terça-feira, 3 de setembro de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 79




    Sentei em minha banca, ainda entorpecido pelos pensamentos que consumiam minha pele em arrepios que eriçavam os pêlos dos meus braços e faziam com que o calor pulsante do meu sangue percorresse com voracidade toda a extensão do meu corpo.  A mistura de amor e ódio que eu tinha cultivado por Alan se mostrava uma mistura alucinante e perigosa.
    Não poderia deixar de me sentir em êxtase depois do que tinha descoberto ontem a noite, feridas seriam curadas e de alguma forma a ordem poderia se restabelecer e esse pensamento me trazia a paz.
    O professor já tinha chegado e caminhava a passos lentos até sua mesa. Felipe foi à sua direção com o caderno em punho para tirar algumas dúvidas, cena que me causou um estranhamento positivo enquanto eu percebia que realmente as pessoas podiam mudar com o tempo. Inclinado sobre a mesa e murmurando alguma indignação por não ter conseguido resolver um problema, mesmo depois de várias tentativas, para o professor, que sorria com uma surpresa superior a minha.
    Diego entrou na sala com uma expressão fechada, ignorando algumas pessoas que deram bom dia quando o viram passar. Felipe virou bruscamente ao terminar de tirar suas dúvidas, dando uma cotovelada acidental em Diego, que passava distraído. O rosto de Diego se ruborizou, ele franziu o cenho e retomou seu caminho para uma banca no fundo da sala, ignorando o pedido de desculpas de Felipe.
    Eu ouvi dizer em algum lugar que ódio é amor reprimido e estava começando a me convencer disso, acreditava piamente que Felipe e Diego resolveriam os seus problemas e logo estariam juntos de novo. Afastei esses pensamentos de minhas preocupações por um instante, queria pensar no meu curto diálogo com Alan de alguns minutos atrás. O sorriso que ele tinha me ofertado tinha sido diferente, tinha algo de voraz em seus olhos, eu sentia que ele estava querendo dizer ou fazer alguma coisa, mas não sabia de fato o que era.
    - Eu conheço essa expressão? – Indagou Roberta com imprecisão.
    - Que expressão? – Respondi lançando outra pergunta.
    - Brunno, você está com um ar diferente essa manhã... – Ela fez uma pausa, aproximando-se de mim e me analisando – Bom... Feliz você está, mas qual seria a causa? Das duas uma, ou você arquitetou algum plano maligno perfeito ou algo mais aconteceu...
    - Betão, pare de me olhar como um membro do Grupo Lightman*! – Desatei a rir.
    - Um riso despreocupado vindo de você? Outra raridade nesses tempos difíceis...
    - A aula já vai começar e já tem meio quadro pra copiar! – Comentei, queria fugir dessa conversa por hora, precisava organizar meus pensamentos. Na lousa, o professor copiava rapidamente números miúdos, fazendo algumas pausas para pensar.

[...]

    Atravessei o banco de cimento e granito, passando por uma pequena árvore plantada em um vaso de gesso e entrei no beco estreito dos condicionadores de ar novamente. Alan já estava a minha espera e me encarou com uma expressão indecifrável.
    - Brunno! – Exclamou ele, revelando mais um sorriso estranho. Era incrível como com o passar dos anos eu perdi a sensibilidade para a decifração das expressões de Alan. Quando nós éramos crianças eu sempre sabia o que ele estava pensando apenas com o olhar, hoje eu não consigo interpretar nem suas intenções através da fala.
    - Oi Alan! – Respondi meio nervoso, não sabia como começar um diálogo com ele.
    - Tenho uma proposta pra te fazer! – A falta de introdução a tal frase me pegou completamente desprevenido, estava tentando me lembrar de como se respirar e ele continuou: - Não sei se é muito precipitado, se você vai aceitar, mas não quero esperar mais... – Ele deixou em reticências.


* Grupo Lightman: Presente na série “Lie to Me” da Fox. Grupo de cientistas que detectam mentiras através da observação de micro expressões faciais e linguagem corporal.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 78




    Sentei na cadeira de madeira posta em frente à minha escrivaninha, liguei o laptop e comecei a fazer algumas pesquisas e elaborar alguns cálculos. Voltei aos versos escritos na folha de caderno, fiz algumas marcações. Peguei meu celular apressadamente, disquei o número que já estava incrustado em minha memória.
      - Alô? Você sabe que horas são Brunno?
    - Desculpe... – Afastei o celular do ouvido por uns instantes, realmente essa não era uma hora propícia para fazer ligações. – Não queria te incomodar, mas já que acordou, preciso que você me responda uma coisa...

[...]

    Após ter digitalizado algumas coisas e anexado ao meu email, a final, concordo com o ditado que diz que é melhor prevenir do que remediar. Permiti a mim mesmo descansar, a me render às pálpebras pesadas. A dor de cabeça tinha passado, afinal, teriam inventado remédio melhor? Enfim pude dormir uma noite tranqüila.

[...]


    Atravessei, como de costume, àqueles corredores cheios de gente, tentando não esbarrar com ninguém. Ainda estava em êxtase devido ao poema que encontrei. É incrível como um pedaço de papel conseguiu me energizar e revigorar a minha mente exausta por pensar em como isso iria terminar. Andei suavemente, sem a pressa que cotidianamente empregava em meus passos, hoje tudo poderia esperar, eu estava flutuando. O burburinho de vozes parecia abafado, tinha muito em o que pensar.
    - Eu não quero fazer isso! – Uma voz familiar protestou, estourando a bolha de pensamentos na qual estava imerso.
    - Mas, só assim vai dar tudo certo! – A voz feminina exclamou em um sussurro soprado.
    Nielly e Alan conversavam na porta da sala. Quando me viu chegar, ela se afastou, desavenças antigas fazem com que não suportemos a presença um do outro.
    - Bom dia, Brunno! – Sussurrou com um sorriso saboroso nos lábios.
    - Bom dia! – Respondi timidamente. Tentando pensar depressa algum assunto para puxar. – Semana que vem é o Simulado, está preparado? – Indaguei. Notando, posteriormente, que a frase poderia soar como um estímulo a competição.
    - Estou estudando como de costume, não estou preocupado com o ranking esse ano! – Alan comentou encostando-se na parede. – Tenho outras preocupações em mente! – Ele esboçou outro sorriso, que deu outra tonalidade às suas palavras.
    - Acho que a prova é um bom termômetro pra o vestibular... – Tentei esconder o arrepio que se apossava do meu corpo.
    Uma voz de dentro da minha sala me chamou. Salvo pelo gongo. Pensei. Não saberia sobreviver mais alguns minutos perto dele sem fazer nenhuma besteira.
    - Tenho que ir... Roberta está me chamando... – Sussurrei. Na verdade, por mais difícil que fosse ficar ao lado dele sem poder fazer nada do que eu tanto imaginava, eu preferia essa tensão, essas reviravoltas do meu estômago, esses arrepios...
    - Te vejo no intervalo? – Alan perguntou.
    - Claro! – Respondi de prontidão, sem ao menos pensar no caso.
    Posteriormente, lembrei que tinha que conversar com Felipe, mas, acho que existem preocupações mais urgentes!



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 77




    Uma dor de cabeça invadiu meus pensamentos. Estava deitado em minha cama. No meu quarto. Fitando a parede, tentando pensar em qualquer assunto banal que fugisse aos concernentes à relacionamentos. A ruína, que penso ter potencial para tornar-se permanente, no relacionamento entre Diego e Felipe pesavam meus ombros com a responsabilidade. Mesmo que eu não tenha tido nenhum envolvimento com a gravidez precoce de Tânia, penso que as minhas chantagens e o meu desejo por uma vingança estúpida pode ter desencadeado os eventos que estão acontecendo, afinal, tudo é interligado. Não queria ver os dois separados, não queria causar tudo isso... A minha reaproximação com Alan parecia uma dádiva não merecida, e tinha medo de botar tudo a perder ou ser atingido por algum karma, um ‘anti-cupido’ querendo me castigar por ter atrapalhado a relação dos outros. Queria ter o poder de consertar tudo, mas minhas esperanças estavam se esvaindo com o passar dos dias.
    Precisava me distrair, parar de pensar um pouco nesses assuntos. Também não estava com paciência para estudar, os exercícios de amanhã já estavam prontos. Preciso de algo mais dramático do que minha própria vida...
    - Shakespeare! – Sussurrei como se tivesse pronunciado um “Eureka!” depois de uma descoberta científica. Busquei o Romeu e Julieta, que tinha pegado emprestado da biblioteca da escola, na minha estante e voltei a me esparramar na cama, na esperança de me entreter com tragédias e amores que não me pertenciam.
    Deitado, ergui o livro com as duas mãos, tentando bloquear com ele, a lâmpada do teto. Analisei a capa gasta, dessa edição especial e antiga, que deve ter sido achada em algum sebo local e comprada a baixo custo e o abri. Folheei, brincando com as páginas, ouvindo aquele chiar leve de papel, até que fui atingido por um pedaço de folha de caderno. Com espanto e curiosidade, voltei a me sentar na cama, desdobrando a folha com intensa curiosidade.

Irracional

Tenho que te dizer
Ângulo que te miro não é relevante
Nada mais tenho a temer
Insônia é a minha acompanhante
Ah! Como eu queria ser só

Escravo da minha própria liberdade
Um fruto de minha arbitrariedade?

Te amar não foi ato do meu querer
Eu o fiz pelo meu existir

Agora não posso mais olhar pra trás
Meu amor, meu oxigênio se faz
O que eu faço pra ter você?


    Estava escrito em letras bonitas em palavras apagadas e reescritas. Notei algo estranho nos versos desarrumados, sem métrica adequada, em estrofes irregulares. Analisei tudo isso em uma folha à parte, procurando o sentido daquilo. Foi quando me dei conta! O que não foi refeito, aquilo do qual já se tinha certeza, aquilo que eu duvidei, mas que se confirmou, às vezes temos que duvidar da causa, não do efeito!

    Corri para o meu guarda roupa, desenterrando uma caixa que estava por baixo de outras. Finalmente, os números me favorecem!

domingo, 23 de junho de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 76


    - Felipe, eu acho que o Diego precisa de um pouco de tempo e espaço. Vocês viveram juntos por muito tempo e, não estou dizendo que você seja sufocante, mas talvez ele só queira respirar um pouco... Novos ares... – Estava meio incerto se era meu papel comunicar Felipe do que estava acontecendo ou se deveria me abster.
    - Novos ares? O que você quer dizer com isso? – Indagou ele a perplexidade fincou suas sobrancelhas.
    - Estou falando de forma figurada, talvez ele só precise ficar um pouco longe de você para sentir sua falta, perceber como gosta de você!
    - Você está falando isso pra me agradar ou você pensa mesmo isso?
    - Eu penso isso mesmo, acredito que seja isso.
    - Tomara que seja verdade mesmo, Brunno! – Virou-se na cama e fixou seus olhos verdes, como duas esmeraldas escuras, em mim com uma expressão estranha, mas incrivelmente bonita.
    - Por que está me olhando assim? – Eu realmente odiava esse tipo de contato visual prolongado, considerava constrangedor.
    - Nada... Agora não posso mais olhar pra você?
    - Pode... – Respondi meio incerto. Não sei se queria aquele tipo de olhar pra mim com freqüência, é um olhar perigoso de mais.
    - Obrigado! – Disse, após um breve silêncio.
    - Pelo quê?
    - Por tudo que você fez, por ter entrado na minha vida...
    - Mesmo tendo sido dessa forma?
    - Talvez tenha sido justamente pela forma que você entrou na minha vida, e na do Diego, que nos fez baixar um pouco a guarda, pra pensar um pouco fora da bolha na qual estávamos aprisionados... – Ele se sentou na cama e sinalizou para eu sentar ao seu lado.
    Não tive como recusar, então levantei, e sentei ao seu lado, meio inseguro, meu estômago de repente ficou cheio daquelas conhecidas borboletas. Felipe segurou a minha mão e deslizou na cama para encostar-se à parede. Pediu pra eu tirar os sapatos, e assim o fiz. Depois me puxou de leve, me encaixando por entre suas pernas, enquanto me dava um abraço por trás. Senti uma mistura de calor e frio me assolar neste momento, meu coração bateu acelerado, em desespero, fazendo meu sangue arder e minha pele se arrepiou com o frio.
    - Desculpa Brunno, mas hoje eu estou meio carente e você vai ser meu ursinho de pelúcia... – Ele riu de si mesmo após ter dito isso.
    Seu comentário não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Ele aplicou um beijo em minha cabeça.
    - Você merece alguém especial, que te valorize... – Comentou Felipe. – Por favor, me prometa que vai tomar cuidado com aquele imbec... – Ele se corrigiu rapidamente. – Com o Alan...
    - Por que você não gosta dele? – Indaguei me libertando do abraço e encarando ele face a face.
    - Tenho motivos pra gostar? Sei que você não vai querer ouvir, mas... – Parou por alguns segundos e retomou a fala. – Ele é a pessoa mais falsa que conheci! Ele finge ser amigo daquele pessoal inteligente da sala só pra fazer trabalhos escolares, mas quando ele sai pra se divertir, sai com os amigos de outras salas, nunca os convida pra nada... Enfim, eu não sei se isso prova alguma coisa, mas acho que ele é oportunista...
    - Eu conheço o Alan, e não é de hoje... Ele não é assim! – Protestei.
    - Não estou querendo ‘queimar’ ele com você, mas acho melhor você ficar com um passo atrás, sempre!
    - Está bem Felipe, eu sei me cuidar sozinho!
    - Desculpe se te incomodei.
    - Não incomodou – Menti por mera educação. Como Felipe se acha na posição de me dar esse tipo de aviso? Ele não sabe de nada! Por que ele está fazendo isso? – Bom... – Recomecei olhando as horas no celular. – Preciso ir...

    - Eu te levo em casa!

domingo, 26 de maio de 2013

Aviso


    Não terei como postar essa semana, tenho várias atividades para realizar e pouco tempo para tanto!
    Espero a compreensão de todos!

XO XO
BRUNNO BIANCCHI

domingo, 19 de maio de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 75



    - Aquele imbecil? – Sussurrou ele. Permanecendo na mesma posição.
    - Era melhor nem ter comentado nada... – Respondi revirando os olhos.
    - Desculpa Brunno... – Ele abriu os olhos e sentou na cama olhando para mim. – Você acha, sinceramente, que isso vai dar certo?
    - Não posso ter certeza... Mas, só quero a amizade dele! – Menti.
    - Isso é o que você diz aos outros Brunno, nós sabemos que você planeja ir muito mais além. – Felipe tinha chegado a um nível interessante de perspicácia, alguns tipos de mentiras que eu contava começavam a perder o efeito.
    - É... Acho que não posso negar isso, não para você! Mas, eu não quero falar disso agora... Pode ser? – Eu não considero que Felipe seja a melhor pessoa para se conversar sobre relacionamentos amorosos.
  - Claro que pode, mas, se você pedisse o meu conselho eu diria pra você se afastar dele o quanto antes! – Preveniu. Com um tom estranho na voz.
    - Obrigado... – Respondi meio sem jeito. Não entendi as motivações levaram Felipe a não gostar do Alan a ponto de querer que eu me afaste dele e a fazer esses comentários tão contrários. – E você e a Tânia, como estão?
    - Estou aprendendo a tolerar... – Respondeu, respirando fundo.
    - Os pais dela já sabem? – Percebi que esse era o momento certo para fazer as perguntas que mais o incomodavam.
    - Nós estamos pensando na melhor maneira de falar... Na verdade, eu estou! Porque sei que ela bem queria sair espalhando por aí a notícia. Estou adiando o máximo que posso, mas eu tenho plena consciência que não vou conseguir fazer isso por muito tempo.
    - Bom, existe uma possibilidade de que os pais dela peçam pra você se casar com ela, caso eles sejam muito tradicionais, o que você faria nessa situação?
    - Como você mesmo já comentou em outra conversa, estamos no século XXI. Então, não preciso necessariamente me casar com ela. Vou assegurar que não vai faltar nada para essa criança...
    - Você está preparado para ser pai?
    - Prefiro nem pensar nisso sabe? Você melhor do que ninguém sabe que eu não queria estar nessa situação... Imagina se eu ia querer aquela idiota buzinando no meu ouvido todos os dias ‘você deveria ser mais romântico comigo’, ‘faz um poema pra mim, eu acho tão lindo isso’ e blá, blá, blá...
    - Poema? De onde ela tirou isso?
    - Sei lá, deve ter começado a prestar atenção nas aulas de literatura e ter pegado gosto, o que eu acho muito difícil. Pode ser só manha de menina iludida que sonha com o príncipe encantado!
    - Eu acho que aquela ali só quer dar o golpe da barriga mesmo!
    - Obrigado, Brunno!
    - Desculpa Felipe, mas é o que eu penso!
    - E o pior é que você está certo! Eu me arrependo todos os dias de ter me envolvido com ela... Mas é que, eu estava me sentindo estranho... Eu comecei a pensar no que os meus pais diriam se descobrissem sobre o que eu tinha com o Diego. Estava achando que isso era errado... Sei lá... Pensei que se eu dormisse com ela talvez as coisas fizessem mais sentido...
    - E fizeram? – Indaguei.
    - Não... Foi péssimo! Eu não conseguia me concentrar direito, bebi mais do que devia e no outro dia acordei com dor na consciência e ressaca! Não queria ter feito isso com o Diego... Acabei percebendo que eu saia com meninas para provar alguma coisa para os outros...
    - Para se sentir aceito?
    - Acho que sim, tinha medo do que as pessoas iam pensar.
    - E hoje, você tem?
   - Hoje eu nem me importo mais! Os meus amigos só estão comigo para ir a festas, falar bobagens... Já ouvi diversas vezes eles criticarem os gays em geral. E eu sentia como se aquele comentário tivesse sido feito diretamente pra mim, sabe? Mas, eu tinha que disfarçar e tentar ouvir com naturalidade.
    - Então, quer dizer que...
  - Sim! Eu sou gay Brunno! Não gosto mesmo de mulheres! Satisfeito?
    - Eu? Não tenho que está satisfeito com isso – Fiz uma pausa. – Você está?
    - Eu estou. Só queria que tudo voltasse a ser como antes, eu daria tudo para ter o Diego de volta, por ele sim eu faria um poema...

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 74



    - O que foi? - Perguntou. Com certa perplexidade no rosto. – Ah... Isso? – Ele apontou para seu tórax e fez uns leves movimentos verticais no dedo indicador. – Eu sempre fico assim em casa. Nunca foi um problema para o Diego!
    - É que, de onde eu venho, as pessoas ficam vestidas!
    - Até em casa? Por isso que você é esse chato... Tem que se libertar um pouco rapaz!
    - É muito fácil sair se exibindo por aí quando você tem um corpo perfeito!
    - O que eu vejo de velho gordo andando de sunga na praia! – Ele riu consigo mesmo.
    - Eu não consigo ser assim...
    - É engraçado Brunno, como, apesar de toda essa postura de segurança e superioridade, você tem uma auto-estima tão baixa! – Ele fez com que eu me sentisse exposto.
    - Não quero falar sobre isso!
    - Brunno... – Deixou em reticências, enquanto se aproximava de mim. – Até que você não é feio, baixinho! – Um corte descente nesse seu cabelo, um tratamento para tirar essas manchinhas de acne, quem sabe um clareamento para deixar o sorriso melhor... Sem contar na academia...
    - Isso é um episódio de “10 anos mais jovem”? – Eu sorri meio sem graça. Eu tinha plena consciência sobre meus defeitos, sabia o que deveria mudar e como deveria mudar, mas não tinha dinheiro pra fazer tudo isso. Acabei deixando pra lá, deixando pro futuro. Não gostava de ter meus defeitos apontados, ainda mais por Felipe. – Eu não tenho tempo pra essas frescuras!
    - Eu não sei se você não se importa, ou se você se considera tão feio a ponto de não achar que pode melhorar!
    - Só não tenho tempo para isso!
    - “Isso” não precisa levar tanto tempo assim, não é como se você fosse passar uma semana de cada mês confinado num SPA!
    - Você não me chamou aqui para falar disso, não é?
    - Na verdade eu não te chamei para falar nada em especial, só pra conversar mesmo sobre coisas banais... – Ele fez uma pausa. – Como está a sua vida?
    - Minha vida? – Indaguei meio perplexo. Não pensava que um dia o Felipe se importaria com o que faço da minha vida. – Normal... Tenho estudado mais agora...
    - Quem é ele? – Perguntou. Fechando o semblante em uma expressão séria.
    - Ele quem? – Rebati.
    - Você pode dizer, ou eu posso descobrir... Você escolhe!
    - Então, como você está se sentindo, agora que não tem mais o Diego?
    - Sua hostilidade não vai levar essa conversa a lugar nenhum Brunno, você bem sabe como eu estou me sentindo com isso tudo... É engraçado como você se dispõe tanto a ouvir as pessoas falarem e como você, em contrapartida, repele tantas perguntas e reprime tanto os seus próprios ímpetos de falar!
    - Não é isso...
    - Desculpe não ter a ‘maturidade’ do Diego para que você se sinta à vontade em falar suas coisas...
    Felipe ficou deitado na cama, olhando para o teto do quarto. Fechou os olhos e pareceu refletir profundamente. Esse não era o Felipe que conheci a tempos atrás, ele realmente tinha amadurecido muito, com todos os seus erros, e apesar de ainda parecer um pouco perdido do rumo de sua própria vida, nunca pareceu tão seguro de suas convicções. Creio que ele tinha chegado naquele momento da vida em que se está no limiar entre deixar de ser um garoto e começar a portar-se como um homem.
    Acho difícil apostar a minha confiança e todas as minhas outras fichas em Felipe. Apesar de tudo que passou isso ainda parecia um jogo de azar. Mas, o que pude aprender nos meus anos de pouca experiência é que às vezes não importa muito se irá vencer ou ganhar, o importante é jogar.
    - Alan! – Exclamei, com a voz firme. E deixei a palavra ecoar no silêncio do quarto.

sábado, 11 de maio de 2013

Folga



    Boa Noite Caros Leitores!

    Como vocês devem saber, amanhã é dia das mães! E creio que como sou 'mãe' desse conto, mereço uma folguinha! (risos) 
    Brincadeiras à parte, gostaria de avisar que este final de semana eu tirarei uma folga pra organizar um pouco minha rotina. Voltarei com as postagens no final de semana que vem (Uma no Sábado e outra no Domingo).
    Gostaria de saber se vocês estão gostando da história, afinal, já são mais de 2 anos de blog e postagens no (extinto, ou não) orkut. Enfim, quero ouvir vocês um pouco!
    Aproveito para agradecer a fidelidade ao blog e pelo ótimo fluxo de acessos!


XO XO
BRUNNO

segunda-feira, 6 de maio de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 73



    Fitei aquele rosto conhecido demoradamente, ainda entorpecido. Eu me sentia como alguém que tinha sido acordado de um sonho bom, sabia que não poderia voltar novamente para ele, mas, no entanto, não queria voltar à realidade.
    - Felipe? O que você disse? – Indaguei confuso.
    - Sei que você não quer se envolver com nada que relacionado a mim e sei que não estou em posição de pedir isso, mas... – Ele fez uma pausa, engolindo seco o orgulho que ainda restava dentro dele e continuou entre dentes: - Eu preciso da sua ajuda! Não agüento mais a Tânia falando idiotices no meu ouvido e de alguma forma, as conversas com meus amigos antigos não me interessam. Preciso de um ‘tempo’ de tudo, mas não quero ficar sozinho nesse tempo!
    - Felipe, o que você quer dizer com isso? – Perguntei. O excesso de explicações e a minha lentidão mental não me permitiam muita compreensão.
    - Queria que nós passássemos uma tarde juntos. Você só precisa me ensinar alguma matéria ou a gente pode jogar videogame, qualquer coisa! – Pediu ele, com um olhar mais suplicante do que o normal.
    - Embora eu ache bem estranho esse pedido, não tem porque eu não acatá-lo! Acho que uma tarde sem estudar não fará mal nenhum!
    - Te pego em casa que horas?
    - Isso é hoje? – Questionei, mas acabei desconsiderando a pergunta, dada a expressão estranha no rosto de Felipe.
    - É que... – Ele tinha recomeçado a se explicar.
    - Duas e meia na minha casa!
    -Obrigado! – Agradeceu. Saindo com uma expressão de desolação em direção à cantina.

[...]

    Minha vontade era de inventar algum assunto qualquer para puxar com Alan, na esperança de que nós poderíamos passar alguns dos minutos do intervalo falando sobre qualquer assunto banal. Mas, era muito cedo para tentar algo assim, seria forçar muito a barra. Além disso, embora eu achasse difícil, o ideal nessa situação era eu não criar maiores expectativas quanto a minha amizade com o Alan. Ela poderia apenas voltar ao que era, e nossa relação nunca passou desse nível de ‘amizade’.
    Resolvi ir à biblioteca, ler qualquer coisa até a hora de tocar o sinal.

[...]

    Com o sinal tocando uma música gospel, que atualizava diariamente a lavagem cerebral que era feita no colégio, fui andando distraidamente em direção à sala. Inclinei meu corpo sobre o bebedouro para beber água.
    - Não é justo isso que você está fazendo comigo! Você não sabe que eu gosto de você? – Sussurrou uma voz masculina.
    - Não estamos mais juntos. Aceite isso! – Sussurrou uma voz que eu mal consegui distinguir.
    Levantei meu rosto, tentando transparecer naturalidade e pude ver Roger parado, fitando a multidão, de alunos andando em direção às suas respectivas salas, com expressão de perplexidade.
    - Isso não é justo! – Sussurrou para si. Depois começou a andar rapidamente, estralando cada um dos dedos com impaciência.

[...]

    - Obrigado mesmo Brunno, por você ter aceitado vir até aqui! – Disse Felipe quando entramos no seu quarto. Tirando com rapidez seus tênis e meias.
    - Não tem o que agradecer! –Respondi.
    - Fique a vontade! – Ele foi em direção a cama, tirando rapidamente a camisa e a calça. – Que calor infernal! Bem que um inverno viria a calhar nessa cidade, não? – Ele pegou o controle do ar condicionado e acionou o botão para ligá-lo.
    - O quê...? – Eu não sabia ao certo o que eu estava querendo perguntar. Mas, Felipe de cueca esparramado na cama, não era uma imagem que eu esperava ver nesse momento, embora eu gostasse de vê-la.

sábado, 4 de maio de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 72



    Depois de saciar a curiosidade de Roberta de uma forma sucinta e rápida, porque a aula já estava para começar, tentei me concentrar nos novos assuntos que surgiam nas aulas de Física II. Depois de ter me afastado um pouco de Diego e Felipe, pude voltar a minha concentração nos estudos e consegui até me adiantar na matéria.
    Faltava menos de um mês para as provas finais que antecediam o período de férias do meio do ano, para mim, e de recuperação, para aproximadamente 64% da sala. Ainda tinha uma prova de simulado para o vestibular, que não era obrigatória, nem valia nenhuma nota ou pontuação, mas era muito disputada pelo ranking que era feito das melhores notas. Os coordenadores de cada ano interrompiam a aula na sala do aluno que ficou em 1° lugar e teciam alguns elogios que mais soavam como uma crítica subliminar aos alunos que não se empenham nos estudos. A duras penas, consegui ‘vencer’ o Alan no ano passado, tanto no 1° quanto no 2° simulado, já que eram duas provas: uma no meio do ano e a outra no final.
    Por algum motivo, creio que seja algo relacionado à minha reconciliação com Alan, perdi um pouco o entusiasmo em fazer a prova.  Não sentia necessidade de ‘provar’ nada a ninguém. Sempre me saí bem em todas as matérias, passava de ano com elogios dos professores e esse ranking não era tão necessário agora. Em todo caso, iria fazer aprova e estava estudando como de costume.

[...]

    O professor explicava repetidamente uma questão para as meninas da turminha popular da sala, que nesse período de provas finais resolviam sentar na 1ª fila da sala e tentar aprender alguma coisa. Eu já tinha respondido todo aquele capítulo em casa, e já tinha ido tirar minhas duas dúvidas com o professor quando ele mandou todos resolverem as 5 primeiras questões dos capítulos.
    Percorri meus olhos pela sala, já estava cansado de desenhar nas margens das folhas do caderno. Notei que Roger estava inquieto com alguma coisa. De fato, física não era sua matéria preferida, mas sua desatenção parecia não ser gerada pelo tédio dos números e fórmulas ali apresentadas. Algo na inquietação dele despertou a minha curiosidade. Ele mordia a tampa de sua caneta e balançava uma de suas pernas impacientemente, ao olhar para outro ponto da sala.
    Isadora e Maynara conversavam no canto direito da sala, começaram a rir depois que uma delas conseguiu entender como se resolvia a questão que o professor lutava para explicar pela 3ª vez, em meio do barulho da sala.
    - Finalmente vocês entenderam! Depois dizem que loiras não são burras néh Maynara? – Pude ouvir Miguel dizer ao se virar para elas.
    Atrás das duas, estavam Tânia, que não parava de cochichar freneticamente algum assunto que parecia não interessar Felipe, que tinha se sentado ao lado dela por mera formalidade.
    Voltei meu campo visual para Roger, que percebeu que eu estava observando e fez uma expressão de ‘não estou entendendo a aula’ para tentar disfarçar. Ofereci a minha ajuda por leitura labial, ele apenas balançou a cabeça negativamente e disse ‘obrigado’ e virou-se para o quadro novamente.

[...]

    Depois da aula de Física, tivemos uma aula de Ensino Religioso, que se resumiu a assistirmos a outra metade de um daqueles filmes clichês que mostram superação de dificuldades com o uso da fé. Considero que ‘Ensino Religioso’ é uma perda semanal de 50 minutos da minha vida, que poderiam ser substituídos por qualquer outra atividade que agregasse algum valor a minha inteligência. Não seria melhor trocar isso por uma aula de educação sexual, cidadania ou conhecimentos gerais?
     Depois de a professora se esgoelar enquanto os alunos deixavam a ‘sala de religião’, dizendo que queria um resumo sobre o filme para a próxima aula, encostei-me à sacada do andar e fiquei olhando a chuva caindo, agora de uma forma mais incidente e poderosa. Lembrei de quando era menor e brincava de barquinhos de papel na chuva com o... Era engraçado como tudo me fazia pensar no Alan...
     Não tinha como conter a minha imaginação e a minha mania idiota de pensar no futuro, isso fazia parte de mim. Comecei a pensar na minha amizade com o Alan (da forma que ela era antes de nós brigarmos) e se ela voltaria a ser como era antigamente. Naquela época, eu tinha percebido que o que eu denominava de ‘ciúmes de amigo’, na verdade era um sentimento maior que eu nutria por ele. Eu já achava que a hipótese de ‘os opostos se atraem’ era bastante plausível, visto que Alan era muito infantil, inconveniente, não tinha maturidade para diversas coisas, era instável emocionalmente, dentre outros defeitos com os quais eu não me identificava. Mas, de alguma forma eu tinha me apaixonado por aquele jeito infantil e prático para lidar com a vida, até gostava de nossas brigas e reconciliações constantes...
    - Brunno! Preciso de sua ajuda! – Senti uma mão pesada repousar em meu ombro, cortando meus devaneios com uma rapidez inconveniente. 

domingo, 28 de abril de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 71




    O dia amanheceu nublado, com aquele leve friozinho que te gruda na cama, que realça o sono e intensifica a preguiça, mas, ignorei tais sensações de desânimo e fui tomar um bom banho gelado para acordar de uma vez.
    Acabei me lembrando do sonho estranho que tive enquanto a água gelada me açoitava dentro do Box do banheiro. O sonho não tinha muitos detalhes, mas era parecido com um filme ou uma novela. Eu estava muito bem arrumado, com camisa social, colete de alfaiataria, como numa novela de época e eu, ou seja lá quem eu tivesse sendo ali, parecia com o príncipe do filme da Xuxa! Bom, deixo claro que sonhos são meio irracionais, não são? Eu contava a minha mãe, que não era minha mãe, mas ao mesmo tempo era... Acho que era uma atriz com roupas de época também, enfim... Eu chegava na sala e no alto da minha elegância e beleza (obviamente eu não era eu, era o tal do Bernardo príncipe da Xuxa) e ao ser perguntado por minha mãe sobre pra onde eu estava indo, eu dizia que ia encontrar os meus namorados. Não, você não leu errado, eu falei no plural mesmo. E minha mãe de novela, com toda naturalidade, respondeu: “Mas, filho! Você já gosta de um desafio, não é? Já é difícil conviver com uma pessoa, imagina só duas!”. O sonho estranho acabou por aí mesmo, não sei quem eram os tais dois namorados, quem eles seriam? Tentei afastar isso da minha mente, não tinha tempo de pensar bobagens.
    Pensei na sensação de leveza de ter feito as pazes com Alan era animadora, mal poderia esperar pelo primeiro ‘bom dia’, pelo primeiro sorriso que ele vai esboçar pra mim depois que levantamos as bandeiras brancas.

[...]

    Dotado de uma leveza descomunal, atravessei aquele corredor miserável, infestado de futilidade por todos os cantos. A chuva pendia preguiçosamente do céu. O desfile de casacos caros já tinha começado. Era incrível como uma pequena mudança de temperatura abria precedentes para a vaidade desses estudantes, não que já não o fizessem com a desculpa do ar condicionado.
    Caminhei distraidamente, tentando me esquivar dos esbarrões e contatos físicos casuais e desnecessários. Quando levantei meu rosto bruscamente e pude ver aquele sorriso novamente, aqueles ombros largos, aquela presença notável. Alan sorriu pra mim, do alto dos seus um metro e oitenta.
    - Bom dia Brunno! – Disse ele, com descrição e educação ao espantar algumas gotas de água no ombro do seu casaco da GAP.
    - Bom dia Alan! – Respondi, tentando conter a minha empolgação. E no segundo seguinte ele já tinha passado por mim e tinha sumido na multidão.
    Como num frisson, senti o tempo ficar mais lento e pude perceber que algumas pessoas da minha sala, que estavam envolta, ficaram paralisadas.
    - Brunno! Brunno! – Exclamou Isadora, dando passos apressados para me acompanhar. – O que foi isso heim?
    - Bom dia Isadora! – Iniciei, estampando a expressão de desentendimento no meu rosto. – O que foi o quê?
    - Pensei que você e o Alan fossem arqui-inimigos! Vocês voltaram a se falar?
    - Arqui-inimigos  Existe esse tipo de relação antagônica fora da ficção? – Ri comigo mesmo, tentando mascarar o nervosismo.
    - Mas, Brunno... É que... – Ele reiniciou, mas foi interrompida.
    Em um movimento brusco, senti um braço se entrelaçando ao meu.
    - Bom dia pilantra! – Roberta sorriu pra mim me arrastando dali.
    - Bom dia Betão!
    - ‘Bom dia’ nada! Eu ouvi tudo!
    - Então, obrigado por ter me tirado dessa! – Dei um sorriso.
    - Agradeça me contando tudo, detalhe por detalhe! E... Antes que você tente replicar, já digo de antemão que essa é uma ordem! – Ela sorriu pra mim com um de seus sorrisos cheios de significado. Dessa vez não tinha escapatória.



sábado, 27 de abril de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 70



    Terminei de ler a redação da Roberta e comecei a cutucar o seu ombro com impaciência. Ela não me olhou de volta, odiava ser interrompida quando estava lendo. Anotei a lápis, algumas críticas que tinha para fazer.
    - Betão, você só tem 12 minutos pra passar a limpo! – Adverti.
    - Sério, Brunno? Nem me dei conta de como o tempo passou rápido.
    - É. Termine logo. – Respondi resumidamente. – Vou entregar minha redação, quero chegar cedo à biblioteca.
    - A gente não ia lanchar juntos hoje?
    - Tenho um assunto a tratar... – Deixei em reticências.
    - Algo me diz que você não vai chegar nem perto da biblioteca! – Ela fez aquela expressão de ‘eu sei que você está tentando me enganar’ para mim.
    - Não tenho tempo... – Comecei a falar, mas ela me interrompeu bruscamente.
    - ...De me explicar, mas depois você me conta tudo! – Completou ela.
    - É... Tenho que ir!

[...]

   O sinal para o intervalo tocou e em uma reviravolta de meio segundo meu coração se acelerou. Estava andando apressadamente no meio do corredor e rapidamente a multidão começava a se formar. Fiquei me sentindo como um peixe nadando contra a maré, já que eu estava indo pro lado oposto ao da cantina. Tentava ao máximo não esbarrar nas outras pessoas. Eu tinha um sério problema com contato físico desnecessário e não-programado.
    Em um lance rápido de olhar, pude perceber uma troca de olhares entre Diego e Aristides no corredor. Os dois deram um discreto sorrisinho discreto e seguiram na mesma direção, porém afastados. Tive uma visão rápida de como isso tudo iria acabar, mas, tinha que permanecer na minha posição de deixar Diego cometer seus próprios erros.
    Chegando ao mesmo local de sempre, pude ver Alan encostado na parede, no corredor apertado. Perto dele a goteira incessante do ar condicionado pingava vagarosamente. Ele percebeu a minha presença e me fitou por alguns segundos intermináveis. Eu apenas me encostei na parede e esperei ele começar a falar.
    - Olha só Brunno... – Começou ele, depois de alguns segundos de silêncio. – Eu realmente parei pra pensar na nossa amizade, coisa que eu não fazia a tempos e não consegui lembrar do motivo que levou a nossa discussão e que subsidiou os conflitos decorrentes dela. É engraçado isso, de ser meio que ‘inimigo’ de alguém sem saber o motivo... – Ele fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as melhores palavras possíveis. – Mas, mesmo assim, acho que há uma lacuna de uns três anos, que precisa ser preenchida. Não dá pra sair da indiferença até a amizade de infância de forma instantânea...  Acho que isso tem que acontecer naturalmente mesmo, como você tinha sugerido. Não tenho razões pra não te dar um ‘bom dia’, um ‘oi’ e pretendo fazê-los...
    - É Alan... – Eu comecei, tentando normalizar meu tom de voz, alterado pelo nervosismo. – Não espero uma amizade instantânea, até porque isso seria falso, mas seria mais saudável se nós nos cumprimentássemos de vez em quando. Sem nenhuma pressão e tudo mais.
    - É verdade, quem sabe um dia nós voltemos a ter aquela amizade de antes não é? Mas, temos que encontrar algo mais interessante do que Digimon e Pokémon pra conversar! – Ele sorriu. Fazia tempo que eu não via que aquele sorriso tinha sido endereçado a mim.
    - Pior que é... – Comentei rindo também.
    - Bom... Já que tudo está esclarecido, vou lanchar com o pessoal! – Ele estendeu a mão para mim.
    - Certo Alan. Vá lá! – Respondi. Pegando na sua mão e cumprimentando-o.
    Ele saiu rapidamente indo em direção a cantina. Não pude conter um sorriso torto e um suspiro, era como se um peso saísse das minhas costas.
    Por mais que eu tentasse, não conseguia me estabilizar. Minhas pernas ainda estavam bambas, meu estômago ainda se revirava e minhas mãos ainda estavam suando frio. Retribui o aperto de mão, mas no fundo eu queria abraçá-lo. Que pensamento mais idiota, não é mesmo? Não gostava de me sentir assim, vulnerável. Ou será que no fundo eu gostava dessa adrenalina de não ter o controle sobre tudo?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

I'm Back!



Caros Leitores,

Como vocês perceberam eu cumpri o prometido (e no prazo). Estava com saudades de escrever! Ainda estou me atualizando sobre o que eu já escrevi e os detalhes que ainda virão na história, então me deem um desconto! (risos)

Gostaria de agradecer a paciência de vocês e pelos 21.000 acessos! (Gente, isso é muito!)
Estou planejando uma surpresa para quando completarmos 30.000 acessos, então, aguardem...

Vou voltar a postar, mas vamos com calma, certo? Estou pagando várias disciplinas na faculdade esse semestre e isso vai me tomar bastante tempo! Então, as postagens serão nos finais de semana (Uma no sábado e outra no domingo), obrigatoriamente, totalizando 2 postagens semanais, e em consequência 8 postagens mensais! Dependendo da minha disponibilidade eu posso fazer postagens surpresas! (extras). Vou começar oficialmente a postar a partir da semana que vem!

PS: Não esqueci o meu novo conto não! (Aquele que vou escrever junto com o vencedor do concurso "Procura-se um Biancchi") Ele só está engavetado por um tempo! (Ele será postado já no novo site). Ainda planejo criar esse meu site pra repostar Porcentagem Abrasiva com correções, algumas mudanças e alguns capítulos extras. Até lá planejo terminar a história por aqui primeiro! Mas, esse site é pro futuro! (risos) Meu foco aqui é terminar o P. A.

XO XO
BRUNNO BIANCCHI

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 69



     Já estava mais do que na hora de deixar Diego em paz lidando com seus problemas, sozinho. Acho que meus sentimentos por ele transformaram a minha percepção da situação. Eu achava que pelo fato de Diego ser sensível, ele seria ingênuo e indefeso. Apesar de não querer que ele sofresse e tentar incessantemente amortecer qualquer impacto, qualquer situação adversa que pudesse ocorrer eu precisava deixá-lo cometer seus próprios erros e porque não dizer: preciso deixar ele cometer seus próprios acertos. Diego já tem idade e maturidade – o que é de uma relevância bem maior – para não precisar da minha ajuda.
     Confesso que acho esse ‘relacionamento volátil e de curto prazo’ com Aristides não era muito racional, mas se essa é a forma que ele encontrou pra esquecer o Felipe, acho que a tentativa já basta. Eu tenho essa mania irritante de pensar no ‘doravante’, em tudo aquilo que virá a seguir, principalmente as consequências que isso vai decorrer. Calculo que, em média, isso tem mais de 73,8% de chance de dar errado. Nem consigo explicar como faço esses cálculos de consequência, diga-se de passagem. Acho que Diego está trocando seis por meia dúzia. Aristides namora a um tempo considerável com Mariana – fiz minhas pesquisas – afinal, dois anos é um tempo bem relevante. Depois que comecei a prestar atenção neles – geralmente não presto nenhuma atenção especial em ninguém desse colégio – percebi que eles sempre estão se beijando lá perto do pátio, provavelmente se escondem da rigorosidade religiosa das regras da instituição. Provavelmente, ela é o ’disfarce’ dele ou em outra hipótese, que considero de probabilidade bem inferior, que Diego seja o primeiro, ou um dos poucos com que ele se relacionou. Diego está em uma corda bamba, de um lado está a namorada do seu novo affair e do outro está Felipe, ambos podem descobrir, caso eles sejam descuidados, mas acredito que o pior seria se ela soubesse.
     Não posso deixar de perceber a atitude autodestrutiva de Felipe. Ele vem faltado muito às aulas e ouvi dizer que ele anda exagerando na bebida nas festas. É visível o esforço que ele está fazendo para ‘suportar’ Tânia e pelas tentativas de fazê-la pensar antes de tomar atitudes precipitadas. Não sei mais o que fazer para ajudar o Felipe, ele terá que resolver essa situação sozinho.
    Meus dias agora estão mais tranqüilos. Estou focado nos estudos para elevar ainda mais minhas notas e tenho saído mais com Roberta, acho que ela já está mais calma. Ela estava com medo de que minha amizade com Felipe e Diego fizesse com que eu a abandonasse, como se eu conseguisse viver sem a amizade dela.

[...]


    A melhor aula da semana começou. Simplesmente era apaixonado pelas aulas de redação. Problematizar temas, desenvolver um pensamento crítico por temáticas polêmicas e escrever eram minhas paixões. Sempre fazia a redação e ficava revisando, inúmeras vezes até considerar que ela estivesse perfeita, sem gerúndios, sem palavras de sentido vago, sem informações excessivas e desnecessárias. Um bom texto era um texto com questões bem fundamentadas, afiado, curto e que surtisse efeito. Que subsidiasse a minha opinião.
    Esta seria a última aula antes do intervalo, e já faltavam quinze minutos para que ela acabasse. Eu já tinha passado minha redação a limpo e estava revisando a da Roberta – que não necessitava de muita revisão, já que ela escrevia muito bem – só no caso de ela ter esquecido alguma pontuação ou se eu tivesse uma crítica relevante a fazer e que ocasionasse uma mudança de última hora. Roberta, estava fazendo o mesmo, lendo uma redação de uma de nossas amigas, – sim, eu tenho amigos além da Betão – distraidamente.
    Subitamente um pedaço de folha de caderno dobrado foi colocado com discrição na minha mesa. Levantei o olhar e vi Alan andando até o birô do professor, entregando sua redação e saindo da sala. Abri o bilhete discretamente, escondendo ele entre as minhas pernas, por baixo da carteira.

“Preciso falar com você, no mesmo lugar da outra vez.”

Aquela caligrafia tirou qualquer dúvida que eu pudesse ter. Allan tem uma resposta!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Data do Regresso: 19 de Abril


    Caros Leitores;
    
    Já estava mais do que na hora de eu voltar, vocês não acham? Esses quase 5 meses de inatividade foram uma fase muito turbulenta na minha vida! Muita coisa boa e muita coisa ruim acontecendo ao mesmo tempo num furacão de sentimentos! Eu nunca esqueci o blog, mas por motivos de força maior (Projeto de pesquisa, extensão, estágio, provas, seminários e conflitos afetivos) não pude, nem tive cabeça, para retomar... (Mas, tinha em mente a promessa de terminar o conto, que tinha feito pra vocês a tempos e pretendo cumpri-la)
    Voltarei impreterivelmente no dia 19 de abril! (O dia em que vai fazer 5 meses desde nosso último capítulo, como um ato simbólico de que isso não deve  mais se repetir!)
    Espero a compreensão e o perdão de todos! Escrever é bem difícil e dá um trabalhão, mesmo com a história pronta na minha cabeça eu preciso de inspiração para contá-la da melhor forma!
Então, "vamo fazendo"(BRASIL, Inês 2012)

XO XO
BRUNNO BIANCCHI

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Retomada


Caros Leitores,

Agradeço imensamente a sua paciência e fidelidade ao blog!
Daqui a algumas semanas será um aniversário muito triste para o blog: 3 Meses sem postagens! Por mais que isso pareça absurdo, existe um bom motivo por traz dessa minha falta! (Ou vários motivos, melhor dizendo)...
 Por questões de ordem pessoal e profissional eu tive que me afastar mesmo, para me focar em outros aspectos da minha vida, mas agora planejo voltar! Espero que vocês tenham um pouquinho de paciência, porque eu tenho que me situar novamente na história para voltar a reescrevê-la! Vou me dedicar ao máximo no carnaval para adiantar algumas coisas... Em breve eu divulgo a data oficial  da minha volta!

XO XO
Brunno Biancchi