sexta-feira, 23 de março de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 44


    - Oi, Tânia! – Respondeu Diego, sorrindo.
    Eu nem me dei o trabalho de responder, Tânia não tinha nível intelectual para manter uma conversa comigo por mais de dois minutos e eu não tinha nível de futilidade para fazer o mesmo.
    O sinal tocou de forma estrondosa, já estava na hora de voltar pra sala. Eu e Felipe sabíamos muito bem o que a “miss peitos” queria falar com ele. Como essa conversa era inevitável e como o Diego não poderia ouvir aquela biscate falar de jeito nenhum, eu tive que intervir.
    - Diego, eu posso falar com você em particular? – Indaguei olhando para ele com uma expressão misteriosa, para conseguir inferir que eu queria realmente falar com ele e não mostrar a realidade: que eu queria deixar Felipe e a oxigenada conversarem. - Vocês se importam? – Perguntei em seguida fitando Felipe e a biscate.
    - Não... Não queridos! Podem ir! – Sibilou Tânia com sua voz irritante, eu sempre tinha a estranha vontade de jogar um tijolo na cara dela para ver se ela se orientava!
    Nós nos levantamos e Felipe segurou no meu braço e fez uma expressão que me transmitia tudo que ele estava pensando.
      - Vá andando na frente Diego... – Falei. – Preciso falar uma coisinha com Felipe! – Diego fez uma expressão de confuso, mas se afastou sem falar mais nada. – Só um minutinho e ele é todo seu Tânia! – Expliquei por pura educação, não devia explicações a essa desmiolada.
    Felipe segurou no meu braço e me puxou até uma distância razoável da mesa. Tânia ficou analisando seu cabelo com suas mechas californianas – que por sinal estava ressecado, frisado e cheio de pontas-duplas – e aparentava não se importar com o teor da nossa conversa.
     - O que você pensa que está fazendo nerdzinho!?
     - Converse com a oxigenada, é melhor enfrentar isso agora do que ela ficar fazendo escândalo por aí! Convença ela a ficar calada e peça um teste de gravidez, mas vê se faz isso com cavalheirismo!
    - Eu? Ser cavalheiro com essa puta?
    - Na hora de comer ela você não aproveitou? Agora está na hora do ônus da sua irresponsabilidade!
    - Você acha que é quem pra me julgar?! – Indagou Felipe com raiva.
    - Quantas vezes eu vou dizer que estamos do mesmo lado? Só acalme ela e peça pra ela não espalhar pras amigas, se já não fez isso, e depois a gente conversa sobre isso...
    - E o Diego?
    - Você vai ter que dar a notícia a ele do jeito certo, dessa vez!
    - Eu não sei se consigo...
    - Você vai ter que conseguir! Não sabemos se esse ‘esquecimento’ do Diego vai durar ou não e de qualquer forma, ele precisa saber!
    - Mas...
    - Lipe... Pare de ser imediatista! Vamos resolver um problema de cada vez! Volte pra lá e seja bonzinho com a Tânia... Eu vou ter que enrolar Diego agora, ele já deve estar desconfiando que algo possa estar acontecendo!
    Eu me afastei dali rapidamente, precisava alcançar o Diego.

[...]

    - Quer dizer que você foi pedir ao Felipe dicas sobre relacionamentos? Eu não sei o que é mais estranho, você falar com ele ou pedir a alguém como ele dicas sobre esse assunto que ele não domina! – Diego começou a rir, parece que minha mentira foi convincente.
    - Mas parece que ele tem um dom natural para isso...
    - Por que você acha isso?
    - Porque, apesar de tudo, ele está com você! – Nesse momento o ar ficou mais pesado, meu coração começou a acelerar.
    - Você... – Diego recomeçou a falar em sussurros. – Pediu dicas a ele sobre mim?
    - Não... Sobre aquele garoto que eu te falei no hospital!
    - Você não conseguiu esquecer ele, não foi?
    - Faz uns cinco anos que eu tenho esses sentimentos estranhos por ele...
    - “Estranhos”? Não entendi... – Diego fez aquela expressão de criança que ouve uma palavra pela primeira vez.
    - É complicado... – Respondi admirando aquele rosto lindo de Diego.
    - Você sempre diz isso! Assim não vale! – Ele sorriu, mas tornou a ficar sério ao perceber que eu realmente estava abrindo meu coração.
    - A gente brigou, eu nem lembro ao certo o motivo... Nós éramos melhores amigos e no fundo eu sempre o amei... Mas, eu devo ter estragado tudo...
    - Você não tem como consertar?
    - Eu já tentei... Mas ele é inflexível! O pior é ter que ver ele todas as manhãs... – Eu me contive na hora, acabei falando de mais.
    - Quer dizer... Que ele estuda aqui no colégio? – Diego fez uma cara de surpreso.

domingo, 18 de março de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 43


    Felipe me conduziu, sem dizer palavra, para uma das mesas de pedra do pátio do colégio. Sentou-se e me encarou com uma seriedade que não era do seu feitio.
    - Então... Como foi lá no médico? – Eu iniciei, sentando ao lado dele. Eu não estava agüentando mais ficar sem saber.
    - Foi difícil fazê-lo ir e eu tive que inventar algumas desculpas... – Eu o interrompi bruscamente.
    - Felipe, por favor, vá direto ao ponto!
    - O médico que a gente consultou da outra vez o examinou novamente e está esperando novos resultados, mas ele me tranqüilizou dizendo que isso pode ter sido algum reflexo momentâneo da pancada que ele levou e que logo iria passar,ele também disse, que só faria os exames novamente por desencargo de consciência, mas que ele acreditava piamente que esses desmaios e esquecimentos são episódios passageiros que vão acontecer até a recuperação...
    - Então, por que você está com essa cara?
    - Eu tenho medo dos resultados, e se eles descobrirem alguma coisa?
    - Felipe, fique calmo! – Sussurrei colocando minha mão sobre a dele por baixo da mesa.
    - Você sabe que... – Ele fez uma pausa e fez aquela cara de quem está com vontade de chorar e está se prendendo. – Eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse a ele! – Ele deixou uma lágrima escapar, a contragosto e logo tratou de enxugá-la. Ele era muito orgulhoso.
    - Você não tem que se culpar... – Ele interrompeu minha fala.
    - Fui eu quem ficou descontrolado e dei um soco nele, você faz ideia de quanto idiota eu sou?
    - Foi uma atitude totalmente irracional, eu sei, mas você fez sem pensar... E pelo histórico de tapas e beijos bem que a situação poderia ser contrária...
    - Não... O Diego jamais cometeria um erro desses...
    - Vamos pensar positivo, não tem porque nos martirizarmos agora, além disso, o médico não te tranqüilizou e disse que não é nada de importante?
    - Mas... Ele é... – Felipe balbuciou entrecortadamente. – tudo pra mim! Você não consegue imaginar...  O quanto... Eu... – Ele não se conteve e começou a chorar no meu ombro feito uma criança desesperada que se perdeu dos pais numa estação de trem cheia de pessoas.
    - Felipe... Eu vou estar aqui com você aconteça o que acontecer! Eu não vou deixar você passar por tudo isso sozinho!
    A sorte é que tinham poucas pessoas no pátio e elas ainda não tinham notado a cena.
    - Agora... – Eu retornei a falar. – Pare de chorar e recomponha-se, o Diego já está vindo pra cá e ele precisa te ver bem!

[...]

    - Que fila enorme! – Disse Diego sentando-se no banco de cimento. –Estou considerando trazer o meu lanche de casa! – Ele começou a rir e entregou os nossos lanches.
    - Obrigado Diego! – Agradecemos, quase que em uníssono.
    - O que aconteceu aqui enquanto eu saí? Vocês estão estranhos... Brigaram de novo? Felipe eu já te disse pra não brigar com o Brunno...
    - Não Dih! Nem gaste sua saliva! Eu e o Brunno resolvemos nossas diferenças...
    - Finalmente amor, já estava na hora! – Proferiu Diego, eu pude sentir como a palavra “amor” o atingiu em cheio e produziu um olhar triste em Felipe por alguns segundos. Eu fiz um sinal pra ele franzindo as sobrancelhas e ele mudou de expressão automaticamente.
    - Amor... – Sussurrou Felipe se aproximando mais do Diego no banco. – Você imaginaria que chegaríamos a esse nível de romance? – Ele brincou, sorrindo.
    - Na verdade, eu sempre quis isso! – Respondeu, lançando um daqueles olhares penetrantes pré-beijo onde o tempo parece passar em câmera lenta.
    - Segurem a onda! Estamos no colégio, esqueceram? – Eu adverti, e eles voltaram a se separar. Uma distância segura sempre ajuda a conter os ânimos.
    Minutos depois eu pude ouvir aquela voz irritante novamente, o dia estava muito tranqüilo para ser verdade.
    - Meninoooooooooooooooooooooooooooooooos! – Exclamou, com uma voz que para mim soava como o barulho de unhas arranhando um quadro de giz.

sábado, 17 de março de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 42



    O email de Mário estava repleto de fotos anexadas e, vale ressaltar, que não era o sorriso dele que se destacava nas fotos, no lugar disso, estavam presentes várias fotos bem nítidas dele sem roupa e de várias posições diferentes. Mário era alto, malhado e tinha a pele branca, ele até que era simpático de rosto, mas creio que Laura se apaixonou por ele por outro motivo bem... Maior...
     Ela voltou a conversar com ele, elogiando as fotos, dizendo que estava com saudades dele, dentre outros detalhes que eu nem ouso reproduzir. Ela disse que tinha uma surpresinha para ele também, e depois eu pude constatar – obviamente foi uma coisa um tanto quanto traumática – que ela tinha feito algumas fotos com algumas langeries novas que tinha comprado para o reencontro dos dois. Pelos ângulos das fotos de Laura, é óbvio que ela teve ajuda de uma de suas amiguinhas. Então, agora posso chamá-la de Bitch sem peso na consciência.
    Encaminhei tudo para o meu email e após isso coloquei tudo no meu pendrive, para ter alguma coisa garantida. Mas, eu estava esperando a cereja do bolo, o clímax... O que realmente deixaria Laura no seu devido lugar – debaixo da sola do meu sapato, diga-se de passagem – e a faria parar com as chantagens e ainda me permitiria ser chantageá-la.
    Não foi com enorme surpresa que eu enfim consegui o que queria, mesmo que tenha que ter esperado até de madrugada para conseguir. Para fazer um dossiê completo eu li mais alguns emails dela e os que julguei interessantes também salvei no meu pendrive.  Agora era só organizar tudo de forma que aumentasse ainda mais o impacto explosivo do conteúdo e fiz algumas cópias em DVD.
    Fui dormir depois das 4 da manhã devastado pelo cansaço, mas com um sorriso de vitória estampado no rosto.


[...]


    Acordei e fui espalhando três, dos cinco DVDs dos quais fiz cópias para esconder em alguns lugares estratégicos do meu quarto. Nesses novos esconderijos os meus trunfos estariam salvos devido a falta de criatividade e a total ignorância de Laura, todavia, planejei tomar algumas precauções para não subestimar o inimigo e perder novamente uma batalha.
    Uma das melhores partes do meu início da manhã foi ter que continuar a minha encenação de “estou com medo da Laura, porque ela tem algo que pode ser usado contra mim” para que minha querida irmã não desconfiasse de nada e minha – não tão brilhante, mas igualmente eficiente – encenação de “tudo está em sua perfeita  normalidade” para minha mãe. Já conseguia ouvir o som ecoante da voz da Angelina Jolie dizendo: And the Oscar for best actor goes to: Brunno Biancchi, for his role in "War with my sister"! Eu já poderia ouvir os aplausos! Mas, ainda tinham fases do meu plano para serem concluídas, então, deixei esses devaneios de lado, terminei o meu café e fui rapidamente para a escola. Precisava falar com Roberta!


[...]


   As primeiras aulas transcorreram na sua completa naturalidade. As riquinhas sem cérebro fofocavam umas das outras na rivalidade de grupinhos típicas de escolas particulares elitizadas, se olhavam no espelho e se maquiavam. A ausência de Felipe e Diego na sala também não gerou estranheza, normalmente quando a farra durava até tarde ou eles inventavam uma viagem de última hora eles costumavam faltar.
    No final da segunda aula, no entanto, para o espanto de todos, Diego e Felipe entraram na sala e sentaram no lugar de costume. A 3ª aula começou e eu me preocupei em me focar e tirar algumas dúvidas, afinal, a prova de física já estava chegando e eu não tinha estudado tanto quanto eu estava acostumado a estudar.


[...]


    Quando ela finalmente acabou eu fui andando para o final da sala, como quem não quer nada, para falar com os dois.
    - Bom dia Brunno! – Exclamou Diego sorrindo.
    - Bom dia Diego! – Respondi, percebendo uma certa tensão no olhar de Felipe.
    - Dih... Compra o lanche da gente enquanto eu e o Brunno vamos guardar lugar em uma mesa do pátio...
    - Está certo! – Respondeu ele, aparentemente, sem notar que a intenção de Felipe era conversar comigo, e pela cara do Felipe, as notícias não seriam nada boas...

sexta-feira, 16 de março de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 41


    Eu precisei voltar para casa, afinal, teríamos prova de física dentre dois dias, mas antes de me despedir, forcei Felipe a me prometer que levaria Diego no médico pela manhã com a desculpa de que os dois iriam se submeter a exames de rotina. Em parte, eu acabei percebendo que, apesar da preocupação, Felipe acabou gostando desse esquecimento do Diego. Eu penso que isso só será um alívio momentâneo, em breve, Diego relembraria a cena toda e todo o drama viria à tona novamente com essas lembranças.
    Minha mãe já estava em casa, então, pelo menos por enquanto, as chantagens de Laura me fariam uma trégua, mas, nessa guerra fria, os dias de “paz” são momentos de recarregar as armas e mandar reforços!
    Depois de jantar eu passei um tempo na sala só para fazer uma ‘social’ com minha mãe para ela não desconfiar de mim e começar a elaborar questionamentos como “você está com algum problema? Você está estranho!” e essas coisas.  Afinal, eu precisava manter os meus ‘negócios’ com a Laura por baixo dos panos até o momento de deferir o meu único e derradeiro golpe que vai acabar de uma vez por todas com essa chantagem ridícula. Finalmente, pude ir para o meu quarto e revisar umas questões de ‘Lei das malhas’ e ‘Lei dos nós’ antes de dormir.
    Com todas essas confusões que me atingiram nesses últimos dias eu acabei ficando um pouco desleixado com os estudos. Apesar de anotar todas as informações e exercícios, eu ainda não tinha parado de fato para estudar e me concentrar. Talvez tenha sido má ideia ter começado com toda essa história envolvendo os mauricinhos cabeças-ocas. Eu poderia apenas ter dito uma quantia razoável de dinheiro para fazer algumas coisas que eu já tinha planejado antes, com relação a minha aparência, ou simplesmente ter deixado para lá. Eu não posso permitir que isso afete minhas notas impecáveis e o meu sonho de entrar na universidade em 1° lugar.
    Embora eu tenha tentado exaustivamente manter o foco em estudar Física I eu não podia deixar de pensar em Diego entre uma questão e outra. Os desmaios dele e agora essa perda de memória recente parecia ser preocupante. Eu não poderia fazer nada, por hora, só tinha que confiar na palavra de Felipe e esperar que os exames não dessem em nada e que ele parasse de ter esses episódios de perda de consciência. Precisava de outra coisa pra me distrair...
    Obviamente eu não poderia me esquecer do meu plano para me desvencilhar das chantagens de Laura e precisava finalizá-lo o mais rápido possível. Liguei o laptop da Roberta, que por sinal, já estava querendo ele de volta, e fui dar uma olhada no que Laura estava fazendo. Até agora estava tudo em sua perfeita normalidade, ela só estava conversando como namorado dela, que ainda estava em sua viagem para a Bahia. Então, deixei o computador gravando o que ela estava fazendo e as imagens da Webcam.
    Voltei a me focar nos estudos, então, meu celular voltou a tocar.
    - Betão! Tudo bom?! – Falei logo que atendi ao telefonema de Roberta.
    - Sabia que eu me sinto uma sapatão quando você me chama assim? – Ela começou a rir e voltou a falar. – Meu filho, cadê meu laptop heim? Meu avô já está achando que eu vendi ele pra comprar drogas! – Ela caiu na gargalhada.
    - Você não disse a ele que o laptop estava comigo?
    - Até disse, mas pelo tempo ele já está desconfiando!
    - Ainda não obtive grandes progressos, mas, se você quiser eu levo ele na sua casa amanhã! Aí seu avô vai ver que estava comigo e não com um traficante! – Soltei uma risada baixa.
    - Não tem problema, eu enrolo ele por mais alguns dias, agora consiga logo o que você quer! A propósito, você nunca me explicou os detalhes desse seu plano para conseguir chantagear sua irmã para ela parar de te chantagear e no que o meu laptop vai  te ajudar nisso!
    - Você parou para escutar o que você falou? Não adivinhou que o que eu vou fazer?
    - O seu laptop está com a Laura, e o meu está com você... – Ela ficou em silêncio por um tempo. – Você vai rackear seu próprio computador através do meu para conseguir algum podre dela?
    - Boa! You Right!
    - Mas, isso pode demorar muito tempo e pode não dar certo.
    - Poderia até ser, mas o namorado dela foi passar 1 mês na Bahia, e você sabe que, ninguém é de ferro!
    - Você teria mesmo coragem?
    - Você duvida?
    - Vindo de você eu espero tudo, por isso eu repito: Vou morrer sua amiga, ok? Best friends for ever! – Ela voltou a cair na gargalhada. – Então resolva isso logo que eu já estou em abstinência!
    - Está certo! Não vai demorar... Nem se preocupe!
    Logo que eu desliguei, eu voltei a visualizar a tela do laptop cor de rosa da Roberta e vi que minha irmã estava conversando com seu namorado, agora, via webcam. Então, coloquei o fone para ouvir a conversa dos dois.
    Em suma, eles passaram um bom tempo naquela melação de ‘namorados apaixonados distanciados por uma viagem’ até que uma parte da conversa me chamou a atenção.
    - Você viu o email que eu te mandei hoje à tarde? – Ele falou levantando a sobrancelha esquerda e sorrindo.
    - Espera aí, que eu vou ver! – Ela também fez uma cara estranha.
    O bom de ter Laura como irmã é que ela era tão lesada que sussurrava as coisas que escrevia, quando precisava se lembrar de alguma coisa. Então, já que o email em questão já estava ali disponível na minha tela, só restava saber qual era a senha. Ela sussurrou a senha e eu rapidamente acessei o email de Laura para ver de qual email ele estava falando, e o resultado foi surpreendente!
    

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 40


   Felipe me olhou com o desespero estampado no rosto e em um segundo já estava pegando Diego no colo.
    - Precisamos levar ele no médico agora! – Ele começou a caminhar com dificuldade até a porta do quarto.
    - O que você está fazendo? – Indagou Diego ao acordar.
    - Estou te carregando pra te levar no médico! Você desmaiou Dih! – Respondeu Felipe.
    - Claro que não desmaiei, só estava descansando um pouco, me põe no chão agora! – Ordenou saindo dos braços de Felipe.
    - Eu acho que você deveria ir pro médico mesmo assim Diego, só por via das dúvidas! – Eu disse, colocando a mão no seu ombro.
    - Oi Brunno! – Disse Diego me abraçando forte. – O que você está fazendo aqui? Pensei que não quisesse mais falar comigo!
    Eu e Felipe nos entreolhamos, só podia ser brincadeira.
    - Muito engraçado Diego! Você realmente não sabe o que eu estou fazendo aqui?
    - Não... – Respondeu ele indignado. Ele voltou seu olhar para Felipe. – Lipe? Por que você está com essa cara? O que aconteceu? – Ele andou até a mesa do computador. – Essas flores são pra mim? – Ele sentiu o aroma das rosas brancas e deu um longo suspiro.
    - São sim Dih! – Respondeu Felipe abraçando Diego com força.
    - Felipe? – Sussurrei. - Felipe? Você ode vir comigo, por favor? –Pedi indo em direção a cozinha.

[...]

    - O que foi aquilo? – Sibilei, iniciando a conversa.
    - Não faço a menor ideia!
    - Ele apagou e esqueceu das coisas, você acha isso normal?
    - Não...
    - É melhor a gente no médico!
    - Não... Foi só um lapso de memória passageiro, minha mãe já teve um desses... Nós precisamos deixá-lo calmo, se tentarmos obrigá-lo a ir com a gente as coisas podem piorar!
    - Você acha que pode lidar com essa situação sozinho? Você é formado em medicina desde quando?
    - Não sou, mas minha mãe já passou por isso, o médico fez vários exames e não deu em nada, foi só estresse... – Sussurrou ele.
    - Eu não sei não Felipe, isso não parece ser uma boa idéia... Quem sabe quanta coisa ele esqueceu?
    - Vamos fazer o seguinte: Nós vamos lá e tentamos descobrir mais ou menos qual o tamanho desse ‘esquecimento’ dele... Se a gente achar que é grave a gente arrasta ele até o médico, certo?
    - Vamos ver... – Respondi, caminhando até o quarto. Era impressão minha ou Felipe tinha apreciado essa perda de memória do Diego?

[...]

    - Diego... – Eu peguei na mão dele e fiz ele sentar na cama. – Como você está se sentindo?
    - Bem... Por quê?
    - Por nada... – Eu fiz uma pausa. – Qual é a última coisa que você lembra?
    - Que pergunta mais idiota...
    - Responda Dih... – Pediu Felipe, que estava encostado na porta.
    - Gente, como vocês estão estranhos hoje! – Ele parou por um tempo e pensou. – Eu me lembro que o Felipe me ligou dizendo que estava vindo pra cá e eu acho que adormeci e quando acordei vocês dois estavam aqui. Por quê? Algum problema?
    - Não, não... Só pra saber! – Sorri para ele, não queria assustá-lo. – Felipe te dando flores heim? Parece que ele está mudando! – Desconversei sorrindo. – Vou deixar vocês dois por aqui. Preciso fazer uma ligação... – Levantei e fui na direção do Felipe que me olhou expressão de dúvida.
    - O que você vai fazer? – Sussurrou ele, quando eu estava bem perto.
    - Empresta aqui seu celular Felipe, porque eu esqueci o meu! – Falei em tom de voz normal. Peguei o celular do bolso dele. – Fique aí com ele!  - Sussurrei
    Fui até a sala e me sentei no sofá, precisava ver o registro de chamadas. A última ligação do Felipe era de pouco mais de 2 horas atrás. Apesar dos esforços do Felipe em tentar me fazer acreditar que isso é normal, alguma coisa parecia não estar certa...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 39


    Eu ainda não tinha analisado na minha mente de forma mais elaborada a reação que Diego teria a receber essa notícia. Até porque eu não pensei que isso fosse de fato verdade e que, mesmo que fosse isso viesse à tona tão subitamente. Eu resumi a minha reação num semblante de *‘WTF?’ olhando com indignação para Felipe.
(*WTF = ‘que porra é essa? ’em inglês)
    Felipe, finalmente, conseguiu assimilar a besteira que tinha feito (é evidente que os neurônios de uma pessoa com inteligência limitada, como ele, tenham transmissões sinápticas mais lentas. Pelo menos essa era minha teoria não comprovada cientificamente). Felipe então colocou o buquê de rosas brancas em cima da mesa do computador e se apressou e foi abraçar Diego pedindo desculpas repetidamente. Este, não pôde nem corresponder o abraço de forma adequada e ficou estático enquanto Felipe, sem saber que atitude tomar, tentava apenas se desculpar repetida e nervosamente sem elaborar explicações mais complexas.
    Quando Diego finalmente retornou do breve transe, que o susto proporcionara, ele recusou o abraço de Felipe afastando-o de si.
    - Como você pôde fazer isso comigo? – Perguntou Diego vagarosamente, a raiva arranhando sua garganta e o som da sua voz saindo dificultosamente entre seus dentes rangidos.
    - Dih... Foi um acidente e... – Ele interrompeu sua própria fala, pois Diego compôs um semblante de desaprovação e desprezo que não deixaram margem para mais explicações.
    O que ocorria era que nenhuma conversa poderia mudar o fato de que, além de ter traído Diego com a Tânia, Felipe ainda levou sua irresponsabilidade impetuosa ao ponto de engravidar a Miss Silicone. A intensidade do olhar de Diego foi congelante, Felipe não conseguiu mais completar nenhuma frase com êxito. Felipe saiu do quarto pois já não sabia como se comportar dentro daquela situação.
    - Diego! – Sussurrei. – Espere eu voltar, preciso trocar duas palavras com ele!
    Eu não obtive resposta alguma, Diego voltou a chorar e se agarrou ao seu travesseiro. Talvez ele precisasse de tempo mesmo e eu tinha que falar com Felipe.
    Por sorte eu vi o portão de acesso para a escada de serviço se fechando. Acho que Felipe não agüentou esperar o elevador, então corri para alcançá-lo.
    - Felipe?! Pare aí! – Ordenei fazendo-o conter suas passadas rápidas pela escada.
    - Você veio esfregar na minha cara não é? – Perguntou ele se virando para mim, ele estava tentando conter o choro.
    - A idéia era essa, mas, ao contrário de você eu não gosto de chutar cachorro morto! Não vejo necessidade para isso!
    - Sua presença aqui já significa que você veio dar o golpe final...
    - Na verdade, eu vim fazer isso! – Eu disse, descendo mais alguns degraus e abraçando Felipe.
    Felipe estava num nível mais baixo da escada, de forma que sua cabeça se apoiou em meu peito. O abraço desencadeou todas as lágrimas acorrentadas no seu âmago e elas se despejaram escorregadias e molhadas, por minha camisa.
    - Por que... Você... Está... Fazendo isso? – Indagou Felipe entre soluços depois de minutos de desespero.
    - Por que eu sou um masoquista idiota... Está além da sua capacidade mental! – Brinquei.
    - O que eu vou fazer agora? – Ele me perguntou, ignorando minha brincadeira feita numa hora inadequada.
    - Você vai agir como um homem de verdade! – Comecei, soltando o abraço. Segurei seus braços, obrigando que ele tivesse contato visual comigo. – E você vai aprender de uma vez que ser homem não é pegar mulher, ser homem é assumir seus erros, responsabilidades e arcar com as consequências de seus atos... – Fiz  uma pausa breve. – Por hora, você vai comigo se desculpar com Diego e lá nós tomaremos as decisões cabíveis a situação!

[...]

    Voltamos ao quarto de Diego. Eu praticamente tive que arrastar Felipe, que não parava de chorar como um bebê, de volta pro apartamento de Diego. Por mais que eu me comovesse, eu não podia vacilar, eu precisava ser forte pelos dois!
    Diego estava imóvel na cama.
    - Dih... – Eu iniciei, sentando na cama. Felipe ficou estagnado na porta do quarto. – Precisamos conversar! – Eu coloquei a mão no ombro dele. Ele continuou sem se mexer. – Dih?... Dih? – Ele continuou sem se mexer. Virei Diego para mim, ele estava... – FELIPE!!! Aconteceu de novo!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 38


    Depois de terminar minhas ‘obrigações’, eu já estava me sentindo sujo novamente, então, tomei outro banho e fui me arrumar. Precisava fazer uma visitinha a uma certa pessoa que mora no Stella Maris! Precisava me desculpar. Resolvi ligar antes para não perder a viagem.
    - Diego? – Iniciei prontamente quando ele atendeu ao telefone.
    - Oi Brunno... – Respondeu em tom de desanimação.
    - Você está em casa?
    - Estou...
    - Posso ir aí? Preciso falar com você!
    - Venha! – Respondeu com a voz fraca.

[...]

    - Diego... Eu... – Comecei quando ele abriu a porta pra mim.
    - Entre! - Ele fez sinal para eu entrar. O apartamento estava com as luzes apagadas. Ele estava com uma cara péssima.
    - Você está sozinho?
    - Sim. Minha mãe voltou de Milão cheia de idéias e agora vive enfurnada no escritório buscando novas combinações para as decorações dela e o meu pai... Bom... Meu pai é meu pai néh?
    - Sei... – Eu continuei andando até o quarto dele, decidi não tocar mais no assunto.
    Diego se sentou na cama e me fitou com um olhar vazio.
    - O que você quer de mim agora? – Emoldurando seus olhos tristes e avermelhados tinham algumas olheiras profundas, ele deveria estar chorando antes de eu chegar.
    - Eu quero pedir desculpas por ter te julgado! E acho que também tenho que me desculpar por tudo que eu fiz e porque te magoei!
    -Você só... – Ele fez uma pausa, colocando a mão na testa. - Viu uma oportunidade e a aproveitou, não te condeno por isso! Desculpa ter brincado com seus sentimentos de alguma forma, nem tudo aquilo foi planejado!
    - Você só fez o que tinha que fazer... Na sua situação eu provavelmente teria feito o mesmo!
    - Certo...
    - Diego... Eu gosto tanto de você que precisei fazer todas essas coisas para me aproximar de você! Eu sei que foi por puro egoísmo, eu deveria ter pensado nas consequências e deveria ter pensado em você, no que você queria! Eu também deveria ter mais autocrítica e perceber que você nunca daria bola pra mim e... – Diego me interrompeu com um beijo lento, quando ele parou percebi que ele estava se desmanchando em lágrimas.
    - Desculpa... - Ele pediu enquanto enxugava suas lágrimas.
    - O que foi Diego?
    - Seria bem mais fácil para mim namorar você sabia? – Ele acariciou meu rosto com a mão. – Seria uma coisa mais leve, descomplicada...
    - E o que aconteceu com o discurso: “Eu amo o Felipe apesar dos pesares”?
    - Continua intacto... Mas, não quer dizer que eu não me machuque quando ele faz alguma coisa errada...
    - Isso ainda é sobre a Tânia?
    - Eu esperava isso do Felipe... Pelo menos do antigo Felipe, se é que ele mudou de verdade...
    - Mas vocês não faziam sempre isso?
    - Eu só fazia isso para mascarar a realidade, normalmente o Felipe é que insistia em continuarmos fingindo, e eu até considerei isso normal. Mas ele realmente se sente diferente quanto a isso!
    - Como assim?
    - Ele realmente gosta de ficar com as garotas, não é fingimento!
    - Mas ele gosta de ficar com você! – E lá estava eu defendendo o Felipe de novo, mesmo que de forma despercebida.
    - Sabe Brunno, às vezes eu gosto de pensar no futuro... E sempre que eu faço isso, eu penso em 2 futuros diferentes: No futuro real,  que é o que eu considero que acontecerá, e no futuro imaginário, que é o futuro que eu gostaria que acontecesse. Eu preciso dizer que eu não vejo o Felipe nos dois futuros?
    - Por que não?
    - Quando eu penso no meu futuro imaginário eu tenho idéias que são totalmente opostas a o que ele pensa. Eu sei que você vai achar uma idiotice, mas sei lá... – Ele fez uma pausa breve e respirou fundo. – Eu penso em casar e ter filhos... As vezes quando eu vejo algum filme, novela ou simplesmente quando eu ando numa praça eu vejo todos aqueles casais se beijando em público, brincando com seus filhos no parquinho... É tudo tão...
     - Fácil? – Completei, eu me sentia assim como Diego.
     - É... E mesmo que nos meus sonhos mais otimistas eu não imagino o Felipe ao meu lado... Para ele as coisas também podem ser fáceis! Pode ser que o que ele sinta por mim seja passageiro. Ele pode namorar uma menina, se casar, ter filhos e tudo mais, mas eu não o imagino largando tudo para ficar comigo...
    - Eu sei que você isso é o que você já deve esperar dele, mas... – Fiz uma pausa, Diego recomeçara a chorar – Calma Dih... Não Chore! Tudo vai se resolver...
    Percebi alguém entrando no quarto.
    - Não acredito que você veio aqui contar tudo! Você não perde tempo não é Nerdzinho! – Bradou Felipe com seus olhos fulminantes. – Eu ouvi o que vocês estava falando agora antes de eu entrar! Não sei como você descobriu que a Tânia estava grávida...  Até para você isso é golpe baixo!
    Felipe acabou falando tudo tão rápido com uma metralhadora e acabou se entregando sem se dar conta de que eu não estava contando nada sobre ele e Tânia. Voltei meu olhar para Diego e o semblante do rosto dele mudou drasticamente.