domingo, 19 de agosto de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 63



    - Ai, Felipe! É você... – Disse ao me virar. Meu coração ainda batia acelerado. É óbvio que eu tinha pensado que era o Alan, com algum tipo de resposta pra me dar.
    - Esqueceu que dia é hoje? –Indagou com uma expressão misteriosa.
    - Hoje é dia... – Fiz uma pausa para tentar recordar. – Hoje é o dia do resultado do exame! – Com todos esses pensamentos voltados para Alan, eu tinha esquecido que esse drama da gravidez estava prestes a acabar.
    - Estamos indo buscar agora! Venha! – Ordenou. Caminhando para fora da sala. Diego e Tânia o seguiram também.
    Eu não poderia perder isso por nada! Finalmente a loira peituda ia sair das nossas vidas! Diego e Felipe seriam felizes de novo e eu poderia me concentrar em outras coisas.
    Alguém me cutucou minhas costas e eu fui tomado por aquela sensação novamente.
    - Aonde você vai Brunno? – Indagou Roberta.
    - Betão! – Sussurrei olhando para ela rapidamente. – É hoje que a farsa acaba! Finalmente o drama vai terminar.
    - Agora me resta perguntar... – Reiniciou, andando ao meu lado. – E depois?
    - Depois o quê? – Respondi confusamente com outra pergunta.
    - Você sabe muito bem a finalidade da minha pergunta, não entre na fase de negação!
    - Eu sinceramente não sei dizer com precisão... – Respondi em reticências.
     Roberta se referia a o que ia acontecer daqui pra frente. Eu realmente estava evitando pensar nisso, apesar de eu ter tentado dar um ponto final nisso tudo, eu não conseguia mais ficar longe deles. Diego e Felipe estavam juntos novamente e o único obstáculo era essa falsa-gravidez de Tânia. Eu já tinha entregado o DVD que continha o vídeo que deixava os dois no meu poder e agora eles não tinham mais motivos pra continuar a andar comigo.
     - Brunno... Eu não quero que você se machuque! Você precisa estar preparado para todas as possibilidades! Eu acho mais sensato você tomar uma decisão, antes que os dois tomem por você!
    - Não sei Roberta! Eu sei que você está me dando o conselho certo e que eu deveria pular do barco antes que ele afunde, mas, você sabe que não é tão simples para eu fazer isso... – Parei na frente dela. – Mesmo assim, obrigado! – Apliquei um abraço confortante em Roberta. – Você realmente é uma amiga e tanto! Agora, preciso ir! Eles já estão muito na frente!

[...]

   Tânia estava sentada ao meu lado, completamente imóvel no banco de couro e olhava para a janela distraidamente. Ela sabia lá no fundo que estava caminhando para a guilhotina, em breve, sua cabeça estaria rolando pelo chão. Diego estava sentado no banco da frente e estava tenso, o silêncio no carro era mortal.
    Chegamos ao laboratório que analisava esse tipo de exame. Felipe e Tânia foram buscar o exame, enquanto Diego e eu sentávamos numa mesa de uma lanchonete que ficava na frente do laboratório.
     Eu não ousei falar. Diego estava frio. Eu conseguia imaginar o que estava passando por sua cabeça agora. Após alguns minutos que pareceram uma eternidade, eles voltaram. O envelope estava lacrado.
    Felipe sentou-se ao meu lado e Tânia sentou no lado oposto da mesa, ao lado de Diego. Felipe rasgou a borda do envelope do exame com paciência, folheando nervosamente a caminho da última folha. Ele parou um tempo lendo e depois passou o envelope pra mim. Eu comecei a ler e uma expressão de confusão tomou conta de mim.
    - Como assim você está grávida de verdade? – Indaguei perplexamente, fitando Tânia.

sábado, 18 de agosto de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 62



    Eu tinha a mania masoquista de pensar no futuro e geralmente os resultados previstos ao serem comparados com os resultados reais causavam extrema frustração. Mas, mesmo sabendo disso, eu não conseguiria não imaginar o que poderia vir a seguir. O Alan entrou nesse colégio no mesmo dia que eu e isso não foi nenhuma coincidência! Já éramos amigos fazia um tempo, porque a minha mãe e a dele eram colegas de trabalho e decidimos mudar para o mesmo colégio. A nossa amizade só aumentou com o passar do tempo, mas parecia que as pessoas tinham inveja disso. Nós brigávamos constantemente, porque nós éramos dois cabeças-duras e prevalecia entre a nossa amizade um saudável instinto de competição, principalmente no que se referia às notas na escola, mas, nunca brigamos por esse motivo. A real razão das brigas era pelos ciúmes, o que a gente tentava explicar por “ciúmes de amigo” e que impedia que ninguém atravessasse a anteriormente delimitada linha de ‘melhor amigo’. No entanto, de forma natural, conseguimos agregar mais dois membros ao grupo: o Jonas e o Henrique e a partir disso, realmente o círculo se fechou. Em algum momento na época que eu fazia sexta série (O atual sétimo ano) nós brigamos e nunca mais voltamos a nos falar, pelo menos até o presente momento.
    Eu não podia negar que o que eu sentia por Alan era bem diferente do que sentia por Diego e diferente da atração que sentia por Felipe. Eu sentia raiva dele por tudo aquilo que aconteceu no decorrer desses anos, nas trocas de ofensas nos corredores, nas difamações que correram soltas pelas bocas e ouvidos dos fofoqueiros do colégio. Mas, junto com essa raiva morava um sentimento que clamava por uma reconciliação e era tão esperançoso que, além da amizade, ansiava por amor.

[...]

    Por mais que eu tentasse me concentrar nas malditas questões de Biologia II a ansiedade não deixava margem para meu foco em estudar. Eu tinha medo do que Alan podia responder, a ideia de ser amigo dele me assustava mais do que a de odiá-lo (ou fingir isso). Não sei se conseguiria manter o controle da situação conduzindo uma amizade com ele. Com muita dificuldade e varando a madrugada, consegui resolver as questões para a aula do dia seguinte.

[...]

    Acordei atrasado e tive que me arrumar às pressas, mas fiz com que minha Personal Slave me conseguisse uma carona pra escola, além de fazê-la preparar meu café-da-manhã. Então antes do trabalho, o namorado da minha irmã veio me buscar. Cheguei na escola a tempo, com uns cinco minutos de sobra, que era justo o tempo que era necessário pra chegar a minha sala.
    Sobressaltado, me sentei rapidamente e abri meu caderno, o professor já estava se preparando pra começar a aula.
    - Brunno, você está bem? – Sussurrou Roberta.
  - Não dormi direito fazendo as questões de Biologia II! – Respondi, sorrindo para ela.
    - Tem mais coisa por trás disso, que tipo de sorriso é esse?
    - O professor começou a falar Betão, depois a gente fala disso!
    Eu não conseguia me concentrar em mais nada, a angústia da falta de resposta me deixava apreensivo. Toda vez que eu olhava, ele se comportava como se nada tivesse acontecido.

[...]

    Depois de uma eternidade e de eu ter inventado mais uma história esfarrapada pra Roberta, as aulas acabaram. Eu não gostava de mentir pra minha melhor amiga, mas preferia explicar tudo pra ela depois que as coisas se resolvessem. Andei distraidamente em direção a porta da sala.
    - Aonde você pensa que vai? – Disse ele, me pegando de surpresa.