Felipe estava no chão. Entre a porta que
dividia a sala da varanda. Vários estilhaços de vidro brilhavam ao seu redor e
tinha sangue, muito sangue. Nós não tínhamos muito tempo pra conversa.
- Diego, pegue as chaves do carro e eu vou
pegar gelo!
- Mas... Meu pai está usando meu carro
hoje, porque o dele está na oficina... – Ele começou a chorar.
- Pegue as chaves do Felipe, ele está de
carro! – Gritei da cozinha. Estava tirando gelo de todas as cubas que encontrei
no freezer. E joguei em um balde de metal que achei dentro de um armário.
Voltei correndo pra sala. – Diego! Nem pense em tirar nenhum caco de vidro do
braço de Felipe, ele pode ter atingido uma veia e ele pode ter uma hemorragia.
- Desculpa... – Sussurrou ele, tirando a
mão instantaneamente do estilhaço de aproximadamente sete centímetros que
estava fincado no braço direito de Felipe. – E agora, o que a gente faz?
- Vamos levar ele pro hospital... Mas,
antes, vá buscar umas toalhas! Rápido! – Coloquei alguns cubos de gelo nas
feridas maiores. Precisava estancar aquele sangue. Em alguns segundos ele
retornou com as toalhas.
Felipe estava no limiar entre consciência e
inconsciência e gemia suavemente no chão de mármore da sala.
- Pegue ele no braço, Diego! Você é mais
forte! – Falei, tirando as toalhas da suas mãos. Percebi que ele ainda estava
chocado com tudo aquilo. Fui apressadamente para o corredor e chamei o
elevador. Voltei pro apartamento e ajudei Diego a colocar Felipe no braço, sem
que houvesse piores danos.
- Vamos Brunno! Rápido! – Disse Diego.
Passando por mim.
Eu me apressei e tirei a chave da porta pra
fechar o apartamento e foi aí que percebi, de relance, o DVD brilhando no
centro da sala. Corri para buscá-lo. Se os pais do Diego vissem aquilo tudo...
Eu não tinha nem como mensurar as consequências que decorreriam, afinal, não os
conhecia o bastante para calcular. Coloquei o DVD no bolso novamente e fechei a
porta.
Diego batia o pé de forma impaciente
esperando o elevador abrir. Entramos no elevador rapidamente e cliquei no SS.
Voltei meu olhar para Diego e pude ver uma expressão muito familiar no seu
rosto: o medo. Uma expressão tal qual como a que tinha visto no rosto de Felipe
depois do soco que ele deferiu em Diego, semanas atrás.
Nesses momentos de desespero completo, eu
forçava minha mente ao máximo para poder lidar com todas as situações com
tranqüilidade e conseguir resolver os problemas de forma rápida e eficaz. Diego
não tinha essa habilidade.
A porta de metal se abriu finalmente e foi
como se o ar ficasse mais leve, como se naqueles segundos estivéssemos presos
em uma enorme caixa de metal embalada a vácuo.
[...]
Estava no banco de trás limpando as feridas
de Felipe e colocando gelo para tentar estancar o sangue. Diego tentava se
manter calmo ao volante, sem conseguir muito sucesso com isso. Mas,
infelizmente, eu não sabia dirigir e nem ia arriscar aprender num momento como
esses.
[...]
Levamo-lo para a emergência. Quando os
médicos o levaram, a adrenalina começou a se dissipar aos poucos. Sentei ao
lado de Diego em uma das poltronas da sala de espera. Comecei a dobrar uma das
toalhas ensangüentadas e cobertas de pedaçinhos de gelo e cacos de vidro.
- Agora, Diego, você pode me explicar o que
aconteceu?

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