domingo, 1 de janeiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 27


    - Ah... É só você Felipe? – Comentou Diego com Desdém.
    Eu corri para me vestir, não sei muito bem o motivo, deveria ser o nervosismo.
    - O que vocês pensam que estão fazendo? – Indagou ele fazendo uma pergunta bem idiota, mas não podemos exigir muito do intelecto limitado de um cabeça-oca.
    - Não é óbvio? – Respondeu Diego, praticamente lendo a minha mente.
    - Eu pensei que a gente estava bem... – Rebateu Felipe tentando se acalmar.
    - Bem? Se você acha... Vejo que nossa relação está bem moderna agora!
    - Do que você está falando? – Perguntou Felipe confuso. Eu terminei de me vestir e sentei na cadeira do computador ficando de voyeur da cena.
    - Você achou que eu não ia descobrir? Você acha que eu sou tão imbecil assim? Eu sei que você está de rolo com a Tânia, a rainha das biscates! – Agora começava a fazer sentido a atração repentina de Diego por mim.
    - Quem... Quem... Foi você não é? – Felipe voltou seu olhar furioso para mim.
    - Não foi ele... Precisa alguém dizer? Ela fez questão de encher a boca para falar com as amiguinhas dela sobre você!
    - Mas eu pensei que a gente não vivesse problemas com isso!
    - E não tem... Tanto é que eu estava aqui me divertindo com o Brunno!
    Eu fiz cara de indignação, mas Diego ignorou minha presença. Preferi ver o resto da discussão e ver onde isso ia culminar.
    - Mas ele é homem!
    - E daí? – Indagou Diego arqueando uma sobrancelha.
    - As mulheres estão liberadas, os homens não!
    - Quem disse isso?
    - Pensei que já fizesse parte do acordo! – Repeliu Felipe, alterando o tom da voz.
    - Não assinei nenhum contrato, além disso dá no mesmo! Se você pode eu também posso...
    - Você nunca criou confusão por causa disso! Por que está criando caso agora?
    - Porque antes nós éramos só amigos com bônus, e agora, pelo menos eu pensei que fôssemos namorados e olha só o que você faz!
    - Agora sim! Você se acha muito maduro não é? Devolveu na mesma moeda, nem sequer falou comigo sobre a situação e usou esse nerdzinho sem sal para me atingir? Faça-me o favor!
    - OBRIGADO! – Eu disse num tom de voz acima do tom dos dois. -  Não tenho que ficar aqui ouvindo isso. – Eu saí do quarto praticamente correndo, meus olhos começaram a se encher de lágrimas.
    Apertei o maldito botão do elevador, mas ele ainda estava no subsolo, demoraria demais para chegar até a cobertura. Abri a porta da escada de incêndio e comecei a descer desesperado. Na pressa, acabei pisando de mal jeito e cai da escada, meu óculos voou longe. Minhas costas começaram a arder. Alguma coisa me puxou para cima.
    - É um idiota mesmo! – Disse Felipe rindo enquanto me ajudava.
    - Não preciso da sua ajuda seu retardado! – Respondi, me libertando dos braços dele dando o empurrão mais forte que consegui. Catei meus óculos no chão com dificuldade, afinal, eu precisava de óculos até para achar os óculos. Quando finalmente o encontrei coloquei ele no rosto e voltei a descer as escadas com dificuldade me agarrando no corrimão com todas as minhas forças.
    - Eu ainda acho bem pregado Ó Majestade Brunno! Achou que chantageando a gente ia conseguir algo além de uma falsa-amizade? Você não é tão inteligente quanto aparenta! Devia ter aceitado desde o início uma boa quantia dinheiro, sei lá... Para comprar uns joguinhos de computador ou um Box completo de Star Wars talvez até sobrasse dinheiro para você comprar pelo menos um óculos novo!
    Notei que meus óculos estavam rachados.
   - Eu vou embora! – Completei descendo as escadas rapidamente.
   - Não vai não que eu ainda não acabei com você! – Ele me puxou pelo braço e me empurrou na parede. – Você se acha especial não é? Só porque tira umas notinhas melhores que as minhas? É óbvio que você tem que se matar de estudar porque você é pobre e não vai ter tudo que eu tenho assim de mão beijada. Além disso, você é feio moleque! Não dá pra ser modelo, nem ator, acho que nem pra balconista você serve! Então estude! Seja um daqueles pesquisadores solitários que passam décadas desenvolvendo pesquisas que só vão para frente se tiver pessoas ricas como eu para patrocinar, ou melhor... Talvez você não chegue a tanto, talvez você só seja mais um professor fracassado de Física que tem que berrar para ser ouvido por alunos elitizados de escolas particulares que não estão nem aí para o que você está tentando ensinar!
   Nessa hora eu não agüentei. Comecei a chorar, mas eram lágrimas de raiva que brotavam de meus olhos.
   - E tem mais! – Continuou Felipe, com um prazer sádico misturado a sua voz grossa. – Você pensou mesmo que o Diego pudesse estar gostando de você? – Ele deu uma gargalhada. – Provavelmente ele só estava querendo pegar o vídeo de volta... Ele tem bom gosto, ele nunca ficaria com alguém como você! – Felipe me olhou dos pés à cabeça. – Então chore... Mas chore muito! Porque enquanto você está aí lutando para sobreviver eu estou coberto de dinheiro e pior ainda pra você: Enquanto você está aí nessa sua solidão anti-social eu estou cheio de amigos e estou dormindo com Diego! – Ele me empurrou grosseiramente na parede voltando a subir as escadas.
    Eu fiquei ali chorando por um tempo. Estava muito difícil de segurar aquilo tudo. Eu geralmente tinha estabilidade emocional, mas como eu costumava guardar muito as coisas ruins que me aconteciam, uma faísca era o bastante para eu explodir. Depois de algum tempo, não sei ao certo quanto, me levantei e me recompus.
   - Isso não vai ficar assim! – Disse para mim mesmo – Eu quero aquele DVD de volta!

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