- Você é um monstro! - Eu me ajoelhei no chão. - Diego você está bem? Diego? - Perguntei sem resposta, minhas mãos estavam sujas de sangue.
- Eu não queria fazer isso... Diego... Diego...
- SAIA DAQUI! SEU MONSTRO! - Eu não tinha percebido que estava gritando. Sentei no chão e coloquei a cabeça do Diego no meu colo tentando estancar a ferida.
A cena tinha ocorrido muito rapidamente. Em um segundo Diego estava falando aquilo tudo para o Felipe. Depois ele aplicou um soco em Diego, que caiu e bateu a testa na mesa do computador.
- O que eu faço? O que eu faço? - Perguntou Felipe aos prantos.
- Traga uma toalha e gelo... muito gelo. - Eu tirei minha blusa e começei a estancar a ferida e dentro de alguns segundos Felipe veio com o gelo e a toalha. Peguei todo aquele gelo e enrolei com a toalha fazendo pressão na sua testa.
- Dih! Fala coomigo Dih por favor! - Pedia Felipe em suas lágrimas incessantes.
- Acho que vamos ter que levá-lo no hospital, mesmo que o corte não esteja tão profundo...
- Brunno? - Diego me chamou com a voz fraca, acordando de seu relapso pós-traumático.
- Calma Diego, vamos te levar ao hospital!
- Não... Eu estou bem... Só com dor...
- Mas você está sangrando... - Insisti
- Me perdoa Dih, por favor! - Felipe parecia inerte em um delírio febril.
- Não é hora pra isso! Vá ver se encontra uns curativos!
Felipe saiu do quarto ainda embreagado com sua tristeza a procura de algum quit de primeiros socorros.
- Eu quero ficar sentado! - Pediu ele
- Você tem que ficar aí Diego! - Ele ignorou minha ordem e se sentou encostando-se na parede.
- Não foi nada... O meu olho é que está doendo mais...
- Calma, eu vou cuidar de você!
- Não briga com ele Brunno...
- Mas ele bateu em você... - Sussurrei
- Eu nunca o vi chorar assim, não piore as coisas. Ele só... Explodiu... Deixe que eu me entendo com ele, eu sei o que dizer!
Felipe voltou com uma maleta bem equipada com diversos instrumentos. Eu consegui estancar a ferida minutos depois e fiz um curativo com gaze esparadrapos. Colocamos ele na cama.
- Tem certeza que não quer ir a um médico? - Perguntei
- Não, eu estou bem, foi só um cortezinho... - Diego amenizou
- Desculpe Diego você sabe...
- Não quero ouvir nada agora, quero ir pra casa...
- Não, não vá... O que seus pais vão pensar sobre mim?
- Eu quero ir... - Diego continuou
- Fique...
- Eu não quero ficar sozinho com você!
- O Brunno vai ficar também, nós cuidamos de você e dormimos aqui. - Afirmou Felipe
- Como assim? - Indaguei
- Eu fico se o Brunno ficar! - Comentou Diego, visivelmente recuperado
- Mas como... Minha mãe...
- Eu falo com ela, por favor! - Os olhos de Felipe estavam vermelhos e o verde de sua íris se afogava em suas lágrimas.
- Tenho que falar com ela...
Felipe saiu do quarto novamente, sem falar nada.
Felipe saiu do quarto novamente, sem falar nada.
Eu acabei ligando pra minha mãe e dizendo que ia assistir alguns filmes na casa de uns amigos e que iria pra escola daqui mesmo. Ela não queria concordar mas acabei chantageando ela com o papo de 'eu sempre me esforço e estudo tanto, não posso nem me divertir?' e ela acabou cedendo.
Os pais de Felipe (ambos médicos) estariam de plantão esta noite, como era de costume. Diego não falou com Felipe o o tratava com severa frieza. Nós conversamos um pouco enquanto Felipe preparava alguma coisa pra gente comer.
- Ainda não acredito que estou aqui, que vou dormir com vocês...
- Obrigado por ficar... - Começou Diego. - Pode me passar o remédio?
- Claro! - Entreguei a cartela de remédio para dor e ele tomou um.
- Você entendeu porque não pode revelar esse vídeo? Felipe é muito machista e é muito explosivo. Eu tenho medo por você...
- Ele é louco!
- Ele tem seu lado bom, ele só está perdido. Você não conhece a vida dele como eu conheço. Nós somos amigos de infância.
- Nada explica essa atitude dele! Ele já fez isso antes?
- A gente briga de vez em quando, eu já dei um soco nele uma vez. - Ele começou a rir, mas logo sentiu dor. - Enfim... Ele não funciona bem sob pressão.
- A relação de vocês dois é muito tensa...
- Tensa e intensa... Eu quero um copo d'água. - Diego começou a se levantar.
- Não se esforce, eu vou buscar...
- Mas Brunno...
- Quietinho aí. - Dei um beijo em sua mão. - Hoje você merece um pouco mais de carinho.
Percorri o corredor, alguns gemidos estranhos vinham da cozinha.

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