quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 35


    - Onde você se  meteu? – Indagou Roberta confusa. – Eu cheguei e vi sua bolsa, mas você não estava aqui! O professor quase não deixa você entrar! – Sussurrou.
    - É... Antes que ele mude de idéia e me coloque pra fora, vamos copiar o exercício! – Exclamei em um sibilo. Não estava em condições de dar explicações.
    Se eu não ouvisse a própria Tânia falar com Gabriele aos prantos no celular eu não acreditaria nisso, acharia que era um golpe da barriga ou coisa parecida. Mas, o fato de ela não saber que eu estava ouvindo e não estar contando para o Felipe me faz acreditar que essa notícia tem a possibilidade de ser verdadeira. O que me resta é saber o que eu vou fazer com esse tipo de informação.

[...]

    Olhei fixamente para um ponto específico da sala. Meus pensamentos se dispersavam facilmente. Dessa vez eu não estava pensando nem no meu plano para reaver o DVD, nem na suposta gravidez de Tânia e muito menos na minha relação conflituosa com Diego e Felipe. As vezes eu me pego  pensando nele de novo e sei que não deveria me martirizar desse jeito, mas é inevitável. É como um vício que me obriga a continuar alimentando-o.
    Eu gostava do tempo em que eu não sabia que estava apaixonado por ele, quando nós éramos apenas amigos ciumentos. Ninguém entrava no nosso grupinho do “quarteto” por causa de que todos nós tínhamos ‘ciúmes de amigos’, menos Thiago, ele não sentia nada disso, passava o ano juntando dinheiro para trocar seu celular por um 10 vezes mais moderno e continuava no mês seguinte, e pelo fato dele ser hétero, provavelmente ele não tenha essa mente feminina da competição. Jonas tem aquela síndrome de Blair Waldorf de querer controlar todos, de não deixar a gente socializar com os outros meninos. Ainda me lembro na 5ª série (que hoje já é o sexto ano) quando tentei fazer amizade com o Heitor, mas depois de um tempo Jonas me deu logo um ultimato: Ou eu me afastava dele, ou me afastava do grupo. E eu escolhi continuar no grupo. Partindo da idéia que Thiago não tinha ciúmes de ninguém e que o ciúme de Jonas era causado por sua síndrome Blair... Só restava eu e o Alan. Quem sabe o ciúme fosse meu o tempo todo e eu não tivesse me dado conta.
    Nas brigas entre nosso mini-grupo sempre cada um já tinha seu fiel escudeiro. Se eu brigasse com Alan, Jonas ficaria do meu lado e Thiago ficaria do lado do Alan. Se eu brigasse com Jonas, Alan ficaria do meu lado e Thiago ficaria do lado de Jonas. Era difícil acontecer algum desentendimento meu com Thiago então não consideraria essa possibilidade. É uma coisa até complexa de entender, a única forma de simplificar é que eu nunca ficaria do lado de Thiago, nem ele do meu. Pra mim ele era um apêndice do grupo. Todos nós, com exceção de Thiago, brigávamos por tudo e qualquer coisa, mas geralmente a raiva não sobrevivia a mais de uma semana. A gente sempre arrumava um jeito de mandar um escudeiro falar com o escudeiro do ’inimigo’ para ‘acabar com a guerra’. Mas o que eu não sabia era que uma dessas brigas seriam definitivas e que ela seria com o Alan, meu melhor amigo. Que eu conhecia desde os 10 anos. Nossa briga foi com 12 ou 13 anos e não me lembro bem o motivo. As pessoas sempre foram invejosas e nossas brigas sempre geravam ibope e fofoca das pessoas que não tinham o que fazer. Eu só sei dizer que, devem ter aumentado tudo que ele falou de mim e vice e versa e esse telefone sem fio acabou destruindo tudo o que a gente tinha conquistado ao longo desse tempo.

[...]

    - No que você está pensando Brunno? – Indagou Roberta.
    - Na aula!
    - A aula acabou Brunno, você não percebeu? O professor liberou a gente pra conversar, porque já corrigiu os exercícios...
    - Desculpe... É só que... Eu não estou com cabeça pra mais nada.
    - Pensando nele de novo? E nem tente mentir pra mim!
    - Você sabe que eu ainda gosto dele...
    - Depois de tudo que ele fez? Depois de tudo que ele falou sobre você?
    - É irracional, eu sei, mas talvez isso seja amor não é?
    - Um amor masoquista e doentio! – Ela fez uma pausa. – Mas, mesmo assim é amor. E o amor é um sentimento muito digno, e mesmo que você ame o Moby Dick aí eu acho bonito.
    - Pois eu acho horrível...
    - Além disso, é bom ver que você é um ser humano. As notas altas e essa pose de “eu só não passo em medicina porque não quero” fazem você parecer um robô japonês programado para a perfeição! – Ela começou a rir.
    Eu não pude resistir e comecei a rir também.
    Alguém me cutucou. Olhei para traz e Dayana me estendeu um bilhete sorrindo para mim. Nem todos os populares são idiotas fúteis. A Dayana era legal. Peguei o bilhete, agradeci e virei novamente.

Precisamos conversar com você!
D. e F.

    Era um bilhete de Diego e Felipe. Eu nem precisaria ver as iniciais no fim, só a caligrafia impecável de Diego já era bastante para reconhecê-lo.

2 comentários:

  1. Não consigo parar de ler seu livro ... Estou me considerando um fã super viciado, eu vi pessoas falando que você escrevia muito bem, dai comecei a ler desde o capitulo 1 e foram dois dias seguidos sem parar ... você é um ótimo escritor não vejo a hora do novo capitulo (:3)

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado pelos elogios! Se tudo der certo vão ser postados todos os dias dessa semana capítulos novos! Já estou providenciando isso! Muito obrigado pelo seu comentário, isso é muito importante para mim!
    Obrigado Gochi, meu mais novo fã!

    XO XO
    BRUNNO BIANCCHI

    ResponderExcluir