Depois de ter conseguido, enfim, confidenciar parte do que eu passei esses dias à Roberta e ter descarregado um pouco tudo que eu estava guardando, eu pude me sentir um pouco mais leve. O plano que ela tinha arquitetado parecia bem prático mesmo, era só revirar o quarto de Laura quando ela saísse de casa. Mas tinha um, porém, por mais que minha irmã fosse desmiolada, ela jamais guardaria um tesouro daqueles em um lugar óbvio de mais e nem deixaria o local exposto. Provavelmente, toda vez que ela fosse sair, ela trancaria a porta. Diante desse impasse sobram duas opções: Copiar a chave de alguma forma, ou arrombar a porta. Enquanto eu bolava esse estratagema, eu desci do ônibus e caminhei absorto, por aqueles malditos corredores abarrotados de gente.
Entrei na sala praticamente sem ser notado.
Todos tinham seus próprios grupinhos e seus comentários para fazer sobre as festas caras regadas a álcool que costumavam frequentar. A futilidade se espalhava pelo ar e quase me fazia sufocar. Era um dia como outro qualquer e para aprender a conviver com eles é preciso colocar minha máscara de oxigênio e mergulhar nesse mar de luxúria e mediocridade emocional.
Pude ver Diego e Felipe nos lugares que costumavam se sentar. Sentei no meu lugar habitual, ao lado de Roberta, que me sorriu com a surpresa estampada nos lábios. Tive que me esforçar ao máximo pra copiar tudo o que perdi no dia anterior e prestar atenção nos novos assuntos que brotavam freneticamente da boca dos professores apressados. Vez ou outra, eu me permitia olhar para Diego novamente, como que para verificar se ele estava bem. Seu olho já estava bem melhor e a ‘roxidão’ de outrora deu lugar a uma leve mancha quase que lilás. Eu senti aquela tristeza dentro de mim novamente, eu queria estar ali! Mas, eu estava me descuidando muito com os estudos e precisava manter o foco, não é fácil manter a bolsa nesse colégio. Além disso, eu precisava dar essa alegria a minha mãe, que tanto investiu em mim, e precisava corresponder às minhas expectativas pessoais.
O que eu estava fazendo? Por que eu tive essa ideia quase que ilógica de ameaçar os garotos populares da sala? Será que só era vingança? Ou será que eu sentia vontade de que Diego pudesse, finalmente, me enxergar? E o Felipe? Será que era atração? Desejo? Hoje é um daqueles dias que minha mente está um caos, um daqueles dias em que basta um sopro para todo o meu castelo desmoronar... O "outro" voltou à minha mente, não pude deixar de lembrar dele... Em todos os momentos de fundo-do-poço ele retorna à minha mente com todas as forças pra arrancar o restinho de paz que sobrou no meu coração... Esse era um daqueles dias que acabam comigo ouvindo Whitney Houston jogado no chão e chorando! Que pensamento ridículo... - Eu ri comigo mesmo - eu preciso ter as rédeas da minha vida novamente.
Voltei a desenhar os gráficos de física II, tentando manter minha mente o mais vazia possível. O sinal tocou de forma estrondosa. Eu pude ouvi Roberta perguntando se eu queria alguma coisa da cantina, eu só respondi mexendo a cabeça em negativa e voltei a copiar.
- Brunno? - Indagou uma voz que se confundiu ao burburinho da multidão.
- Já disse que não... - Iniciei levantando minha cabeça, redefini minha fala com um lance de olhar surpreso. - Ah! Diego... Nem percebi que era você, desculpe...
- Brunno... - Repetiu ele dando uma nova roupagem à pronúncia do meu nome. - Por que você não foi sentar com a gente?
Pude ver Felipe passando em direção à porta, olhando pelo rabo do olho a minha expressão de tristeza. ele não esboçou nenhuma reação. Passou direto sem falar palavra.
- Eu tenho muitas coisas pra copiar e muita matéria para colocar em dia...
- Você acha que me engana Brunno? Eu sei que te conheço, pelo menos verdadeiramente, há pouco tempo... Mas acho que sei o que se passa na sua cabeça...
- Você não... - Ele me interrompeu.
- "Você não entenderia" - Rebateu ele antes que eu dissesse. - E antes que você complete, eu sei que "é complicado"...
- Então, o que eu vou dizer?
- Eu preciso estudar física... E não consigo pensar em alguém melhor do que você pra ensinar... Às três horas da tarde na minha casa!
- Mas eu não... - Ele tornou a me interromper.
- Não notou minha frase exclamativa? Vou ter que te dar uma aulinha de gramática? Isso não foi um pedido, foi uma ordem!!!
- Você deve ter seus planos com Felipe e...
- Ordens são ordens! Não cabe a você questioná-las e sim obedecê-las!
- Está bem! - Concordei a contragosto. No final das contas eu gostava de ser controlado... *Risos*
[...]
Cheguei em casa para mais uma sessão de chantagem subjetiva. Joguei minha mochila na cama e fui ver o que tinha pra comer, afinal, se é pra ir pra guerra, pelo menos, não vou de estômago vazio. Minha mãe estava terminando de se arrumar para sair. Senti aquele cheiro de ‘Florata in Rose’ se expandir pelo ar.
- Brunno! Vou ter que sair e resolver algumas coisas no banco... Provavelmente vou passar a tarde inteira por lá! - Iniciou ela.
- E a Laura?
- A Laura saiu, foi pra casa da Joana lá no Jaraguá e também não vem tão cedo! - Ela fez uma pausa, procurando o celular na bolsa. - Almoce, lave a louça e deixe tudo no lugar viu? - Ordenou ela indo embora apressada.
Nem deu tempo de avisar que eu ia estudar com Diego lá em casa. Comecei a comer assistindo "Say yes to the dress". Somente minutos depois eu consegui processar as informações. Eu vou ficar em casa sozinho, sem chantagem da Laura e o Diego vai vir pra cá!
- Preciso me arrumar! - Exclamei pra mim mesmo em um sobressalto.
Eu precisava arrumar a casa e deixar tudo em ordem, e precisava ficar bonito... (Mesmo que essa fosse uma missão quase impossível). Era o que eu costumava chamar de entrar no quarto como sapo e sair como príncipe. Se bem que eu ficava mais pra o figurante da cena que o príncipe protagonizava do que, de fato, o próprio príncipe...
[...]
- Desculpe a demora! - Iniciou Diego entrando de forma tímida no meu humilde apartamento.
- Sem problemas... - Comentei meio encabulado, conduzindo-o para o meu quarto.
- Cadê sua mãe? - Perguntou ele notando o silêncio.
- Saiu...
- E sua irmã?
- Também...
- Quer dizer que... Você está sozinho? - Indagou Diego em um sorriso maroto.
- É... - Foi só o que eu consegui responder antes dele me agarrar e me beijar, praticamente me arrastando até o quarto. - Você... Não... Queria... Estudar... Física?... - Perguntei entre beijos.
- Estudar... Pra... Quê? - Respondeu ele da mesma forma, me empurrando na cama.
Ele pulou em cima de mim mordendo meu pescoço e pressionando seu corpo no meu. Minha "reação na área periférica" foi instantânea! *Risos* Ele começou a passar uma das mãos pela minha perna e subiu, tentando subir minha camisa...

Está mto bom o seu conto. Adorei os seus personagens, principalmente o Diego. Espero que a continuação não demore. =D
ResponderExcluirPode deixar meu caro L.M, já estou trabalhando no próximo post... Tem 70% de chance de sair ainda hoje!!!
ResponderExcluirSeus comentários são um incentivo para que eu continue!!!
thanks!
XO XO
BRUNNO
adoraria não ter que dizer assim mas:
ResponderExcluircaralho, isso ta bom d+ porra, to adorando cada palavra. (voltando ao estado normal huahuahua) como um professor de artes meu dizia tem coisa que só da para expressar na base do palavrão por serem tão boa que faltam adjetivos e este conto é um destes casos pois dizer que é magnifico e pouco. Parabens lindo adorando aqui
Owwwwwwnnnnnnn Que honra imensaaaaaaa puta que pariu! kkkkkkkkkkkkkkkk (Adjetivos kd? vai palavrão mesmo)
ResponderExcluirSão pessoas como você que me fazem querer escrever sempre mais e mais!!! Obrigado mesmo pela força... Tem pouca gente lendo aí as vezes eu desanimo...
Mas não se preocupe não My Darling Dark Angel, novos posts apimentadíssimos virão!!! Estou trabalhando neles Right Now!!!
XO XO
BRUNNO BIANCCHI