Eu tinha a mania masoquista de pensar no
futuro e geralmente os resultados previstos ao serem comparados com os
resultados reais causavam extrema frustração. Mas, mesmo sabendo disso, eu não
conseguiria não imaginar o que poderia vir a seguir. O Alan entrou nesse
colégio no mesmo dia que eu e isso não foi nenhuma coincidência! Já éramos
amigos fazia um tempo, porque a minha mãe e a dele eram colegas de trabalho e
decidimos mudar para o mesmo colégio. A nossa amizade só aumentou com o passar
do tempo, mas parecia que as pessoas tinham inveja disso. Nós brigávamos
constantemente, porque nós éramos dois cabeças-duras e prevalecia entre a nossa
amizade um saudável instinto de competição, principalmente no que se referia às
notas na escola, mas, nunca brigamos por esse motivo. A real razão das brigas
era pelos ciúmes, o que a gente tentava explicar por “ciúmes de amigo” e que
impedia que ninguém atravessasse a anteriormente delimitada linha de ‘melhor
amigo’. No entanto, de forma natural, conseguimos agregar mais dois membros ao
grupo: o Jonas e o Henrique e a partir disso, realmente o círculo se fechou. Em
algum momento na época que eu fazia sexta série (O atual sétimo ano) nós
brigamos e nunca mais voltamos a nos falar, pelo menos até o presente momento.
Eu não podia negar que o que eu sentia por
Alan era bem diferente do que sentia por Diego e diferente da atração que
sentia por Felipe. Eu sentia raiva dele por tudo aquilo que aconteceu no
decorrer desses anos, nas trocas de ofensas nos corredores, nas difamações que
correram soltas pelas bocas e ouvidos dos fofoqueiros do colégio. Mas, junto
com essa raiva morava um sentimento que clamava por uma reconciliação e era tão
esperançoso que, além da amizade, ansiava por amor.
[...]
Por mais que eu tentasse me concentrar nas
malditas questões de Biologia II a ansiedade não deixava margem para meu foco
em estudar. Eu tinha medo do que Alan podia responder, a ideia de ser amigo
dele me assustava mais do que a de odiá-lo (ou fingir isso). Não sei se
conseguiria manter o controle da situação conduzindo uma amizade com ele. Com muita
dificuldade e varando a madrugada, consegui resolver as questões para a aula do
dia seguinte.
[...]
Acordei atrasado e tive que me arrumar às
pressas, mas fiz com que minha Personal Slave me conseguisse uma carona pra
escola, além de fazê-la preparar meu café-da-manhã. Então antes do trabalho, o
namorado da minha irmã veio me buscar. Cheguei na escola a tempo, com uns cinco
minutos de sobra, que era justo o tempo que era necessário pra chegar a minha sala.
Sobressaltado, me sentei rapidamente e abri
meu caderno, o professor já estava se preparando pra começar a aula.
- Brunno, você está bem? – Sussurrou Roberta.
- Não dormi direito fazendo as questões de
Biologia II! – Respondi, sorrindo para ela.
- Tem mais coisa por trás disso, que tipo
de sorriso é esse?
- O professor começou a falar Betão, depois
a gente fala disso!
Eu não conseguia me concentrar em mais
nada, a angústia da falta de resposta me deixava apreensivo. Toda vez que eu olhava,
ele se comportava como se nada tivesse acontecido.
[...]
Depois de uma eternidade e de eu ter
inventado mais uma história esfarrapada pra Roberta, as aulas acabaram. Eu não
gostava de mentir pra minha melhor amiga, mas preferia explicar tudo pra ela
depois que as coisas se resolvessem. Andei distraidamente em direção a porta da
sala.
- Aonde você pensa que vai? – Disse ele, me
pegando de surpresa.

Muito Bom!!! (^___^)
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