domingo, 26 de maio de 2013

Aviso


    Não terei como postar essa semana, tenho várias atividades para realizar e pouco tempo para tanto!
    Espero a compreensão de todos!

XO XO
BRUNNO BIANCCHI

domingo, 19 de maio de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 75



    - Aquele imbecil? – Sussurrou ele. Permanecendo na mesma posição.
    - Era melhor nem ter comentado nada... – Respondi revirando os olhos.
    - Desculpa Brunno... – Ele abriu os olhos e sentou na cama olhando para mim. – Você acha, sinceramente, que isso vai dar certo?
    - Não posso ter certeza... Mas, só quero a amizade dele! – Menti.
    - Isso é o que você diz aos outros Brunno, nós sabemos que você planeja ir muito mais além. – Felipe tinha chegado a um nível interessante de perspicácia, alguns tipos de mentiras que eu contava começavam a perder o efeito.
    - É... Acho que não posso negar isso, não para você! Mas, eu não quero falar disso agora... Pode ser? – Eu não considero que Felipe seja a melhor pessoa para se conversar sobre relacionamentos amorosos.
  - Claro que pode, mas, se você pedisse o meu conselho eu diria pra você se afastar dele o quanto antes! – Preveniu. Com um tom estranho na voz.
    - Obrigado... – Respondi meio sem jeito. Não entendi as motivações levaram Felipe a não gostar do Alan a ponto de querer que eu me afaste dele e a fazer esses comentários tão contrários. – E você e a Tânia, como estão?
    - Estou aprendendo a tolerar... – Respondeu, respirando fundo.
    - Os pais dela já sabem? – Percebi que esse era o momento certo para fazer as perguntas que mais o incomodavam.
    - Nós estamos pensando na melhor maneira de falar... Na verdade, eu estou! Porque sei que ela bem queria sair espalhando por aí a notícia. Estou adiando o máximo que posso, mas eu tenho plena consciência que não vou conseguir fazer isso por muito tempo.
    - Bom, existe uma possibilidade de que os pais dela peçam pra você se casar com ela, caso eles sejam muito tradicionais, o que você faria nessa situação?
    - Como você mesmo já comentou em outra conversa, estamos no século XXI. Então, não preciso necessariamente me casar com ela. Vou assegurar que não vai faltar nada para essa criança...
    - Você está preparado para ser pai?
    - Prefiro nem pensar nisso sabe? Você melhor do que ninguém sabe que eu não queria estar nessa situação... Imagina se eu ia querer aquela idiota buzinando no meu ouvido todos os dias ‘você deveria ser mais romântico comigo’, ‘faz um poema pra mim, eu acho tão lindo isso’ e blá, blá, blá...
    - Poema? De onde ela tirou isso?
    - Sei lá, deve ter começado a prestar atenção nas aulas de literatura e ter pegado gosto, o que eu acho muito difícil. Pode ser só manha de menina iludida que sonha com o príncipe encantado!
    - Eu acho que aquela ali só quer dar o golpe da barriga mesmo!
    - Obrigado, Brunno!
    - Desculpa Felipe, mas é o que eu penso!
    - E o pior é que você está certo! Eu me arrependo todos os dias de ter me envolvido com ela... Mas é que, eu estava me sentindo estranho... Eu comecei a pensar no que os meus pais diriam se descobrissem sobre o que eu tinha com o Diego. Estava achando que isso era errado... Sei lá... Pensei que se eu dormisse com ela talvez as coisas fizessem mais sentido...
    - E fizeram? – Indaguei.
    - Não... Foi péssimo! Eu não conseguia me concentrar direito, bebi mais do que devia e no outro dia acordei com dor na consciência e ressaca! Não queria ter feito isso com o Diego... Acabei percebendo que eu saia com meninas para provar alguma coisa para os outros...
    - Para se sentir aceito?
    - Acho que sim, tinha medo do que as pessoas iam pensar.
    - E hoje, você tem?
   - Hoje eu nem me importo mais! Os meus amigos só estão comigo para ir a festas, falar bobagens... Já ouvi diversas vezes eles criticarem os gays em geral. E eu sentia como se aquele comentário tivesse sido feito diretamente pra mim, sabe? Mas, eu tinha que disfarçar e tentar ouvir com naturalidade.
    - Então, quer dizer que...
  - Sim! Eu sou gay Brunno! Não gosto mesmo de mulheres! Satisfeito?
    - Eu? Não tenho que está satisfeito com isso – Fiz uma pausa. – Você está?
    - Eu estou. Só queria que tudo voltasse a ser como antes, eu daria tudo para ter o Diego de volta, por ele sim eu faria um poema...

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 74



    - O que foi? - Perguntou. Com certa perplexidade no rosto. – Ah... Isso? – Ele apontou para seu tórax e fez uns leves movimentos verticais no dedo indicador. – Eu sempre fico assim em casa. Nunca foi um problema para o Diego!
    - É que, de onde eu venho, as pessoas ficam vestidas!
    - Até em casa? Por isso que você é esse chato... Tem que se libertar um pouco rapaz!
    - É muito fácil sair se exibindo por aí quando você tem um corpo perfeito!
    - O que eu vejo de velho gordo andando de sunga na praia! – Ele riu consigo mesmo.
    - Eu não consigo ser assim...
    - É engraçado Brunno, como, apesar de toda essa postura de segurança e superioridade, você tem uma auto-estima tão baixa! – Ele fez com que eu me sentisse exposto.
    - Não quero falar sobre isso!
    - Brunno... – Deixou em reticências, enquanto se aproximava de mim. – Até que você não é feio, baixinho! – Um corte descente nesse seu cabelo, um tratamento para tirar essas manchinhas de acne, quem sabe um clareamento para deixar o sorriso melhor... Sem contar na academia...
    - Isso é um episódio de “10 anos mais jovem”? – Eu sorri meio sem graça. Eu tinha plena consciência sobre meus defeitos, sabia o que deveria mudar e como deveria mudar, mas não tinha dinheiro pra fazer tudo isso. Acabei deixando pra lá, deixando pro futuro. Não gostava de ter meus defeitos apontados, ainda mais por Felipe. – Eu não tenho tempo pra essas frescuras!
    - Eu não sei se você não se importa, ou se você se considera tão feio a ponto de não achar que pode melhorar!
    - Só não tenho tempo para isso!
    - “Isso” não precisa levar tanto tempo assim, não é como se você fosse passar uma semana de cada mês confinado num SPA!
    - Você não me chamou aqui para falar disso, não é?
    - Na verdade eu não te chamei para falar nada em especial, só pra conversar mesmo sobre coisas banais... – Ele fez uma pausa. – Como está a sua vida?
    - Minha vida? – Indaguei meio perplexo. Não pensava que um dia o Felipe se importaria com o que faço da minha vida. – Normal... Tenho estudado mais agora...
    - Quem é ele? – Perguntou. Fechando o semblante em uma expressão séria.
    - Ele quem? – Rebati.
    - Você pode dizer, ou eu posso descobrir... Você escolhe!
    - Então, como você está se sentindo, agora que não tem mais o Diego?
    - Sua hostilidade não vai levar essa conversa a lugar nenhum Brunno, você bem sabe como eu estou me sentindo com isso tudo... É engraçado como você se dispõe tanto a ouvir as pessoas falarem e como você, em contrapartida, repele tantas perguntas e reprime tanto os seus próprios ímpetos de falar!
    - Não é isso...
    - Desculpe não ter a ‘maturidade’ do Diego para que você se sinta à vontade em falar suas coisas...
    Felipe ficou deitado na cama, olhando para o teto do quarto. Fechou os olhos e pareceu refletir profundamente. Esse não era o Felipe que conheci a tempos atrás, ele realmente tinha amadurecido muito, com todos os seus erros, e apesar de ainda parecer um pouco perdido do rumo de sua própria vida, nunca pareceu tão seguro de suas convicções. Creio que ele tinha chegado naquele momento da vida em que se está no limiar entre deixar de ser um garoto e começar a portar-se como um homem.
    Acho difícil apostar a minha confiança e todas as minhas outras fichas em Felipe. Apesar de tudo que passou isso ainda parecia um jogo de azar. Mas, o que pude aprender nos meus anos de pouca experiência é que às vezes não importa muito se irá vencer ou ganhar, o importante é jogar.
    - Alan! – Exclamei, com a voz firme. E deixei a palavra ecoar no silêncio do quarto.

sábado, 11 de maio de 2013

Folga



    Boa Noite Caros Leitores!

    Como vocês devem saber, amanhã é dia das mães! E creio que como sou 'mãe' desse conto, mereço uma folguinha! (risos) 
    Brincadeiras à parte, gostaria de avisar que este final de semana eu tirarei uma folga pra organizar um pouco minha rotina. Voltarei com as postagens no final de semana que vem (Uma no Sábado e outra no Domingo).
    Gostaria de saber se vocês estão gostando da história, afinal, já são mais de 2 anos de blog e postagens no (extinto, ou não) orkut. Enfim, quero ouvir vocês um pouco!
    Aproveito para agradecer a fidelidade ao blog e pelo ótimo fluxo de acessos!


XO XO
BRUNNO

segunda-feira, 6 de maio de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 73



    Fitei aquele rosto conhecido demoradamente, ainda entorpecido. Eu me sentia como alguém que tinha sido acordado de um sonho bom, sabia que não poderia voltar novamente para ele, mas, no entanto, não queria voltar à realidade.
    - Felipe? O que você disse? – Indaguei confuso.
    - Sei que você não quer se envolver com nada que relacionado a mim e sei que não estou em posição de pedir isso, mas... – Ele fez uma pausa, engolindo seco o orgulho que ainda restava dentro dele e continuou entre dentes: - Eu preciso da sua ajuda! Não agüento mais a Tânia falando idiotices no meu ouvido e de alguma forma, as conversas com meus amigos antigos não me interessam. Preciso de um ‘tempo’ de tudo, mas não quero ficar sozinho nesse tempo!
    - Felipe, o que você quer dizer com isso? – Perguntei. O excesso de explicações e a minha lentidão mental não me permitiam muita compreensão.
    - Queria que nós passássemos uma tarde juntos. Você só precisa me ensinar alguma matéria ou a gente pode jogar videogame, qualquer coisa! – Pediu ele, com um olhar mais suplicante do que o normal.
    - Embora eu ache bem estranho esse pedido, não tem porque eu não acatá-lo! Acho que uma tarde sem estudar não fará mal nenhum!
    - Te pego em casa que horas?
    - Isso é hoje? – Questionei, mas acabei desconsiderando a pergunta, dada a expressão estranha no rosto de Felipe.
    - É que... – Ele tinha recomeçado a se explicar.
    - Duas e meia na minha casa!
    -Obrigado! – Agradeceu. Saindo com uma expressão de desolação em direção à cantina.

[...]

    Minha vontade era de inventar algum assunto qualquer para puxar com Alan, na esperança de que nós poderíamos passar alguns dos minutos do intervalo falando sobre qualquer assunto banal. Mas, era muito cedo para tentar algo assim, seria forçar muito a barra. Além disso, embora eu achasse difícil, o ideal nessa situação era eu não criar maiores expectativas quanto a minha amizade com o Alan. Ela poderia apenas voltar ao que era, e nossa relação nunca passou desse nível de ‘amizade’.
    Resolvi ir à biblioteca, ler qualquer coisa até a hora de tocar o sinal.

[...]

    Com o sinal tocando uma música gospel, que atualizava diariamente a lavagem cerebral que era feita no colégio, fui andando distraidamente em direção à sala. Inclinei meu corpo sobre o bebedouro para beber água.
    - Não é justo isso que você está fazendo comigo! Você não sabe que eu gosto de você? – Sussurrou uma voz masculina.
    - Não estamos mais juntos. Aceite isso! – Sussurrou uma voz que eu mal consegui distinguir.
    Levantei meu rosto, tentando transparecer naturalidade e pude ver Roger parado, fitando a multidão, de alunos andando em direção às suas respectivas salas, com expressão de perplexidade.
    - Isso não é justo! – Sussurrou para si. Depois começou a andar rapidamente, estralando cada um dos dedos com impaciência.

[...]

    - Obrigado mesmo Brunno, por você ter aceitado vir até aqui! – Disse Felipe quando entramos no seu quarto. Tirando com rapidez seus tênis e meias.
    - Não tem o que agradecer! –Respondi.
    - Fique a vontade! – Ele foi em direção a cama, tirando rapidamente a camisa e a calça. – Que calor infernal! Bem que um inverno viria a calhar nessa cidade, não? – Ele pegou o controle do ar condicionado e acionou o botão para ligá-lo.
    - O quê...? – Eu não sabia ao certo o que eu estava querendo perguntar. Mas, Felipe de cueca esparramado na cama, não era uma imagem que eu esperava ver nesse momento, embora eu gostasse de vê-la.

sábado, 4 de maio de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 72



    Depois de saciar a curiosidade de Roberta de uma forma sucinta e rápida, porque a aula já estava para começar, tentei me concentrar nos novos assuntos que surgiam nas aulas de Física II. Depois de ter me afastado um pouco de Diego e Felipe, pude voltar a minha concentração nos estudos e consegui até me adiantar na matéria.
    Faltava menos de um mês para as provas finais que antecediam o período de férias do meio do ano, para mim, e de recuperação, para aproximadamente 64% da sala. Ainda tinha uma prova de simulado para o vestibular, que não era obrigatória, nem valia nenhuma nota ou pontuação, mas era muito disputada pelo ranking que era feito das melhores notas. Os coordenadores de cada ano interrompiam a aula na sala do aluno que ficou em 1° lugar e teciam alguns elogios que mais soavam como uma crítica subliminar aos alunos que não se empenham nos estudos. A duras penas, consegui ‘vencer’ o Alan no ano passado, tanto no 1° quanto no 2° simulado, já que eram duas provas: uma no meio do ano e a outra no final.
    Por algum motivo, creio que seja algo relacionado à minha reconciliação com Alan, perdi um pouco o entusiasmo em fazer a prova.  Não sentia necessidade de ‘provar’ nada a ninguém. Sempre me saí bem em todas as matérias, passava de ano com elogios dos professores e esse ranking não era tão necessário agora. Em todo caso, iria fazer aprova e estava estudando como de costume.

[...]

    O professor explicava repetidamente uma questão para as meninas da turminha popular da sala, que nesse período de provas finais resolviam sentar na 1ª fila da sala e tentar aprender alguma coisa. Eu já tinha respondido todo aquele capítulo em casa, e já tinha ido tirar minhas duas dúvidas com o professor quando ele mandou todos resolverem as 5 primeiras questões dos capítulos.
    Percorri meus olhos pela sala, já estava cansado de desenhar nas margens das folhas do caderno. Notei que Roger estava inquieto com alguma coisa. De fato, física não era sua matéria preferida, mas sua desatenção parecia não ser gerada pelo tédio dos números e fórmulas ali apresentadas. Algo na inquietação dele despertou a minha curiosidade. Ele mordia a tampa de sua caneta e balançava uma de suas pernas impacientemente, ao olhar para outro ponto da sala.
    Isadora e Maynara conversavam no canto direito da sala, começaram a rir depois que uma delas conseguiu entender como se resolvia a questão que o professor lutava para explicar pela 3ª vez, em meio do barulho da sala.
    - Finalmente vocês entenderam! Depois dizem que loiras não são burras néh Maynara? – Pude ouvir Miguel dizer ao se virar para elas.
    Atrás das duas, estavam Tânia, que não parava de cochichar freneticamente algum assunto que parecia não interessar Felipe, que tinha se sentado ao lado dela por mera formalidade.
    Voltei meu campo visual para Roger, que percebeu que eu estava observando e fez uma expressão de ‘não estou entendendo a aula’ para tentar disfarçar. Ofereci a minha ajuda por leitura labial, ele apenas balançou a cabeça negativamente e disse ‘obrigado’ e virou-se para o quadro novamente.

[...]

    Depois da aula de Física, tivemos uma aula de Ensino Religioso, que se resumiu a assistirmos a outra metade de um daqueles filmes clichês que mostram superação de dificuldades com o uso da fé. Considero que ‘Ensino Religioso’ é uma perda semanal de 50 minutos da minha vida, que poderiam ser substituídos por qualquer outra atividade que agregasse algum valor a minha inteligência. Não seria melhor trocar isso por uma aula de educação sexual, cidadania ou conhecimentos gerais?
     Depois de a professora se esgoelar enquanto os alunos deixavam a ‘sala de religião’, dizendo que queria um resumo sobre o filme para a próxima aula, encostei-me à sacada do andar e fiquei olhando a chuva caindo, agora de uma forma mais incidente e poderosa. Lembrei de quando era menor e brincava de barquinhos de papel na chuva com o... Era engraçado como tudo me fazia pensar no Alan...
     Não tinha como conter a minha imaginação e a minha mania idiota de pensar no futuro, isso fazia parte de mim. Comecei a pensar na minha amizade com o Alan (da forma que ela era antes de nós brigarmos) e se ela voltaria a ser como era antigamente. Naquela época, eu tinha percebido que o que eu denominava de ‘ciúmes de amigo’, na verdade era um sentimento maior que eu nutria por ele. Eu já achava que a hipótese de ‘os opostos se atraem’ era bastante plausível, visto que Alan era muito infantil, inconveniente, não tinha maturidade para diversas coisas, era instável emocionalmente, dentre outros defeitos com os quais eu não me identificava. Mas, de alguma forma eu tinha me apaixonado por aquele jeito infantil e prático para lidar com a vida, até gostava de nossas brigas e reconciliações constantes...
    - Brunno! Preciso de sua ajuda! – Senti uma mão pesada repousar em meu ombro, cortando meus devaneios com uma rapidez inconveniente.