- Roger? Como não pensei em você antes? –
Indaguei surpreso, ao me virar – Pensei que você tivesse passado da fase
Shakespeare!
- É uma fase que eu nunca vou superar! –
Comentou sorrindo. – Vejo que você quer entrar no mundo romântico e trágico de
Romeu e Julieta com certa urgência! – Ele voltou a rir – Pode pegá-lo agora! –
Ele arrastou o livro com os dedos até ele ficar mais próximo de mim.
- Por favor! Gostaria de locá-lo! –
Entreguei o livro à bibliotecária, que se ocupou em marcar a devolução de Roger
e registrar a minha locação. – Apesar de não ter sido direcionado a você,
desculpe pelo que eu disse!
- É bom ver um pouco de sinceridade de vez
em quando, Brunno! É bom saber que você não é aquela figura de perfeita
simpatia e educação que costuma tentar transparecer, isso te faz parecer um
pouco mais humano! – Brincou ele. Com uma leve crítica subentendida em suas
palavras.
- Eu não finjo... – Comecei a falar, mas
ele me interrompeu.
- Não encare como uma crítica e nem se
preocupe com réplicas! Tenho que ir agora! – Finalizou. Saindo da biblioteca
com pressa.
Roger estudava na minha sala. Era um leitor
compulsivo e escrevia como ninguém, se destacava nas matérias vinculadas à área
de humanas e tinha desempenho menos notável nas áreas exatas. Por causa do meu
forte instinto de competição, geralmente eu analisava meus concorrentes em cada
matéria que era lecionada à minha turma. Sem sombra de dúvidas, Roger era meu
mais forte concorrente em Literatura e Redação. O que mais me irritava era que
isso era tão natural para ele, que ele facilmente tirava as notas máximas, sem
ao menos ter se esforçado, já que ele mantinha suas leituras atualizadas diariamente
e alimentava seu blog de literatura. Eu tive um início de amizade com ele, mas ela
não evoluiu muito. Talvez isso tenha sido derivado do meu medo e meu conseqüente
afastamento. Roger era muito perspicaz, falar e conviver com ele era como
colocar seus pensamentos numa vitrine, ele é muito bom em “ler pessoas”, como
costumo pensar. Tinha medo de ele conseguir ‘ler’ tudo que eu tentava esconder
e do que ele podia fazer com essas informações. No entanto, Roger tinha um
defeito enorme: se apaixonava facilmente pelas garotas erradas e essa paixão o
levava a uma escravidão emocional imensurável e isso resultava na concretização
das óbvias decepções que já davam indícios de fracasso nos primórdios de suas
relações.
Eu precisava relaxar e ler um pouco de
forma despretensiosa, por puro prazer. Eu precisava sair daquela nuvem de
intensa atribulação produzida pela minha ‘amizade’ com Diego e Felipe. Precisava
me focar nos estudos de fim de ano e em me dar bem no simulado para ter
novamente o 1° lugar no ranking. Eu precisava me concentrar no vestibular, em
qual curso eu iria, de fato, escolher.
Comecei a ler as primeiras linhas do
primeiro ato distraidamente, ainda imerso em alguns tórridos pensamentos,
andando lentamente até sair da biblioteca. Em alguns minutos o sinal para
voltar pra aula iria tocar. Quando lancei um distraído olhar de soslaio para o
lado, na direção de um pequeno corredor que dava acesso à uns banheiros que quase
sempre ficavam fechados e só eram abertos em reuniões de pais e mestres, porque
ficavam mais perto do auditório do colégio. Esse corredor mal iluminado
abrigava em suas sombras, duas figuras se beijando apaixonadamente, o que era
bem comum para o local, mas algo despertou minha curiosidade. Dei alguns passos
para trás e fiquei escondido na parede do final de corredor da biblioteca e que
dava acesso ao corredor do auditório.
Tentei analisar quem eram os dois
componentes daquele amasso de desejo que, ao mesmo tempo ainda apresentava
muito carinho e romantismo. Analisando a farda, pude perceber que os dois eram
garotos! Essa informação me deixou um pouco chocado e ainda mais curioso para
ver quem eram. Foi aí que pude reconhecer Diego entre as sombras. Acabei me
lembrando que tinha visto Felipe na cantina na fila pra comprar lanche com Tânia,
minutos antes e estava imaginando como ele estaria aqui tão rápido se pegando
com Diego. Também estranhei o fato deles fazerem isso aqui no colégio, o que não
era nada comum. Até que... Eu pude perceber... Que o outro componente do beijo
não era Felipe.

Será que era o Roger??
ResponderExcluirSerá??
Será Rhayah? Será?
ResponderExcluirTem que esperar os próximos capítulos pra saber, provavelmente postarei hoje...
XO XO
BRUNNO
Aposto que é o Allan...
ResponderExcluirhum quem sera
ResponderExcluirAIIIIIIIIIIIIIII guriiiiiiii!!!!
ResponderExcluirse aprese BRUNNO!!!!!!
ass, caro anonimo...
Ou é o Allan ou o Roger...Esse Diego é ligeiro...
ResponderExcluirVocês são muito criativos caros leitores! Só que dessa vez não acertaram! kkkkkkkk
ResponderExcluirXO XO
BRUNNO