sábado, 18 de agosto de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 62



    Eu tinha a mania masoquista de pensar no futuro e geralmente os resultados previstos ao serem comparados com os resultados reais causavam extrema frustração. Mas, mesmo sabendo disso, eu não conseguiria não imaginar o que poderia vir a seguir. O Alan entrou nesse colégio no mesmo dia que eu e isso não foi nenhuma coincidência! Já éramos amigos fazia um tempo, porque a minha mãe e a dele eram colegas de trabalho e decidimos mudar para o mesmo colégio. A nossa amizade só aumentou com o passar do tempo, mas parecia que as pessoas tinham inveja disso. Nós brigávamos constantemente, porque nós éramos dois cabeças-duras e prevalecia entre a nossa amizade um saudável instinto de competição, principalmente no que se referia às notas na escola, mas, nunca brigamos por esse motivo. A real razão das brigas era pelos ciúmes, o que a gente tentava explicar por “ciúmes de amigo” e que impedia que ninguém atravessasse a anteriormente delimitada linha de ‘melhor amigo’. No entanto, de forma natural, conseguimos agregar mais dois membros ao grupo: o Jonas e o Henrique e a partir disso, realmente o círculo se fechou. Em algum momento na época que eu fazia sexta série (O atual sétimo ano) nós brigamos e nunca mais voltamos a nos falar, pelo menos até o presente momento.
    Eu não podia negar que o que eu sentia por Alan era bem diferente do que sentia por Diego e diferente da atração que sentia por Felipe. Eu sentia raiva dele por tudo aquilo que aconteceu no decorrer desses anos, nas trocas de ofensas nos corredores, nas difamações que correram soltas pelas bocas e ouvidos dos fofoqueiros do colégio. Mas, junto com essa raiva morava um sentimento que clamava por uma reconciliação e era tão esperançoso que, além da amizade, ansiava por amor.

[...]

    Por mais que eu tentasse me concentrar nas malditas questões de Biologia II a ansiedade não deixava margem para meu foco em estudar. Eu tinha medo do que Alan podia responder, a ideia de ser amigo dele me assustava mais do que a de odiá-lo (ou fingir isso). Não sei se conseguiria manter o controle da situação conduzindo uma amizade com ele. Com muita dificuldade e varando a madrugada, consegui resolver as questões para a aula do dia seguinte.

[...]

    Acordei atrasado e tive que me arrumar às pressas, mas fiz com que minha Personal Slave me conseguisse uma carona pra escola, além de fazê-la preparar meu café-da-manhã. Então antes do trabalho, o namorado da minha irmã veio me buscar. Cheguei na escola a tempo, com uns cinco minutos de sobra, que era justo o tempo que era necessário pra chegar a minha sala.
    Sobressaltado, me sentei rapidamente e abri meu caderno, o professor já estava se preparando pra começar a aula.
    - Brunno, você está bem? – Sussurrou Roberta.
  - Não dormi direito fazendo as questões de Biologia II! – Respondi, sorrindo para ela.
    - Tem mais coisa por trás disso, que tipo de sorriso é esse?
    - O professor começou a falar Betão, depois a gente fala disso!
    Eu não conseguia me concentrar em mais nada, a angústia da falta de resposta me deixava apreensivo. Toda vez que eu olhava, ele se comportava como se nada tivesse acontecido.

[...]

    Depois de uma eternidade e de eu ter inventado mais uma história esfarrapada pra Roberta, as aulas acabaram. Eu não gostava de mentir pra minha melhor amiga, mas preferia explicar tudo pra ela depois que as coisas se resolvessem. Andei distraidamente em direção a porta da sala.
    - Aonde você pensa que vai? – Disse ele, me pegando de surpresa.

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