Nem consegui prestar atenção direito nas aulas que se seguiram e a tão aguardada aula de Geografia só aconteceria após o intervalo. Tânia veio até mim, no intervalo de troca de aulas, perguntar o que eu estava conversando com os meninos, acabei desconversando ao dizer que era algo relativo ao trabalho. Ela engoliu essa facilmente, pensar não era muito o seu forte, e voltou para o seu grupinho de fofocas. No intervalo fui andando normalmente até uma das mesas de pedra do pátio. Felipe e Diego me seguiram até lá como cachorrinhos famintos.
- Que tal a gente conversar? - Começei percebendo a tensão no ar.
- O que você quer que a gente diga? - Indagou Felipe, estava começando a ficar irritado novamente.
- Brunno... Desculpa mesmo pelo jeito que tratamos você naquele dia, mas por favor não faça nada precipitado! - Pediu Diego.
- Felipe! Vá comprar uma pizza e uma sprite para mim por favor! - Entreguei o dinheiro pra ele.
Felipe se levantou a contra-gosto e Diego estava se levantando também.
- Diego, você fica!
Felipe me jogou um olhar de desprezo e andou em direção à cantina.
- Nós podemos negociar... Eu e você, ele está muito zangado... - Começou Diego, mexendo no cabelo escuro e liso que tinha.
- Tranquilize ele... Eu não sou o monstro que vocês pensam que eu sou, só quero um pouco de respeito...
- Mas você não pode nos torturar a vida toda...
- Torturar? Eu só quero conversar com vocês. Entender qual o motivo de tanta grosseria e humilhação!
- Nós só estávamos brincando!
- Suas brincadeiras são horríveis... Vocês já fizeram muita gente chorar por causa disso...
- Eu nunca tinha visto por esse ângulo...
- Você parece outra pessoa longe dele. Olhando pra você agora eu posso ver um garoto bom, que se importa com os outros.
- Você parece outra pessoa longe dele. Olhando pra você agora eu posso ver um garoto bom, que se importa com os outros.
Ele não respondeu.
- Seus olhos transparecem tanta calma... E eu sei que por trás desses músculos e dessa pose de popular tem algo mais!
- Eu nem sei como tudo foi ficar assim... Eu era mais dedicado aos estudos, eu tinha mais amigos, mas aí veio as festas, a bebida e o poder... O poder que você tem, a admiração que as pessoas tem ao te olhar e é preciso sempre mais, e mais... O poder é viciante!
- Pisar nos outros te faz feliz?
- Não... Mas é que... - Gagueijou
- Você acha que se não for igual a eles, eles te expulsam do grugo?
- Acho que sim...
- Amigos de verdade não hajem assim... Mas vamos falar de outras coisas, esse assunto é seu, você que tem que refletir sobre isso... Então... Que profissão você deseja seguir? Afinal... Já estamos no segundo ano...
- Meu pai quer que eu seja dentista, que nem ele.
- Que profissão você quer seguir.
- Eu? Eu não sei... Às vezes eu componho algumas músicas e toco no meu violão... Eu queria tocar... Saber tocar vários instrumentos, mas isso é um sonho idiota... - Ele baixou um pouco a cabeça.
- Eu acho o máximo!
- Como? - Ele me fitou com aqueles belos olhos azuis novamente.
- Acho que você deve seguir o seu sonho!
- Mas eu vou morrer de fome... - Abriu um sorriso desconcertado.
- As pessoas dizem isso porque tem medo.
- Medo de quê?
- Medo de sonhar, medo de arriscar, medo de serem felizes. Elas acham que só Medicina, Direito, Engenharia, Odontologia e esses cursos mais 'clichês' é que dão dinheiro. Mas, pra que esse dinheiro todo se não houver felicidade?
- Mas as contas precisam ser pagas e existem responsabilidades, e depois eu posso fazer disso um hobby.
- Depois quando? Depois de se formar em odontologia ou depois de ser um profissional frustrado? Você vai esperar ter 58 anos no seu consultório, vendo cáries, fazendo canais diariamente, e vai olhar pro passado e ver que nada foi bom, vai se sentir arrependido de não ter tentado...
- Está aqui a sua pizza e seu refrigerante ó grande majestade! - Disse Felipe de forma sarcástica, ao voltar com o lanche. - Comprei isso pra você Diego... - Entregou o lanche para o outro.
- Obrigado...- Diego respondeu comigo em unissono.
- A sua alteza vai precisar de mais alguma coisa, ou podemos nos retirar? - Indagou Felipe.
- Descançar soldados... - Brinquei sorrindo. - Podem ir se quiserem
- Vamos Diego?
- Eu já estou indo, vá na frente...
Felipe se afastou com uma expressão confusa.
- Você até que é gente boa, apesar de estar nos chantageando. - Disse Diego.
- De que outra forma você pararia pra conversar comigo?
- Também não precisava ser assim... Mas, se vamos continuar com isso, que pelo menos seja sem conflitos... - Ele se levantou e partiu.
Achei engraçado ele praticamente correndo pra alcançar o Felipe de um jeito desengonçado. Talvez esses populares não sejam um poço de perfeição...
Voltei à minha sala. Roberta me olhava com a expressão confusa.
- É impressão minha ou você passou o intervalo conversando com o Diego Albuquerque e com o Felipe Duarte?
- Pra quê esses sobrenomes? Isso é uma novela mexicana por acaso?
- Diga seu besta! - rebateu rindo.
- Passei sim, acabei ficando amigo deles por causa do trabalho...
- Cuidado Brunno, você não sabe com o que está lidando. - Ela me aconcelhou com seus olhos cor de avelão repletos de preocupação.
- Eu sei o que estou fazendo! Relaxe!
Pude perceber que no decorrer das aulas eles conversavam bastante, pareciam discutir sobre algum assunto. Um professor ficou a um passo de expulsá-los da sala. Eles pareciam não parar de falar e falar, o que eles tanto diziam?
Na saída fiz questão de pegar o telefone dos dois, além de emails e tudo mais.
Voltei pra casa, tomei um banho e fui assitir um pouco de tv. Algumas horas depois meu celular tocou.
-Alô?!
- Oi Brunno... é o Felipe... - A voz dele estava meio entrecortada.
- Oi... - Falei com imprecisão.
- Queria te chamar pra vir aqui na minha casa, quero desfazer os maus-entendidos, você pode vir?
- C-Claro... Estarei aí daqui a uma hora mais ou menos, é que o ônibus demora...
- Eu vou te buscar daqui a meia hora, me dê o endereço..
Depois de eu dar o endereço e ter fixado completamente perplexo fui colocar uma roupa melhor e tomar um outro banho. (Eu sempre gostei de tomar banho). Expliquei pra minha mãe que ia sair com uns amigos e que tudo foi programado de última hora. Ela deixou eu ir, mas pediu pra que eu voltasse cedo.
O que ele pretendia com tudo isso?

Muito melodramático... Cadê o sexo? kkkkkkk
ResponderExcluir*fiquei sério agora*
Muito bom... Apesar de não me superar não é bruninho?
ahshahshahsh
Parabéns tô gostando...
ResponderExcluirObrigadoooo!!!
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