, literalmente! – O desespero de sua voz era contundente. Esperei ele descer. – Brunno! – Repetiu ele, ofegante. – Eu preciso de você agora! – Ele puxou minha mão e começou a subir todos os degraus novamente, quase que me arrastando.


[...]


    Não pude acreditar no que vi quando entrei no apartamento dele, de novo.
    - Eu não acredito que você fez isso! – Exclamei, olhando, abismado, aquela cena toda.

terça-feira, 22 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 52



    - E enquanto a você? E quanto a mim? E enquanto ao Diego? Você nunca pensa em como eu vou me sentir quando você faz essas idiotices! Desde sempre você faz isso...
    - Mas, Dih... – Felipe tornou a falar, mas foi logo intimidado por Diego.
    - Cale a boca! Agora quem vai ouvir é você! – Reiniciou ele, ele estava praticamente em chamas. – Você é que teve a ideia de ficar saindo com as meninas pra que ninguém descobrisse da gente. Mas, há uma grande diferença entre nós: você sempre ia até o final com elas.
    - Eu só queria te proteger!
    - Comendo metade das meninas da sala? Boa proteção essa sua! É óbvio que você pensava no meu bem estar enquanto estava na cama com elas! - Ironizou ele. Como sempre era previsto nessas discussões, eu não passava de um mero coadjuvante na cena, mas eu tinha a leve impressão que mais cedo ou mais tarde os estilhaços dessa bomba chegariam em mim.
    - E você quer pousar de santo agora? Você fazia a mesma coisa! – Felipe se levantou. Foi então que eu percebi que as coisas tinham chegado a outro nível.
    - Claro que não fazia! Ou você acha que eu fingia ser o “príncipe que não força a barra” com aquelas vadias por quê? Eu sempre inventei uma desculpa para não chegar ao ‘finalmente’ com elas!
    - Você não fazia porque não queria ou porque não gostava de mulher! –Felipe já começava a dar indícios de quem iria perder o controle.
    - Eu não fazia porque eu amo você seu imbecil! Eu não conseguiria trair você! Nem com a mais gostosa patricinha retardada daquele colégio idiota! – Diego fez a declaração de amor mais agressiva que eu já tinha visto.
    - Eu... Eu... – Gaguejou Felipe. Mas já era tarde demais. Diego estava mudando de alvo agora.
    - E você Brunno...  Pensei que você fosse meu amigo! Você já sabia disso tudo e não tinha me contado! Você me enganou esse tempo todo enquanto planejava com Felipe o dia pra me contar?
    - Eu só queria amortizar o impacto que essa notícia ia causar em você! Eu só queria arranjar um meio de não te machucar!
    - Como se isso fosse possível! Eu realmente pensei que, depois dessa situação toda e da sua chantagenzinha barata, nós poderíamos ser amigos! Eu sou um idiota mesmo! Você vem brincar com os meus sentimentos e manipular a gente como se nós fossemos mais uma partida de xadrez pra nerds que você joga! Você é um imbecil, metido e pretensioso! Você se acha melhor do que todo mundo porque tira umas notas melhores, mas no fundo você queria ser igual a nós! É por isso que você quer ter a gente por perto, porque lá no fundo, você queria ter tudo que a gente tem: toda a vida fácil, o dinheiro, as roupas e as festas! - Diego estava descarregando toda sua munição em mim.
    - Dih... Ele só estava querendo ajudar... – Felipe interveio. Mais uma cena inusitada: Felipe jogando no meu time e não contra mim!
    - Eu não estou falando com você Felipe! – Diego fuzilou Felipe com o olhar novamente e se voltou para mim. - E o pior de tudo é ter que continuar olhar para essa sua carinha sem graça o tempo todo, afinal, você acha que pode mandar na gente por ter esse DVD idiota!
    - Se é isso que você acha mesmo sobre mim... – Reiniciei a falar um pouco desapontado por ter ouvido aquilo tudo. Peguei no bolso da minha bermuda o DVD. – Pronto Diego, está aqui o único elo que nos une. Tenha a mais absoluta certeza que essa é a única cópia que eu tenho dele! – Coloquei o DVD sobre o centro da mesa e andei em direção a porta. Antes de sair oficialmente, lancei um último olhar sobre aqueles dois. – Agora, vocês não vão precisar nunca mais olhar pra “minha carinha sem graça o tempo todo”!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 51



    - O que foi que aconteceu? – Indagou Diego dando passagem para a gente entrar.
    - Precisamos conversar... – Felipe deixou em reticências entrando cabisbaixo no apartamento.
    - Tem alguém por aqui? – Indaguei entrando depois em seguida, tentei transparentar serenidade, embora Felipe estivesse fazendo exatamente o oposto. Nem todo mundo nasceu para encenar.
    - Como se aqueles dois parassem em casa... – Diego respondeu de forma distraída, ao se referir a seus pais. Ele não conseguia tirar os olhos de Felipe, era como se ele tivesse tentando decifrar suas expressões. – Vou dispensar a empregada e já volto! – De fato, ele já estava começando a sentir a gravidade da situação.

[...]

    Felipe se afundou no enorme sofá roxo e me sentei ao seu lado, segurando sua mão. Puxei seu rosto para minha direção e sussurrei: “Tente ficar calmo”. Dei um golpe de vista pela sala e tive aquela sensação de não-pertença de novo, tinha me esquecido como uma dose exagerada de luxo me deixava extremamente desconfortável.
    - O que foi agora? – Indagou Diego sentando-se em uma das poltronas brancas que ficava em frente ao sofá.
    - Eu preciso te dizer uma coisa Dih... – Começou Felipe ainda cabisbaixo, ele não conseguia manter contato visual com Diego por mais que três segundos.
    - Vocês estão me deixando preocupados, podem ir direto ao assunto, por favor! – Reclamou Diego, seu olhar urgente e penetrante parecia não ter decifrado ainda o que o Felipe tinha pra dizer.
    - Eu... – Reiniciou Felipe, fazendo uma grande pausa – Eu... Fiz uma coisa muito errada Diego! E queria que você me desculpasse, mesmo sabendo que isso vai ser muito difícil pra você...
    - O que foi que você fez agora? Ele brigou com você Brunno? Foi isso?
    - Antes tivesse sido... – Respondi deixando em reticências, essa informação só poderia ser deflagrada por Felipe.
    - Eu te traí! – Disse Felipe, com lágrimas nos olhos.
    - Com... Quem? – Perguntou Diego, sua expressão estava mesclada com raiva e tristeza.
    - Com a Tânia. – Respondeu Felipe, num murmúrio.
    - Mas... Felipe... A gente tinha combinado de não fazer mais essas coisas!
    - Eu sei... Mas, foi antes...
    - Se foi antes da gente ter combinado de não se envolver com outras pessoas, porque você está me contando isso... – Diego fez uma pausa e pensou um pouco a respeito. – Não... Não me diga que...
    - Ela está grávida! – Felipe cuspiu a informação de forma rápida e sibilante.
    - Você... – Reiniciou Diego, mas ele não teve palavras para continuar sua frase. A expressão de desprezo que tomou conta do seu rosto foi de uma forma, que eu nunca tinha visto antes.
    - Dih... Por favor, me perdoa! – Felipe segurou as mãos de Diego, que, em um sobressalto, se libertou das mãos dele e se levantou.
    - Você acha que eu vou te perdoar toda vez que você fizer besteira Felipe? Você acha sinceramente que, em um passe de mágica, fica tudo certo de novo? E os meus sentimentos? – Iniciou furioso. Seu rosto de pele tão alva estava ficando rapidamente vermelho.
    - Diego... Tenta se acalmar! – Eu intervim.
    - Eu ainda não cheguei a você Brunno! – Ele me fuzilou com os olhos e voltou sua atenção para Felipe novamente.
    A reação de Diego foi totalmente inesperada. Eu calculei que ele iria chorar, e ignorar o Felipe por um tempo, até que no fim, ele cederia novamente e isso tudo resultaria na absolvição de Felipe, mas pelo modo com o qual ele me tratou percebi que isso não acabaria bem.

sábado, 19 de maio de 2012

Start Your Engines! And May The Best Writer Win!



     É um prazer imenso apresentar a todos os meus leitores o vencedor da competição “Procura-se um Biancchi”! O ganhador vai escrever comigo meu próximo conto – que será postado futuramente, após o final de “Porcentagem Abrasiva”.
    Primeiramente, gostaria de agradecer a participação de todos na competição (a escolha não foi nada fácil) e desde já convidá-los para minha próxima competição (que não tem data definida). Foi maravilhoso ler os seus textos e mergulhar um pouco na imaginação de vocês. Não encare a perda como um desmotivador e sim como uma motivação para buscar cada vez mais melhorar a sua escrita!
     O vencedor merece todos os méritos por sua escrita impecável – eu não achei nenhum erro de digitação, pontuação ou gramática em seu texto. E como se não bastasse, seu modo de escrever é absurdamente delicioso! Ele é dono de um sarcasmo ímpar e ler o seu texto foi como amor a primeira vista, eu não conseguia parar de ler e reler aquilo tudo! A história que ele mandou foi bem original e fugiu dos clichês que geralmente estamos acostumados a ver por aí. Enfim, vai ser mais que uma honra compartilhar experiências com você e juntos construirmos uma história que provavelmente vai superar o sucesso de “Porcentagem Abrasiva”.
    Parabéns LUCAS AGRA! Você é o meu Biancchi! Estou ansioso para começarmos a escrever! *Aplausos da multidão*

XO XO
BRUNNO BIANCCHI

domingo, 13 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 50



     Agora eu tinha que decidir o que faria com esse DVD. A dualidade dos meus pensamentos entre entregar ou não esse meu material de chantagem para eles se dava pelo medo que eu tinha de perdê-los. Por alguma razão eu sentia um afeto imenso por aqueles mauricinhos cabeças ocas, mas, será que depois que eu entregar o jogo eles vão continuar sendo meus amigos ou tudo voltaria à estaca zero?
    Eu me sentia responsável por parte considerável dos tormentos que eles estavam passando no momento. O acidente de Diego tem tirado o sono de Felipe e é nítida a dor que ele está sentindo e o medo que está se espalha rapidamente por ele como um câncer. Eu sei que foi o Felipe que deu o soco, mas, eu sinto uma parcela majoritária de culpa por ter armado o palco da discussão, afinal, toda aquela atmosfera de tensão por causa do vídeo, foi por minha causa.
    Meu celular vibrou em cima da mesa do computador. Era Felipe.
    - Brunno, estive pensando naquilo que você falou... – Iniciou ele, sua voz transmitia incerteza.
    - No quê exatamente? Eu falo muitas coisas... – Respondi, não sabia ao certo sobre o que ele estava se referindo.
    - Em dizer ao Diego antes que ele descubra logo, até porque... – Eu o interrompi, essa conversa toda estava me parecendo uma introdução a mas uma confusão.
    - Até por que o quê? – Eu intervim, odeio quando começam a falar com embromações.
    - Aconteceu uma coisa horrível! – Sussurrou ele, tentando medir as palavras para amortizar as notícias.
    - O que foi? Diga logo! Já estou ficando preocupado!
    - Tânia exigiu que eu a namorasse e quer ‘anunciar’ isso amanhã!
    - Como assim, ‘anunciar’? – Fiquei pensando ‘o que mais essa vadia vai aprontar?’
    - Ela quer dizer que somos namorados em frente a todas as suas amigas!
    - E isso significa que ela vai te apresentar para 42% da sala, afinal, patricinhas não são muito seletivas em relação a amizades!  - percebi que isso vai se espalhar como uma peste transbordando nas línguas e ouvidos daquele povinho, até que todos saibam do ocorrido, com detalhes inventados.
    - Então eu fiquei praticamente obrigado a ter que contar tudo a ele hoje... – Proferiu, com certa desilusão.
    - “Praticamente” não! – Ironizei, eu não conseguia dizer nada sem uma boa dose de ironia, mesmo em momentos como esses. - Você foi obrigado a contar tudo ao Diego hoje, infelizmente!
    - Você vai me ajudar, não vai? – Pediu ele, num tom de voz tão baixo que era quase impossível recordar dos tempos que ele perdia o controle e saia gritando e batendo em tudo como um ser irracional.
    - Claro que vou, conforme eu prometi! Eu vou tentar te ajudar a sair dessa, embora eu não veja muitas possibilidades... Para resolver essa equação, vamos ter que inventar uma fórmula nova!
     - Não... Quero resolver equação nenhuma, só quero que você me ajude!- É só elogiar! Logo percebi que ele ainda estava no meio termo entre irracionalidade e racionalidade. Mas, dadas as circunstâncias atuais eu não podia exigir muito da capacidade mental completamente cheia de esteróides de Felipe.
    - Certo Felipe, venha me buscar em uma hora e iremos pensar em alguma coisa pra dizer ao Diego.

[...]

    - Oi! – Disse, fechando a porta do carro e olhando para Felipe.
    - Oi Brunno! – Respondeu Felipe, sem muito entusiasmo. Era perceptível as bolsas inchadas e vermelhas que se formavam embaixo dos seus olhos.
    - Eu não tenho palavras para te confortar agora... – Reiniciei, após alguns segundos de silêncio. – Eu sei que esse é um abismo que não parece ter fim, mas, vamos encontrar uma solução para tudo isso, eu só não sei como!
    Ele virou o rosto para a janela apoiando o queixo em sua mão semicerrada.
    - Tá! – Respondeu de forma monossilábica. Ele era um vulcão, que transbordava de lágrimas quentes, agora. Senti que ele estava se segurando ao máximo.
    - Eu vou encontrar um jeito! – Segurei a mão sua mão direita que estava sobre o volante. – Você confia em mim?
    - Confio... – Ele amparou mais uma lágrima que rolava pelo seu rosto. – Mas, eu não sei se você vai conseguir resolver... – Eu o interrompi.
    - Quem confia, não fica se prendendo ao ‘mas’, somente confia e ponto final.

[...]

    Depois de um tempo considerável de conversa, senti que Felipe estava pronto para falar com Diego. “Pronto” pode não ser a palavra mais indicada, mas ele estava muito próximo dessa preparação. O que eu previa era uma mudança considerável na percepção do tempo de agora em diante.
    Não demoramos muito esperando o elevador, os minutos passavam voando desde que saímos do carro. Logo que batemos, a porta se abriu e lá estava Diego sorridente. Foi aí que o tempo resolveu congelar e cada segundo parecia uma eternidade. O sorriso de Diego se desfez em câmera lenta, ele percebeu que tinha algo errado naquela visita inesperada.

sábado, 12 de maio de 2012

Competição "Procura-se um Biancchi" - Reta final!

   Bom galera, já li quase todos os textos de todos os candidatos ao concurso "Procura-se um Biancchi" (Ainda falta 1 me mandar o seu texto em um formato que seja possível que eu visualize). Mas, Por enquanto, já posso adiantar que fiquei com sérias dúvidas entre 2 participantes. Então, há uma remota possibilidade de que a competição tenha mais de um ganhador! Entretanto, não posso fazer conclusões mais específicas enquanto não receber o último texto...
    Considero as inscrições terminadas e digo que não adianta reclamar, porque além do período normal da competição que foi quase de 1 mês, eu ainda dei um prazo extra de 10 dias!
    O resultado final será divulgado impreterivelmente no próximo sábado dia 19/05! Gostaria de agradecer a todos que participaram da competição e pelo carinho que eu venho recebendo desde que comecei  a escrever esse conto - que tecnicamente não é um conto, e sim, uma história - e reafirmar que a história vai ser finalizada, mas ainda não tenho uma data prevista!


XO XO
BRUNNO BIANCCHI

segunda-feira, 7 de maio de 2012

LISTA DE INSCRITOS DEFINITIVA

    Esse é o Hall dos inscritos na competição: "Procura-se  um Biancchi!" Todos os inscritos (os seus pseudônimos) estão aqui!
    1 - Ângelus Stark (Inscrição feita em 18/03/2012)
    2 - Bóris de Beauvoir (Inscrição feita em 02/04/2012)
    3 - Hick Lênin (Inscrição feita em 26/04/2012)
    4 - Danilo Lisboa (Inscrição feita no prazo extra)
    5 - Lucas Agra (Inscrição feita no prazo extra)
    6 - Thalles Arezzo (Inscrição feita no prazo extra)
    7 - Seat Lee (Inscrição feita no prazo extra)


    

quinta-feira, 3 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 49



    - Abra essa porta agora! – Ordenou minha irmã enfurecida, quase derrubando a porta de madeira– com uma nova fechadura instalada – do meu quarto.
    - O que é que você quer sua imbecil? – Respondi abrindo a porta. Joguei um olhar de desdém para ela, olhando para ela de cima a baixo.
    - Você entrou no meu quarto? – Indagou, apertando meu braço.
    - Como você chegou a essa conclusão? – Fiz minha cara de deboche.
    - Está tudo bagunçado lá! – Ela me apertou ainda mais.
    - Então, por que perguntou o óbvio? – Retirei a mão dela de lá.
    - Mas pelo visto, você não conseguiu achar o que queria! O DVD ainda está no lugar que eu guardei seu babaca! Vá logo arrumar meu quarto antes que eu perca a paciência com você! – Ela se sentiu a aprendiz de ditador novamente.
    Sai do quarto e tranquei a porta, colocando minha chave numa corrente em meu pescoço. Caminhei lentamente no corredor em direção ao quarto de Laura.
    - Você colocou chave no seu quarto foi? Fique sabendo que isso não vai adiantar de nada! Quero uma cópia agora! – Ordenou ela, mas eu simplesmente ignorei e entrei no quarto dela que estava todo revirado com peças de roupas por todos lugares e gavetas fora do lugar.
   - Limpe tudo e rápido, mamãe já está chegando! Parece até que passou um furacão por aqui! Você tem sorte de eu estar de bom humor hoje.
    Foi neste momento que eu finquei meus dedos no colchão e o suspendi como tinha feito à algumas horas  antes. Eu me virei e soltei um sorriso de orelha a orelha para ela.
    - Eu acho que você subestima muito a minha inteligência querida irmã! – Iniciei, ao colocar o DVD entre meu dedo indicador e o médio. Todo mundo sabe que você não é nenhum prodígio, mas, debaixo do colchão? Existe lugar mais clichê?
    - O quê? Como... – Ela agarrou rapidamente o DVD e tentou correr.
    - Como ousa me subestimar de novo? Você acha que esse DVD é o mesmo que estava aí quando você saiu? – Soltei uma gargalhada à lá Paola Bracho, tudo ficava cada vez mais engraçado.
    Ela correu e colocou o DVD na porta de entrada do computador e abriu os arquivos. A tela começou a se encher de códigos e letras criptografadas verdes em um fundo preto. Após isso uma foto de um palhaço apareceu na tela com as inscrições YOU LOSE embaixo.
    - Caso você tenha faltado as aulas de inglês queridinha, isso significa que você perdeu! – Ela tentou formular uma frase e eu a impedi. – E é óbvio que eu achei a cópia que estava no seu email, e a outra que você colocou dentro do seu polvo de pelúcia, que por acaso, anda dando uma de João sem braço ultimamente! – Ironizei derrubando um montante de roupas que o estava cobrindo sobre a cama.
    Ela vislumbrou o polvo de pelúcia que tanto ama, com todos seus braços cortados e rodeado por sua pelúcia, parecia mesmo que ele tinha entrado numa guerra.
    - Você enlouqueceu? O meu polvo caríssimo que eu comprei na imaginarium? Você vai ter que me comprar outro!
    - Situações drásticas, medidas extremas! É o que eu sempre digo. Na guerra, sempre alguém sai ferido!
    - Eu vou contar tudo pra nossa mãe! O que acha disso? – Ela colocou o dedo indicador próximo ao meu rosto.
    - É a sua palavra contra a minha! – Retirei ele dali, aos poucos ela estava ficando sem argumentos.
    - Pelo menos você vai ter que limpar a bagunça de qualquer jeito e ficar de castigo... Mamãe não vai deixar barato! Além disso, você não vai poder falar nada da minha chantagenzinha! – Ela deu um sorriso de satisfação como se tivesse descoberto a cura pro câncer.
    - Nem gaste sua saliva minha querida irmã... Eu tenho um novo DVD pra você! Venha aqui na sala ver... – Andei rapidamente até a sala e coloquei o cd no aparelho de DVD! – Eu acho que esse vídeo é tão mais interessante que o outro, olha só! Tem até fotos. – Disse, esperando que a cena começasse, ela me seguiu até a sala. Era tão bom ver sua expressão de medo e curiosidade,
    Um slide show se iniciou e uma música de funk começou a tocar.


“É assim que o homem gosta, é assim que o homem gama, dama na rua e puta na cama!”


    Várias fotos intercaladas, dela e do namorado começaram a passar e foi simplesmente impagável ver a expressão dela. Ela se apressou e tirou o DVD de lá e estava prestes a quebrá-lo, num ato tão ingênuo que me fez querer rir de novo.
    - Eu preciso dizer que eu fiz cópias, irmãzinha? Esse aí é pra você ficar de lembrança! – Sorri novamente, estava me contendo para não cair na risada.
    - SEU CRETINOOOOOOOOOOOO!!! – Gritou ela.
    - Ah! Mais uma coisa... Eu sempre me esqueço de que tenho que te explicar tudo porque você é burra! – Soltei uma gargalhada. – Se você não notou, aquele outro DVD que você colocou no computador era um vírus que destrói todos os seus arquivos em 5 segundos. Eu não podia perder tempo procurando mais cópias do vídeo no seu computador não é?Você sabe... Só por precaução!
    - O QUÊ? EU VOU TE MATAR!!!
    - Se eu fosse você eu começaria arrumando o seu quarto, mamãe chega em 10 minutos! Now, sashay away!