Felipe me conduziu, sem dizer palavra, para uma das mesas de pedra do pátio do colégio. Sentou-se e me encarou com uma seriedade que não era do seu feitio.
- Então... Como foi lá no médico? – Eu iniciei, sentando ao lado dele. Eu não estava agüentando mais ficar sem saber.
- Foi difícil fazê-lo ir e eu tive que inventar algumas desculpas... – Eu o interrompi bruscamente.
- Felipe, por favor, vá direto ao ponto!
- O médico que a gente consultou da outra vez o examinou novamente e está esperando novos resultados, mas ele me tranqüilizou dizendo que isso pode ter sido algum reflexo momentâneo da pancada que ele levou e que logo iria passar,ele também disse, que só faria os exames novamente por desencargo de consciência, mas que ele acreditava piamente que esses desmaios e esquecimentos são episódios passageiros que vão acontecer até a recuperação...
- Então, por que você está com essa cara?
- Eu tenho medo dos resultados, e se eles descobrirem alguma coisa?
- Felipe, fique calmo! – Sussurrei colocando minha mão sobre a dele por baixo da mesa.
- Você sabe que... – Ele fez uma pausa e fez aquela cara de quem está com vontade de chorar e está se prendendo. – Eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse a ele! – Ele deixou uma lágrima escapar, a contragosto e logo tratou de enxugá-la. Ele era muito orgulhoso.
- Você não tem que se culpar... – Ele interrompeu minha fala.
- Fui eu quem ficou descontrolado e dei um soco nele, você faz ideia de quanto idiota eu sou?
- Foi uma atitude totalmente irracional, eu sei, mas você fez sem pensar... E pelo histórico de tapas e beijos bem que a situação poderia ser contrária...
- Não... O Diego jamais cometeria um erro desses...
- Vamos pensar positivo, não tem porque nos martirizarmos agora, além disso, o médico não te tranqüilizou e disse que não é nada de importante?
- Mas... Ele é... – Felipe balbuciou entrecortadamente. – tudo pra mim! Você não consegue imaginar... O quanto... Eu... – Ele não se conteve e começou a chorar no meu ombro feito uma criança desesperada que se perdeu dos pais numa estação de trem cheia de pessoas.
- Felipe... Eu vou estar aqui com você aconteça o que acontecer! Eu não vou deixar você passar por tudo isso sozinho!
A sorte é que tinham poucas pessoas no pátio e elas ainda não tinham notado a cena.
- Agora... – Eu retornei a falar. – Pare de chorar e recomponha-se, o Diego já está vindo pra cá e ele precisa te ver bem!
[...]
- Que fila enorme! – Disse Diego sentando-se no banco de cimento. –Estou considerando trazer o meu lanche de casa! – Ele começou a rir e entregou os nossos lanches.
- Obrigado Diego! – Agradecemos, quase que em uníssono.
- O que aconteceu aqui enquanto eu saí? Vocês estão estranhos... Brigaram de novo? Felipe eu já te disse pra não brigar com o Brunno...
- Não Dih! Nem gaste sua saliva! Eu e o Brunno resolvemos nossas diferenças...
- Finalmente amor, já estava na hora! – Proferiu Diego, eu pude sentir como a palavra “amor” o atingiu em cheio e produziu um olhar triste em Felipe por alguns segundos. Eu fiz um sinal pra ele franzindo as sobrancelhas e ele mudou de expressão automaticamente.
- Amor... – Sussurrou Felipe se aproximando mais do Diego no banco. – Você imaginaria que chegaríamos a esse nível de romance? – Ele brincou, sorrindo.
- Na verdade, eu sempre quis isso! – Respondeu, lançando um daqueles olhares penetrantes pré-beijo onde o tempo parece passar em câmera lenta.
- Segurem a onda! Estamos no colégio, esqueceram? – Eu adverti, e eles voltaram a se separar. Uma distância segura sempre ajuda a conter os ânimos.
Minutos depois eu pude ouvir aquela voz irritante novamente, o dia estava muito tranqüilo para ser verdade.
- Meninoooooooooooooooooooooooooooooooos! – Exclamou, com uma voz que para mim soava como o barulho de unhas arranhando um quadro de giz.

Brunno Maravilhoso! Um dos contos mais empolgantes que já acompanhei!
ResponderExcluirAbraços, Victor F.
Obrigado Victor F.! Aguarde novidades!
ResponderExcluirXO XO
BRUNNO