quarta-feira, 25 de abril de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 48



    - Antes de eu te dizer, eu quero te pedir para você ficar com isso... – Peguei uma cópia do DVD da minha bolsa e entreguei a Roberta. – Isso é só por segurança, se um dia eu vier a precisar, eu peço para você me devolver...
    - O que é esse DVD? O que você conseguiu afinal? Conta... Conta... Conta!!!
    - Vou responder suas duas perguntas com uma resposta só: Essa é a cópia de tudo que eu consegui para chantagear a Laura. E olhe que eu consegui muita coisa viu? A variedade vai desde fotos sensuais dela e do namorado até vídeos de sexo virtual, até algumas conversinhas incriminadoras...
    - Não acredito!
    - É óbvio que o destaque ficou pelo tamanho do ‘talento’ do meu cunhado!
    - É por isso que ela não larga aquele cafajeste! – Roberta constatou e logo caímos na gargalhada.

[...]

    Depois de ter passado um tempo com Roberta rindo dos acontecimentos recentes e me entupindo daquele maravilhoso sorvete, decidi ir pra casa. Afinal, o jogo não termina até alguém anunciar o ‘xeque-mate’. Eu nunca ansiei tanto a ‘volta para casa’ quanto agora. Eu estava explodindo para terminar com isso logo, mas ainda faltava mover algumas peças para poder aniquilar o poder chantagista de Laura sobre mim.
    Quando cheguei, tudo estava silencioso. Joguei minha mochila no sofá e caminhei lentamente pela casa para me certificar se realmente não tinha ninguém. Quando cheguei à cozinha, pude perceber um bilhete rosa choque grudado em um imã de geladeira.

“O Mário voltou de viagem antes do previsto, volto mais tarde. Laura”

    Essa era a minha chance de ouro! Eu poderia completar meu plano bem antes do que eu imaginava. Corri para a minha bolsa e peguei a cópia da chave do quarto de Laura que eu tinha feito.

[...]

    Revirei o quarto dela com uma rapidez alucinante, a adrenalina pulsava ardendo nas minhas veias, precisava achar o DVD. Depois de alguns minutos de tensão, resolvi parar para pensar. Já que a Laura não é tão criativa assim para esconderijos, onde ela guardaria uma coisa desse porte? Tenho que pensar como ela... Bom... Se fosse ela, queria que ele sempre estivesse próximo a mim, caso alguém quisesse pegá-lo quando eu estou dormindo. Olhei em baixo dos travesseiros, sem sucesso. Olhei em baixo da cama e também não achei nada além de poeira e sapatos jogados por ali. Pensa Brunno! Pensa... Esse meu lance meio Jimmy Nêutron de forçar pensamento não estava funcionando. Olhei pela terceira vez no criado mudo e novamente constatei que lá só tinham bijuterias quebradas e maquiagens velhas. Foi então que me veio um EUREKA! É tão óbvio! Por que eu não pensei nisso antes? Finquei meus dedos naquela superfície macia e a suspendi com força. Lá estava ele, redondo e brilhante.
    Fui correndo conferir se ele realmente era o que eu tanto procurava. Coloquei o cd no meu aparelho de DVD portátil e logo as imagens começaram a aparecer. Eu não pude deixar de notar um leve sobressalto de alegria dentro da minha cueca, eu tinha até esquecido como essas cenas eram excitantes!
    Vários pensamentos acerca do que eu faria com esse vídeo, já que ele estava sob minha posse novamente, surgiram. Mas, eu precisava me concentrar em cumprir cautelosamente cada parte milimetricamente planejada do meu plano. Eu precisava de um resultado definitivo e que não gerasse consequências negativas futuras.
    Eu precisava tomar algumas providências antes que alguém chegasse, então, peguei o cartão que estava no porta-lápis da minha mesa de gabinete e disquei o número.
    - Eu preciso que você faça um serviço aqui na minha casa... – Iniciei a conversa.

domingo, 22 de abril de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 47



    - Ela disse que ficou ofendida por eu ter pedido o teste de gravidez! –Respondeu Felipe indignado.
    - Você foi gentil com ela? Porque por mais que você não esteja se importando com ela, a forma como você a tratar daqui por diante vai influenciar no desenrolar das coisas...
    - Não sei ao certo se eu fui ou não gentil, eu estou pouco me lixando para aquela retardada! – Exclamou Felipe, unindo as sobrancelhas num vinco de raiva.
    - Você precisou entender da pior forma Felipe... Não foi passar nenhum sermão em você, mas acho que esse é o momento oportuno para você modificar certos comportamentos... – Eu pousei minha mão pelo ombro dele.
    - Eu não preciso da sua pena! – Ele retirou minha mão de forma brusca.
    - Certo... – Respondi um pouco assustado com aquela reação instantânea e intensa de Felipe. – Eu só queria ajudar... – Deixei em reticências enquanto caminhava em direção a porta, não estava com vontade de ficar ouvindo as grosserias desnecessárias de Felipe.
    - Não... – Felipe correu e fechou a porta antes que eu saísse. – Desculpe Brunno! – Ele me abraçou de uma forma completamente inesperada. – Sei que você só está querendo ajudar! – Sussurrou no meu ouvido.
    - Não tem problema... – Eu estava me derretendo naquele abraço quente e desarticulado. – Eu já deveria ter me acostumado com esse seu temperamento difícil.
    - Você não precisa se acostumar com isso... – Proferiu soltando o abraço, que me infligiu um vazio imenso e imediato, e fixando seu olhar em mim intensamente. – Eu sei que sempre acabo magoando as pessoas que gostam de mim.
    - Eu acredito que exista alguém incrível aqui dentro, gritando pra sair! – Repousei minha mão sobre o peito de Felipe. – E parece que ela está conseguindo se libertar aos poucos...
    - Nerdzinho... Eu quero pedir desculpas por aquele dia da escada...
    - Mas, você já pediu! – Exclamei confuso interrompendo sua fala.
    - Eu sei, mas naquela ocasião eu só pedi desculpas porque o Diego mandou, mas hoje eu estou pedindo de verdade! E também quero agradecer pela força que você está  me dando... - Ele colocou a mão em meu queixo e se aproximou de mim, me empurrando contra a porta fechada. – Se eu não fosse perdidamente apaixonado pelo Diego, você seria um bom candidato ao posto de meu namorado, você é uma boa pessoa de se ter por perto!
    - Eu... – Comecei a falar desarticuladamente, mas fui interrompido.
    - Mas, eu e Diego fizemos um acordo, agora nós somos mais... Fiéis!
   - Não tem problema...
    - Mas isso não significa que eu não queira... – Argumentou ele para quebrar o clima estranho que tinha se apossado da conversa.
    - Eu tenho que ir... A Roberta estame esperando... Eu só digo  para você tentar, novamente, ser mais gentil com ela para que as coisas não tomem proporções inesperadas... – Orientei, abrindo a porta da sala.
    - Vou fazer isso! - Ele segurou a minha mão e me puxou, aplicando um beijo no meu rosto.
    - Tchau Felipe! – Encerrei meio desconcertado.

[...]

    - Está aqui sua taça de sorvete! – Disse Roberta sentando-se na cama. Ela estava como uma bomba-relógio e podia explodir de curiosidade a qualquer momento.
    - Obrigado! – Agradeci. Dei uma colherada no sorvete e saboreei lentamente, sentindo aquele sabor refrescante inundar minha boca.
    - Agora, fale! – Ordenou ela, dando uma ávida colherada no seu sorvete também.
    - Eu venci! – Nessa hora eu pude deixar aquele sorriso de satisfação que eu queria soltar mais cedo, enfim, se apoderar do meu rosto.
    - Venceu? – Indagou confusa, mas seus olhos já brilhavam em tentar imaginar a resposta.
    - Eu consegui completar meu plano e os resultados foram além do inesperado... – Iniciei, abrindo a mochila e tirando de lá o laptop de Roberta. – Está aqui amiga, obrigado!
    - Sério? Mas, e então, o que você conseguiu?

domingo, 8 de abril de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 46


    Diego aplicou um beijo suave e carinhoso na minha testa e me deu o melhor abraço que eu já recebi na vida.
    - Olha Brunno... Eu bem que queria te dar um beijão cinematográfico agora, mas eu e Felipe conversamos bastante e decidimos parar com esses joguinhos. Nós resolvemos firmar mesmo um compromisso...
    - Não tem problema Dih... Eu bem que iria querer esse tal ‘beijo cinematográfico’, mas só o seu abraço consolador já é suficiente... E, obrigado pela paciência que você teve em ouvir todos os meus dramas...
    - Que nada Buruno... – Diego acabou atropelando sua fala. – Brunno! – Corrigiu ele em seguida. – Sempre que você quiser desabafar é só me chamar! Você já fez isso bastante por mim, então, é um dever e também um prazer, retribuir!
    - Eu gostei mais de “Buruno” do que de “Bubu”! – Comentei, rindo.
    - Veja bem... – Começou ele com uma voz engraçada. – Na verdade a intenção de se criar um apelido é... – Ele fingiu que ajeitava um óculos imaginário. – Justamente ter uma opção reduzida de nome para diminuir o número de sílabas ou letras, economizar tempo e saliva!
    Foi então que eu percebi que ele estava me imitando, na forma de falar e na minha velha mania de ajeitar os óculos.
    - Você é um péssimo imitador Diego! – Eu disse, soltando uma risadinha.
    - Não ficou tão ruim assim... E para solução para esse problema do apelido, já que você não gosta de “bubu” e que “Buruno” é maior que seu próprio nome... Vou te chamar de Buru! – Ele sorriu.
    - Gostei! É, de fato, bem melhor do que ‘bubu’... ‘Bubu’ é apelido para bebês!
    - E quem disse que você não é um Bebê? – Proferiu Diego se levantando do banco de madeira. Ele me puxou pela mão e me fez levantar. – O meu bebê!


[...]


Voltamos para sala, ainda tinham mais duas aulas para assistir. Roberta me fitou com uma surpresa quase paralisante quando eu cheguei na sala.
    - Você... Ga-ze-ou? – Indagou Roberta, com tamanha empolgação que teve que imprimir sua surpresa em cada sílaba da palavra “Gazeou”. - Estou chocada!
    - Gazeei! – Soltei um dos meus sorrisos de satisfação.
    - Esse sorriso torto eu conheço! –Ela não estava se contendo de tanta curiosidade.
    - O professor vai começar... – Eu apontei para o quadro, lançando um olhar de mistério para ela. Espiei pelo rabo do olho e percebi que ela ainda estava olhando para mim.
    - Almoço na sua casa?
    - Claro! O suborno do sorvete de menta com chocolate sempre funciona!
    Roberta ficou quieta a partir daí. Apesar de ser muito curiosa, ela sabia esperar o momento certo de saborear uma boa novidade.
    No meio da aula, não resisti e me virei discretamente para olhar para Felipe e ele, em pouco tempo percebeu. Ele fez um sinal discreto de que queria falar comigo depois da aula.


[...]


    O tempo passou se arrastando de forma lenta e exaustiva e finalmente, a aula acabou. Comecei a colocar minhas coisas na mochila e Diego passou por mim se despedindo, logo atrás dele vinha Felipe que parou ao meu lado para falar comigo. Roberta o encarou com o olhar de desconfiança que ela costumava lançar para as pessoas com as quais não simpatizava. Eu tive um Déjà vu e instantaneamente me lembrei do outro dia que dispensei Roberta para conversar com ele e acho que Roberta teve a mesma impressão.
    - Betão... Você pode me esperar lá fora, por favor? Só vai levar um minuto!
    - Ok! – Respondeu ela, dando mais uma encarada no Felipe e saindo da sala.
    - Como sua amiga é simpática! – Comentou ele de forma zombeteira depois que ela saiu.
    - Ela se preocupa com o fato de eu estar andando com vocês, mas isso não vem ao caso... O que a Biscate loira falou?

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 45


  - Não... Eu falei errado! – Desconversei – É que eu sinto... Que... Sei lá, quando eu olho para ele eu começo a imaginar como as coisas seriam se a situação tivesse decorrido de outra forma!
    - Brunno, não se martirize! Não seja um refém do ‘se’... Não pense ‘se eu tivesse feito isso’ ou ‘se eu não tivesse dito aquilo’. As coisas simplesmente acontecem! Mesmo que você tenha errado em alguma coisa, se você tentou consertar e não conseguiu, paciência! Para que insistir nisso?
    - Mas aqueles sentimentos brotam sempre que o vejo...
    - Esqueça o Alan, Brunno! Ele é um idiota que não te merece! – Diego pôs a mão no meu ombro. Meu corpo rapidamente começou a congelar.
    - Não tem nada haver com aquele imbecil!
    - Eu não sou tão idiota assim Brunno! Por favor, não me subestime! Eu percebi como você olha para ele o tempo todo lá na sala, por mais que você tente disfarçar!
    - Certo... – Grunhi a contragosto. Essa ‘descoberta’ de Diego não me agradou nem um pouco. Agora eu estava me sentindo exposto, dessa vez eu não estava no controle da situação.
   - Eu não vou te fazer perguntas como “você ainda gosta dele?” ou outras perguntas óbvias como essa, porque está tudo estampado na sua cara, por mais que você tente mascarar... Eu só quero que você me veja como um amigo, eu sei que não sou o mais indicado para dar conselhos, mas se você quiser falar sobre isso... Desabafar... Ou se você ‘não quiser falar’... – Diego meio que se perdeu no seu próprio pensamento. – Enfim, estou aqui a sua disposição! – Nós, estranhamente, estávamos andando na direção da quadra de esportes.
    - Obrigado Dih... mas, para onde estamos indo? A sala de aula fica para o outro lado... – Ele me interrompeu ligeiramente.
    - Nós estamos indo para a quadra, é claro! Eu tenho a chave do vestiário masculino que só fica aberto nos dias de treino!
    - Mas a gente tem aula de Química 1 agora!
    - Agora, me diga alguma coisa que eu não saiba! - Ironizou ele, lançando aquele sorriso de desarmar bomba-relógio que só ele conseguia fazer.
    - Mas... Mas... – Retruquei, parando no meio do caminho.
    - So what? – Ele proferiu com uma expressão despreocupada. – Vai dizer que você nunca gazeou uma aula?
    - É óbvio que não!
    - Bom... É como dizem: sempre há uma primeira vez para tudo! – Disse Diego, encerrando definitivamente essa conversa. Eu realmente não tinha como me contrapor a ele, até porque as borboletas já tinham voltado a dar seus vôos rasantes em meu estômago me fazendo arrepiar. Eu queria saber o que viria a seguir.

[...]

    Não sei como a situação tomou essas proporções extremas, mas, minutos depois, eu estava sentado em um daqueles enormes bancos de madeira chorando no ombro de Diego, após ter contado um pouco da minha história com o Alan.
    - Não chora Bubu! – Ele começou a falar. Foi a primeira vez que eu gostei de ser chamado por esse apelido infantil. – O amor é uma droga! – Completou com essa frase que permitia múltiplas interpretações.
    - Eu não quero mais esse sentimento dentro de mim! – Voltei a chorar, eu não conseguia formular frases muito longas agora. – Eu me... Sinto... Um idiota!
    - Não por essa situação, mas, é tão lindo ver você chorando! Acho que é a confirmação de que você não é um robô! – Diego olhou para mim profundamente, parecia que neste momento meu corpo tivesse ficado transparente e ele pudesse decifrar a minha alma.
    Eu voltei a fitá-lo, desmanchando-me em mais algumas lágrimas e me deleitando com aquele olhar carinhoso de Diego enquanto ele se aproximava de mim lentamente, meu coração estava batendo acelerado e meu sangue começou a ferver...