domingo, 13 de maio de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 50



     Agora eu tinha que decidir o que faria com esse DVD. A dualidade dos meus pensamentos entre entregar ou não esse meu material de chantagem para eles se dava pelo medo que eu tinha de perdê-los. Por alguma razão eu sentia um afeto imenso por aqueles mauricinhos cabeças ocas, mas, será que depois que eu entregar o jogo eles vão continuar sendo meus amigos ou tudo voltaria à estaca zero?
    Eu me sentia responsável por parte considerável dos tormentos que eles estavam passando no momento. O acidente de Diego tem tirado o sono de Felipe e é nítida a dor que ele está sentindo e o medo que está se espalha rapidamente por ele como um câncer. Eu sei que foi o Felipe que deu o soco, mas, eu sinto uma parcela majoritária de culpa por ter armado o palco da discussão, afinal, toda aquela atmosfera de tensão por causa do vídeo, foi por minha causa.
    Meu celular vibrou em cima da mesa do computador. Era Felipe.
    - Brunno, estive pensando naquilo que você falou... – Iniciou ele, sua voz transmitia incerteza.
    - No quê exatamente? Eu falo muitas coisas... – Respondi, não sabia ao certo sobre o que ele estava se referindo.
    - Em dizer ao Diego antes que ele descubra logo, até porque... – Eu o interrompi, essa conversa toda estava me parecendo uma introdução a mas uma confusão.
    - Até por que o quê? – Eu intervim, odeio quando começam a falar com embromações.
    - Aconteceu uma coisa horrível! – Sussurrou ele, tentando medir as palavras para amortizar as notícias.
    - O que foi? Diga logo! Já estou ficando preocupado!
    - Tânia exigiu que eu a namorasse e quer ‘anunciar’ isso amanhã!
    - Como assim, ‘anunciar’? – Fiquei pensando ‘o que mais essa vadia vai aprontar?’
    - Ela quer dizer que somos namorados em frente a todas as suas amigas!
    - E isso significa que ela vai te apresentar para 42% da sala, afinal, patricinhas não são muito seletivas em relação a amizades!  - percebi que isso vai se espalhar como uma peste transbordando nas línguas e ouvidos daquele povinho, até que todos saibam do ocorrido, com detalhes inventados.
    - Então eu fiquei praticamente obrigado a ter que contar tudo a ele hoje... – Proferiu, com certa desilusão.
    - “Praticamente” não! – Ironizei, eu não conseguia dizer nada sem uma boa dose de ironia, mesmo em momentos como esses. - Você foi obrigado a contar tudo ao Diego hoje, infelizmente!
    - Você vai me ajudar, não vai? – Pediu ele, num tom de voz tão baixo que era quase impossível recordar dos tempos que ele perdia o controle e saia gritando e batendo em tudo como um ser irracional.
    - Claro que vou, conforme eu prometi! Eu vou tentar te ajudar a sair dessa, embora eu não veja muitas possibilidades... Para resolver essa equação, vamos ter que inventar uma fórmula nova!
     - Não... Quero resolver equação nenhuma, só quero que você me ajude!- É só elogiar! Logo percebi que ele ainda estava no meio termo entre irracionalidade e racionalidade. Mas, dadas as circunstâncias atuais eu não podia exigir muito da capacidade mental completamente cheia de esteróides de Felipe.
    - Certo Felipe, venha me buscar em uma hora e iremos pensar em alguma coisa pra dizer ao Diego.

[...]

    - Oi! – Disse, fechando a porta do carro e olhando para Felipe.
    - Oi Brunno! – Respondeu Felipe, sem muito entusiasmo. Era perceptível as bolsas inchadas e vermelhas que se formavam embaixo dos seus olhos.
    - Eu não tenho palavras para te confortar agora... – Reiniciei, após alguns segundos de silêncio. – Eu sei que esse é um abismo que não parece ter fim, mas, vamos encontrar uma solução para tudo isso, eu só não sei como!
    Ele virou o rosto para a janela apoiando o queixo em sua mão semicerrada.
    - Tá! – Respondeu de forma monossilábica. Ele era um vulcão, que transbordava de lágrimas quentes, agora. Senti que ele estava se segurando ao máximo.
    - Eu vou encontrar um jeito! – Segurei a mão sua mão direita que estava sobre o volante. – Você confia em mim?
    - Confio... – Ele amparou mais uma lágrima que rolava pelo seu rosto. – Mas, eu não sei se você vai conseguir resolver... – Eu o interrompi.
    - Quem confia, não fica se prendendo ao ‘mas’, somente confia e ponto final.

[...]

    Depois de um tempo considerável de conversa, senti que Felipe estava pronto para falar com Diego. “Pronto” pode não ser a palavra mais indicada, mas ele estava muito próximo dessa preparação. O que eu previa era uma mudança considerável na percepção do tempo de agora em diante.
    Não demoramos muito esperando o elevador, os minutos passavam voando desde que saímos do carro. Logo que batemos, a porta se abriu e lá estava Diego sorridente. Foi aí que o tempo resolveu congelar e cada segundo parecia uma eternidade. O sorriso de Diego se desfez em câmera lenta, ele percebeu que tinha algo errado naquela visita inesperada.

5 comentários:

  1. posta logo o resto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. Estou preparando vários capítulos aqui pra tentar fazer um tempo de 'postagens diárias'

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  3. passa um pedacinho se quer estou muito apeemsivo!!sou o caro "anonimo"

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  4. É porque eu estou fazendo uns capítulos Puro Fogo! E eu tenho que postá-los todos de uma vez... Se eu postar mais 1 agora, você vai morrer de curiosidade! kkkkkk
    É para o seu bem

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