quinta-feira, 24 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 54



    Felipe estava no chão. Entre a porta que dividia a sala da varanda. Vários estilhaços de vidro brilhavam ao seu redor e tinha sangue, muito sangue. Nós não tínhamos muito tempo pra conversa.
    - Diego, pegue as chaves do carro e eu vou pegar gelo!
    - Mas... Meu pai está usando meu carro hoje, porque o dele está na oficina... – Ele começou a chorar.
    - Pegue as chaves do Felipe, ele está de carro! – Gritei da cozinha. Estava tirando gelo de todas as cubas que encontrei no freezer. E joguei em um balde de metal que achei dentro de um armário. Voltei correndo pra sala. – Diego! Nem pense em tirar nenhum caco de vidro do braço de Felipe, ele pode ter atingido uma veia e ele pode ter uma hemorragia.
    - Desculpa... – Sussurrou ele, tirando a mão instantaneamente do estilhaço de aproximadamente sete centímetros que estava fincado no braço direito de Felipe. – E agora, o que a gente faz?
    - Vamos levar ele pro hospital... Mas, antes, vá buscar umas toalhas! Rápido! – Coloquei alguns cubos de gelo nas feridas maiores. Precisava estancar aquele sangue. Em alguns segundos ele retornou com as toalhas.
    Felipe estava no limiar entre consciência e inconsciência e gemia suavemente no chão de mármore da sala.
    - Pegue ele no braço, Diego! Você é mais forte! – Falei, tirando as toalhas da suas mãos. Percebi que ele ainda estava chocado com tudo aquilo. Fui apressadamente para o corredor e chamei o elevador. Voltei pro apartamento e ajudei Diego a colocar Felipe no braço, sem que houvesse piores danos.
    - Vamos Brunno! Rápido! – Disse Diego. Passando por mim.
    Eu me apressei e tirei a chave da porta pra fechar o apartamento e foi aí que percebi, de relance, o DVD brilhando no centro da sala. Corri para buscá-lo. Se os pais do Diego vissem aquilo tudo... Eu não tinha nem como mensurar as consequências que decorreriam, afinal, não os conhecia o bastante para calcular. Coloquei o DVD no bolso novamente e fechei a porta.
    Diego batia o pé de forma impaciente esperando o elevador abrir. Entramos no elevador rapidamente e cliquei no SS. Voltei meu olhar para Diego e pude ver uma expressão muito familiar no seu rosto: o medo. Uma expressão tal qual como a que tinha visto no rosto de Felipe depois do soco que ele deferiu em Diego, semanas atrás.
    Nesses momentos de desespero completo, eu forçava minha mente ao máximo para poder lidar com todas as situações com tranqüilidade e conseguir resolver os problemas de forma rápida e eficaz. Diego não tinha essa habilidade.
    A porta de metal se abriu finalmente e foi como se o ar ficasse mais leve, como se naqueles segundos estivéssemos presos em uma enorme caixa de metal embalada a vácuo.

[...]

    Estava no banco de trás limpando as feridas de Felipe e colocando gelo para tentar estancar o sangue. Diego tentava se manter calmo ao volante, sem conseguir muito sucesso com isso. Mas, infelizmente, eu não sabia dirigir e nem ia arriscar aprender num momento como esses.

[...]

    Levamo-lo para a emergência. Quando os médicos o levaram, a adrenalina começou a se dissipar aos poucos. Sentei ao lado de Diego em uma das poltronas da sala de espera. Comecei a dobrar uma das toalhas ensangüentadas e cobertas de pedaçinhos de gelo e cacos de vidro.
    - Agora, Diego, você pode me explicar o que aconteceu?

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