terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 2


Saí correndo à toda velocidade, me molhando para chegar lá antes que os mauricinhos fossem pra sua farra. Cheguei na portaria do prédio um trapo humano, molhado e sujo. Esperei um tempo, o porteiro disse que eles não estavam atendendo.
- Mas, eles saíram por acaso?
- Não... Não... Eles não sairam.
Acabei entrando na portaria e me sentando na escada. Não queria molhar o belo sofá vermelho do 'saguão de espera'. Depois de alguns longos minutos eu os vi sair do elevador.
- Felipe! - Exclamei correndo. - A câmera da minha irmã... Esqueci no seu apartamento...
- Ah... O que aconteceu com você criatura, foi pra casa rastejando?
- Que babaca! - Comentou Diego rindo. - Claro que essa lesma foi se arrastando na chuva. Foi bom, pelo menos você tomou umm banhozinho. Aí não vai gastar a água de casa!
Os dois cairam na gargalhada.
- Eu posso pegá-la? - Perguntei ignorando as piadinhas.
- Claro que não! Quer sujar meu apartamento todo? E além disso, já estamos atrasados!
- Por favor! - Olha só o que minha irmã me faz dizer... Pedir por favor aos débeis mentais.
- Olha só, ele está implorando...
- Ahh Felipe, que tal fazer sua boa ação do dia ajudando esse muleque sujo, aposto que você vai pro céu depois dessa!- Comentou Diego.
- Agradeça por que eu sou caridoso muleque! - Disse Felipe.
Ele subiu e dentro de alguns instantes voltou com a câmera na mão, praticamente jogando-a em mim
- Vocês vão pra onde mesmo? - Perguntei, queria pelo menos desenrolar uma carona até o ponto.
- Você quer carona é? - Soltou Diego rindo novamente
- E sujar o meu carro?
Os dois sairam rindo.
Cheguei muito tempo depois em casa. Tomei uma bronca dos meus pais por chegar tão tarde. Tomei um banho (para voltar a parecer um ser humano, diga-se) e jantei. Assisti tv por um tempo. Fui pro quarto e me tranquei para tentar ver se algo naquele vídeo prestava. Sentei-me na cama com o laptop no colo. Coloquei os fones e começei a ouvir todas aquelas piadinhas idiotas novamente. Meu sangue começou a ferver e a raiva me fez franzir o cenho. Depois de um tempo fatigante a cena ficou a de um quarto vazio.
- Porcaria! A câmera ficou ligada esse tempo todo, vou ter que carregar ainda mas que... - Minha expressão era de choque. - Mas isso... - Começei a rir descontroladamente. - Acho que amanhã vai ser um dia interessante...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 1

Em meados de maio minha professora de geografia teve a brilhante idéia de fazer um trabalho diferente. (Bom...Brilhante pra ela, pelo menos)
- Atenção gente! Para ajudar nas notas, que por acaso estão mais baixas do que o meu salário *risos*, resolvi fazer um trabalho diferente... - Deixou em reticências
O burburinho na sala parou quase que instantâneamente.
- O trabalho consiste - Recomeçou ela com empolgação - em fazer um vídeo analisando o clima, a densidade demográfica, o IDH, dentre outras coisas que listarei no quadro sobre diversos países. Os países serão sorteados e os grupos terão 4 componentes. Somente 4!
Mal acabou de falar sobre seu 'brilhante trabalho' a professora foi interrompida por uma guerra de vozes na sala, enquanto todos se apressavam em dividir-se em grupos.
- Silêncio! Atenção todos! - Pediu ela num grito abafado e em alguns minutos todos voltaram a lembrar da sua existência e foi aí que ela deferiu seu golpe fatal. - Nem adianta tanta animação, eu separei os grupos aleatóriamente em casa para que vocês interajam mais.
Nossa, parabéns gênio! Pensei. Eu odiava esses grupos aleatórios pois o risco de ficar com alguns daqueles maloqueiros que não querem nada com a vida era superior a 45%.
- Amanda, Irene, Gustavo e Túlio... - Recomeçou tirando um papelzinho de seu saco plástico. - China!
- Sérgio, Mariana, Roberta e João victor... - Deixe-me ver... - Japão.
O meu grupo foi um dos últimos a serem anunciados e minhas estatísticas já superavam os 60% a muito tempo.
- Brunno, Felipe, Diego e Tânia... - E seu país é... Rússia!
O quê? Esses imbecis? E pra piorar ainda esse país que só tem gelo e indústria Bélica! A partir de hoje, eu vou odiar essa mulher! Ela conseguiu algo pior do que me juntar aos maloqueiros, ela me juntou aos 'popularezinhos cabeças-ocas'.
Eu me chamo Brunno e sou, modestamente, um dos mais inteligentes da sala. Felipe: É um dos playboyzinhos de lá da sala, fútil, arrogante e metido com aqueles 1,80 de pura bomba. Diego: Playboyzinho número 2, comparsa do outro, igualmente egocêntrico e igualmente marombado. Para finalisar: Tânia, a songa-monga senhorita miss simpatia que vê o mundo cor de rosa através daquelas lentes de contato verdes exageradamente falsas.
Foi aí que meu inferno começou.
Houve uma complicação enorme para marcar o dia do trabalho, porque os mauricinhos idiotas tinham dezenas de festinhas e showzinhos para ir e se embebedar. Isso acabou reduzindo o tempo do nosso trabalho em mais de 40%
[...]Tempos depois
O dia finalmente chegou, minha animação era quase cadavérica. O local foi o apartamento de Felipe, o metidinho número 1.
O lugar consiste de uma cobertura, de frente pro mar, enorme e bem decorada. E lá estavam os dois com roupas 'normais' (Nem minhas roupas de sair eram tão boas assim, diga-se de passagem) e eles abriram a porta com o sorriso de "chegou o idiota que vai fazer o trabalho todo".
Fui conduzido ao quarto, que tinha um monte de videogames e coisas do gênero. Os livros da escola serviam-lhe muito bem de peso de porta. Ele não tardou em se esparramar pela sua King Size e começar a conversar besteira com o outro retardado.
Chamei a atenção deles para tentarmos fazer uma prévia do que seria o vídeo real. Quando meu celular tocou. Adivinhem quem era? A Tânia, garota sorriso, que disse que não poderia comparecer pois teve que ficar de babá da irmã mais nova. Merda! Eles vão me infernizar ainda mais! Eles pelo menos ouviam ela, ou fingiam que fazia isso, e tinham certa devoção por aqueles peitos e pernas que ela tinha. Pelo menos eles faziam o que ela queria. Como era previsto eu tive uma tarde infernal. Eles não decoraram seus textos e ficaram fazendo brincadeiras frente a câmera e curtiram muito com a minha cara e antes das 6 horas eu fui praticamente enxotado de lá, porque eles tinham mais um showzinho pra ir.
Estava andando para o ponto de ônibus e começou a chover. Para fechar com chave de ouro o meu dia. Passei ainda um tempo pra chegar até o ponto e fiquei sentindo a brisa do mar em meu rosto.  Olhei no relógio, marcava 18:41. E eu estava com aquela sensação horrível de ter esquecido alguma coisa. Fiquei um tempo martelando isso na minha cabeça quando do nada eu lembrei. A câmera. Minha irmã ia me trucidar se acontecesse alguma coisa com aquela câmera que ela ganhou de natal daquela nossa tia rica. Meu Deus!