sábado, 11 de maio de 2013
Folga
Boa Noite Caros Leitores!
Como vocês devem saber, amanhã é dia das mães! E creio que como sou 'mãe' desse conto, mereço uma folguinha! (risos)
Brincadeiras à parte, gostaria de avisar que este final de semana eu tirarei uma folga pra organizar um pouco minha rotina. Voltarei com as postagens no final de semana que vem (Uma no Sábado e outra no Domingo).
Gostaria de saber se vocês estão gostando da história, afinal, já são mais de 2 anos de blog e postagens no (extinto, ou não) orkut. Enfim, quero ouvir vocês um pouco!
Aproveito para agradecer a fidelidade ao blog e pelo ótimo fluxo de acessos!
XO XO
BRUNNO
segunda-feira, 6 de maio de 2013
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 73
Fitei aquele rosto conhecido demoradamente,
ainda entorpecido. Eu me sentia como alguém que tinha sido acordado de um sonho
bom, sabia que não poderia voltar novamente para ele, mas, no entanto, não
queria voltar à realidade.
- Felipe? O que você disse? – Indaguei confuso.
- Sei que você não quer se envolver com nada
que relacionado a mim e sei que não estou em posição de pedir isso, mas... –
Ele fez uma pausa, engolindo seco o orgulho que ainda restava dentro dele e
continuou entre dentes: - Eu preciso da sua ajuda! Não agüento mais a Tânia
falando idiotices no meu ouvido e de alguma forma, as conversas com meus amigos
antigos não me interessam. Preciso de um ‘tempo’ de tudo, mas não quero ficar
sozinho nesse tempo!
- Felipe, o que você quer dizer com isso? –
Perguntei. O excesso de explicações e a minha lentidão mental não me permitiam
muita compreensão.
- Queria que nós passássemos uma tarde
juntos. Você só precisa me ensinar alguma matéria ou a gente pode jogar
videogame, qualquer coisa! – Pediu ele, com um olhar mais suplicante do que o
normal.
- Embora eu ache bem estranho esse pedido,
não tem porque eu não acatá-lo! Acho que uma tarde sem estudar não fará mal
nenhum!
- Te pego em casa que horas?
- Isso é hoje? – Questionei, mas acabei
desconsiderando a pergunta, dada a expressão estranha no rosto de Felipe.
- É que... – Ele tinha recomeçado a se
explicar.
- Duas e meia na minha casa!
-Obrigado! – Agradeceu. Saindo com uma
expressão de desolação em direção à cantina.
[...]
Minha vontade era de inventar algum assunto
qualquer para puxar com Alan, na esperança de que nós poderíamos passar alguns
dos minutos do intervalo falando sobre qualquer assunto banal. Mas, era muito
cedo para tentar algo assim, seria forçar muito a barra. Além disso, embora eu
achasse difícil, o ideal nessa situação era eu não criar maiores expectativas
quanto a minha amizade com o Alan. Ela poderia apenas voltar ao que era, e
nossa relação nunca passou desse nível de ‘amizade’.
Resolvi ir à biblioteca, ler qualquer coisa
até a hora de tocar o sinal.
[...]
Com o sinal tocando uma música gospel, que
atualizava diariamente a lavagem cerebral que era feita no colégio, fui andando
distraidamente em direção à sala. Inclinei meu corpo sobre o bebedouro para
beber água.
- Não é justo isso que você está fazendo
comigo! Você não sabe que eu gosto de você? – Sussurrou uma voz masculina.
- Não estamos mais juntos. Aceite isso! –
Sussurrou uma voz que eu mal consegui distinguir.
Levantei meu rosto, tentando transparecer
naturalidade e pude ver Roger parado, fitando a multidão, de alunos andando em
direção às suas respectivas salas, com expressão de perplexidade.
- Isso não é justo! – Sussurrou para si. Depois
começou a andar rapidamente, estralando cada um dos dedos com impaciência.
[...]
- Obrigado mesmo Brunno, por você ter
aceitado vir até aqui! – Disse Felipe quando entramos no seu quarto. Tirando
com rapidez seus tênis e meias.
- Não tem o que agradecer! –Respondi.
- Fique a vontade! – Ele foi em direção a
cama, tirando rapidamente a camisa e a calça. – Que calor infernal! Bem que um
inverno viria a calhar nessa cidade, não? – Ele pegou o controle do ar
condicionado e acionou o botão para ligá-lo.
- O quê...? – Eu não sabia ao certo o que
eu estava querendo perguntar. Mas, Felipe de cueca esparramado na cama, não era
uma imagem que eu esperava ver nesse momento, embora eu gostasse de vê-la.
sábado, 4 de maio de 2013
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 72
Depois de saciar a curiosidade de Roberta
de uma forma sucinta e rápida, porque a aula já estava para começar, tentei me
concentrar nos novos assuntos que surgiam nas aulas de Física II. Depois de ter
me afastado um pouco de Diego e Felipe, pude voltar a minha concentração nos
estudos e consegui até me adiantar na matéria.
Faltava menos de um mês para as provas
finais que antecediam o período de férias do meio do ano, para mim, e de
recuperação, para aproximadamente 64% da sala. Ainda tinha uma prova de
simulado para o vestibular, que não era obrigatória, nem valia nenhuma nota ou
pontuação, mas era muito disputada pelo ranking que era feito das melhores
notas. Os coordenadores de cada ano interrompiam a aula na sala do aluno que
ficou em 1° lugar e teciam alguns elogios que mais soavam como uma crítica
subliminar aos alunos que não se empenham nos estudos. A duras penas, consegui ‘vencer’
o Alan no ano passado, tanto no 1° quanto no 2° simulado, já que eram duas
provas: uma no meio do ano e a outra no final.
Por algum motivo, creio que seja algo
relacionado à minha reconciliação com Alan, perdi um pouco o entusiasmo em
fazer a prova. Não sentia necessidade de
‘provar’ nada a ninguém. Sempre me saí bem em todas as matérias, passava de ano
com elogios dos professores e esse ranking não era tão necessário agora. Em
todo caso, iria fazer aprova e estava estudando como de costume.
[...]
O professor explicava repetidamente uma
questão para as meninas da turminha popular da sala, que nesse período de
provas finais resolviam sentar na 1ª fila da sala e tentar aprender alguma
coisa. Eu já tinha respondido todo aquele capítulo em casa, e já tinha ido
tirar minhas duas dúvidas com o professor quando ele mandou todos resolverem as
5 primeiras questões dos capítulos.
Percorri meus olhos pela sala, já estava
cansado de desenhar nas margens das folhas do caderno. Notei que Roger estava
inquieto com alguma coisa. De fato, física não era sua matéria preferida, mas
sua desatenção parecia não ser gerada pelo tédio dos números e fórmulas ali
apresentadas. Algo na inquietação dele despertou a minha curiosidade. Ele
mordia a tampa de sua caneta e balançava uma de suas pernas impacientemente, ao
olhar para outro ponto da sala.
Isadora e Maynara conversavam no canto
direito da sala, começaram a rir depois que uma delas conseguiu entender como
se resolvia a questão que o professor lutava para explicar pela 3ª vez, em meio
do barulho da sala.
- Finalmente vocês entenderam! Depois dizem
que loiras não são burras néh Maynara? – Pude ouvir Miguel dizer ao se virar
para elas.
Atrás das duas, estavam Tânia, que não
parava de cochichar freneticamente algum assunto que parecia não interessar
Felipe, que tinha se sentado ao lado dela por mera formalidade.
Voltei meu campo visual para Roger, que
percebeu que eu estava observando e fez uma expressão de ‘não estou entendendo
a aula’ para tentar disfarçar. Ofereci a minha ajuda por leitura labial, ele
apenas balançou a cabeça negativamente e disse ‘obrigado’ e virou-se para o
quadro novamente.
[...]
Depois da aula de Física, tivemos uma aula
de Ensino Religioso, que se resumiu a assistirmos a outra metade de um daqueles
filmes clichês que mostram superação de dificuldades com o uso da fé. Considero
que ‘Ensino Religioso’ é uma perda semanal de 50 minutos da minha vida, que
poderiam ser substituídos por qualquer outra atividade que agregasse algum
valor a minha inteligência. Não seria melhor trocar isso por uma aula de educação
sexual, cidadania ou conhecimentos gerais?
Depois de a professora se esgoelar
enquanto os alunos deixavam a ‘sala de religião’, dizendo que queria um resumo
sobre o filme para a próxima aula, encostei-me à sacada do andar e fiquei
olhando a chuva caindo, agora de uma forma mais incidente e poderosa. Lembrei
de quando era menor e brincava de barquinhos de papel na chuva com o... Era
engraçado como tudo me fazia pensar no Alan...
Não tinha como conter a minha imaginação e
a minha mania idiota de pensar no futuro, isso fazia parte de mim. Comecei a
pensar na minha amizade com o Alan (da forma que ela era antes de nós
brigarmos) e se ela voltaria a ser como era antigamente. Naquela época, eu
tinha percebido que o que eu denominava de ‘ciúmes de amigo’, na verdade era um
sentimento maior que eu nutria por ele. Eu já achava que a hipótese de ‘os
opostos se atraem’ era bastante plausível, visto que Alan era muito infantil, inconveniente,
não tinha maturidade para diversas coisas, era instável emocionalmente, dentre
outros defeitos com os quais eu não me identificava. Mas, de alguma forma eu
tinha me apaixonado por aquele jeito infantil e prático para lidar com a vida,
até gostava de nossas brigas e reconciliações constantes...
- Brunno! Preciso de sua ajuda! – Senti uma
mão pesada repousar em meu ombro, cortando meus devaneios com uma rapidez
inconveniente.
domingo, 28 de abril de 2013
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 71
O dia amanheceu nublado, com aquele leve
friozinho que te gruda na cama, que realça o sono e intensifica a preguiça,
mas, ignorei tais sensações de desânimo e fui tomar um bom banho gelado para
acordar de uma vez.
Acabei me lembrando do sonho estranho que
tive enquanto a água gelada me açoitava dentro do Box do banheiro. O sonho não
tinha muitos detalhes, mas era parecido com um filme ou uma novela. Eu estava
muito bem arrumado, com camisa social, colete de alfaiataria, como numa novela
de época e eu, ou seja lá quem eu tivesse sendo ali, parecia com o príncipe do
filme da Xuxa! Bom, deixo claro que sonhos são meio irracionais, não são? Eu
contava a minha mãe, que não era minha mãe, mas ao mesmo tempo era... Acho que
era uma atriz com roupas de época também, enfim... Eu chegava na sala e no alto
da minha elegância e beleza (obviamente eu não era eu, era o tal do Bernardo príncipe
da Xuxa) e ao ser perguntado por minha mãe sobre pra onde eu estava indo, eu
dizia que ia encontrar os meus namorados. Não, você não leu errado, eu falei no
plural mesmo. E minha mãe de novela, com toda naturalidade, respondeu: “Mas,
filho! Você já gosta de um desafio, não é? Já é difícil conviver com uma
pessoa, imagina só duas!”. O sonho estranho acabou por aí mesmo, não sei quem
eram os tais dois namorados, quem eles seriam? Tentei afastar isso da minha
mente, não tinha tempo de pensar bobagens.
Pensei na sensação de leveza de ter feito
as pazes com Alan era animadora, mal poderia esperar pelo primeiro ‘bom dia’,
pelo primeiro sorriso que ele vai esboçar pra mim depois que levantamos as
bandeiras brancas.
[...]
Dotado de uma leveza descomunal, atravessei
aquele corredor miserável, infestado de futilidade por todos os cantos. A chuva
pendia preguiçosamente do céu. O desfile de casacos caros já tinha começado.
Era incrível como uma pequena mudança de temperatura abria precedentes para a
vaidade desses estudantes, não que já não o fizessem com a desculpa do ar
condicionado.
Caminhei distraidamente, tentando me
esquivar dos esbarrões e contatos físicos casuais e desnecessários. Quando
levantei meu rosto bruscamente e pude ver aquele sorriso novamente, aqueles
ombros largos, aquela presença notável. Alan sorriu pra mim, do alto dos seus
um metro e oitenta.
- Bom dia Brunno! – Disse ele, com descrição
e educação ao espantar algumas gotas de água no ombro do seu casaco da GAP.
- Bom dia Alan! – Respondi, tentando conter
a minha empolgação. E no segundo seguinte ele já tinha passado por mim e tinha
sumido na multidão.
Como num frisson, senti o tempo ficar mais
lento e pude perceber que algumas pessoas da minha sala, que estavam envolta,
ficaram paralisadas.
- Brunno! Brunno! – Exclamou Isadora, dando
passos apressados para me acompanhar. – O que foi isso heim?
- Bom dia Isadora! – Iniciei, estampando a
expressão de desentendimento no meu rosto. – O que foi o quê?
- Pensei que você e o Alan fossem arqui-inimigos!
Vocês voltaram a se falar?
- Arqui-inimigos Existe esse tipo de
relação antagônica fora da ficção? – Ri comigo mesmo, tentando mascarar o
nervosismo.
- Mas, Brunno... É que... – Ele reiniciou,
mas foi interrompida.
Em um movimento brusco, senti um braço se
entrelaçando ao meu.
- Bom dia pilantra! – Roberta sorriu pra
mim me arrastando dali.
- Bom dia Betão!
- ‘Bom
dia’ nada! Eu ouvi tudo!
- Então, obrigado por ter me tirado dessa! –
Dei um sorriso.
- Agradeça me contando tudo, detalhe por
detalhe! E... Antes que você tente replicar, já digo de antemão que essa é uma
ordem! – Ela sorriu pra mim com um de seus sorrisos cheios de significado. Dessa
vez não tinha escapatória.
sábado, 27 de abril de 2013
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 70
Terminei de ler a redação da Roberta e
comecei a cutucar o seu ombro com impaciência. Ela não me olhou de volta,
odiava ser interrompida quando estava lendo. Anotei a lápis, algumas críticas
que tinha para fazer.
- Betão, você só tem 12 minutos pra passar
a limpo! – Adverti.
- Sério, Brunno? Nem me dei conta de como o
tempo passou rápido.
- É. Termine logo. – Respondi resumidamente.
– Vou entregar minha redação, quero chegar cedo à biblioteca.
- A gente não ia lanchar juntos hoje?
- Tenho um assunto a tratar... – Deixei em
reticências.
- Algo me diz que você não vai chegar nem
perto da biblioteca! – Ela fez aquela expressão de ‘eu sei que você está
tentando me enganar’ para mim.
- Não tenho tempo... – Comecei a falar, mas
ela me interrompeu bruscamente.
- ...De me explicar, mas depois você me
conta tudo! – Completou ela.
- É... Tenho que ir!
[...]
O
sinal para o intervalo tocou e em uma reviravolta de meio segundo meu coração
se acelerou. Estava andando apressadamente no meio do corredor e rapidamente a multidão
começava a se formar. Fiquei me sentindo como um peixe nadando contra a maré, já
que eu estava indo pro lado oposto ao da cantina. Tentava ao máximo não
esbarrar nas outras pessoas. Eu tinha um sério problema com contato físico
desnecessário e não-programado.
Em um lance rápido de olhar, pude perceber
uma troca de olhares entre Diego e Aristides no corredor. Os dois deram um
discreto sorrisinho discreto e seguiram na mesma direção, porém afastados. Tive
uma visão rápida de como isso tudo iria acabar, mas, tinha que permanecer na
minha posição de deixar Diego cometer seus próprios erros.
Chegando ao mesmo local de sempre, pude ver
Alan encostado na parede, no corredor apertado. Perto dele a goteira incessante
do ar condicionado pingava vagarosamente. Ele percebeu a minha presença e me fitou
por alguns segundos intermináveis. Eu apenas me encostei na parede e esperei
ele começar a falar.
- Olha só Brunno... – Começou ele, depois
de alguns segundos de silêncio. – Eu realmente parei pra pensar na nossa
amizade, coisa que eu não fazia a tempos e não consegui lembrar do motivo que
levou a nossa discussão e que subsidiou os conflitos decorrentes dela. É
engraçado isso, de ser meio que ‘inimigo’ de alguém sem saber o motivo... – Ele
fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as melhores palavras possíveis. – Mas,
mesmo assim, acho que há uma lacuna de uns três anos, que precisa ser
preenchida. Não dá pra sair da indiferença até a amizade de infância de forma
instantânea... Acho que isso tem que
acontecer naturalmente mesmo, como você tinha sugerido. Não tenho razões pra não
te dar um ‘bom dia’, um ‘oi’ e pretendo fazê-los...
- É Alan... – Eu comecei, tentando
normalizar meu tom de voz, alterado pelo nervosismo. – Não espero uma amizade instantânea,
até porque isso seria falso, mas seria mais saudável se nós nos cumprimentássemos
de vez em quando. Sem nenhuma pressão e tudo mais.
- É verdade, quem sabe um dia nós voltemos
a ter aquela amizade de antes não é? Mas, temos que encontrar algo mais
interessante do que Digimon e Pokémon pra conversar! – Ele sorriu. Fazia tempo
que eu não via que aquele sorriso tinha sido endereçado a mim.
- Pior que é... – Comentei rindo também.
- Bom... Já que tudo está esclarecido, vou
lanchar com o pessoal! – Ele estendeu a mão para mim.
- Certo Alan. Vá lá! – Respondi. Pegando na
sua mão e cumprimentando-o.
Ele saiu rapidamente indo em direção a
cantina. Não pude conter um sorriso torto e um suspiro, era como se um peso saísse
das minhas costas.
Por mais que eu tentasse, não conseguia me
estabilizar. Minhas pernas ainda estavam bambas, meu estômago ainda se revirava
e minhas mãos ainda estavam suando frio. Retribui o aperto de mão, mas no fundo
eu queria abraçá-lo. Que pensamento mais
idiota, não é mesmo? Não gostava de me sentir assim, vulnerável. Ou será
que no fundo eu gostava dessa adrenalina de não ter o controle sobre tudo?
sexta-feira, 19 de abril de 2013
I'm Back!
Caros Leitores,
Como vocês perceberam eu cumpri o prometido (e no prazo). Estava com saudades de escrever! Ainda estou me atualizando sobre o que eu já escrevi e os detalhes que ainda virão na história, então me deem um desconto! (risos)
Gostaria de agradecer a paciência de vocês e pelos 21.000 acessos! (Gente, isso é muito!)
Estou planejando uma surpresa para quando completarmos 30.000 acessos, então, aguardem...
Vou voltar a postar, mas vamos com calma, certo? Estou pagando várias disciplinas na faculdade esse semestre e isso vai me tomar bastante tempo! Então, as postagens serão nos finais de semana (Uma no sábado e outra no domingo), obrigatoriamente, totalizando 2 postagens semanais, e em consequência 8 postagens mensais! Dependendo da minha disponibilidade eu posso fazer postagens surpresas! (extras). Vou começar oficialmente a postar a partir da semana que vem!
PS: Não esqueci o meu novo conto não! (Aquele que vou escrever junto com o vencedor do concurso "Procura-se um Biancchi") Ele só está engavetado por um tempo! (Ele será postado já no novo site). Ainda planejo criar esse meu site pra repostar Porcentagem Abrasiva com correções, algumas mudanças e alguns capítulos extras. Até lá planejo terminar a história por aqui primeiro! Mas, esse site é pro futuro! (risos) Meu foco aqui é terminar o P. A.
XO XO
BRUNNO BIANCCHI
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 69
Já estava mais do que na hora de deixar
Diego em paz lidando com seus problemas, sozinho. Acho que meus sentimentos por
ele transformaram a minha percepção da situação. Eu achava que pelo fato de
Diego ser sensível, ele seria ingênuo e indefeso. Apesar de não querer que ele
sofresse e tentar incessantemente amortecer qualquer impacto, qualquer situação
adversa que pudesse ocorrer eu precisava deixá-lo cometer seus próprios erros e
porque não dizer: preciso deixar ele cometer seus próprios acertos. Diego já tem
idade e maturidade – o que é de uma relevância bem maior – para não precisar da
minha ajuda.
Confesso que acho esse ‘relacionamento volátil
e de curto prazo’ com Aristides não era muito racional, mas se essa é a forma
que ele encontrou pra esquecer o Felipe, acho que a tentativa já basta. Eu
tenho essa mania irritante de pensar no ‘doravante’, em tudo aquilo que virá a
seguir, principalmente as consequências que isso vai decorrer. Calculo que, em
média, isso tem mais de 73,8% de chance de dar errado. Nem consigo explicar
como faço esses cálculos de consequência, diga-se de passagem. Acho que Diego
está trocando seis por meia dúzia. Aristides namora a um tempo considerável com
Mariana – fiz minhas pesquisas – afinal, dois anos é um tempo bem relevante. Depois
que comecei a prestar atenção neles – geralmente não presto nenhuma atenção
especial em ninguém desse colégio – percebi que eles sempre estão se beijando lá
perto do pátio, provavelmente se escondem da rigorosidade religiosa das regras
da instituição. Provavelmente, ela é o ’disfarce’ dele ou em outra hipótese,
que considero de probabilidade bem inferior, que Diego seja o primeiro, ou um
dos poucos com que ele se relacionou. Diego está em uma corda bamba, de um lado
está a namorada do seu novo affair e do outro está Felipe, ambos podem
descobrir, caso eles sejam descuidados, mas acredito que o pior seria se ela
soubesse.
Não posso deixar de perceber a atitude autodestrutiva
de Felipe. Ele vem faltado muito às aulas e ouvi dizer que ele anda exagerando
na bebida nas festas. É visível o esforço que ele está fazendo para ‘suportar’
Tânia e pelas tentativas de fazê-la pensar antes de tomar atitudes
precipitadas. Não sei mais o que fazer para ajudar o Felipe, ele terá que
resolver essa situação sozinho.
Meus dias agora estão mais tranqüilos. Estou
focado nos estudos para elevar ainda mais minhas notas e tenho saído mais com
Roberta, acho que ela já está mais calma. Ela estava com medo de que minha
amizade com Felipe e Diego fizesse com que eu a abandonasse, como se eu conseguisse
viver sem a amizade dela.
[...]
A melhor aula da semana começou. Simplesmente
era apaixonado pelas aulas de redação. Problematizar temas, desenvolver um
pensamento crítico por temáticas polêmicas e escrever eram minhas paixões. Sempre
fazia a redação e ficava revisando, inúmeras vezes até considerar que ela
estivesse perfeita, sem gerúndios, sem palavras de sentido vago, sem informações
excessivas e desnecessárias. Um bom texto era um texto com questões bem
fundamentadas, afiado, curto e que surtisse efeito. Que subsidiasse a minha
opinião.
Esta seria a última aula antes do intervalo,
e já faltavam quinze minutos para que ela acabasse. Eu já tinha passado minha
redação a limpo e estava revisando a da Roberta – que não necessitava de muita
revisão, já que ela escrevia muito bem – só no caso de ela ter esquecido alguma
pontuação ou se eu tivesse uma crítica relevante a fazer e que ocasionasse uma
mudança de última hora. Roberta, estava fazendo o mesmo, lendo uma redação de
uma de nossas amigas, – sim, eu tenho amigos além da Betão – distraidamente.
Subitamente um pedaço de folha de caderno
dobrado foi colocado com discrição na minha mesa. Levantei o olhar e vi Alan
andando até o birô do professor, entregando sua redação e saindo da sala. Abri
o bilhete discretamente, escondendo ele entre as minhas pernas, por baixo da
carteira.
“Preciso falar com você, no mesmo
lugar da outra vez.”
Aquela caligrafia tirou qualquer dúvida que eu pudesse ter. Allan
tem uma resposta!
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