- O que foi? - Perguntou. Com certa
perplexidade no rosto. – Ah... Isso? – Ele apontou para seu tórax e fez uns
leves movimentos verticais no dedo indicador. – Eu sempre fico assim em casa.
Nunca foi um problema para o Diego!
- É que, de onde eu venho, as pessoas ficam
vestidas!
- Até em casa? Por isso que você é esse
chato... Tem que se libertar um pouco rapaz!
- É muito fácil sair se exibindo por aí
quando você tem um corpo perfeito!
- O que eu vejo de velho gordo andando de
sunga na praia! – Ele riu consigo mesmo.
- Eu não consigo ser assim...
- É engraçado Brunno, como, apesar de toda
essa postura de segurança e superioridade, você tem uma auto-estima tão baixa!
– Ele fez com que eu me sentisse exposto.
- Não quero falar sobre isso!
- Brunno... – Deixou em reticências,
enquanto se aproximava de mim. – Até que você não é feio, baixinho! – Um corte
descente nesse seu cabelo, um tratamento para tirar essas manchinhas de acne,
quem sabe um clareamento para deixar o sorriso melhor... Sem contar na
academia...
- Isso é um episódio de “10 anos mais
jovem”? – Eu sorri meio sem graça. Eu tinha plena consciência sobre meus
defeitos, sabia o que deveria mudar e como deveria mudar, mas não tinha
dinheiro pra fazer tudo isso. Acabei deixando pra lá, deixando pro futuro. Não
gostava de ter meus defeitos apontados, ainda mais por Felipe. – Eu não tenho
tempo pra essas frescuras!
- Eu não sei se você não se importa, ou se
você se considera tão feio a ponto de não achar que pode melhorar!
- Só não tenho tempo para isso!
- “Isso” não precisa levar tanto tempo
assim, não é como se você fosse passar uma semana de cada mês confinado num
SPA!
- Você não me chamou aqui para falar disso,
não é?
- Na verdade eu não te chamei para falar
nada em especial, só pra conversar mesmo sobre coisas banais... – Ele fez uma
pausa. – Como está a sua vida?
- Minha vida? – Indaguei meio perplexo. Não
pensava que um dia o Felipe se importaria com o que faço da minha vida. –
Normal... Tenho estudado mais agora...
- Quem é ele? – Perguntou. Fechando o
semblante em uma expressão séria.
- Ele quem? – Rebati.
- Você pode dizer, ou eu posso descobrir...
Você escolhe!
- Então, como você está se sentindo, agora
que não tem mais o Diego?
- Sua hostilidade não vai levar essa
conversa a lugar nenhum Brunno, você bem sabe como eu estou me sentindo com
isso tudo... É engraçado como você se dispõe tanto a ouvir as pessoas falarem e
como você, em contrapartida, repele tantas perguntas e reprime tanto os seus próprios
ímpetos de falar!
- Não é isso...
- Desculpe não ter a ‘maturidade’ do Diego
para que você se sinta à vontade em falar suas coisas...
Felipe ficou deitado na cama, olhando para
o teto do quarto. Fechou os olhos e pareceu refletir profundamente. Esse não
era o Felipe que conheci a tempos atrás, ele realmente tinha amadurecido muito,
com todos os seus erros, e apesar de ainda parecer um pouco perdido do rumo de
sua própria vida, nunca pareceu tão seguro de suas convicções. Creio que ele
tinha chegado naquele momento da vida em que se está no limiar entre deixar de
ser um garoto e começar a portar-se como um homem.
Acho difícil apostar a minha confiança e
todas as minhas outras fichas em Felipe. Apesar de tudo que passou isso ainda
parecia um jogo de azar. Mas, o que pude aprender nos meus anos de pouca experiência
é que às vezes não importa muito se irá vencer ou ganhar, o importante é jogar.
- Alan! – Exclamei, com a voz firme. E
deixei a palavra ecoar no silêncio do quarto.

Não pude postar ontem, então postarei hoje dois capítulos para compensar!
ResponderExcluirXO XO
BRUNNO
Aguardando aqui, guri!
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