O cheiro de café fresco invadiu o ambiente. Não poderia dizer de certeza se estava num sonho ou se isso tudo era real. Abri os olhos lentamente e pude ver o rosto de Diego perto do meu. Ele parecia até um anjo dormindo. Um anjo com o corpo perfeito como uma estátua esculpida em mármore branco, fiquei adimirando sua tatuagem de tribal, todas aquelas linhas curvadas se entrelaçando na superfície do seu ombro esquerdo.
- Ele é lindo não é? - Comentou Felipe entrando no quarto somente de cueca. Alguém sabe o que a palavra pijama significa? Não conseguia nem me concentrar... *risos*
- Des-Desculpe... - Respondi me sentando na cama, alisando meus dedos naquele lençol super macio.
- Cinco mil fios, Algodão egípcio... Bem diferente dos trapos que você se enrola não é? Esqueci de botar o jornal no canto da parede pra você se deitar... - Começou a rir, mas dessa vez seu riso era mais de descontração do que de gozação.
- Vocês não tem jeito não é? - Comentou Diego ao acordar. Sentou-se na cama.
- Bom dia... - Disse Felipe visivelmente desconcertado, o ollho de Diego ainda estava muito machucado. Colocou a bandeja de café da manhã no colo de Diego.
- Se eu soubesse que você iria me tratar tão bem assim deveria ter pedido pra você me dar um soco bem antes! - Brincou Diego. Sentindo o aroma da rosa vermelha que estava num vasinho minúsculo de cristal.
Felipe apenas sentou-se na cama e ficou olhando pra ele sem dizer nada. Passou a mão no rosto e no cabelo de Diego. Ele estava com uma expressão meio triste.
- Hum... Geléia de Framboesa... - Comentou Diego de forma vaga, passando com uma faca a geléia numa torrada. - Brunno!? - Sibilou, me dando a torrada.
- Obrigado! - Disse assentindo de leve. Comi a minha torrada com pressa e me levantei da cama. - Vou no banheiro... - Comentei. Os dois precisavam ficar a sós.
Olhei-me do espelho do vasto banheiro. Meu cabelo parecia bem pior quando eu acordava se ondulando e ficando armado. Começei a molhar as mãos e a tentar melhorar a situação. Sai do banheiro devagar, pisando de leve. Visualizei o quarto aos poucos, queria ver o que eles estavam fazendo. Felipe ainda estava um pouco pra baixo, sem saber o que dizer. Diego o beijou sem dizer nada e ficou adimirando ele. O silêncio era mortal.
- Eu... Eu... Nós precisamos conversar Dih... - Começou de cabeça baixa.
- Acho que você já disse tudo ontem...
- Desculpa... Eu preciso que você me perdoe...
- Eu também contribui, não devia ter falado aquelas coisas.
- Mesmo assim, eu não tinha o direito de...
- Lipe! É verdade o que você me disse ontem ou foi uma coisa que você falou sem pensar? Você gosta mesmo de mim?
- Dizem que você só valoriza alguma coisa, quando perde essa coisa, e ontem eu tive tanto medo de te perder. Eu nunca parei pra pensar que você é tão importante pra mim. Nós nos conhecemos desde pequenos e eu nunca percebi o quanto você se dedicou a mim...
- Lipe você... - Foi interrompido.
- Eu estou falando sério! Eu te amo!
- Felipe Duarte! Você nunca foi dessas coisas... - Comentou em tom de repreensão.
- Você quer namorar comigo? - Indagou com precisão e intensidade.
Nesse momento parece que a cena congelou. Diego ficou sem reação, totalmente estático.

Nenhum comentário:
Postar um comentário