Felipe me olhou com o desespero estampado no rosto e em um segundo já estava pegando Diego no colo.
- Precisamos levar ele no médico agora! – Ele começou a caminhar com dificuldade até a porta do quarto.
- O que você está fazendo? – Indagou Diego ao acordar.
- Estou te carregando pra te levar no médico! Você desmaiou Dih! – Respondeu Felipe.
- Claro que não desmaiei, só estava descansando um pouco, me põe no chão agora! – Ordenou saindo dos braços de Felipe.
- Eu acho que você deveria ir pro médico mesmo assim Diego, só por via das dúvidas! – Eu disse, colocando a mão no seu ombro.
- Oi Brunno! – Disse Diego me abraçando forte. – O que você está fazendo aqui? Pensei que não quisesse mais falar comigo!
Eu e Felipe nos entreolhamos, só podia ser brincadeira.
- Muito engraçado Diego! Você realmente não sabe o que eu estou fazendo aqui?
- Não... – Respondeu ele indignado. Ele voltou seu olhar para Felipe. – Lipe? Por que você está com essa cara? O que aconteceu? – Ele andou até a mesa do computador. – Essas flores são pra mim? – Ele sentiu o aroma das rosas brancas e deu um longo suspiro.
- São sim Dih! – Respondeu Felipe abraçando Diego com força.
- Felipe? – Sussurrei. - Felipe? Você ode vir comigo, por favor? –Pedi indo em direção a cozinha.
[...]
- O que foi aquilo? – Sibilei, iniciando a conversa.
- Não faço a menor ideia!
- Ele apagou e esqueceu das coisas, você acha isso normal?
- Não...
- É melhor a gente no médico!
- Não... Foi só um lapso de memória passageiro, minha mãe já teve um desses... Nós precisamos deixá-lo calmo, se tentarmos obrigá-lo a ir com a gente as coisas podem piorar!
- Você acha que pode lidar com essa situação sozinho? Você é formado em medicina desde quando?
- Não sou, mas minha mãe já passou por isso, o médico fez vários exames e não deu em nada, foi só estresse... – Sussurrou ele.
- Eu não sei não Felipe, isso não parece ser uma boa idéia... Quem sabe quanta coisa ele esqueceu?
- Vamos fazer o seguinte: Nós vamos lá e tentamos descobrir mais ou menos qual o tamanho desse ‘esquecimento’ dele... Se a gente achar que é grave a gente arrasta ele até o médico, certo?
- Vamos ver... – Respondi, caminhando até o quarto. Era impressão minha ou Felipe tinha apreciado essa perda de memória do Diego?
[...]
- Diego... – Eu peguei na mão dele e fiz ele sentar na cama. – Como você está se sentindo?
- Bem... Por quê?
- Por nada... – Eu fiz uma pausa. – Qual é a última coisa que você lembra?
- Que pergunta mais idiota...
- Responda Dih... – Pediu Felipe, que estava encostado na porta.
- Gente, como vocês estão estranhos hoje! – Ele parou por um tempo e pensou. – Eu me lembro que o Felipe me ligou dizendo que estava vindo pra cá e eu acho que adormeci e quando acordei vocês dois estavam aqui. Por quê? Algum problema?
- Não, não... Só pra saber! – Sorri para ele, não queria assustá-lo. – Felipe te dando flores heim? Parece que ele está mudando! – Desconversei sorrindo. – Vou deixar vocês dois por aqui. Preciso fazer uma ligação... – Levantei e fui na direção do Felipe que me olhou expressão de dúvida.
- O que você vai fazer? – Sussurrou ele, quando eu estava bem perto.
- Empresta aqui seu celular Felipe, porque eu esqueci o meu! – Falei em tom de voz normal. Peguei o celular do bolso dele. – Fique aí com ele! - Sussurrei
Fui até a sala e me sentei no sofá, precisava ver o registro de chamadas. A última ligação do Felipe era de pouco mais de 2 horas atrás. Apesar dos esforços do Felipe em tentar me fazer acreditar que isso é normal, alguma coisa parecia não estar certa...





