sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 19


    Por mais que o sofá-cama fosse confortável, eu não consegui dormir direito com essa dúvida: "Será que o Diego só está me usando para superar as frustrações que sofreu com Felipe?". Eu não devia ter feito nada disso!  Por mais que eu tivesse gostado de estar com ele ontem, isso é extremamente tóxico para mim. Eu tenho esse sentimento guardado dentro de mim há anos, desde que eu esqueci o outro... Bom... Não vale a pena pensar no outro... Diego foi mais um dos meus amores platônicos e deveria ter ficado aí. Quando as coisas de fato acontecem, tudo fica mais complicado! É tão seguro o meu mundo de imaginações... Eu posso amar alguém desesperadamente, fazer poemas, compor músicas melosas e eu sempre estarei seguro em meu coração...
    - Você já está acordado? - Perguntou Diego interrompendo meus pensamentos.
    - Ah... - Soltei levando um sobressalto. Percebi uma coisa molhada nos meus olhos. Eu não tinha percebido que tinha chorado. - Bom dia Diego... - Disfarcei enxugando as lágrimas com um falso 'esfregar de olhos matinal'.
    - Por que você tava chorando?... - Indagou ele fazendo uma pausa. - E nem adianta vir com aquela história de cisco no olho!!!
    - Nada... Nada... - Menti
    - Foi sobre o que aconteceu ontem?
    - Não... Não...
    - Desculpa mesmo Brunno! Eu não queria brincar com seus sentimentos, eu sei que você sente alguma coisa por mim. Mas eu queria mesmo fazer tudo aquilo, dentro de mim uma chama se acendeu... Eu precisava de você, inteiramente pra mim! Desculpe...
    - Não se preocupe com isso... Estava me lembrando de um velho amigo... - Deixei em reticências.
    - Ele morreu?
    - Não.
    - Você não o vê faz tempo?
    - Também não
    - Faz quanto tempo que você não o vê?
    - É... - olhei no relógio. - Ainda nem fez 24 horas...
    - Deve ser alguém muito especial pra você ter saudades assim
    - Pior que não é!
    - Não entendi.
    - Deixe pra lá, você nunca iria entender...
    - Se você prefere assim, tudo bem!
    Nesse momento uma enfermeira entrou no quarto com nosso café da manhã. Perguntou como o Diego estava e tudo mais e depois saiu.
    - Diego?
    - Diz... - Respondeu ele mordendo uma maçã
    - E o Felipe?
    - Você ainda via insistir nesse assunto?
    - Vou sim...
    - Mas você não deveria estar fazendo a caveira* dele pra mim?
(*NA: Fazer a caveira, pra quem não sabe, significa falar mal de uma pessoa no intuito de envenenar uma pessoa contra outra)
    -  Justamente porque tenho 'algum sentimento por você' - Imitei a fala dele, sendo levemente irônico - é que quero o seu bem, a sua felicidade... E você e o Felipe foram feitos um para o outro...
    - Mas ele...
    - Você sabe que ele não teve culpa! - Intervi antes de ele começar a rebater. - Você sabe que ele é meio esquentado, e tenho certeza que ele vai mudar por você!
    - Ainda não entendo o motivo dessa sua campanha pró-Felipe
    - Porque é o certo a se fazer!
    - Certo pra quem?
    - Nem tudo que eu quero tem que ser o certo...
    - Ainda não entendo
    - É complicado Diego...
    - Complicado?
    - Você é muito inteligente e certamente entenderia, mas eu não sei explicar... - Comentei tomando um gole de suco de goiaba.
    - Você tirou o dia pra deixar minha cabeça confusa...
    - Eu só quero que você pense no assunto...
    - Mas ontem ele quase foi pra cima de você e... - Interrompi Diego
    - Pense... Só pense... Imagine-se sem ele... Eu sei que é clichê o que eu vou dizer, mas que se foda: Escute seu coração e faça a coisa certa, antes que se arrependa! Eu sei que você está, em parte, fazendo isso pra ele te valorizar também, mas ele pode se cansar de correr atrás de você...
    - Brunno você não existe!
    - Existo sim, do contrário eu não estaria aqui... Eu não sou um holograma! - Disse sorrindo. Mesmo que eu estivesse chorando por dentro, essa era a coisa certa a ser feita. A chance de eu me arrepender disso era superior a 99%.
    Nós rimos bastante com algumas piadinhas idiotas enquanto tomávamos nosso café da manhã. Depois de uns 15 minutos alguém bateu na porta. Felipe apareceu mais lindo do que nunca com uma camisa polo da Aleatory(risos) que o trazia um ar de bom-moço. Ele entrou lentamente e foi aí que eu percebi o que ele trazia na mão esquerda.
    - São pra você! - Disse ele estendendo o buquê de rosas lilases. A fita de cetim cor de berinjela pendendo no ar.
    Essa ação causou um frisson. Foi como se tudo estivesse em câmera lenta. No outro segundo Diego estava com o buquê em seus braços, sentindo o cheiro das rosas e deixando uma lágrima cair.
    - Eu não tenho mais palavras para dizer... - Recomeçou Felipe. - E me lembro bem como você gostou dos arranjos do casamento da Patrícia e me disse que essas eram suas flores preferidas.
    - Você achou uma bobagem eu ter uma flor favorita e ficou rindo de mim...
    - Eu não acho mais bobagem... - Respondeu ele fazendo uma pausa. - Tudo que você se interessa é importante pra mim. Eu só não tinha me dado conta disso... - Completou beijando a mão de Diego.
    Eu não aguentei ver aquela cena. Principalmente no estado emocional em que eu estava, até propaganda de margarina me faria chorar... Em mim parecia que uma represa tinha se rompido e estava escorrendo em minhas lágrimas. Tive que correr para longe dali.
    Entrei em uma das cabines do banheiro do hospital, fechei a tampa do vaso e me sentei. Apesar de achar banheiros coletivos completamente anti-higiênicos, eu desconsiderei e chorei como um louco, o álcool em gel fica pra depois. Tive que conter o choro pra não fazer barulho, o fluxo de lá era constante e o barulho da máquina de secar mãos atrapalhava meu momento emotivo.
    Pensei em Diego. Em quanto eu gostava dele e tudo mais, mas logo velhos sentimentos vieram à tona. O que eu sentia pelo 'outro' também veio com toda força. Como eu poderia esquecer meu melhor amigo de infância? Nós brincávamos de Beyblade e jogávamos yu-gi-oh na hora do intervalo e tudo parecia bem até que a adolescência chegou acompanhada por uma gangue de hormônios que acabaram transformando minha ingenuidade em uma arma auto-suicida. Tenho saudades do tempo que ainda falava com ele, nas vezes que dormi em sua casa e ficamos horas falando de pokémon, digimon e todos os outros desenhos que nós assistíamos. Não tinha Física quântica nem química orgânica, e a nossa maior preocupação era com um tema para a feira de ciências...
    Respirei fundo várias vezes. Já não tinha a menor ideia de quanto tempo eu tinha passado ali. Tentei me recompor. Comecei a enxugar minhas lágrimas e a assoar meu nariz. Precisava parecer apresentável para voltar lá. Percebi pela abertura de baixo da porta que alguém estava de pé na frente da minha cabine. A pessoa em questão começou a bater o pé de forma impaciente.
    - Eu ouvi toda a conversa de vocês... - A voz sibilante e amadeirada trovejou do lado de fora.
    Meu corpo se arrepiou todo em um segundo, meu coração começou a bater mais rápido, fiquei paralisado e aquela sensação de 'gelar' se espalhou por meu corpo.

domingo, 23 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 18


    - Como assim? – Indaguei me fazendo de idiota
Diego só me lançou um olhar faiscante e me fitou por um tempo.
    - Tire a roupa! – Ordenou ele me empurrando na parede do Box.
    - E que... – Eu suspirei olhando para o chão... - Eu não gosto de ficar sem camisa na frente das pessoas... – Comentei
    - Tanto faz... Você só vai precisar de outras partes do seu corpo... – Nós trocamos de posição, ele encostou na parede e voltou a me puxar para um longo beijo molhado, com direito a mordidas nos lábios e puxão de cabelo. Selvagem do jeito que eu gosto. *risos*
    Os beijos foram esquentando, meu sangue já estava fervilhando em meu corpo.
    - Bubu... – Sussurrou ele em meu ouvido, gemendo baixo. – Está na hora de você ‘fazer o esforço pra mim’. – Ele colocou a mão no meu rosto me conduzindo para baixo e logo eu estava de joelhos olhando pra ele como um escravo que espera ordens. – Você sabe o que fazer... – Comentou Diego, deixando que eu começasse.
    Só tinha um pequeno probleminha... Eu não “sabia o que fazer”. Eu nunca tinha feito sexo, de nenhum tipo, na minha vida. Por mais que eu sonhasse com esse momento, principalmente nos meus momentos de divertimento nos banhos em dia de calor, e por mais que eu tivesse visto alguns videozinhos, eu ainda não sabia o que fazer. Meu coração começou a bater acelerado, muito mais rápido do que já estava batendo. Eu tinha que fazer alguma coisa. Olhei para Diego. Ele estava fazendo aquela cara de menino pidão.
    - Eu não sei como fazer... – Admiti, torcendo o lábio.
    - Você já chupou pirulito? – Perguntou ele rindo...
    - Claro néh seu idiota!
    - Então... É parecido... Vai tentando aí e eu vou dizendo se você está fazendo certo... Hoje eu vou ser seu professor! – Disse ele com um sorriso safado nos lábios.
     Voltei a encarar o ‘problema’ a minha frente e que problemão... *risos* Comecei de leve, segurando ele e fazendo movimentos de vai e vém... Depois Beijei a barriga de Diego, percorrendo toda a extensão daquele maravilhoso tanquinho e fui descendo e beijando. 
    Queria me esforçar ao máximo para fazer o Diego feliz. Queria levar ele ao delírio, então, percorri a minha língua por toda a extensão do ‘problemão’ do Diego levemente, só de maldade, fazendo pequenas pausas para olhar para o rosto dele. Eu queria ver o fogo nos seus olhos famintos, queria que ele implorasse por mais e mais. Diego olhava para o teto e fechava os olhos, mordendo o lábio inferior. Acho que eu estava pegando o jeito. Parei o que estava fazendo, por alguns segundos,enquanto tirava a minha roupa. Essa não era hora para as minhas frescuras de me achar feio por não ser malhado que nem ele. Liguei o chuveiro. A água fria percorreu o corpo dele vagarosamente fazendo-o se arrepiar todinho. Estava na hora do 2° round.
    Voltei ao ponto que parei passando a minha língua por toda a cabeça em movimentos suaves e circulares.
    - Você está me enlouquecendo bubu... – Comentou Diego em meio a um gemido. – Coloca ele na boca de uma vez! – Ordenou ele com aqueles olhos azuis ardentes de desejo.
    Eu não respondi. Apenas acatei a ordem dele. Coloquei ele na boca aos poucos. Senti a mão de Diego pousar sobre minha cabeça. Ele entrelaçou os dedos em meu cabelo.
    - Deixa eu te dar uma ajudinha Brunno! – Disse ele, conduzindo os movimentos de vai e vem. Ele aumentava a velocidade progressivamente. Colocou a outra mão em minha cabeça também, segurando firme.
    Podia ver o prazer percorrer o seu rosto, ele mordia sua boca, gemia baixo e suspirava cada vez mais intensamente. Nunca imaginei que sentiria esse tipo de sensação, minha pele formigando com o meu corpo que se arrepiava com cada gemido dele. Tudo isso era muito mais do que imaginei e muito mais do que eu sonhei em ter. Diego estava indo mais e mais rápido e então parou abruptamente. Senti o corpo dele todinho se tremer e um jato quente invadiu minha boca.
    Ele se encostou novamente na parede respirando como se tivesse acabado de correr uma maratona. Eu engoli tudo e me levantei rapidamente. Meus joelhos estavam doendo muito. Fiquei olhando para Diego, ainda envolvido pelos reflexos finais de seu orgasmo. Ele abriu os olhos lentamente e ficou olhando para mim também.
    - Obrigado... – Sussurrou ele sorrindo. – Eu sempre quis fazer isso.
    - Nunca fizeram sexo oral em você? – Perguntei soltando um risinho abafado.
    - Já... Mas nunca deixaram que eu metesse tão forte assim...- Ele passou a vista por meu corpo vagarosamente, me analisando.
    - Não sei porque você diz tanto que não gosta do seu corpo...
    - É que eu estou me achando gordo...
    - Isso se resolve com alguns meses de academia, mas essas pernas... – Ele voltou a olhar... – Tem certeza que nunca malhou?
    - Não... Nunca...
    - Queria ter essa panturrilha que você tem... E as coxas grossas que você tem... – Ele foi colocou suas mãos nas minhas coxas apertando com vontade... – Olha só... Não vamos esquecer de você não é? – Indagou ele apontando para a minha ereção.
    Ele avançou em mim me beijando com voracidade e percorrendo suas mãos por todo o meu corpo. Diego me empurrou na parede do Box. As gotas de água acariciando meu corpo. Passou a mão por minha coxa e depois voltou ao meu... Nossa! Um arrepio se apoderou no meu corpo enquanto meu pau latejava na mão dele... Ele foi devagar só pra me deixar na vontade.
    - Agora está na hora de você se divertir um pouco... – Disse ele entre beijos que desciam vagarosamente do meu pescoço e continuaram descendo...
    Diego passou a língua devagarzinho por toda a extensão do meu ‘problema’ *risos*. O toque molhado e suave da sua língua fazia minhas pernas tremerem. Ele colocou tudo na boca e fez o movimento de leve, olhando para mim com aquela cara de safado. Às vezes ele parava por um tempo e sorria só pra me deixar na vontade. A sensação molhada de prazer que Diego me proporcionara não tinha comparação, nem quando eu tirei 1° lugar na feira de física e química, nem quando eu tirei a única nota azul em física da sala e nem se eu comesse todo o chocolate do mundo eu me sentiria tão bem. Fechei os olhos e me encostei na parede, nem aquela água fria conseguia diminuir o calor que eu estava sentindo. Diego mostrou uma habilidade bem maior que eu e logo eu já tinha chegado lá também. Ele voltou a ficar em pé.
    - Foi rápido... – Comentou ele sorrindo. – Com o tempo você vai ganhando resistência. – Ele sorriu.
    Nós terminamos de tomar banho e fomos dormir. Amanhã seria um longo dia. Afinal, não sabíamos de fato a origem dos desmaios de Diego. E se fosse algo grave?
    Demorei para pegar no sono. Fiquei lá deitado naquele sofá-cama olhando para Diego. Provavelmente os acontecimentos de hoje não se repetiriam, ele provavelmente via voltar pro Felipe e em um passo de mágica, eu serei só um passado esquecido. Mas o problema é que eu amo Diego, e sempre o amei... Desde os tempos de colégio. Será que eu vou conseguir competir com Felipe?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 17

    - Ah... Oi pra você também Felipe! – Disse Diego de forma vaga.
    - Felipe... É que... – Gaguejei.
    - Seu imbecil! – Disse ele fumegante avançando pra cima de mim.
    - O que você vai fazer Felipe? – Indagou Diego com um autoritarismo marcante na voz. – Vai bater nele também? Ou vai bater em mim de novo? Que tal abrirmos uma ala do hospital só para vítimas suas?
    Ele parou a centímetros de mim. A tensão tornava o ar pesado. Ele puxou meu cabelo fincando os dedos na minha nuca.
    - Melhor que isso... – Respondeu Felipe passando o outro braço por minha cintura e me beijando com voracidade.
    Ele puxou meu cabelo com ainda mais força e esmagava meu corpo com seu braço que torcia minha cintura. O pior de tudo é que eu estava gostando, mas pela minha dignidade tive que me soltar.
    - Certo... Certo... – Iniciei me libertando dos braços dele. – Já entendi que os dois beijam muito bem e que só estão me usando pra fazer ciúmes um ao outro, vocês poderiam ser mais infantis?
    - Mas Brunno... – Diego tentou dizer, mas eu interrompi.
    - Qual a parte do ‘Eu mando, vocês obedecem’ que vocês não entenderam? Eu vou dormir hoje aqui porque considerei o pedido do Diego válido e porque eu QUERO dormir aqui hoje...
    - Diego, você vai deixar ele mandar agora?
    - Sem objeções... – Comentou Diego com um meio sorriso nos lábios.
    - E você Felipe, pode ir embora... Vá pra aula e estude pra ver se coloca alguma coisa nessa sua cabeça além dos anabolizantes que estão liquefazendo seu cérebro!
    - Seu nerdzinho idiota eu vou matar você! – Disse ele aumentando o tom de voz...
    - Então vamos ter um vídeo muito divertido pra assistir amanhã, você quer levar a pipoca? – Ironizei.
    - Mas antes disso eu te quebro a cara!!!
    - FE-LI-PE! – Advertiu Diego em voz alta. – Vá agora!
    - Dois idiotas... – Comentou ele pegando sua mochila e saindo da sala fumaçando.

[...]

    - Olha só quem voltou... O Brunno intimidador e autoritário estava com saudades dele!
    - Para com isso seu bobo! – Respondi sorrindo. – Situações extremas exigem medidas drásticas.
     A enfermeira entrou dando boa noite.
     - Senhor... – Passou a vista pela ficha. – Diego Holanda Albuquerque... Vamos tomar  a medicação?
    - Uhum... – Respondeu ele sem maiores entusiasmos. Tomou o remédio, fazendo uma cara de azedo.
    - Não acha que teria gosto de chocolate não é? – Brincou ela, passando os olhos novamente pela ficha. – Essa foi a última dose do dia, agora só amanhã... Sugiro que você durma e descanse. Evite demais esforços, só levante daí se for estritamente necessário, no caso de ir ao banheiro.
    - Posso tomar banho agora? Estou morrendo de calor...
    - Claro que pode, mas depois... Cama! – Ela me fitou por um breve momento. – Você quem é?
    - Amigo dele...
    - Certifique-se que ele vai repousar, você parece ser um rapaz sensato... – Voltou a olhar para Diego. – Quer ajuda pra tomar banho? Eu posso chamar um enfermeiro...
    - Não... Não... O meu amigo ajuda eu ir até lá...
    - Certo... – Comentou olhando por cima dos óculos. - Se precisarem de mim é só chamar, eu estou de plantão esta noite... – Completou saindo do quarto em seguida.

[...]

    - Vamos lá Brunno?
    - Hã?
    - Você vai me ajudar a tomar banho...
    - Está certo... – Comentei gelando na hora. Eu o ajudei a levantar e o conduzi até o banheiro. – Pronto... – Disse deixando-o dentro do banheiro – A toalha está aqui, e todo o resto eu já coloquei no Box... Sabonete... Shampoo e tudo mais que o Felipe trouxe, se precisar de mim estou aqui no sofá!
    - Que parte do ‘você vai me ajudar a tomar banho’ você não entendeu?
    Eu fiquei completamente apreensivo. As chances de eu fazer alguma bobagem é superior a 94%. Também, eu não sou de ferro não! O garoto com o qual eu sempre sonhei vai estar completamente nu na minha frente, molhado e eu vou estar ensaboando ele... Sentir um calor se apossar sobre meu corpo, como se meu sangue fervilhasse instantaneamente. Respirei fundo e voltei a fitar Diego.
    - Certo... Certo... Vou te ajudar a tirar a roupa. - Encostei Diego na parede e comecei a tirar sua camisa. O abdômen sarado aparecendo a cada leve puxada que eu dava no tecido e logo pude ver a maravilhosa tatuagem de tribal em seu braço. Depois passei para a sua calça, meus olhos fumegavam de desejo. Foi aí que eu tive uma surpresa. Diego estava ‘animadinho’ por dentro da calça. Eu ignorei esse detalhe, afinal, ele podia estar apenas sensível ao toque por causa da dor.
    - Brunno? – Indagou Diego, eu voltei a olhar para ele. Ele me puxou e me beijou conduzindo minha mão para a cueca dele.
    - Dih... O médico falou para você não fazer esforço!
    - Quem disse que eu vou fazer esforço? – Respondeu ele deixando a cueca cair no chão. – Você que vai fazer o esforço pra mim!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 16


    - Felipe... Eu prefiro que o Brunno durma aqui, eu acho melhor você ir pra casa... – Fez uma pausa. – Eu não quero discutir mais com você o que já está resolvido!
    - O que está resolvido então? – Disse ele aumentando seu tom de voz.
    - Felipe, vem aqui fora comigo, por favor! – Eu disse, puxando ele pelo braço...
    - Se você está pensando que...
    - Cala a boca e vem! – Insisti praticamente arrastando ele pra fora.
    Fechei a porta e me afastei um pouco, não queria que Diego ouvisse nada.
    - O que foi nerdzinho? – Disse Felipe com desdém
    - Vá pra casa do Diego e pegue algumas coisas pra ele como roupas e coisas de uso pessoal, faça meio que uma mini-mala e... –Ele me interrompeu
    - Agora vai voltar a dar ordens em mim?
    - Deixe eu terminar de falar seu imbecil! Vá fazer isso e eu vou ficar tentando convencer ele a deixar você dormir aqui essa noite...
    - E por que você faria isso?
    - Por causa da sua simpatia é que não é! Só vá fazer o que eu mandei!
    - Agora?
    - Espere lá na lanchonete, eu vou falar com minha mãe e já falo com você!


[...]

    Resolvi aproveitar que tinha saído e voltar a sala de espera pra falar com minha mãe.
    - Como ele está, querido? – Perguntou ela apreensiva.
    - Ele está bem. Passou por uma bateria de exames e está um pouco cansado. Talvez tenha que passar 1 ou 2 dias no hospital em observação.
    - Coitado do rapaz... Nem sabem o motivo nem nada?
    - Parece que ele escorregou e caiu... – Menti descaradamente.
    - Ah ta... Então vamos embora filho?
    - Ainda não... É que ainda estamos resolvendo quem vai ficar pra dormir com ele...
    - E os pais desse menino, onde estão?
    - A mãe está viajando e o pai está dando palestras em um tipo de congresso que está tendo aqui...
    - Aquele congresso de odontologia que está acontecendo no centro de convenções?
    - Esse mesmo...
    - Sua irmã vai chegar logo em casa e eu ainda não fiz o jantar...
    - Vá pra casa mãe, qualquer coisa o Felipe me leva, ele está de carro...
    - Esse Felipe já tem idade pra dirigir...
    - Tem sim... – Não sei como ele passou na prova, Pensei. – A propósito... Vou pedir pro Felipe te dar uma carona até em casa, aproveite e coloque algumas roupas numa sacola caso eu precise dormir aqui.
    - Está certo filho... É muito bonito isso que você está fazendo pelo seu amigo...
    - É o que os amigos fazem...


[...]

    Depois de mandar o Felipe levar minha mãe em casa e pegar umas coisas pro Diego e pra ele mesmo, afinal, eu não tinha como prever se eu conseguiria ou não persuadir Diego a deixar Felipe dormir no hospital ou não, voltei ao quarto.
    - O que você disse a ele? – Perguntou Diego, logo quando eu voltei à sala.
    - Que fosse buscar umas roupas na sua casa...
    - Ele ainda vai voltar?
    - Aham... Ele vem trazer aqui...
    - Hum... – Soltou suspirando.
    - Diego, eu acho que você deve o deixar dormir aqui... Até porque vocês são amigos há muito tempo e...
    - Você se esqueceu do motivo pelo qual eu estou aqui? Tudo que eu estou passando é culpa dele... As dores de cabeça, as tonturas e até o meu desmaio são culpa dele!
    - Você gosta dele e ele é louco por você, eu sei que o que ele fez não se justifica, mas mesmo assim você deve perdoar ele e deixar ele dormir aqui...
    - Por que você está fazendo isso?
    - Porque é a coisa certa a se fazer!
    - Mas você odeia ele!
    - Odiar é uma palavra muito forte... Digamos que a filosofia de vida dele é antagônica à minha...
    - Brunno. Posso te fazer uma pergunta?
    - Você acabou de fazer uma... – Respondi sorrindo. – Faça a outra agora...
    - Por que você fez tudo isso? O lance do vídeo e tudo mais...
    - Vingança por tudo que vocês fizeram comigo e como me humilharam...
    - Só por isso? – Indagou Diego arqueando a sobrancelha direita.
    - Talvez por inveja... Vocês têm tudo tão fácil. Eu tenho que ficar contando cada centavo que ganho e tenho que juntar por meses pra comprar alguma coisa boa, e vocês conseguem tudo só passando o cartão de crédito...
    - Se a questão é dinheiro porque você não aceitou o acordo que a gente propôs?
    - Não... Não é dinheiro! – Respondi interrompendo a sua fala. – Eu tenho orgulho do que sou, e eu só sou assim porque batalho pelas coisas. Talvez se eu tivesse muito dinheiro, eu seria um mauricinho cabeça-oca que não quer nada com a vida!
    - Tipo, nós?!
    - Quase isso... Eu queria que vocês se sentissem como nós nos sentimos quando vocês fazem questão de pisar e humilhar as pessoas que não tiveram a mesma sorte de nascerem berço de ouro como você e o Felipe tiveram.
    - Mas não foi só isso não é Brunno?
    - O que mais seria?
    - Eu acho que você tem uma quedinha pelo Felipe, apesar de vocês brigarem tanto... Sentir-se o dominador da situação e mandar nele é algum tipo de fetiche que você tem?
    - Claro que eu não sinto nada por ele! – Respondi com indignação
    - E por mim, você sente?
    - Aonde você quer chegar com essa conversa?
    - Não responda uma pergunta minha com outra pergunta! – Disse ele mudando bruscamente a sua posição na cama, tentando se sentar.
    - Você tem que ficar em repouso!
    - Então responda! Agora!!!
    - O que você quer que eu diga? – Meu sangue começou a ferver. - Que eu olho pra você desde a 4ª série? Quer que eu diga quantas noites eu passei sonhando em beijar você? Quer que eu diga quantos trabalhos eu fiz em grupo com você e fiz o trabalho todo pra você ganhar notas maiores pra recuperar o seu boletim! Eu amo você idiota!!! – Parei pra respirar, tinha falado rápido de mais.
    - Venha aqui! – Ordenou Diego. Eu dei alguns passos. – Mais perto! – Eu andei um pouco mais. – Mais perto...
    - Diga... – Sussurrei, meu rosto estava a alguns centímetros do dele.
    - Eu acho que você merece alguma coisa por tudo que você fez por mim... - Sibilou, segurando meu rosto e me aplicando um beijo leve e molhado.
    - O que é isso?! – Uma voz grave trovejou atrás de mim.

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 15

    Depois de alguns minutos pude ver Felipe entrando pela porta de vidro com uma expressão indecifrável. Ele se aproximou lentamente, o ar ficou mais pesado como em um frisson.
    - Não podemos vê-lo ainda... – Iniciei tentando acalmá-lo. Percebi uma lágrima rolando em seu rosto.
    - Alguma notícia?
    - Até agora não... Temos que esperar... Estava esperando você pra você tentar se comunicar com os pais deles, você tem como ligar pra eles?
    - Claro... – Respondeu sério. Felipe saiu do local e ficou na porta falando ao telefone por alguns minutos.
    O vai-e-vem era constante no local, apesar de ser um hospital particular a lotação era digna de um SUS. Gente desmaiando e gemendo pelos cantos, seria uma longa noite. Depois de exaustivas horas e de folhear praticamente as edições completas da revista caras de dois anos atrás, o médico apareceu.
    - Vocês são a família do Diego?
    - Sim! – Respondeu Felipe de prontidão.
    - Ainda estamos investigando o caso dele, ele já recobrou a consciência e realizamos uma bateria de exames, os resultados saem em poucos dias, ele brevemente será liberado. Acho que se tudo correr bem, amanhã ele voltará pra casa.
    - Podemos vê-lo? – Interrompeu Felipe.
    - Claro que sim! Quarto 16, a 3ª porta a direita!
    Nós seguimos o médico até a porta e nos deixou a sós. Minha mãe resolveu ficar na sala de espera mesmo.
    - Dih... – Proferiu ele com o pouco de ar que lhe restava, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
    Eu apenas dei um dos meus sorrisos unilaterais e me sentei no sofá, afinal, eu era um mero coadjuvante na cena.
    - Oi Felipe... – Sussurrou ele com certa indiferença.
    Felipe se aproximou aos poucos, medindo cada passo que dava com cautela, sentando-se na escadinha que ficava ao lado da cama. Ele segurou a mão de Diego, fitando a bolsa do soro, ligada ao braço esquerdo de Diego, por alguns instantes.
    - Como você está?
    - Bem... – Respondeu em reticências.
    - O que houve com você afinal?
    - O médico disse que foi por causa da minha pancada na cabeça... – Essa frase soou como milhões de agulhas de gelo dilacerando as expressões de Felipe, que logo compôs um semblante martirizado pelo arrependimento. – Ele ainda disse... Que se eu tivesse feito os exames logo, teria sido mais ‘aconselhável’... Médico idiota!
    - Mas, vai ficar tudo bem com você! – Intervi, levantando do sofá e me aproximando dele. – Desculpa se eu te deixei irritado naquela hora...
    - Não Brunno, você não tem culpa de nada! – Respondeu Diego, fazendo questão de enfatizar a palavra ‘você’. – E se for algo grave? – Reiniciou ele em lágrimas.
Felipe estava em estado de choque.
    - Calma Dih... Sempre temos que esperar o melhor! O médico disse que, se tudo correr bem, você poderá ser liberado amanhã.
    - Eu vou ter que dormir aqui? – Falou indignado.
    - É pra o seu bem Diego... Você não pode fazer muito esforço físico! Nem ouse tentar se levantar daí sem permissão! – Ordenei em tom leve.
    - Tá! – Respondeu a contra-gosto.
    Nesse momento ouve uma leve batida na porta. O médico de outrora adentrou no quarto com um homem muito vistoso, que aparentava ter um pouco mais que quarenta anos.
    - Diego... – Bradou ele com ar de reprovação. – O que aconteceu? Você sempre metido em encrencas... – Ele cruzou os braços e ficou analisando-o. – O que vocês aprontaram dessa vez Felipe? - Ignorou completamente a minha existência.
    - É que... – Balbuciou Felipe cm certa dificuldade.
    - Eu escorreguei e caí quando estava correndo...
    - Hum... – Soltou secamente voltando seu olhar para o médico de plantão.
    - Foi exatamente isso que ele me contou, pela minha análise prévia creio que é muito provável que tenha sido uma queda seguida de forte impacto na cabeça...
    - Podemos ir já? – Reiniciou fitando seu relógio de ouro com impaciência.
    - Ele vai precisar ficar em observação... – Disse o médico.
    - Quanto tempo?
    - Até amanhã, ou depois da manhã... Depende da evolução do caso. O senhor pode dormir aqui com ele no quarto...
    - Diego... – Sibilou com ar de indignação. – Logo agora no meio do congresso de odontologia norte e nordeste...
    - Pai... Eu posso ficar com meu amigo...
    - Não sei... O que você acha Doutor?
    - Sem problema...
    - Ótimo... – Ele se aproximou da cama, aplicando um beijo na testa do filho. – Por favor, não faça eu me preocupar mais... – Sussurrou. – Toda vez que sua mãe viaja você me apronta uma dessas, que tipo de pai ela vai achar que eu sou?
    - Não precisa contar pra mamãe...
    - Ainda não contei...
    - Então não conte! – O celular do pai de Diego tocou.
    - Certo... Certo... Vou ter que atender essa ligação, amanhã eu passo aqui pra te buscar – Ele saiu rapidamente do local.
    Um silêncio se apossou do ambiente, eu me aproximei mais de Diego e perguntei:
    - Era o seu Pai?
    - Rodrigo Albuquerque, o próprio... O melhor dentista da cidade e blá blá blá, e tudo mais que aqueles puxa-sacos dizem dele...
    - Parece ser um homem distinto...
    - Desculpa, ele não ter falado com você, ele tem essa mania deselegante...
    - Sem problema, numa situação dessas, ele não conseguiu perceber minha presença por causa da tensão...
    - Creio que não foi por isso, mas deixe pra lá...
    - Bom Diego... – Começou o médico que estava praticamente de enfeite na cena toda – Eu tenho que ir visitar outros pacientes, qualquer coisa é só chamar uma das enfermeiras. Você está fora de perigo, só evite fazer muitos esforços...
    - Certo Doutor... – Respondeu Diego, o médico saiu do quarto em seguida. - Bom... E agora? – Ele voltou a falar, olhando para mim.
    - Não sei Dih... Temos que pegar algumas roupas pra você, já que você ficará até por algum tempo. Amanhã eu copio tudo da aula e tiro xérox pra você certo?
    - Mas, Brunno... Eu quero que você durma aqui comigo! – Respondeu ele com ar suplicante.
     Eu nem sei com que expressão eu fiquei, só sei que fiquei todo arrepiado quando ele falou isso.
    - E eu? – Indagou Felipe despertando de seu transe pós-traumático.

sábado, 8 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 14

Quando eu dei por mim estava beijando Diego e para minha surpresa ele estava correspondendo. O beijo dele era leve e suave, ele passou a mãe pela minha cintura enquanto eu segurava seus rosto com minhas mãos. Depois de um tempo ele parou o beijo e ficou me observando com uma expressão que eu nunca tinha visto ele fazer.
- Desculpe Diego... Eu não devia ter feito isso eu não queria me aproveitar do seu momento de fragilidade e... – Nesse momento foi ele quem me beijou me encostando na parede e fazendo carinho no meu rosto. Depois de alguns minutos ele parou e voltou a me fitar.
- Você até que é bonito Brunno... – Comentou Diego. – É só arrumar umas roupinhas melhores... – Disse em tom de brincadeira.
- Isso foi um erro, você gosta do Felipe e... – Ele me interrompeu
- E você?
- Eu o que?
- Você gosta de quem?
- Eu... – Comecei em reticências ficando completamente arrepiado. – Isso não está certo!
- Eu não perguntei isso... – Disse ele arqueando a sobrancelha em objeção. – Você gosta de quem?
- Do Miguel! – Menti usando o nome de um menino da minha sala.
- Você gosta do Miguel?
- É... – Respondi secamente, precisava ser forte.
- E se o Miguel gostasse de você também?
- O Miguel deve gostar da namorada dele, e ele deve se resolver com ela! – Respondi, era óbvio que não estávamos falando do Miguel.
- Que pena Brunno... Você é tão inteligente, gentil, educado e não é de se jogar fora... Talvez o Miguel quisesse ficar com você!
- Eu não sou banco reserva, nem sou prêmio de consolação. O Miguel só iria querer ficar comigo por 2 motivos... Ou pra fazer ciúmes, Ou porque eu sou uma alternativa menos complicada!
- Que seja... – Disse ele destrancando a porta do quarto e andando até a sala.
- Espera aí... – Fui atrás dele. E o vi na sala se segurando no braço do sofá. – O que foi Diego?
- Minha cabeça está... – Ele não conseguiu completar a frase.
- DIEGO! – Disse assustado e tentando levantá-lo do chão, ele tinha desmaiado. – MÃE VEM AQUI!!! – Gritei
- O que foi menino? – Disse ela chegando à sala. – O que aconteceu aqui?
- Ele desmaiou e não está acordando... O que a gente faz?
- Espera aí! – Disse ela correndo para o quarto. Segundos depois ela voltou com um frasco de perfume na mão.
- Pra quê isso?
- Bota pra ele cheirar pra ver se ela acorda, na novela da tarde funcionou!
- Certo! – Disse pegando o frasco e aproximando do nariz de Diego, mas ele não acordou de jeito nenhum. Foi aí que percebi a cabeça dele começou a sangrar. – Mãe!!! E agora?
- Eu vou ligar pra ambulância!
A partir desse ponto tudo parecia um filme em câmera lenta. Eu comecei a tentar reanimá-lo e a vontade de chorar me consumia.
- Olhe na carteira dele, veja se ele tem algum plano de saúde! – Comentou minha mãe tentando permanecer calma. De fato, ele tinha plano de saúde particular.
O socorro demorou pra chegar. As luzes piscantes e o som ensurdecedor começaram e eu senti uma lufada de alívio.
Chegamos no hospital particular, eles levaram a maca para dentro e minha mãe foi apresentar o cartão do plano e a identidade de Diego. A moça do balcão liberou o atendimento e ele foi encaminhado para um quarto da emergência. Nós fomos impedidos de entrar.
Meu celular tocou. Na tela o nome FELIPE piscava, tive que atender para que o barulho não reverberasse mais pela sala de espera.
- Oi... – Comecei tentando pensar no que dizer.
- Eu quero saber o que você planejou ouviu? E nem pense que aquela humilhaçãozinha vai ficar por isso mesmo! É melhor você me dar um bom motivo pra eu não quebrar a sua... – Interrompi a fala dele.
- Felipe... – Disse em tom sério.
- E nem adianta dar uma de psicólogo pra cima de mim...
- Aconteceu uma coisa com o Diego...
- O que? – Ele enfim parou de falar.
- Estamos na Unimed (NA: Hospital)...
- O que aconteceu?
- Ele desmaiou e não acordou mais...
- Estou indo pra aí!

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 13

    Peguei um ônibus que demorou a me deixar em casa e a minha cabeça já estava a mil pensamentos. Por mais que eu tivesse caído na real e decidido devolver o vídeo eu ainda pensava ‘ E depois? O que acontece?’. É óbvio que eles iriam me abandonar e voltar pra suas vidinhas perfeitas de festas e roupas importadas e eu voltaria a ser o Brunno, o Nerd da sala. Afogando a minha vida nos livros pra tentar garantir o meu futuro. O futuro deles? Já estava garantido, a chance deles não serem bem sucedidos era menor que 2% isso se eles acordassem um belo dia e resolvessem chutar o balde e estragar sua vida por si só. Do contrário, seus pais e sua maravilhosa conta bancária garantiriam os 98% restantes e eles teriam uma vida sem mais dificuldades.
    Cheguei em casa grudando. O ônibus lotado e o calor da cidade do “Verão Eterno” tinha deixado meu corpo quente e minha mente estressada, afinal, Maceió não é lugar para os amantes do frio.          
    Resolvi tomar um banho e a medida que as gotas leves e gélidas tocavam meu corpo eu relaxava e tudo ficava mais nítido em minha mente. Será que o Diego se deixaria influenciar por Felipe novamente e voltaria a humilhar as pessoas? Será que ele iria me ignorar?
    Meu celular tocou insistentemente, coloquei meus óculos ficou meio borrado com a espuma e fitei o visor, apreensivo. DIEGO. O nome dele piscava. Atendi.
    - Hey Diego! – Disse.
    - Preciso falar com você urgente Brunno, daqui a 1 hora estou chegando na sua casa!
    - Mas... – Tentei dizer, mas ele já tinha desligado.
    Terminei meu banho, vesti uma roupa de sair e fui almoçar.
    - Pra onde vai assim Brunno? – Perguntou minha mãe
    - Um amigo meu vem pra cá para resolver umas coisas do colégio.
    - Porque não falou antes? Eu fazia uma coisa melhor pro almoço!
    - Não... Não... Ele vem daqui à uma hora mais ou menos e a gente vai resolver alguns detalhes do trabalho.
    - Da próxima vez avise viu Brunno?
    - Foi uma emergência...
    - Sei... – Comentou finalizando a conversa.
    Terminei de me aprontar e o meu celular tocou novamente. Diego tinha chegado. Fui pra porta buscá-lo. Ele estacionou, sua expressão era séria. Seus olhos estavam um pouco inchados, acho que ele tinha chorado antes de vim. Levei ele pro meu quarto e tranquei a porta.
    - Senta aí Diego... – Comentei apontando pra cama. – O que se passa? – Indaguei apreensivo.
    - Eu já pensei tanto que minha cabeça está explodindo de dor... Brunno, você é tão inteligente... Sempre tem a palavra certa pra resolver tudo... – Ele começou a lacrimejar, seus olhos pareciam um lindo mar azul transbordando em lágrimas. A mancha púrpura de seu olho já tinha diminuído. – Eu gosto do Felipe, mas tenho medo do que pode estar por vir...
    - Tem medo de que ele te bata novamente?
    - Não... Não é isso...
    - Então o que é?
    - Felipe nunca leva nada a sério, eu não sei o que se passa na cabeça dele... Uma hora ele parece que está comigo, me faz carinho e olha pra mim daquele jeito meigo que ele não olha pra mais ninguém e outra hora está pegando as meninas nas festas.
    - Pensei que vocês dois já tivessem resolvido isso. Vocês não ficam sempre com muitas meninas?
    - Eu também fico, mas ele transa com elas...
    - E você não?
    - Não... Eu finjo que faço a linha mais ‘cavalheiro’ justamente pra não precisar dormir com elas...
    - Você nunca...?
    - Com meninas não! Eu não conseguiria sentir com elas o que eu sinto com o Lipe! Então eu fico pensando. E se ele me deixar? E se ele quiser uma vida ‘normal’?
    - O amor é como um jogo, você nunca sabe o que vai acontecer... Há perdas e ganhos, mas você não consegue prever o que vai acontecer depois e acho que a vida toda é uma incerteza, por mais que se estude e se batalhe não existe 100% de certeza de que as coisas vão realmente sair do jeito que queremos.
    - Eu quero perdoar o Lipe, mas também posso aproveitar toda essa situação pra parar por aqui. Não quero mais me machucar... Nem fisicamente, nem emocionalmente...
    - Diego... – Recomecei aparando uma lágrima que rolava em seu rosto. – Há alguns dias atrás eu diria que o certo é se afastar do Felipe, mas por mais que eu am... Goste de você... e... – Me atropelei com as palavras, quase disse o que não devia, tentei contornar a situação. - Eu realmente... Achava que o Felipe não queria nada com nada, só ligava pra festas, bebedeiras, pegar meninas e tudo mais, mas eu vi outro lado do Felipe esses dias... Se ele continuar mudando, como ele mudou do começo da semana pra hoje, acho que daria certo entre vocês. Por trás daquela figura de “machão” e de “fortão” existe um garoto que não sabe bem controlar seus sentimentos. Eu não sou ninguém pra julgar a criação que os pais deram a ele, mas ele simplesmente não tem limites e sem isso, tudo fica confuso. Ele realmente gosta de você. Você precisava ver como ele ficou depois que te deu aquele soco.
    - Ele só se arrependeu e... – O interrompi
    - Não! Ele ficou em estado de choque chorando no chão da cozinha... Só estou te dizendo isso porque é visível o amor dele por você. Por mais que ele tente disfarçar pra não dar o braço a torcer, eu sei que ele te ama!
    - Você acha que eu devo voltar pra ele?
    - Infelizmente... – Sussurrei baixinho e depois voltei a minha voz normal. – Acho!
    - Obrigado Brunno, você sempre sabe a coisa certa a se fazer... – Disse ele me abraçando inesperadamente.
O abraço de Diego me pegou de surpresa, eu não sabia nem o que fazer... Eu estava nas nuvens, não sabia bem o que eu estava fazendo. Até que eu cometi um erro terrível.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA Cap 12

   
    No fim da aula Roberta e Felipe pararam na minha frente quase que sincronicamente. Ele olhou pra ela de cima a baixo com desprezo.
    - Vamos Brunno? – Indagou Felipe com sua voz de trovão.
    - Brunno? – Disse Roberta cruzando os braços.
    - Felipe... A gente conversa amanhã tá certo? – Respondi
    - O que? Vai me trocar por... – Eu o interrompi
    - Pela minha melhor amiga? Claro que vou!
    Ele saiu com raiva sem dizer mais nada. Depois eu amanso essa fera...
    - Pronto, Roberta! Feliz?
    - Ainda não... Pode começar a falar! Now!
    - Minha cara amiga... Não posso entrar em detalhes, mas eu acho que arrumei um jeito de ficar amigo do Diego e do Felipe e... – Ela me interrompeu
    - Então é isso... Você quer ser popular? Pensei que você fosse mais que isso...
    - Claro que não, você me conhece!
    - Eu achava que conhecia, mas eu não sei porque você está abandonando seus amigos de verdade por causa daqueles dois babacas!
    - Eles não são babacas! – Intervi
    - Já é Best Friend deles agora?
    - Não Betão... Eu só estou me permitindo conhecê-los, eles estão passando por problemas agora e eu preciso ajudá-los
    - Só não se decepcione quando eles te darem um pé na bunda Brunno! – Advertiu ela preocupada. – Eles podem estar falando com você hoje, só pelo interesse em fazer trabalhos com você e essas coisas, ou você acha mesmo que um deles ia falar com um de nós sem segundas intenções?
    - Você não entende...
    O telefone dela tocou.
    - Está certo vovô... Já estou indo! – Disse ela atendendo à ligação. – Cuidado com isso Brunno, pise devagar porque esse campo é minado! – Aplicou um beijo rápido em minha bochecha. – Preciso ir.
     Apesar de saber muito bem o que levara Felipe e o Diego a falarem comigo as palavras de Roberta ecoaram por minha cabeça. Realmente, de qualquer outra forma “um deles” jamais falaria com “um de nós”. Essa idéia de chantagem pela primeira vez me pareceu a loucura que de fato era. Mesmo que eles ‘merecessem’ quem sou eu para julgá-los? Quem sou eu pra dizer o que é certo ou não e ainda aplicar uma ‘punição’ neles? Eu já tinha ido longe de mais, tudo que aconteceu de ruim na vida desses dois nesses últimos dias era culpa minha. Foi aí que eu tomei a minha decisão: Preciso devolver o vídeo a eles. Talvez essa decisão não seja pelo Felipe, mas pelo Diego. Eu acabei descobrindo quem era o Diego de verdade, ou pelo menos, uma fração do que era o Diego de verdade, mas mesmo esses 5% de Diego com o qual eu pude ter contato já me dissera muito do que eu não pude perceber apenas observando de longe. Diego era, no fundo, um garoto meigo e cheio de sonhos e que o seu único erro é deixar-se influenciar por Felipe, mas eu vi o amor reluzindo em suas lágrimas, vi tudo o que ele passou e mesmo que aparentemente ele esteja com raiva de Felipe, dentro de pouco tempo ele não vai se agüentar e vai voltar correndo pros braços de Felipe.
    Preciso voltar pra casa, para resolver isso. Será que é isso mesmo que eu devo fazer?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 11

Fiquei sem reação, as palavras urgentes de Felipe  não deixavam espaço pra minha concentração focar na lei das malhas que o professor estava tentando explicar com aquele sotaque chato de interior e suas brincadeiras sem graça.
De fato, eu ainda não tinha entendido a relação de Diego e Felipe. Tantos altos e baixos e sentimentos tão à flor da pele faziam a minha cabeça girar. No final das duas primeiras aulas, Felipe passou por minha mesa e me laçou um olhar furtivo. Levantei e fui seguindo ele discretamente, ele se sentou em um dos bancos de azulejo azul no local da escola que nós denominávamos de "Espaço" que nada mais era do que um "espaço" vazio com alguns bancos em volta onde se realizavam algumas atividades e aulas 'fora da sala'. Ele escolheu o banco mais afastado, onde só conseguiriam nos ver quem se aproximasse demasiadamente.
- O que você quer agora Felipe?
- Você se diz tão inteligente e não soube interpretar o bilhete? Preciso que você me tire dessa e logo!
- Depende... - Deixei em reticências
- Depende do que imbecil?
- Primeiro baixe essa sua bola, precisa vir armado não que não vai ter guerra! E segundo, depende do que você estiver disposto a falar...
- Disposto a falar? - Indagou respirando fundo
- Por mais que eu seja perspicaz, e por mais que eu raciocine eu ainda não entendi essa relação de vocês dois e eu só posso te ajudar se eu souber de alguma coisa...
- É que... - Parou por uns segundos. - Isso é tão pessoal...
- Eu acho que eu  já vi, ou melhor, assisti o que tinha de mais 'pessoal' entre vocês!
- Vai ficar tirando sarro agora?
- Não, eu só estou dizendo que isso pra mim é bobagem
- E se você contar?
- Eu não mostrei o vídeo, que por si só já é auto explicativo... Imagine só fazer fofoquinhas
- Se você contar eu... - Interrompi sua fala
- Me envenena, me esquarteja e joga meus pedaços em um tanque de tubarões... Já sei Senhor "Eu sou o macho alfa intimidador"... Alguma coisa nova?
- Está bem... Eu vou te contar... - Respirou fundo e começou. - Diego e eu somos amigos de infância, nossos pais se conheceram através de amigos em comum na festa de inauguração de uma dessas mansões que fazem festas daqui da cidade, nós éramos muito pequenos quando isso aconteceu e desde lá somos amigos, estudamos nos mesmos colégios e tudo mais. Quando nós completamos 12 anos, mais ou menos, eu começei a sentir umas coisas estranhas quando estava com o Diego... Uma vontade de abraçar ele e de não deixar que nada o fizesse mal... De início eu achei isso estranho, mas eu deixei pra lá, achei que era sentimentos normais de amigo pra amigo. Com o passar do tempo ficou difícil administrar esses sentimentos, eu me pegava muitas vezes olhando pra ele com cara de idiota e eu percebia que ele me olhava também, mas eu não tinha certeza se ele me olhava pelo mesmo motivo que eu olhava. Nesse tempo a onda era ficar com as meninas e tirar o BV* (NA: boca Virgem pra quem não sabe), mas eu tinha receio... Ao passo que eu queria ser igual os outros e não ser mais bv eu não queria perder o bv com qualquer pessoa... Você deve achar isso uma idiotice...
- Não acho não Felipe...
- Enfim, um dia eu fui pra casa de praia dele em paripueira e a gente estava conversando antes de dormir, e como sempre estávamos falando do jogo de digimon que tinha no PS1 dele e anotando numa folha quantas vezes um derrotou o outro naquele dia... Essas bobagens que os muleques fazem quando são pequenos... Aí  a mãe dele entrou no quarto e mandou a gente apagar a luz e dormir... Diego levantou, ligou o ar condicionado, fechou a porta, apagou a luz e voltou pra cama e a gente ficou conversando baixinho... Foi quando eu tive aquela vontade queimando dentro de mim e beijei ele. Ele ficou sem ação, mas acabou retribuindo o beijo, mas a gente ficou com vergonha e nunca mais falamos desse assunto... Então, quando a gente fazia 1° ano, a gente voltou de um aniversário de 15 anos da Isadora e ele acabou me beijando e ficou a noite toda no meu quarto...
- Vocês fizeram...?
- Claro que não... A gente resolveu conversar e resolvemos que a gente ia se 'divertir' juntos, mas que mesmo assim iríamos pegar as meninas e que seríamos 'héteros' mesmo ficando uma vez ou outra. E de lá pra cá a gente vem ficando, sem compromisso, e se divertindo na baixa* (NA: Na baixa aqui no meu esstado significa 'discretamente' não sei se no de vocês é assim também...). Eu nunca levei o meu relacionamento com o Diego a sério...
- Então, o que vocês tem de fato?
- Uma amizade com bônus... Nós continuamos amigos, vamos pra balada juntos, comemos umas meninas por aí e brigamos como todo homem briga, jogamos futebol e essas coisas de macho...
- "Coisas de macho"... Aham... Sei Felipe...
- Pronto! Não é linda minha historinha de amor seu idiota? - Ironizou, franzind a boca levemente.
- É um história bonita! - Ignorei o seu sarcasmo. - É a primeira vez que você bate nele?
- Lembra de quando o Diego etava de braço enfaixado?
- Foi você?
- Eu empurrei ele sem querer e ele caiu...
- Só foram essas duas vezes?
- Ah tá... Foram mais, confesso. Mas ele quebrou minha perna uma vez quando me empurrou quando eu estava correndo!
- Ah... é uma competição de quem quebra mais os ossos do outro?
- Não! - Respondeu fechando a cara. - Vai me ajudar ou não mamãe?
- Sua situação não está nada boa... Por mais que vocês sejam eio agressivos um com o outro, dar um soco... Um soco é uma coisa bem mais intencional que um empurrão...
- Eu estava com raiva...
- Primeiro, eu acho que você tem que descarregar essa raiva, já que você gosta de malhar, tente jogar essa força nos aparelhos ou vá procurar aulas de artes marciais... Sei lá... E segundo, o que é mais importante, você vai ter que se desculpar com o Diego!
- Eu já pedi desculpas!
- Isso não é o suficiente!
- E o que você sugere Senhor sabe tudo?
O sinal tocou e já era hora de voltar pra aula.
- Eu acho que eu sei o que fazer... - Dei um sorriso e me afastei dali rapidamente.
- O que é? - Perguntou ele me seguindo.
- Agora tem aula, depois eu te digo...
- Tá! - Respondeu a contra-gosto.
Voltamos para a sala, eu me sentei e começei a copiar o que o professor estava escrevendo no quadro.
- Estou esperando... - Disse Roberta, sentada na mesa ao lado da minha, batendo o pé no chão
- Esperando o que?
- Explicações... Por que você não fica mais conversando comigo no intervalo?
Hoje vai ser um longo dia...