quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 31


    Sentei no meu lugar habitual. Roberta veio me encher de perguntas e eu disse que mais tarde ia a casa dela para tomar o sorvete de menta com chocolate conversar com ela e explicar o que está acontecendo. Diego me fitou quando entrou na sala, já atrasado, e fez sinal para que eu fosse sentar perto dele, mas eu apenas o ignorei. Não tardou muito para Felipe chegar e colocar sua cara de deboche para mim enquanto tomava o lugar ao lado de Diego.
    No intervalo Diego veio falar comigo, e praticamente me arrastou para um lugar mais tranqüilo da escola, onde tinham árvores grandes, e onde podíamos conversar em paz.
    - Brunno, por favor, me desculpe! Eu não queria ter falado aquilo.
    - Era o que você estava pensando...
    - Mas não era o que eu estava sentindo... – Eu o interrompi.
    - Eu não vou me fazer de bobo, eu sei que você estava querendo me usar para atingir o Felipe, mas eu ainda tinha alguma esperança de que parte daquilo fosse verdade.
    - E era... – O interrompi novamente.
    - Pare Diego! Não minta para mim!
    - Eu não quero te machucar Brunno e não vou mentir, eu realmente gosto de você! Não é da mesma forma que eu gosto do Felipe.
    - Como amigo não é?
    - Claro que não... Eu queria você para mim! Em meus braços, sussurrando bobagens em seu ouvido.
    - Mas, como assim? – Indaguei confuso.
    - Eu tenho dois sentimentos fortes dentro de mim, um por você e outro por Felipe, mas não quer dizer que um seja mais forte do que o outro...
    - Eu não vou me deixar enganar... – Balancei a cabeça para espantar os pensamentos que Diego produziu em mim. Sua voz era como um canto de sereia me atraindo para a morte. – Foi o Felipe quem te mandou aqui? Ele achou pouco tudo que me fez?
    - Não... Não foi ele... ele te fez alguma coisa? Ele me disse que foi te procurar naquela hora que você saiu correndo e não te encontrou. Eu também fui quando terminei de me vestir, mas não te encontrei
    - Você acreditou mesmo?
    - Brunno... O que ele te disse?
    - Só o óbvio não é? Eu sou um idiota por achar que com uma chantagem eu vou conseguir ser seu amigo, me aproximar de você, fazer você gostar de mim...
    - Parece até loucura... Mas você conseguiu!
    - Você só quer o DVD de volta Diego... Nem gaste sua saliva!
    - Olhe através dos meus olhos, diga que eu estou mentindo! – Ele segurou meus braços, me obrigando a olhá-lo. – Eu gosto mesmo de você Brunno! Eu não sei se esse sentimento é amor, é paixão, é amizade... Não sei! Mas eu queria muito descobrir isso com você!
    - Não... – Eu balancei minha cabeça novamente. Precisava manter o foco.
    - Diga que eu estou mentindo!
    - Não... Não está... Mas isso não tem importância, breve essa história toda vai acabar! – Eu disse partindo rapidamente.
   Estranhei Diego não vindo atrás de mim e olhei para trás. Ele estava se segurando na árvore e olhando para baixo. Felipe chegou no pátio também. Nós dois fomos em sua direção.
    - Dih? Você está bem? – Perguntei a chegar.
    - O que você fez com ele seu idiota? – Disse Felipe me empurrando.
    Felipe tentou segurar Diego, mas ele tinha desmaiado. Felipe pegou ele no colo e foi rapidamente em direção da enfermaria.

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 30


    O primeiro passo seria instalar um programa no meu Laptop que grava as conversas de MSN. É óbvio que existe essa opção no próprio MSN, mas por mais retardada que Laura fosse ela sabia muito bem desativar isso. Além disso, ativar esse dispositivo a deixaria com a pulga atrás da orelha e eu não queria que ela ficasse desconfiada. Além disso, eu teria acesso também a todas as senhas dela de email, então, todos os perfis das redes sociais e dados da minha irmã estavam em minhas mãos. Depois de instalar tudo, eu precisava da fase 2. Fiz um teste de hackeamento do meu laptop pelo laptop da Roberta e deu tudo certo. No momento em que ela estivesse fazendo algo de errado eu estaria lá para ver, e para um melhor êxito, fiz com que a webcam do meu laptop sempre que acionada, enviasse a gravação para o laptop da Roberta. Tudo que Laura fizesse ou escrevesse eu saberia! Com alguma conversa estranha, informações que pudessem atingi-la ou até algum vídeo. Depois de programar isso tudo e checar diversas vezes eu pude finalmente dormir em paz.
[...]
    Acordei bem disposto e me arrumei rapidamente para tomar café-da-manhã, afinal, um longo dia exigiria combustível! Minha irmã acordou atrasada e de mau-humor e logo cobrou o laptop de volta.
    - Laura... Não esqueça de lavar os pratos do café, querida! – Disse minha mãe quando ela deu a primeira mordida na torrada. Antes que ela falasse qualquer coisa, que deixaria minha mãe desconfiada, eu intervim.
    - Eu lavo mãe! – Disse me levantando. – Já acabei mesmo, depois a Laura me recompensa.
    - Nossa... O que aconteceu com você Brunno? Bateu a cabeça? – Perguntou minha mãe.
    - Tá achando ruim é? – Rebati.
    - Não... Não... Continue assim!
    Eu terminei tudo e tratei de ir embora logo, seria bom chegar adiantado e eu não queria ouvir mais a Laura buzinar aquelas idiotices no meu ouvido.
[...]
    Já no ônibus eu concentrei meu pensamento em fazer uma retrospectiva de tudo que aconteceu nesses conturbados dias. Agora eu podia pensar com mais clareza. Há uma possibilidade de Felipe ter dito todas aquelas coisas só para me magoar, pode ser que tudo aquilo só seja reflexo da personalidade ciumenta de Felipe, com o simples intuito de me atingir. É obvio que eu não sou o galã de novela, mas também não sou tão feio como o Felipe estava tentando me fazer sentir. Acho que no fundo ele estava com medo, os animais primitivos sempre fazem isso, já que a mente dele ainda  está num processo lento de evolução ele deve achar que rosnando para mim eu vou sair do seu território. Bom, ele acha que o território é dele, mas talvez esteja enganado. Imaginei Felipe que nem um cachorrinho, fazendo xixi no pé do Diego para marcar território e comecei a rir.
    Só posso deduzir, a partir dessa reação infantil quiçá primitiva, que no fundo Felipe tenha medo de mim e considere uma concorrência. Ele tem tudo e ao mesmo tempo não tem nada. Nem vou falar no cérebro de minhoca dele, para não parecer arrogante, então vou analisar outras perspectivas. Felipe tem um corpo malhado e bronzeado, fruto de anos de academia e finais de semana torrando no maldito sol da praia do Francês, mas... É só isso? Ele é muito impulsivo, agressivo, mimado pelos pais e com uma visão muito limitada da vida. Tudo para ele é fácil de mais. Até sua relação com Diego é muito fácil. Os dois são filhos de pais que trabalham muito e não ficam muito tempo em casa. Então, oportunidades não faltam para eles fazerem o que quiser. Além disso, por serem amigos de infância, um pode dormir na casa do outro sem levantar suspeitas. Para colocar a cereja no bolo, eles tem bastante dinheiro, tem as melhores roupas, os melhores celulares, vão às melhores festas e tudo que eles tem que fazer é sair beijando umas meninas e jogando fora como todo hétero cafajeste faz. (Não estou dizendo que todos os heterossexuais são cafajestes, conheço vários que não são)
    O que falta então no Felipe? Óbvio! Ele não tem autocontrole, não tem limites e todas suas relações são pautadas nos seus interesses. Não vou dizer que não acredito que ele goste de fato do Diego, mas sinto que ele não corresponde às expectativas de Diego. Apesar de Diego corresponder a quase todas as características mencionadas acima quando falei de Felipe, sua personalidade é completamente diferente. A maioria das coisas que ele faz é porque está com Felipe, ele acaba sendo malvado com as pessoas não por instinto próprio, mas porque ele quer se sentir igual a Felipe quer que ele o aceite. Mas, no fundo Diego é só um garoto carente que quer a atenção de alguém, Felipe não deixa de ser isso também, mas ele coloca sua frustração no álcool e no exibicionismo, enquanto Diego só imita as ações de Felipe, como um espelho reflete a imagem à sua frente. Então, fica aí o motivo pelo qual eu acho que os dois estão juntos. Parece uma análise bem específica e que eu precisaria de muito tempo de convivência com eles para perceber isso, mas, por mais que os dois pensem ser fortalezas intransponíveis de perfeição, na verdade, os dois não passam de um castelo de vidro, frágeis e transparentes.
[...]
    Cheguei ao colégio com aquela velha sensação de estar preso dentro do meu próprio universo, como seu eu estivesse vestindo uma roupa de astronauta. O burburinho embalado por conversas exaltadas e risos do corredor passou alheio à minha percepção. Não queria falar com Diego antes que eu conseguisse tomar uma decisão. Por mais que eu quisesse ver Felipe pagar por tudo que fez, não podia esquecer de Diego no vídeo e no que poderia acarretar a divulgação do mesmo.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 29


    Eu fiz uma cara de pseudo-medo para tornar as coisas mais interessantes e me sentei. Olhando para minha irmã com olhos fugidios, eu queria saborear cada gotinha de veneno dela e para isso eu precisava estar, ou parecer, apavorado. Como meu plano já estava Todo arquitetado, eu apenas precisava PARECER apavorado.
    - Bruninho querido irmão... Como você é descuidado não é? Deixa suas coisas por aí à toa...
    - Você sabe que não estava à toa! – Rebati, imprimindo um nervosismo teatral na minha voz.
    - Bom... Eu fui procurar fita dupla-face e acabei encontrando uma coisa bem mais interessante, mas imagine se fosse a mamãe que tivesse visto isso! – Ela recomeçou falando pausadamente, fingindo que se importa. – Então, que sorte a sua de eu ter encontrado não é mesmo? Fiquei realmente curiosa ao ver um DVD tão cuidadosamente escondido... E você sabe como eu sou não é? Precisava checar...
    - Tem como encurtar esse papinho?
    - Calma irmãozinho querido, não vamos apressar as coisas... – Respondeu ela, irônica. Para pessoas retardadas que nem ela, uma situação dessas equivale a um flagra após uma longa investigação. Pena que ela não se tocou que tudo isso foi pura sorte. - Bom, continuando... E olha que surpresa que eu tive! Vi que meu irmãozinho já está bem crescido e vendo vídeos pornôs, claro que um pornô brasileiro bem amador, mas... – Ela fez uma pausa e continuou. – Ah! Mas tem um agravante não é? Eram 2 homens transando naquele vídeo, admito que eles eram bonitos... Um desperdício total, se bem que eles devem ganhar uma boa grana... Enfim, aonde eu quero chegar é o seguinte: Conto a mamãe primeiro que você é gay ou que anda assistindo vídeos pornôs?
    - Não sei... O que você sugere? – Respondi sarcástico. Foi aí que eu tive um daqueles “clicks” que trazem à mente um fragmento de conversa de volta ao pensamento. Laura havia dito, ‘vídeo pornô’ e ainda insinuou que os garotos do vídeo eram ‘profissionais’. Não sei como não tinha me dado conta disso antes. Mas é que ela é tão lerda que se perde na própria fala e me confunde.
    - O que eu sugiro é que  você me dê algum motivo para ‘esquecer’ o que eu ouvi e não contar a mamãe!
    - O que você quer? – Indaguei pensativo, afinal, a visão dela é tão limitada como a de um jegue. Ela não tem visão de futuro, não olha para frente. Contar a minha mãe é o pior que poderia a acontecer é Laura? Burra de mais, mas isso era melhor ainda...
    - Quero usar seu Laptop a hora que eu quiser, quero que você faça todas as minhas obrigações de casa, isso inclui tirar o lixo, arrumar a mesa, lavar os pratos e claro, lavar minhas roupas...
    - Isso é um ultraje! – Protestei, mas na verdade essa chantagem barata dela me deu uma idéia bem interessante para finalizar meu plano.
    - É isso ou eu falo tudo para a mamãe, queridinho...
    - Eu aceito com uma condição!
    - Nada de condições, eu que mando aqui!
    - Eu preciso do Laptop hoje para terminar de digitar um trabalho, amanhã ele é todo seu por tempo indeterminado... – Na verdade você não vai ficar com ele mais que uma semana sua idiota! Pensei.
    - Ai... Ai... Você tem sorte por eu ser boazinha, o Fred deve estar no ônibus da viagem agora e a internet fica péssima mesmo... Mas amanhã cedo eu quero ele para levar para a faculdade.
    Ah! Esqueci de dizer que minha irmã idiota faz uma faculdade particular aqui da minha cidade, já que ela é burra de mais para entrar na federal ela tentou todas as faculdades possíveis e entrou na mais peba* de todas. (Peba = fraquinha, fuleira, de má qualidade...). Nem vou dizer o curso que ela faz, para depois não gerar um mal-estar aí! Medicina é que não é.
      Enfim, depois de ouvir todas as bobagens que minha irmã tinha a dizer, eu fui para o meu quarto e me tranquei lá. Coloquei meu cd “fallen” da banda Evanescence e comecei a trabalhar. Liguei os dois laptops, e depois fui buscar um travesseiro para colocar nas minhas costas, o serviço iria demorar bastante...

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 28


    Tinha que colocar minha cabeça para funcionar. Ainda não sabia o que fazer quando recuperasse o maldito DVD, mas sabia muito bem como iria consegui-lo. Eu não podia subestimar a inteligência da minha irmã, apesar de qualquer chimpanzé bem treinado conseguir ser mais esperto que ela, o cérebro dela sabia fazer duas coisas bem funcionais: Fazer chantagem e roubar. Então, eu precisava contra-atacar. Mas como fazer tudo isso?
    Comecei a andar em direção a orla. Lá seria mais fácil de eu pegar um ônibus para voltar para casa. Apesar de não ser rico como os mauricinhos cabeças-ocas, eu não morava muito longe dali, meu bairro também era um dos melhores da cidade. Logo minha cabeça estava explodindo com pensamentos de cunho vingativo, a maresia batendo forte no meu rosto e embaçando meus óculos. (Como se eu já não tivesse cego o bastante).
    Por um milagre quase divino, o ônibus não demorou, e como não era um horário de pico ainda consegui um lugar para sentar.
    Meu plano tinha que ser perfeito, infalível. Com 100% de chance de dar certo. Então, eu precisava abarcar todos os pontos dessa situação. Para um melhor engajamento, tentei mentalizar todas as minhas vilãs favoritas das novelas, isso sempre me ajudava. Imaginei Paola Bracho rindo estrondosamente, por conseguir seu tão sonhado 1 milhão de dólares, na companhia de Nazaré Tedesco, rindo descontraidamente por ter inaugurado sua nova escada matando 50 pessoas numa só festa, e a Flora Pereira da Silva rindo à toa em um glamoroso cassino. Que sonho participar de uma conversa com essas 3 divas da maldade heim?
    Enfim consegui, inflamado por essa maravilhosa inspiração proposta por minha fértil imaginação, avaliar a situação em seus pormenores. Eu precisava encontrar e recuperar aquele DVD, mas não podia descartar a possibilidade da minha querida irmãzinha mais velha ter feito uma cópia dele, nessa situação, conseguir pegar o DVD só seria um agravante que conduziria ela a entregar o cd a minha mãe ou postar o vídeo na internet.
Então, eu precisava de uma contra-chantagem que conseguisse me dar segurança se minhas tentativas falhassem. É óbvio que eu vou precisar de uma ajudinha da minha querida amiga Robertão! Vou aproveitar que o ponto que é perto da casa dela já é aqui um pouco depois do Posto 7 e vou fazer uma visitinha! Com essa segurança, já posso pensar em como invadir o quarto dela. Minha irmã tranca seu quarto à chave já faz algum tempo, usando a desculpa da privacidade, mas pode ser que ela esteja escondendo o namorado dela por lá ou guardando coisas que ninguém deveria ver. Como saber? Enfim... Voltando ao foco: Eu preciso de uma cópia daquela chave. Arrombação não é uma coisa muito discreta, nem sofisticada. Sempre há uma barra de sabão para tirar o molde de uma chave não é mesmo?
    Desci no ponto e comecei a caminhar rumo à casa da Roberta, minha cabeça estava a mil. Idéias pipocando a todo segundo. No entanto, não podia me precipitar, esse plano demandava tempo para colher todas as informações necessárias para minha contra-chantagem. Com o plano já esboçado em minha mente eu precisava saber o que fazer quando aquele maravilhoso vídeo retornar às minhas mãos...
    Entrei no prédio de minha amiga com cara de triunfo, perguntei ao porteiro se ela estava em casa e em resposta a sua afirmativa, fui logo subindo, nem precisei de elevador. Bati freneticamente na porta até que ela me atendeu.
    - Bruninho lindooooo!!! – Disse ela entusiasmada me dando um abraço apertado.
    - Oi Betão!
    - O que te traz aqui menino? Vamos entrando!
    - Preciso de um favor seu! – Respondi me jogando preguiçosamente no sofá vermelho.
    - Ihhh! Essa cara de malandro! Parece até vilão de novela mexicana, o que você está tramando?
    - Você parece que tem um raio x néh amiga? Você adquiriu o poder de ler mentes?
    - Nem precisa, só de conviver com você esse tempo todo já sei o que significa esse sorriso de bomba nuclear que você está mostrando aí! Me conte tudo!
    - Não posso contar tudo agora porque não tenho tempo, mas preciso do seu Laptop para ontem!
    - Gente... Para quê essa urgência?
    - Digamos que eu vou dar um xeque-mate de uma vez por toda nessa situação!
    - Mais de 50% de chance de dar certo? – Sorriu ela imitando minha mania de colocar probabilidade em tudo.
    - 100% de chance de sucesso e de felicidade garantida!
    - Bruninho... Tenha cuidado, eu tenho até medo dos seus planos...
    - Eu não atiro para errar, você sabe bem disso!
    - Claro que sei! Por morrerei sua Best Friend! – Respondeu ela caindo na gargalhada. – Vou buscar o Laptop agorinha mesmo.
     Encostei minha cabeça no braço do sofá, deixando um leve sorriso no ar. Fechei os olhos e visualizei o fim dessa situação. Não pude nem me estender nos meus devaneios, Roberta logo voltou com uma bolsa na mão.
    - Milhões de cuidados com meu bebezinho viu? – Disse ela me entregando a bolsa.
    - Então vou ir embora logo  para não ficar perigoso!
    - Não vai ficar mais um pouco e me contar a sua idéia? Tem um sorvetinho de menta com chocolate no congelador que tá uma delícia!
    - Você está jogando sujo já! – Disse rindo, Roberta sabia que eu tinha uma quedinha por sorvetes, principalmente o de menta com chocolate que era meu favorito.
    - Você não quer? Tão refrescante nesse dia tão quente... Com chocolate crocante que derrete na boca...
    - Não... Não... Tenho que manter meu foco! Breve brindaremos o sucesso da minha  empreitada com maravilhosos Milk shakes da Bali!
    - Nossa... Que chique!
    - Preciso ir Betão... Há muito o que fazer.
[...]
    Voltei para casa, extasiado. Tantos planos para executar... Abri a porta com cara de triunfo.
    - Olha só quem chegou... – Disse minha irmã do sofá. – Meu irmãozinho favorito! Quero ter um papinho de Brother and Sister com você!!!
    

domingo, 1 de janeiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 27


    - Ah... É só você Felipe? – Comentou Diego com Desdém.
    Eu corri para me vestir, não sei muito bem o motivo, deveria ser o nervosismo.
    - O que vocês pensam que estão fazendo? – Indagou ele fazendo uma pergunta bem idiota, mas não podemos exigir muito do intelecto limitado de um cabeça-oca.
    - Não é óbvio? – Respondeu Diego, praticamente lendo a minha mente.
    - Eu pensei que a gente estava bem... – Rebateu Felipe tentando se acalmar.
    - Bem? Se você acha... Vejo que nossa relação está bem moderna agora!
    - Do que você está falando? – Perguntou Felipe confuso. Eu terminei de me vestir e sentei na cadeira do computador ficando de voyeur da cena.
    - Você achou que eu não ia descobrir? Você acha que eu sou tão imbecil assim? Eu sei que você está de rolo com a Tânia, a rainha das biscates! – Agora começava a fazer sentido a atração repentina de Diego por mim.
    - Quem... Quem... Foi você não é? – Felipe voltou seu olhar furioso para mim.
    - Não foi ele... Precisa alguém dizer? Ela fez questão de encher a boca para falar com as amiguinhas dela sobre você!
    - Mas eu pensei que a gente não vivesse problemas com isso!
    - E não tem... Tanto é que eu estava aqui me divertindo com o Brunno!
    Eu fiz cara de indignação, mas Diego ignorou minha presença. Preferi ver o resto da discussão e ver onde isso ia culminar.
    - Mas ele é homem!
    - E daí? – Indagou Diego arqueando uma sobrancelha.
    - As mulheres estão liberadas, os homens não!
    - Quem disse isso?
    - Pensei que já fizesse parte do acordo! – Repeliu Felipe, alterando o tom da voz.
    - Não assinei nenhum contrato, além disso dá no mesmo! Se você pode eu também posso...
    - Você nunca criou confusão por causa disso! Por que está criando caso agora?
    - Porque antes nós éramos só amigos com bônus, e agora, pelo menos eu pensei que fôssemos namorados e olha só o que você faz!
    - Agora sim! Você se acha muito maduro não é? Devolveu na mesma moeda, nem sequer falou comigo sobre a situação e usou esse nerdzinho sem sal para me atingir? Faça-me o favor!
    - OBRIGADO! – Eu disse num tom de voz acima do tom dos dois. -  Não tenho que ficar aqui ouvindo isso. – Eu saí do quarto praticamente correndo, meus olhos começaram a se encher de lágrimas.
    Apertei o maldito botão do elevador, mas ele ainda estava no subsolo, demoraria demais para chegar até a cobertura. Abri a porta da escada de incêndio e comecei a descer desesperado. Na pressa, acabei pisando de mal jeito e cai da escada, meu óculos voou longe. Minhas costas começaram a arder. Alguma coisa me puxou para cima.
    - É um idiota mesmo! – Disse Felipe rindo enquanto me ajudava.
    - Não preciso da sua ajuda seu retardado! – Respondi, me libertando dos braços dele dando o empurrão mais forte que consegui. Catei meus óculos no chão com dificuldade, afinal, eu precisava de óculos até para achar os óculos. Quando finalmente o encontrei coloquei ele no rosto e voltei a descer as escadas com dificuldade me agarrando no corrimão com todas as minhas forças.
    - Eu ainda acho bem pregado Ó Majestade Brunno! Achou que chantageando a gente ia conseguir algo além de uma falsa-amizade? Você não é tão inteligente quanto aparenta! Devia ter aceitado desde o início uma boa quantia dinheiro, sei lá... Para comprar uns joguinhos de computador ou um Box completo de Star Wars talvez até sobrasse dinheiro para você comprar pelo menos um óculos novo!
    Notei que meus óculos estavam rachados.
   - Eu vou embora! – Completei descendo as escadas rapidamente.
   - Não vai não que eu ainda não acabei com você! – Ele me puxou pelo braço e me empurrou na parede. – Você se acha especial não é? Só porque tira umas notinhas melhores que as minhas? É óbvio que você tem que se matar de estudar porque você é pobre e não vai ter tudo que eu tenho assim de mão beijada. Além disso, você é feio moleque! Não dá pra ser modelo, nem ator, acho que nem pra balconista você serve! Então estude! Seja um daqueles pesquisadores solitários que passam décadas desenvolvendo pesquisas que só vão para frente se tiver pessoas ricas como eu para patrocinar, ou melhor... Talvez você não chegue a tanto, talvez você só seja mais um professor fracassado de Física que tem que berrar para ser ouvido por alunos elitizados de escolas particulares que não estão nem aí para o que você está tentando ensinar!
   Nessa hora eu não agüentei. Comecei a chorar, mas eram lágrimas de raiva que brotavam de meus olhos.
   - E tem mais! – Continuou Felipe, com um prazer sádico misturado a sua voz grossa. – Você pensou mesmo que o Diego pudesse estar gostando de você? – Ele deu uma gargalhada. – Provavelmente ele só estava querendo pegar o vídeo de volta... Ele tem bom gosto, ele nunca ficaria com alguém como você! – Felipe me olhou dos pés à cabeça. – Então chore... Mas chore muito! Porque enquanto você está aí lutando para sobreviver eu estou coberto de dinheiro e pior ainda pra você: Enquanto você está aí nessa sua solidão anti-social eu estou cheio de amigos e estou dormindo com Diego! – Ele me empurrou grosseiramente na parede voltando a subir as escadas.
    Eu fiquei ali chorando por um tempo. Estava muito difícil de segurar aquilo tudo. Eu geralmente tinha estabilidade emocional, mas como eu costumava guardar muito as coisas ruins que me aconteciam, uma faísca era o bastante para eu explodir. Depois de algum tempo, não sei ao certo quanto, me levantei e me recompus.
   - Isso não vai ficar assim! – Disse para mim mesmo – Eu quero aquele DVD de volta!

sábado, 24 de dezembro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 26


    Procurei meu óculos que tinha deixado cair em algum dos beijos que Diego me roubou. Coloquei rapidamente e comecei a pensar em um meio de sairmos dali sem sermos vistos. Ouvi Diego rindo baixinho de mim outra vez.
    - O que foi agora?
    - Seus óculos... – Sussurrou ele se aproximando de mim. – Estão embaçados! – Ele tirou lentamente os meus óculos, me aplicando um beijo na testa e começou a limpá-lo em minha camisa. – Pronto, assim está melhor! – Finalizou ele colocando meus óculos novamente no meu rosto.
    - Como é que a gente vai sair daqui?
    - É simples Brunno, pare de complicar as coisas... Sua irmã deve estar contando alguma fofoca pra amiga dela ou mostrando alguma calçinha que comprou no Sex Shop... – Ele voltou a rir. – É só você se recompor e sair do quarto para ver se a barra está limpa e depois nós poderemos sair juntos e dar uma boa caminhada na praia.
    - Como você consegue ser tão tranqüilo?
    - Cresci junto com o Felipe, alguém precisa manter a cabeça no lugar!
    - Certo, vou fazer isso... – Eu disse enquanto tentava me arrumar me olhando no espelho. Meu cabelo como sempre estava com raiva de mim, vivíamos numa guerra constante, então apenas coloquei um boné. – Diego, fica aqui atrás da porta, caso ela esteja por aqui não vai te ver!
    Abri a porta vagarosamente tentando suprimir ao máximo o ruído chato que ela produzia. Fui até a porta do quarto da minha irmã e pude ouvir ela e a amiga conversando animadas e rindo bastante, parece que a fofoca está rendendo. É bom aproveitar essa deixa. Voltei pro quarto, busquei a minha chave e o Diego e saímos de fininho.

[...]

    - Até que não foi tão difícil... – Comentei fechando a porta do carro.
    - Está vendo? É só não complicar as coisas que podem ser simplificadas...
    - E agora, nós vamos para onde?
    - Que tal estudar na minha casa? – Indagou Diego, jogando um punhado generoso de malícia na palavra “estudar”.
    - É... É... – Gaguejei.
    - Vou considerar essa resposta como um sim!
Ele então ligou o carro e tratou de acelerar. Não demorou muito para nós estarmos entrando no subsolo de um dos mais sofisticados e caros edifícios do Stella Maris.

[...]

    - Home sweet home! – Soltou Diego com uma risadinha abafada enquanto abria a porta.
    O apartamento de Diego ocupava todo o último 8° andar do prédio e ainda tinha a posse total da cobertura. A decoração era simplesmente impecável que variava nos tons neutros na escala de tonalidades do cinza e com muitos elementos em preto e branco. Em cima da mesa de jantar tinha um belíssimo lustre de cristal que se refletia no espelho que ocupava toda a parede adjacente à mesa de jantar.
    Senti um puxão forte e em instantes já estava nos braços de Diego. Ele mordia meus lábios suavemente e fincava seus dedos em meu cabelo.
    - E então, gostou do meu apartamento? – Indagou ele me soltando de seus braços e logo eu senti um vazio imenso.
    - É perfeito! – Comentei em um suspiro. – E olhe que eu só vi a sala.
    - Que tal passarmos pro quarto?
    - E os seus pais Dih? – Voltei a raciocinar normalmente, a presença de Diego me fazia perder o bom senso em medir as consequências de meus atos.
    - Minha mãe só volta semana que vem da sua viagem pra Milão e meu pai deve estar no consultório, só chega bem tarde... Vamos pro quarto?
    - Claro! – Eu praticamente pulei em Diego e fiquei na ponta dos meus pés para lhe roubar mais um beijo.
    Em algum momento meu subconsciente veio me atormentar, queria me trazer de volta a realidade. O que você está pensando? Você bateu a cabeça? Ele só quer te usar! Dizia aquela maldita voz na minha cabeça. Eu respondi bruscamente: Dane-se!!! E logo estava me concentrando novamente no beijo de Diego. Ele tinha a boca mais bonita que eu já vi e roçava seus lábios macios no meu pescoço enquanto me conduzia até seu quarto.
    Diego me jogou na sua king size, tirando a camisa quase que instantaneamente. A tatuagem de tribal no seu ombro esquerdo se entrelaçando com todas as linhas musculosas de seu braço. Ele tirou os tênis e a calça, se jogando na cama com sua cueca Box branca da Calvin Klein, já mostrando que estava pronto pro Fight. Ele começou a me beijar já colocando a mão no zíper da minha bermuda. Ele se ajoelhou na minha frente e puxou minha bermuda com força até que ela saiu.
    - Pra quê essa violência toda? – Comentei zoando com ele.
    - Eu gosto assim, na brutalidade!
    Agora eu entendi porque ele e Felipe se dão tão bem.
    Logo ele estava tirando minha camisa antes que eu fizesse qualquer objeção. Era nesse momento que eu me sentia mais vulnerável. Eu não me sentia confortável com meu corpo, mas Diego não estava nem aí para isso. Ele voltou a me beijar, mordendo meus lábios com mais força ainda. Desceu levemente me aplicando mordidas por todo o corpo até começar a tirar minha cueca com os dentes.
    - MAS QUE PALHAÇADA É ESSA? – Uma voz trovejou da porta do quarto. Agora ferrou tudo...

domingo, 18 de dezembro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 25


    - Olha só... Ele ficou revoltadinho! – Diego começou a rir de mim.
    - Se você quer e eu quero não tem pra quê não fazer... – Voltei a beijar Diego com toda a intensidade que consegui.
    Eu não tenho uma vasta experiência em beijos, mas com Diego tudo era mais fácil. Era muito bom aprender alguma coisa com ele também. Ele sabia muito bem o que fazer e quando fazer e isso me deixava nas nuvens. Nem no melhor dos meus sonhos eu poderia cogitar a possibilidade de ter o Diego em minha cama. Eu já tinha desconsiderado todas as consequências desse ato completamente irresponsável. Apesar de saber que ele poderia me abandonar depois, eu precisava disso, mesmo que isso fosse tão tóxico e viciante como a pior de todas as drogas.
    Diego arrancou minha camisa antes que eu fizesse qualquer objeção. Isso era um pouco desconfortável para mim porque eu não tinha um corpo escultural como o Diego e ainda por cima tinha um pouco de espinhas nas costas. Ele nem reparou nisso e foi logo tirando a camisa também. Eu pude sentir o calor do corpo dele colado no meu e isso me deixava ainda mais extasiado.
    - Brunno... – Sussurrou ele entre um beijo e outro – vamos repetir a dose? – Indagou, fazendo alusão ao episódio do hospital.
    - Certo... – Respondi prontamente em um sibilo descendo até o zíper da sua calça.
    - Dessa vez vamos inverter a ordem! – Ele me puxou pra cima de novo, rolando comigo na cama e me deixando por baixo.  – Vou te ensina runs truques novos! – Ele disse, lançando um sorriso maroto que me atingiu em cheio.
    Diego abriu o zíper lentamente, puxou minha bermuda e jogou ela no chão. Ele voltou a aproximar seu rosto do meu, me deu um beijo na testa, depois um beijo na boca e foi descendo gradativamente os beijos. Quando ele chegou no  meu tórax eu já estava prestes a explodir. Ele voltou a sorrir, como se dissesse: “Hey! Eu estou no controle!”. De fato, eu estava a mercê de todos os caprichos de Diego. Estava entregue para qualquer vontade que lhe ocorresse a mente.
    Nesse momento eu pude ouvir o barulho da porta de casa abrindo. Eu gelei na mesma hora. Quem podia ser uma hora dessas? Dei um pulo da cama e tratei de trancar a porta do quarto. Liguei o meu som, uma música instrumental começou a tocar. A partir daí consegui respirar novamente, porém de forma ofegante.
    Voltei a encarar Diego, que começou a rir de mim, eu fiz cara feia para ele e fui até a porta e encostei o ouvido nela. Precisava saber quem era. Para minha felicidade, ou não, consegui ouvir minha irmã conversar com uma amiga dela e se trancar no quarto.
    - Pra quê isso tudo? – Reiniciou ele ainda com um ar de riso.
    - Você queria que alguém nos visse nesse estado? – Indaguei catando minhas roupas no chão.
    - Não... Eu entendi porque você fechou a porta, eu não entendi o porque da música...
    - É que eu estudo ouvindo música clássica, isso me ajuda a ficar concentrado.
    - Você estuda toda vez assim? Quero vir estudar com você mais vezes... – Disse ele fazendo uma piadinha.
    - Claro que eu... – Fiz uma pausa. – nem vou te responder seu besta!
    - Sei... Sei... E agora, o que a gente faz?