Uma dor de cabeça invadiu meus pensamentos.
Estava deitado em minha cama. No meu quarto. Fitando a parede, tentando pensar
em qualquer assunto banal que fugisse aos concernentes à relacionamentos. A ruína,
que penso ter potencial para tornar-se permanente, no relacionamento entre
Diego e Felipe pesavam meus ombros com a responsabilidade. Mesmo que eu não
tenha tido nenhum envolvimento com a gravidez precoce de Tânia, penso que as
minhas chantagens e o meu desejo por uma vingança estúpida pode ter
desencadeado os eventos que estão acontecendo, afinal, tudo é interligado. Não
queria ver os dois separados, não queria causar tudo isso... A minha
reaproximação com Alan parecia uma dádiva não merecida, e tinha medo de botar
tudo a perder ou ser atingido por algum karma, um ‘anti-cupido’ querendo me
castigar por ter atrapalhado a relação dos outros. Queria ter o poder de
consertar tudo, mas minhas esperanças estavam se esvaindo com o passar dos
dias.
Precisava me distrair, parar de pensar um
pouco nesses assuntos. Também não estava com paciência para estudar, os exercícios
de amanhã já estavam prontos. Preciso de algo mais dramático do que minha própria
vida...
- Shakespeare! – Sussurrei como se tivesse pronunciado
um “Eureka!” depois de uma descoberta científica. Busquei o Romeu e Julieta,
que tinha pegado emprestado da biblioteca da escola, na minha estante e voltei
a me esparramar na cama, na esperança de me entreter com tragédias e amores que
não me pertenciam.
Deitado, ergui o livro com as duas mãos,
tentando bloquear com ele, a lâmpada do teto. Analisei a capa gasta, dessa edição
especial e antiga, que deve ter sido achada em algum sebo local e comprada a
baixo custo e o abri. Folheei, brincando com as páginas, ouvindo aquele chiar
leve de papel, até que fui atingido por um pedaço de folha de caderno. Com
espanto e curiosidade, voltei a me sentar na cama, desdobrando a folha com intensa
curiosidade.
Irracional
Tenho que te dizer
Ângulo que te miro
não é relevante
Nada mais tenho a
temer
Insônia é a minha acompanhante
Ah! Como eu queria
ser só
Escravo da minha própria
liberdade
Um fruto de minha arbitrariedade?
Te amar não foi ato
do meu querer
Eu o fiz pelo meu
existir
Agora não posso mais
olhar pra trás
Meu amor, meu oxigênio
se faz
O que eu faço pra ter
você?
Estava escrito em letras bonitas em
palavras apagadas e reescritas. Notei algo estranho nos versos desarrumados,
sem métrica adequada, em estrofes irregulares. Analisei tudo isso em uma folha à
parte, procurando o sentido daquilo. Foi quando me dei conta! O que não foi
refeito, aquilo do qual já se tinha certeza, aquilo que eu duvidei, mas que se
confirmou, às vezes temos que duvidar da causa, não do efeito!
Corri para o meu guarda roupa,
desenterrando uma caixa que estava por baixo de outras. Finalmente, os números
me favorecem!

Nenhum comentário:
Postar um comentário