- Oi, Tânia! – Respondeu Diego, sorrindo.
Eu nem me dei o trabalho de responder, Tânia não tinha nível intelectual para manter uma conversa comigo por mais de dois minutos e eu não tinha nível de futilidade para fazer o mesmo.
O sinal tocou de forma estrondosa, já estava na hora de voltar pra sala. Eu e Felipe sabíamos muito bem o que a “miss peitos” queria falar com ele. Como essa conversa era inevitável e como o Diego não poderia ouvir aquela biscate falar de jeito nenhum, eu tive que intervir.
- Diego, eu posso falar com você em particular? – Indaguei olhando para ele com uma expressão misteriosa, para conseguir inferir que eu queria realmente falar com ele e não mostrar a realidade: que eu queria deixar Felipe e a oxigenada conversarem. - Vocês se importam? – Perguntei em seguida fitando Felipe e a biscate.
- Não... Não queridos! Podem ir! – Sibilou Tânia com sua voz irritante, eu sempre tinha a estranha vontade de jogar um tijolo na cara dela para ver se ela se orientava!
Nós nos levantamos e Felipe segurou no meu braço e fez uma expressão que me transmitia tudo que ele estava pensando.
- Vá andando na frente Diego... – Falei. – Preciso falar uma coisinha com Felipe! – Diego fez uma expressão de confuso, mas se afastou sem falar mais nada. – Só um minutinho e ele é todo seu Tânia! – Expliquei por pura educação, não devia explicações a essa desmiolada.
Felipe segurou no meu braço e me puxou até uma distância razoável da mesa. Tânia ficou analisando seu cabelo com suas mechas californianas – que por sinal estava ressecado, frisado e cheio de pontas-duplas – e aparentava não se importar com o teor da nossa conversa.
- O que você pensa que está fazendo nerdzinho!?
- Converse com a oxigenada, é melhor enfrentar isso agora do que ela ficar fazendo escândalo por aí! Convença ela a ficar calada e peça um teste de gravidez, mas vê se faz isso com cavalheirismo!
- Eu? Ser cavalheiro com essa puta?
- Na hora de comer ela você não aproveitou? Agora está na hora do ônus da sua irresponsabilidade!
- Você acha que é quem pra me julgar?! – Indagou Felipe com raiva.
- Quantas vezes eu vou dizer que estamos do mesmo lado? Só acalme ela e peça pra ela não espalhar pras amigas, se já não fez isso, e depois a gente conversa sobre isso...
- E o Diego?
- Você vai ter que dar a notícia a ele do jeito certo, dessa vez!
- Eu não sei se consigo...
- Você vai ter que conseguir! Não sabemos se esse ‘esquecimento’ do Diego vai durar ou não e de qualquer forma, ele precisa saber!
- Mas...
- Lipe... Pare de ser imediatista! Vamos resolver um problema de cada vez! Volte pra lá e seja bonzinho com a Tânia... Eu vou ter que enrolar Diego agora, ele já deve estar desconfiando que algo possa estar acontecendo!
Eu me afastei dali rapidamente, precisava alcançar o Diego.
[...]
- Quer dizer que você foi pedir ao Felipe dicas sobre relacionamentos? Eu não sei o que é mais estranho, você falar com ele ou pedir a alguém como ele dicas sobre esse assunto que ele não domina! – Diego começou a rir, parece que minha mentira foi convincente.
- Mas parece que ele tem um dom natural para isso...
- Por que você acha isso?
- Porque, apesar de tudo, ele está com você! – Nesse momento o ar ficou mais pesado, meu coração começou a acelerar.
- Você... – Diego recomeçou a falar em sussurros. – Pediu dicas a ele sobre mim?
- Não... Sobre aquele garoto que eu te falei no hospital!
- Você não conseguiu esquecer ele, não foi?
- Faz uns cinco anos que eu tenho esses sentimentos estranhos por ele...
- “Estranhos”? Não entendi... – Diego fez aquela expressão de criança que ouve uma palavra pela primeira vez.
- É complicado... – Respondi admirando aquele rosto lindo de Diego.
- Você sempre diz isso! Assim não vale! – Ele sorriu, mas tornou a ficar sério ao perceber que eu realmente estava abrindo meu coração.
- A gente brigou, eu nem lembro ao certo o motivo... Nós éramos melhores amigos e no fundo eu sempre o amei... Mas, eu devo ter estragado tudo...
- Você não tem como consertar?
- Eu já tentei... Mas ele é inflexível! O pior é ter que ver ele todas as manhãs... – Eu me contive na hora, acabei falando de mais.
- Quer dizer... Que ele estuda aqui no colégio? – Diego fez uma cara de surpreso.

como sempre perfeito, mas ja sei que a biscate prenha não vai ser facil de dobrar não
ResponderExcluir"Biscate prenha" foi ótimo! kkkkkkkkkkk Vou roubar viu? ahshahshahshh
ResponderExcluirXO XO
Put's grila. Cara isso tudo é magnifico seu modo de escrever, o jeito que você brinca com as palavras é perfeito. Agradeço a você por dividir isso tudo comigo e aos demais que leem.
ResponderExcluirBjuuh'
Nossa! Que elogio legal! Amei mesmo... Não tem o que agradecer, só um comentário desse já é um grande retorno e incentivo para mim! Breve postarei mais!
ResponderExcluirXO XO
BRUNNO