Fitei aquele rosto conhecido demoradamente,
ainda entorpecido. Eu me sentia como alguém que tinha sido acordado de um sonho
bom, sabia que não poderia voltar novamente para ele, mas, no entanto, não
queria voltar à realidade.
- Felipe? O que você disse? – Indaguei confuso.
- Sei que você não quer se envolver com nada
que relacionado a mim e sei que não estou em posição de pedir isso, mas... –
Ele fez uma pausa, engolindo seco o orgulho que ainda restava dentro dele e
continuou entre dentes: - Eu preciso da sua ajuda! Não agüento mais a Tânia
falando idiotices no meu ouvido e de alguma forma, as conversas com meus amigos
antigos não me interessam. Preciso de um ‘tempo’ de tudo, mas não quero ficar
sozinho nesse tempo!
- Felipe, o que você quer dizer com isso? –
Perguntei. O excesso de explicações e a minha lentidão mental não me permitiam
muita compreensão.
- Queria que nós passássemos uma tarde
juntos. Você só precisa me ensinar alguma matéria ou a gente pode jogar
videogame, qualquer coisa! – Pediu ele, com um olhar mais suplicante do que o
normal.
- Embora eu ache bem estranho esse pedido,
não tem porque eu não acatá-lo! Acho que uma tarde sem estudar não fará mal
nenhum!
- Te pego em casa que horas?
- Isso é hoje? – Questionei, mas acabei
desconsiderando a pergunta, dada a expressão estranha no rosto de Felipe.
- É que... – Ele tinha recomeçado a se
explicar.
- Duas e meia na minha casa!
-Obrigado! – Agradeceu. Saindo com uma
expressão de desolação em direção à cantina.
[...]
Minha vontade era de inventar algum assunto
qualquer para puxar com Alan, na esperança de que nós poderíamos passar alguns
dos minutos do intervalo falando sobre qualquer assunto banal. Mas, era muito
cedo para tentar algo assim, seria forçar muito a barra. Além disso, embora eu
achasse difícil, o ideal nessa situação era eu não criar maiores expectativas
quanto a minha amizade com o Alan. Ela poderia apenas voltar ao que era, e
nossa relação nunca passou desse nível de ‘amizade’.
Resolvi ir à biblioteca, ler qualquer coisa
até a hora de tocar o sinal.
[...]
Com o sinal tocando uma música gospel, que
atualizava diariamente a lavagem cerebral que era feita no colégio, fui andando
distraidamente em direção à sala. Inclinei meu corpo sobre o bebedouro para
beber água.
- Não é justo isso que você está fazendo
comigo! Você não sabe que eu gosto de você? – Sussurrou uma voz masculina.
- Não estamos mais juntos. Aceite isso! –
Sussurrou uma voz que eu mal consegui distinguir.
Levantei meu rosto, tentando transparecer
naturalidade e pude ver Roger parado, fitando a multidão, de alunos andando em
direção às suas respectivas salas, com expressão de perplexidade.
- Isso não é justo! – Sussurrou para si. Depois
começou a andar rapidamente, estralando cada um dos dedos com impaciência.
[...]
- Obrigado mesmo Brunno, por você ter
aceitado vir até aqui! – Disse Felipe quando entramos no seu quarto. Tirando
com rapidez seus tênis e meias.
- Não tem o que agradecer! –Respondi.
- Fique a vontade! – Ele foi em direção a
cama, tirando rapidamente a camisa e a calça. – Que calor infernal! Bem que um
inverno viria a calhar nessa cidade, não? – Ele pegou o controle do ar
condicionado e acionou o botão para ligá-lo.
- O quê...? – Eu não sabia ao certo o que
eu estava querendo perguntar. Mas, Felipe de cueca esparramado na cama, não era
uma imagem que eu esperava ver nesse momento, embora eu gostasse de vê-la.
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Desculpem pelo pequeno atraso!
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