quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 36



    Decidi ir para uma daquelas várias mesas de pedra que ficavam no pátio por trás da cantina, lá era um lugar mais calmo para se pensar. Enquanto os alunos do colégio se estapeiam por um lanche e depois se sentam nas mesas que ficam na própria cantina, as mesas de pedra do pátio ficavam quase sempre vazias.
    - Pensei que o nosso assunto estivesse finalizado! – Comentei, me sentando no banco de pedra do pátio.
    - Só acaba quando termina Nerdzinho! – Disse Felipe entre dentes colocando o pé no banco bem próximo de mim.
    - Brunno, por favor! Por mais que eu confie em você essa espera é torturante! Não é justa essa chantagem... – Ele passou por mim e se sentou no banco do lado oposto, ficando de frente para mim. - Eu sei que a gente errou em te humilhar e a forma como a gente se comportou foi inaceitável, mas nós já aprendemos a lição!
    - Não se trata em aprender ou não a lição. Não estou fazendo uma chantagem didática!
    - Mesmo que seja vingança... Já acabou! Você venceu seu pé-rapado! – Interveio Felipe ao meu lado, preferi não manter contato visual com ele.
    - Eu não estou a fim de explicitar todos os motivos que me levaram a fazer isso! – Falei em tom de desprezo.
    - Felipe... Que tal você ir dar um passeio? – Indagou Diego.
    - Tá! – Grunhiu ele saindo dali.
    Felipe se afastou. A estratégia de policial bom e policial mau não parecia dar indícios de eficácia.
    - Eu não sei se eu estou errado, mas apesar de estarmos sob essa chantagem ridícula e sem fundamento, eu acabei me conectando a você. Todas as vezes que a gente conversou e me sentia mais seu amigo... – Iniciou Diego.
    - Antes ou depois de você dar em cima de mim para conseguir o DVD?
    - Podemos conversar sem esse sarcasmo? E é claro que eu fiz isso! Situações como essa exigem medidas extremas!
    - Extremas? Agora não resta dúvidas de que Felipe estava certo!
    - O quê? Dá pra você parar de brigar comigo sobre uma coisa que eu nem sei o que é?
    - “Você pensou mesmo que o Diego pudesse estar gostando de você? Provavelmente ele só estava querendo pegar o vídeo de volta... Ele tem bom gosto, ele nunca ficaria com alguém como você!“ Assinado, Felipe! – Respondi revoltado e irônico.
    - Eu poderia mesmo ficar somente como caras bonitos como o Felipe, mas eles são vazios... Só pensam em sexo e em fazer tudo com a máxima descrição para ninguém saber e os meus sentimentos como ficam? Você é diferente... O jeito que você me beija e o modo como você fala comigo mostram que você tem uma amizade despretensiosa. Você pode até querer ficar comigo e como os outros caras você também pode desejar fazer sexo comigo, mas eu acho que você enxerga além de um corpo malhado de academia e um par de olhos azuis...
    - Por que você está me dizendo isso tudo?
    - É o motivo pelo qual eu beijei você todas aquelas vezes, eu sei que o Felipe estava sempre me impulsionando a conseguir o DVD de volta, mas no caminho eu percebi que eu sentia bem mais do que vontade de ser livre novamente. Eu queria ter te conhecido fora dessa situação, sem essa chantagem...
    - Você provavelmente teria pisado em mim e deixado pra lá!
    - É verdade, mas agora eu vejo as coisas de uma maneira diferente. Eu queria começar de novo com você, do jeito certo!
    - Como eu vou saber que isso não é um truque?
    - Olha só Brunno, eu amo o Felipe e é um amor meio sem-sentido, meio irracional. Ele me irrita a metade do tempo e na outra metade ele me faz sofrer, mas algo dentro de mim precisa ficar com ele, é como um vício! Você me entende?
    - Pior que entendo... – Diego praticamente narrou os sentimentos que eu tenho pelo Alan.
    - Eu quero ser seu amigo quando tudo acabar, mas até lá, eu só espero que você continue do jeito que você é, e que faça a coisa certa para você! Se você acha mesmo que a gente merece, pode postar o vídeo na internet. Você vai conseguir dar uma lição no Felipe e vai acabar com tudo... Talvez você ache que minha vida é fácil só porque eu tenho dinheiro e vou a festas, mas isso não quer dizer absolutamente nada. Eu tenho que ficar com as meninas pra manter uma imagem de pegador, mas eu nem gosto de meninas, eu tenho que conversar coisas fúteis com desconhecidos que eu chamo de amigos só porque eles freqüentam os mesmos lugares que eu e me esforço para orgulhar meus pais que nem estão em casa para eu dividir minhas conquistas... Faça o que achar melhor! – Concluiu Diego saindo dali.
    Eu fiquei me sentindo péssimo por tratá-lo desse jeito e pela maneira que eu acabei julgando ele ao pensar que ele e o Felipe eram pessoas iguais só porque eles andam juntos. Tudo isso confundiu muito a minha cabeça sobre o desfecho desse jogo de amor e vingança.

6 comentários:

  1. hey Brunno, virei fã da sua história <3
    Espero que você não fique mais desmotivado e continue postando sempre ><

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  2. Seu comentário já é uma motivação Beto, as vezes só um bom comentário, um pequeno feedback de vocês e eu já me sinto impulsionado a escrever muitos capítulos!

    XO XO
    B. B.

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  3. woooooooooooooouuuuuuuuuuuuu ta ficando cda vez mais emocionante....
    quero mais muito mais. rsrsrs
    bj Brunim até amanha boa noite ai a todos os leitores deste maravilhoso conto

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  4. Obrigado aí Dark Angel, você já é de casa!
    Amanhã tem mais!!!

    XO XO

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  5. esse livro esta sendo meu vicio ... :D

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  6. Que bom Gochi! Conto com você para comentar ok? Pode criticar, dizer o que gostou, não gostou... Tudo que quiser compartilhar!

    XO XO
    BRUNNO

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