domingo, 23 de junho de 2013

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 76


    - Felipe, eu acho que o Diego precisa de um pouco de tempo e espaço. Vocês viveram juntos por muito tempo e, não estou dizendo que você seja sufocante, mas talvez ele só queira respirar um pouco... Novos ares... – Estava meio incerto se era meu papel comunicar Felipe do que estava acontecendo ou se deveria me abster.
    - Novos ares? O que você quer dizer com isso? – Indagou ele a perplexidade fincou suas sobrancelhas.
    - Estou falando de forma figurada, talvez ele só precise ficar um pouco longe de você para sentir sua falta, perceber como gosta de você!
    - Você está falando isso pra me agradar ou você pensa mesmo isso?
    - Eu penso isso mesmo, acredito que seja isso.
    - Tomara que seja verdade mesmo, Brunno! – Virou-se na cama e fixou seus olhos verdes, como duas esmeraldas escuras, em mim com uma expressão estranha, mas incrivelmente bonita.
    - Por que está me olhando assim? – Eu realmente odiava esse tipo de contato visual prolongado, considerava constrangedor.
    - Nada... Agora não posso mais olhar pra você?
    - Pode... – Respondi meio incerto. Não sei se queria aquele tipo de olhar pra mim com freqüência, é um olhar perigoso de mais.
    - Obrigado! – Disse, após um breve silêncio.
    - Pelo quê?
    - Por tudo que você fez, por ter entrado na minha vida...
    - Mesmo tendo sido dessa forma?
    - Talvez tenha sido justamente pela forma que você entrou na minha vida, e na do Diego, que nos fez baixar um pouco a guarda, pra pensar um pouco fora da bolha na qual estávamos aprisionados... – Ele se sentou na cama e sinalizou para eu sentar ao seu lado.
    Não tive como recusar, então levantei, e sentei ao seu lado, meio inseguro, meu estômago de repente ficou cheio daquelas conhecidas borboletas. Felipe segurou a minha mão e deslizou na cama para encostar-se à parede. Pediu pra eu tirar os sapatos, e assim o fiz. Depois me puxou de leve, me encaixando por entre suas pernas, enquanto me dava um abraço por trás. Senti uma mistura de calor e frio me assolar neste momento, meu coração bateu acelerado, em desespero, fazendo meu sangue arder e minha pele se arrepiou com o frio.
    - Desculpa Brunno, mas hoje eu estou meio carente e você vai ser meu ursinho de pelúcia... – Ele riu de si mesmo após ter dito isso.
    Seu comentário não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Ele aplicou um beijo em minha cabeça.
    - Você merece alguém especial, que te valorize... – Comentou Felipe. – Por favor, me prometa que vai tomar cuidado com aquele imbec... – Ele se corrigiu rapidamente. – Com o Alan...
    - Por que você não gosta dele? – Indaguei me libertando do abraço e encarando ele face a face.
    - Tenho motivos pra gostar? Sei que você não vai querer ouvir, mas... – Parou por alguns segundos e retomou a fala. – Ele é a pessoa mais falsa que conheci! Ele finge ser amigo daquele pessoal inteligente da sala só pra fazer trabalhos escolares, mas quando ele sai pra se divertir, sai com os amigos de outras salas, nunca os convida pra nada... Enfim, eu não sei se isso prova alguma coisa, mas acho que ele é oportunista...
    - Eu conheço o Alan, e não é de hoje... Ele não é assim! – Protestei.
    - Não estou querendo ‘queimar’ ele com você, mas acho melhor você ficar com um passo atrás, sempre!
    - Está bem Felipe, eu sei me cuidar sozinho!
    - Desculpe se te incomodei.
    - Não incomodou – Menti por mera educação. Como Felipe se acha na posição de me dar esse tipo de aviso? Ele não sabe de nada! Por que ele está fazendo isso? – Bom... – Recomecei olhando as horas no celular. – Preciso ir...

    - Eu te levo em casa!