segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 1

Em meados de maio minha professora de geografia teve a brilhante idéia de fazer um trabalho diferente. (Bom...Brilhante pra ela, pelo menos)
- Atenção gente! Para ajudar nas notas, que por acaso estão mais baixas do que o meu salário *risos*, resolvi fazer um trabalho diferente... - Deixou em reticências
O burburinho na sala parou quase que instantâneamente.
- O trabalho consiste - Recomeçou ela com empolgação - em fazer um vídeo analisando o clima, a densidade demográfica, o IDH, dentre outras coisas que listarei no quadro sobre diversos países. Os países serão sorteados e os grupos terão 4 componentes. Somente 4!
Mal acabou de falar sobre seu 'brilhante trabalho' a professora foi interrompida por uma guerra de vozes na sala, enquanto todos se apressavam em dividir-se em grupos.
- Silêncio! Atenção todos! - Pediu ela num grito abafado e em alguns minutos todos voltaram a lembrar da sua existência e foi aí que ela deferiu seu golpe fatal. - Nem adianta tanta animação, eu separei os grupos aleatóriamente em casa para que vocês interajam mais.
Nossa, parabéns gênio! Pensei. Eu odiava esses grupos aleatórios pois o risco de ficar com alguns daqueles maloqueiros que não querem nada com a vida era superior a 45%.
- Amanda, Irene, Gustavo e Túlio... - Recomeçou tirando um papelzinho de seu saco plástico. - China!
- Sérgio, Mariana, Roberta e João victor... - Deixe-me ver... - Japão.
O meu grupo foi um dos últimos a serem anunciados e minhas estatísticas já superavam os 60% a muito tempo.
- Brunno, Felipe, Diego e Tânia... - E seu país é... Rússia!
O quê? Esses imbecis? E pra piorar ainda esse país que só tem gelo e indústria Bélica! A partir de hoje, eu vou odiar essa mulher! Ela conseguiu algo pior do que me juntar aos maloqueiros, ela me juntou aos 'popularezinhos cabeças-ocas'.
Eu me chamo Brunno e sou, modestamente, um dos mais inteligentes da sala. Felipe: É um dos playboyzinhos de lá da sala, fútil, arrogante e metido com aqueles 1,80 de pura bomba. Diego: Playboyzinho número 2, comparsa do outro, igualmente egocêntrico e igualmente marombado. Para finalisar: Tânia, a songa-monga senhorita miss simpatia que vê o mundo cor de rosa através daquelas lentes de contato verdes exageradamente falsas.
Foi aí que meu inferno começou.
Houve uma complicação enorme para marcar o dia do trabalho, porque os mauricinhos idiotas tinham dezenas de festinhas e showzinhos para ir e se embebedar. Isso acabou reduzindo o tempo do nosso trabalho em mais de 40%
[...]Tempos depois
O dia finalmente chegou, minha animação era quase cadavérica. O local foi o apartamento de Felipe, o metidinho número 1.
O lugar consiste de uma cobertura, de frente pro mar, enorme e bem decorada. E lá estavam os dois com roupas 'normais' (Nem minhas roupas de sair eram tão boas assim, diga-se de passagem) e eles abriram a porta com o sorriso de "chegou o idiota que vai fazer o trabalho todo".
Fui conduzido ao quarto, que tinha um monte de videogames e coisas do gênero. Os livros da escola serviam-lhe muito bem de peso de porta. Ele não tardou em se esparramar pela sua King Size e começar a conversar besteira com o outro retardado.
Chamei a atenção deles para tentarmos fazer uma prévia do que seria o vídeo real. Quando meu celular tocou. Adivinhem quem era? A Tânia, garota sorriso, que disse que não poderia comparecer pois teve que ficar de babá da irmã mais nova. Merda! Eles vão me infernizar ainda mais! Eles pelo menos ouviam ela, ou fingiam que fazia isso, e tinham certa devoção por aqueles peitos e pernas que ela tinha. Pelo menos eles faziam o que ela queria. Como era previsto eu tive uma tarde infernal. Eles não decoraram seus textos e ficaram fazendo brincadeiras frente a câmera e curtiram muito com a minha cara e antes das 6 horas eu fui praticamente enxotado de lá, porque eles tinham mais um showzinho pra ir.
Estava andando para o ponto de ônibus e começou a chover. Para fechar com chave de ouro o meu dia. Passei ainda um tempo pra chegar até o ponto e fiquei sentindo a brisa do mar em meu rosto.  Olhei no relógio, marcava 18:41. E eu estava com aquela sensação horrível de ter esquecido alguma coisa. Fiquei um tempo martelando isso na minha cabeça quando do nada eu lembrei. A câmera. Minha irmã ia me trucidar se acontecesse alguma coisa com aquela câmera que ela ganhou de natal daquela nossa tia rica. Meu Deus!

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