Agora eu tinha que decidir o que faria com
esse DVD. A dualidade dos meus pensamentos entre entregar ou não esse meu
material de chantagem para eles se dava pelo medo que eu tinha de perdê-los.
Por alguma razão eu sentia um afeto imenso por aqueles mauricinhos cabeças
ocas, mas, será que depois que eu entregar o jogo eles vão continuar sendo meus
amigos ou tudo voltaria à estaca zero?
Eu me sentia responsável por parte
considerável dos tormentos que eles estavam passando no momento. O acidente de
Diego tem tirado o sono de Felipe e é nítida a dor que ele está sentindo e o
medo que está se espalha rapidamente por ele como um câncer. Eu sei que foi o
Felipe que deu o soco, mas, eu sinto uma parcela majoritária de culpa por ter
armado o palco da discussão, afinal, toda aquela atmosfera de tensão por causa
do vídeo, foi por minha causa.
Meu celular vibrou em cima da mesa do
computador. Era Felipe.
- Brunno, estive pensando naquilo que você
falou... – Iniciou ele, sua voz transmitia incerteza.
- No quê exatamente? Eu falo muitas
coisas... – Respondi, não sabia ao certo sobre o que ele estava se referindo.
- Em dizer ao Diego antes que ele descubra
logo, até porque... – Eu o interrompi, essa conversa toda estava me parecendo
uma introdução a mas uma confusão.
- Até por que o quê? – Eu intervim, odeio
quando começam a falar com embromações.
- Aconteceu uma coisa horrível! – Sussurrou
ele, tentando medir as palavras para amortizar as notícias.
- O que foi? Diga logo! Já estou ficando
preocupado!
- Tânia exigiu que eu a namorasse e quer
‘anunciar’ isso amanhã!
- Como assim, ‘anunciar’? – Fiquei pensando
‘o que mais essa vadia vai aprontar?’
- Ela quer dizer que somos namorados em
frente a todas as suas amigas!
- E isso significa que ela vai te
apresentar para 42% da sala, afinal, patricinhas não são muito seletivas em
relação a amizades! - percebi que isso
vai se espalhar como uma peste transbordando nas línguas e ouvidos daquele
povinho, até que todos saibam do ocorrido, com detalhes inventados.
- Então eu fiquei praticamente obrigado a
ter que contar tudo a ele hoje... – Proferiu, com certa desilusão.
- “Praticamente” não! – Ironizei, eu não
conseguia dizer nada sem uma boa dose de ironia, mesmo em momentos como esses. -
Você foi obrigado a contar tudo ao Diego hoje, infelizmente!
- Você vai me ajudar, não vai? – Pediu ele,
num tom de voz tão baixo que era quase impossível recordar dos tempos que ele perdia
o controle e saia gritando e batendo em tudo como um ser irracional.
- Claro que vou, conforme eu prometi! Eu
vou tentar te ajudar a sair dessa, embora eu não veja muitas possibilidades...
Para resolver essa equação, vamos ter que inventar uma fórmula nova!
- Não... Quero resolver equação nenhuma, só
quero que você me ajude!- É só elogiar! Logo percebi que ele ainda estava no
meio termo entre irracionalidade e racionalidade. Mas, dadas as circunstâncias
atuais eu não podia exigir muito da capacidade mental completamente cheia de
esteróides de Felipe.
- Certo Felipe, venha me buscar em uma hora
e iremos pensar em alguma coisa pra dizer ao Diego.
[...]
- Oi! – Disse, fechando a porta do carro e
olhando para Felipe.
- Oi Brunno! – Respondeu Felipe, sem muito
entusiasmo. Era perceptível as bolsas inchadas e vermelhas que se formavam
embaixo dos seus olhos.
- Eu não tenho palavras para te confortar
agora... – Reiniciei, após alguns segundos de silêncio. – Eu sei que esse é um
abismo que não parece ter fim, mas, vamos encontrar uma solução para tudo isso,
eu só não sei como!
Ele virou o rosto para a janela apoiando o
queixo em sua mão semicerrada.
- Tá! – Respondeu de forma monossilábica. Ele
era um vulcão, que transbordava de lágrimas quentes, agora. Senti que ele
estava se segurando ao máximo.
- Eu vou encontrar um jeito! – Segurei a mão
sua mão direita que estava sobre o volante. – Você confia em mim?
- Confio... – Ele amparou mais uma lágrima
que rolava pelo seu rosto. – Mas, eu não sei se você vai conseguir resolver... –
Eu o interrompi.
- Quem confia, não fica se prendendo ao ‘mas’,
somente confia e ponto final.
[...]
Depois de um tempo considerável de
conversa, senti que Felipe estava pronto para falar com Diego. “Pronto” pode não
ser a palavra mais indicada, mas ele estava muito próximo dessa preparação. O
que eu previa era uma mudança considerável na percepção do tempo de agora em
diante.
Não demoramos muito esperando o elevador,
os minutos passavam voando desde que saímos do carro. Logo que batemos, a porta
se abriu e lá estava Diego sorridente. Foi aí que o tempo resolveu congelar e
cada segundo parecia uma eternidade. O sorriso de Diego se desfez em câmera
lenta, ele percebeu que tinha algo errado naquela visita inesperada.

posta logo o resto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirEstou preparando vários capítulos aqui pra tentar fazer um tempo de 'postagens diárias'
ResponderExcluirpassa um pedacinho se quer estou muito apeemsivo!!sou o caro "anonimo"
ResponderExcluirÉ porque eu estou fazendo uns capítulos Puro Fogo! E eu tenho que postá-los todos de uma vez... Se eu postar mais 1 agora, você vai morrer de curiosidade! kkkkkk
ResponderExcluirÉ para o seu bem
brigado!!!
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