Depois de saciar a curiosidade de Roberta
de uma forma sucinta e rápida, porque a aula já estava para começar, tentei me
concentrar nos novos assuntos que surgiam nas aulas de Física II. Depois de ter
me afastado um pouco de Diego e Felipe, pude voltar a minha concentração nos
estudos e consegui até me adiantar na matéria.
Faltava menos de um mês para as provas
finais que antecediam o período de férias do meio do ano, para mim, e de
recuperação, para aproximadamente 64% da sala. Ainda tinha uma prova de
simulado para o vestibular, que não era obrigatória, nem valia nenhuma nota ou
pontuação, mas era muito disputada pelo ranking que era feito das melhores
notas. Os coordenadores de cada ano interrompiam a aula na sala do aluno que
ficou em 1° lugar e teciam alguns elogios que mais soavam como uma crítica
subliminar aos alunos que não se empenham nos estudos. A duras penas, consegui ‘vencer’
o Alan no ano passado, tanto no 1° quanto no 2° simulado, já que eram duas
provas: uma no meio do ano e a outra no final.
Por algum motivo, creio que seja algo
relacionado à minha reconciliação com Alan, perdi um pouco o entusiasmo em
fazer a prova. Não sentia necessidade de
‘provar’ nada a ninguém. Sempre me saí bem em todas as matérias, passava de ano
com elogios dos professores e esse ranking não era tão necessário agora. Em
todo caso, iria fazer aprova e estava estudando como de costume.
[...]
O professor explicava repetidamente uma
questão para as meninas da turminha popular da sala, que nesse período de
provas finais resolviam sentar na 1ª fila da sala e tentar aprender alguma
coisa. Eu já tinha respondido todo aquele capítulo em casa, e já tinha ido
tirar minhas duas dúvidas com o professor quando ele mandou todos resolverem as
5 primeiras questões dos capítulos.
Percorri meus olhos pela sala, já estava
cansado de desenhar nas margens das folhas do caderno. Notei que Roger estava
inquieto com alguma coisa. De fato, física não era sua matéria preferida, mas
sua desatenção parecia não ser gerada pelo tédio dos números e fórmulas ali
apresentadas. Algo na inquietação dele despertou a minha curiosidade. Ele
mordia a tampa de sua caneta e balançava uma de suas pernas impacientemente, ao
olhar para outro ponto da sala.
Isadora e Maynara conversavam no canto
direito da sala, começaram a rir depois que uma delas conseguiu entender como
se resolvia a questão que o professor lutava para explicar pela 3ª vez, em meio
do barulho da sala.
- Finalmente vocês entenderam! Depois dizem
que loiras não são burras néh Maynara? – Pude ouvir Miguel dizer ao se virar
para elas.
Atrás das duas, estavam Tânia, que não
parava de cochichar freneticamente algum assunto que parecia não interessar
Felipe, que tinha se sentado ao lado dela por mera formalidade.
Voltei meu campo visual para Roger, que
percebeu que eu estava observando e fez uma expressão de ‘não estou entendendo
a aula’ para tentar disfarçar. Ofereci a minha ajuda por leitura labial, ele
apenas balançou a cabeça negativamente e disse ‘obrigado’ e virou-se para o
quadro novamente.
[...]
Depois da aula de Física, tivemos uma aula
de Ensino Religioso, que se resumiu a assistirmos a outra metade de um daqueles
filmes clichês que mostram superação de dificuldades com o uso da fé. Considero
que ‘Ensino Religioso’ é uma perda semanal de 50 minutos da minha vida, que
poderiam ser substituídos por qualquer outra atividade que agregasse algum
valor a minha inteligência. Não seria melhor trocar isso por uma aula de educação
sexual, cidadania ou conhecimentos gerais?
Depois de a professora se esgoelar
enquanto os alunos deixavam a ‘sala de religião’, dizendo que queria um resumo
sobre o filme para a próxima aula, encostei-me à sacada do andar e fiquei
olhando a chuva caindo, agora de uma forma mais incidente e poderosa. Lembrei
de quando era menor e brincava de barquinhos de papel na chuva com o... Era
engraçado como tudo me fazia pensar no Alan...
Não tinha como conter a minha imaginação e
a minha mania idiota de pensar no futuro, isso fazia parte de mim. Comecei a
pensar na minha amizade com o Alan (da forma que ela era antes de nós
brigarmos) e se ela voltaria a ser como era antigamente. Naquela época, eu
tinha percebido que o que eu denominava de ‘ciúmes de amigo’, na verdade era um
sentimento maior que eu nutria por ele. Eu já achava que a hipótese de ‘os
opostos se atraem’ era bastante plausível, visto que Alan era muito infantil, inconveniente,
não tinha maturidade para diversas coisas, era instável emocionalmente, dentre
outros defeitos com os quais eu não me identificava. Mas, de alguma forma eu
tinha me apaixonado por aquele jeito infantil e prático para lidar com a vida,
até gostava de nossas brigas e reconciliações constantes...
- Brunno! Preciso de sua ajuda! – Senti uma
mão pesada repousar em meu ombro, cortando meus devaneios com uma rapidez
inconveniente.

Bem eu acho que o Felipe e o Diego poderiam voltar a historia u.u
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