Depois de alguns minutos pude ver Felipe entrando pela porta de vidro com uma expressão indecifrável. Ele se aproximou lentamente, o ar ficou mais pesado como em um frisson.
- Não podemos vê-lo ainda... – Iniciei tentando acalmá-lo. Percebi uma lágrima rolando em seu rosto.
- Alguma notícia?
- Até agora não... Temos que esperar... Estava esperando você pra você tentar se comunicar com os pais deles, você tem como ligar pra eles?
- Claro... – Respondeu sério. Felipe saiu do local e ficou na porta falando ao telefone por alguns minutos.
O vai-e-vem era constante no local, apesar de ser um hospital particular a lotação era digna de um SUS. Gente desmaiando e gemendo pelos cantos, seria uma longa noite. Depois de exaustivas horas e de folhear praticamente as edições completas da revista caras de dois anos atrás, o médico apareceu.
- Vocês são a família do Diego?
- Sim! – Respondeu Felipe de prontidão.
- Ainda estamos investigando o caso dele, ele já recobrou a consciência e realizamos uma bateria de exames, os resultados saem em poucos dias, ele brevemente será liberado. Acho que se tudo correr bem, amanhã ele voltará pra casa.
- Podemos vê-lo? – Interrompeu Felipe.
- Claro que sim! Quarto 16, a 3ª porta a direita!
Nós seguimos o médico até a porta e nos deixou a sós. Minha mãe resolveu ficar na sala de espera mesmo.
- Dih... – Proferiu ele com o pouco de ar que lhe restava, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
Eu apenas dei um dos meus sorrisos unilaterais e me sentei no sofá, afinal, eu era um mero coadjuvante na cena.
- Oi Felipe... – Sussurrou ele com certa indiferença.
Felipe se aproximou aos poucos, medindo cada passo que dava com cautela, sentando-se na escadinha que ficava ao lado da cama. Ele segurou a mão de Diego, fitando a bolsa do soro, ligada ao braço esquerdo de Diego, por alguns instantes.
- Como você está?
- Bem... – Respondeu em reticências.
- O que houve com você afinal?
- O médico disse que foi por causa da minha pancada na cabeça... – Essa frase soou como milhões de agulhas de gelo dilacerando as expressões de Felipe, que logo compôs um semblante martirizado pelo arrependimento. – Ele ainda disse... Que se eu tivesse feito os exames logo, teria sido mais ‘aconselhável’... Médico idiota!
- Mas, vai ficar tudo bem com você! – Intervi, levantando do sofá e me aproximando dele. – Desculpa se eu te deixei irritado naquela hora...
- Não Brunno, você não tem culpa de nada! – Respondeu Diego, fazendo questão de enfatizar a palavra ‘você’. – E se for algo grave? – Reiniciou ele em lágrimas.
Felipe estava em estado de choque.
- Calma Dih... Sempre temos que esperar o melhor! O médico disse que, se tudo correr bem, você poderá ser liberado amanhã.
- Eu vou ter que dormir aqui? – Falou indignado.
- É pra o seu bem Diego... Você não pode fazer muito esforço físico! Nem ouse tentar se levantar daí sem permissão! – Ordenei em tom leve.
- Tá! – Respondeu a contra-gosto.
Nesse momento ouve uma leve batida na porta. O médico de outrora adentrou no quarto com um homem muito vistoso, que aparentava ter um pouco mais que quarenta anos.
- Diego... – Bradou ele com ar de reprovação. – O que aconteceu? Você sempre metido em encrencas... – Ele cruzou os braços e ficou analisando-o. – O que vocês aprontaram dessa vez Felipe? - Ignorou completamente a minha existência.
- É que... – Balbuciou Felipe cm certa dificuldade.
- Eu escorreguei e caí quando estava correndo...
- Hum... – Soltou secamente voltando seu olhar para o médico de plantão.
- Foi exatamente isso que ele me contou, pela minha análise prévia creio que é muito provável que tenha sido uma queda seguida de forte impacto na cabeça...
- Podemos ir já? – Reiniciou fitando seu relógio de ouro com impaciência.
- Ele vai precisar ficar em observação... – Disse o médico.
- Quanto tempo?
- Até amanhã, ou depois da manhã... Depende da evolução do caso. O senhor pode dormir aqui com ele no quarto...
- Diego... – Sibilou com ar de indignação. – Logo agora no meio do congresso de odontologia norte e nordeste...
- Pai... Eu posso ficar com meu amigo...
- Não sei... O que você acha Doutor?
- Sem problema...
- Ótimo... – Ele se aproximou da cama, aplicando um beijo na testa do filho. – Por favor, não faça eu me preocupar mais... – Sussurrou. – Toda vez que sua mãe viaja você me apronta uma dessas, que tipo de pai ela vai achar que eu sou?
- Não precisa contar pra mamãe...
- Ainda não contei...
- Então não conte! – O celular do pai de Diego tocou.
- Certo... Certo... Vou ter que atender essa ligação, amanhã eu passo aqui pra te buscar – Ele saiu rapidamente do local.
Um silêncio se apossou do ambiente, eu me aproximei mais de Diego e perguntei:
- Era o seu Pai?
- Rodrigo Albuquerque, o próprio... O melhor dentista da cidade e blá blá blá, e tudo mais que aqueles puxa-sacos dizem dele...
- Parece ser um homem distinto...
- Desculpa, ele não ter falado com você, ele tem essa mania deselegante...
- Sem problema, numa situação dessas, ele não conseguiu perceber minha presença por causa da tensão...
- Creio que não foi por isso, mas deixe pra lá...
- Bom Diego... – Começou o médico que estava praticamente de enfeite na cena toda – Eu tenho que ir visitar outros pacientes, qualquer coisa é só chamar uma das enfermeiras. Você está fora de perigo, só evite fazer muitos esforços...
- Certo Doutor... – Respondeu Diego, o médico saiu do quarto em seguida. - Bom... E agora? – Ele voltou a falar, olhando para mim.
- Não sei Dih... Temos que pegar algumas roupas pra você, já que você ficará até por algum tempo. Amanhã eu copio tudo da aula e tiro xérox pra você certo?
- Mas, Brunno... Eu quero que você durma aqui comigo! – Respondeu ele com ar suplicante.
Eu nem sei com que expressão eu fiquei, só sei que fiquei todo arrepiado quando ele falou isso.
- E eu? – Indagou Felipe despertando de seu transe pós-traumático.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 14
Quando eu dei por mim estava beijando Diego e para minha surpresa ele estava correspondendo. O beijo dele era leve e suave, ele passou a mãe pela minha cintura enquanto eu segurava seus rosto com minhas mãos. Depois de um tempo ele parou o beijo e ficou me observando com uma expressão que eu nunca tinha visto ele fazer.
- Desculpe Diego... Eu não devia ter feito isso eu não queria me aproveitar do seu momento de fragilidade e... – Nesse momento foi ele quem me beijou me encostando na parede e fazendo carinho no meu rosto. Depois de alguns minutos ele parou e voltou a me fitar.
- Você até que é bonito Brunno... – Comentou Diego. – É só arrumar umas roupinhas melhores... – Disse em tom de brincadeira.
- Isso foi um erro, você gosta do Felipe e... – Ele me interrompeu
- E você?
- Eu o que?
- Você gosta de quem?
- Eu... – Comecei em reticências ficando completamente arrepiado. – Isso não está certo!
- Eu não perguntei isso... – Disse ele arqueando a sobrancelha em objeção. – Você gosta de quem?
- Do Miguel! – Menti usando o nome de um menino da minha sala.
- Você gosta do Miguel?
- É... – Respondi secamente, precisava ser forte.
- E se o Miguel gostasse de você também?
- O Miguel deve gostar da namorada dele, e ele deve se resolver com ela! – Respondi, era óbvio que não estávamos falando do Miguel.
- Que pena Brunno... Você é tão inteligente, gentil, educado e não é de se jogar fora... Talvez o Miguel quisesse ficar com você!
- Eu não sou banco reserva, nem sou prêmio de consolação. O Miguel só iria querer ficar comigo por 2 motivos... Ou pra fazer ciúmes, Ou porque eu sou uma alternativa menos complicada!
- Que seja... – Disse ele destrancando a porta do quarto e andando até a sala.
- Espera aí... – Fui atrás dele. E o vi na sala se segurando no braço do sofá. – O que foi Diego?
- Minha cabeça está... – Ele não conseguiu completar a frase.
- DIEGO! – Disse assustado e tentando levantá-lo do chão, ele tinha desmaiado. – MÃE VEM AQUI!!! – Gritei
- O que foi menino? – Disse ela chegando à sala. – O que aconteceu aqui?
- Ele desmaiou e não está acordando... O que a gente faz?
- Espera aí! – Disse ela correndo para o quarto. Segundos depois ela voltou com um frasco de perfume na mão.
- Pra quê isso?
- Bota pra ele cheirar pra ver se ela acorda, na novela da tarde funcionou!
- Certo! – Disse pegando o frasco e aproximando do nariz de Diego, mas ele não acordou de jeito nenhum. Foi aí que percebi a cabeça dele começou a sangrar. – Mãe!!! E agora?
- Eu vou ligar pra ambulância!
A partir desse ponto tudo parecia um filme em câmera lenta. Eu comecei a tentar reanimá-lo e a vontade de chorar me consumia.
- Olhe na carteira dele, veja se ele tem algum plano de saúde! – Comentou minha mãe tentando permanecer calma. De fato, ele tinha plano de saúde particular.
O socorro demorou pra chegar. As luzes piscantes e o som ensurdecedor começaram e eu senti uma lufada de alívio.
Chegamos no hospital particular, eles levaram a maca para dentro e minha mãe foi apresentar o cartão do plano e a identidade de Diego. A moça do balcão liberou o atendimento e ele foi encaminhado para um quarto da emergência. Nós fomos impedidos de entrar.
Meu celular tocou. Na tela o nome FELIPE piscava, tive que atender para que o barulho não reverberasse mais pela sala de espera.
- Oi... – Comecei tentando pensar no que dizer.
- Eu quero saber o que você planejou ouviu? E nem pense que aquela humilhaçãozinha vai ficar por isso mesmo! É melhor você me dar um bom motivo pra eu não quebrar a sua... – Interrompi a fala dele.
- Felipe... – Disse em tom sério.
- E nem adianta dar uma de psicólogo pra cima de mim...
- Aconteceu uma coisa com o Diego...
- O que? – Ele enfim parou de falar.
- Estamos na Unimed (NA: Hospital)...
- O que aconteceu?
- Ele desmaiou e não acordou mais...
- Estou indo pra aí!
- Desculpe Diego... Eu não devia ter feito isso eu não queria me aproveitar do seu momento de fragilidade e... – Nesse momento foi ele quem me beijou me encostando na parede e fazendo carinho no meu rosto. Depois de alguns minutos ele parou e voltou a me fitar.
- Você até que é bonito Brunno... – Comentou Diego. – É só arrumar umas roupinhas melhores... – Disse em tom de brincadeira.
- Isso foi um erro, você gosta do Felipe e... – Ele me interrompeu
- E você?
- Eu o que?
- Você gosta de quem?
- Eu... – Comecei em reticências ficando completamente arrepiado. – Isso não está certo!
- Eu não perguntei isso... – Disse ele arqueando a sobrancelha em objeção. – Você gosta de quem?
- Do Miguel! – Menti usando o nome de um menino da minha sala.
- Você gosta do Miguel?
- É... – Respondi secamente, precisava ser forte.
- E se o Miguel gostasse de você também?
- O Miguel deve gostar da namorada dele, e ele deve se resolver com ela! – Respondi, era óbvio que não estávamos falando do Miguel.
- Que pena Brunno... Você é tão inteligente, gentil, educado e não é de se jogar fora... Talvez o Miguel quisesse ficar com você!
- Eu não sou banco reserva, nem sou prêmio de consolação. O Miguel só iria querer ficar comigo por 2 motivos... Ou pra fazer ciúmes, Ou porque eu sou uma alternativa menos complicada!
- Que seja... – Disse ele destrancando a porta do quarto e andando até a sala.
- Espera aí... – Fui atrás dele. E o vi na sala se segurando no braço do sofá. – O que foi Diego?
- Minha cabeça está... – Ele não conseguiu completar a frase.
- DIEGO! – Disse assustado e tentando levantá-lo do chão, ele tinha desmaiado. – MÃE VEM AQUI!!! – Gritei
- O que foi menino? – Disse ela chegando à sala. – O que aconteceu aqui?
- Ele desmaiou e não está acordando... O que a gente faz?
- Espera aí! – Disse ela correndo para o quarto. Segundos depois ela voltou com um frasco de perfume na mão.
- Pra quê isso?
- Bota pra ele cheirar pra ver se ela acorda, na novela da tarde funcionou!
- Certo! – Disse pegando o frasco e aproximando do nariz de Diego, mas ele não acordou de jeito nenhum. Foi aí que percebi a cabeça dele começou a sangrar. – Mãe!!! E agora?
- Eu vou ligar pra ambulância!
A partir desse ponto tudo parecia um filme em câmera lenta. Eu comecei a tentar reanimá-lo e a vontade de chorar me consumia.
- Olhe na carteira dele, veja se ele tem algum plano de saúde! – Comentou minha mãe tentando permanecer calma. De fato, ele tinha plano de saúde particular.
O socorro demorou pra chegar. As luzes piscantes e o som ensurdecedor começaram e eu senti uma lufada de alívio.
Chegamos no hospital particular, eles levaram a maca para dentro e minha mãe foi apresentar o cartão do plano e a identidade de Diego. A moça do balcão liberou o atendimento e ele foi encaminhado para um quarto da emergência. Nós fomos impedidos de entrar.
Meu celular tocou. Na tela o nome FELIPE piscava, tive que atender para que o barulho não reverberasse mais pela sala de espera.
- Oi... – Comecei tentando pensar no que dizer.
- Eu quero saber o que você planejou ouviu? E nem pense que aquela humilhaçãozinha vai ficar por isso mesmo! É melhor você me dar um bom motivo pra eu não quebrar a sua... – Interrompi a fala dele.
- Felipe... – Disse em tom sério.
- E nem adianta dar uma de psicólogo pra cima de mim...
- Aconteceu uma coisa com o Diego...
- O que? – Ele enfim parou de falar.
- Estamos na Unimed (NA: Hospital)...
- O que aconteceu?
- Ele desmaiou e não acordou mais...
- Estou indo pra aí!
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 13
Peguei um ônibus que demorou a me deixar em casa e a minha cabeça já estava a mil pensamentos. Por mais que eu tivesse caído na real e decidido devolver o vídeo eu ainda pensava ‘ E depois? O que acontece?’. É óbvio que eles iriam me abandonar e voltar pra suas vidinhas perfeitas de festas e roupas importadas e eu voltaria a ser o Brunno, o Nerd da sala. Afogando a minha vida nos livros pra tentar garantir o meu futuro. O futuro deles? Já estava garantido, a chance deles não serem bem sucedidos era menor que 2% isso se eles acordassem um belo dia e resolvessem chutar o balde e estragar sua vida por si só. Do contrário, seus pais e sua maravilhosa conta bancária garantiriam os 98% restantes e eles teriam uma vida sem mais dificuldades.
Cheguei em casa grudando. O ônibus lotado e o calor da cidade do “Verão Eterno” tinha deixado meu corpo quente e minha mente estressada, afinal, Maceió não é lugar para os amantes do frio.
Resolvi tomar um banho e a medida que as gotas leves e gélidas tocavam meu corpo eu relaxava e tudo ficava mais nítido em minha mente. Será que o Diego se deixaria influenciar por Felipe novamente e voltaria a humilhar as pessoas? Será que ele iria me ignorar?
Meu celular tocou insistentemente, coloquei meus óculos ficou meio borrado com a espuma e fitei o visor, apreensivo. DIEGO. O nome dele piscava. Atendi.
- Hey Diego! – Disse.
- Preciso falar com você urgente Brunno, daqui a 1 hora estou chegando na sua casa!
- Mas... – Tentei dizer, mas ele já tinha desligado.
Terminei meu banho, vesti uma roupa de sair e fui almoçar.
- Pra onde vai assim Brunno? – Perguntou minha mãe
- Um amigo meu vem pra cá para resolver umas coisas do colégio.
- Porque não falou antes? Eu fazia uma coisa melhor pro almoço!
- Não... Não... Ele vem daqui à uma hora mais ou menos e a gente vai resolver alguns detalhes do trabalho.
- Da próxima vez avise viu Brunno?
- Foi uma emergência...
- Sei... – Comentou finalizando a conversa.
Terminei de me aprontar e o meu celular tocou novamente. Diego tinha chegado. Fui pra porta buscá-lo. Ele estacionou, sua expressão era séria. Seus olhos estavam um pouco inchados, acho que ele tinha chorado antes de vim. Levei ele pro meu quarto e tranquei a porta.
- Senta aí Diego... – Comentei apontando pra cama. – O que se passa? – Indaguei apreensivo.
- Eu já pensei tanto que minha cabeça está explodindo de dor... Brunno, você é tão inteligente... Sempre tem a palavra certa pra resolver tudo... – Ele começou a lacrimejar, seus olhos pareciam um lindo mar azul transbordando em lágrimas. A mancha púrpura de seu olho já tinha diminuído. – Eu gosto do Felipe, mas tenho medo do que pode estar por vir...
- Tem medo de que ele te bata novamente?
- Não... Não é isso...
- Então o que é?
- Felipe nunca leva nada a sério, eu não sei o que se passa na cabeça dele... Uma hora ele parece que está comigo, me faz carinho e olha pra mim daquele jeito meigo que ele não olha pra mais ninguém e outra hora está pegando as meninas nas festas.
- Pensei que vocês dois já tivessem resolvido isso. Vocês não ficam sempre com muitas meninas?
- Eu também fico, mas ele transa com elas...
- E você não?
- Não... Eu finjo que faço a linha mais ‘cavalheiro’ justamente pra não precisar dormir com elas...
- Você nunca...?
- Com meninas não! Eu não conseguiria sentir com elas o que eu sinto com o Lipe! Então eu fico pensando. E se ele me deixar? E se ele quiser uma vida ‘normal’?
- O amor é como um jogo, você nunca sabe o que vai acontecer... Há perdas e ganhos, mas você não consegue prever o que vai acontecer depois e acho que a vida toda é uma incerteza, por mais que se estude e se batalhe não existe 100% de certeza de que as coisas vão realmente sair do jeito que queremos.
- Eu quero perdoar o Lipe, mas também posso aproveitar toda essa situação pra parar por aqui. Não quero mais me machucar... Nem fisicamente, nem emocionalmente...
- Diego... – Recomecei aparando uma lágrima que rolava em seu rosto. – Há alguns dias atrás eu diria que o certo é se afastar do Felipe, mas por mais que eu am... Goste de você... e... – Me atropelei com as palavras, quase disse o que não devia, tentei contornar a situação. - Eu realmente... Achava que o Felipe não queria nada com nada, só ligava pra festas, bebedeiras, pegar meninas e tudo mais, mas eu vi outro lado do Felipe esses dias... Se ele continuar mudando, como ele mudou do começo da semana pra hoje, acho que daria certo entre vocês. Por trás daquela figura de “machão” e de “fortão” existe um garoto que não sabe bem controlar seus sentimentos. Eu não sou ninguém pra julgar a criação que os pais deram a ele, mas ele simplesmente não tem limites e sem isso, tudo fica confuso. Ele realmente gosta de você. Você precisava ver como ele ficou depois que te deu aquele soco.
- Ele só se arrependeu e... – O interrompi
- Não! Ele ficou em estado de choque chorando no chão da cozinha... Só estou te dizendo isso porque é visível o amor dele por você. Por mais que ele tente disfarçar pra não dar o braço a torcer, eu sei que ele te ama!
- Você acha que eu devo voltar pra ele?
- Infelizmente... – Sussurrei baixinho e depois voltei a minha voz normal. – Acho!
- Obrigado Brunno, você sempre sabe a coisa certa a se fazer... – Disse ele me abraçando inesperadamente.
O abraço de Diego me pegou de surpresa, eu não sabia nem o que fazer... Eu estava nas nuvens, não sabia bem o que eu estava fazendo. Até que eu cometi um erro terrível.
Cheguei em casa grudando. O ônibus lotado e o calor da cidade do “Verão Eterno” tinha deixado meu corpo quente e minha mente estressada, afinal, Maceió não é lugar para os amantes do frio.
Resolvi tomar um banho e a medida que as gotas leves e gélidas tocavam meu corpo eu relaxava e tudo ficava mais nítido em minha mente. Será que o Diego se deixaria influenciar por Felipe novamente e voltaria a humilhar as pessoas? Será que ele iria me ignorar?
Meu celular tocou insistentemente, coloquei meus óculos ficou meio borrado com a espuma e fitei o visor, apreensivo. DIEGO. O nome dele piscava. Atendi.
- Hey Diego! – Disse.
- Preciso falar com você urgente Brunno, daqui a 1 hora estou chegando na sua casa!
- Mas... – Tentei dizer, mas ele já tinha desligado.
Terminei meu banho, vesti uma roupa de sair e fui almoçar.
- Pra onde vai assim Brunno? – Perguntou minha mãe
- Um amigo meu vem pra cá para resolver umas coisas do colégio.
- Porque não falou antes? Eu fazia uma coisa melhor pro almoço!
- Não... Não... Ele vem daqui à uma hora mais ou menos e a gente vai resolver alguns detalhes do trabalho.
- Da próxima vez avise viu Brunno?
- Foi uma emergência...
- Sei... – Comentou finalizando a conversa.
Terminei de me aprontar e o meu celular tocou novamente. Diego tinha chegado. Fui pra porta buscá-lo. Ele estacionou, sua expressão era séria. Seus olhos estavam um pouco inchados, acho que ele tinha chorado antes de vim. Levei ele pro meu quarto e tranquei a porta.
- Senta aí Diego... – Comentei apontando pra cama. – O que se passa? – Indaguei apreensivo.
- Eu já pensei tanto que minha cabeça está explodindo de dor... Brunno, você é tão inteligente... Sempre tem a palavra certa pra resolver tudo... – Ele começou a lacrimejar, seus olhos pareciam um lindo mar azul transbordando em lágrimas. A mancha púrpura de seu olho já tinha diminuído. – Eu gosto do Felipe, mas tenho medo do que pode estar por vir...
- Tem medo de que ele te bata novamente?
- Não... Não é isso...
- Então o que é?
- Felipe nunca leva nada a sério, eu não sei o que se passa na cabeça dele... Uma hora ele parece que está comigo, me faz carinho e olha pra mim daquele jeito meigo que ele não olha pra mais ninguém e outra hora está pegando as meninas nas festas.
- Pensei que vocês dois já tivessem resolvido isso. Vocês não ficam sempre com muitas meninas?
- Eu também fico, mas ele transa com elas...
- E você não?
- Não... Eu finjo que faço a linha mais ‘cavalheiro’ justamente pra não precisar dormir com elas...
- Você nunca...?
- Com meninas não! Eu não conseguiria sentir com elas o que eu sinto com o Lipe! Então eu fico pensando. E se ele me deixar? E se ele quiser uma vida ‘normal’?
- O amor é como um jogo, você nunca sabe o que vai acontecer... Há perdas e ganhos, mas você não consegue prever o que vai acontecer depois e acho que a vida toda é uma incerteza, por mais que se estude e se batalhe não existe 100% de certeza de que as coisas vão realmente sair do jeito que queremos.
- Eu quero perdoar o Lipe, mas também posso aproveitar toda essa situação pra parar por aqui. Não quero mais me machucar... Nem fisicamente, nem emocionalmente...
- Diego... – Recomecei aparando uma lágrima que rolava em seu rosto. – Há alguns dias atrás eu diria que o certo é se afastar do Felipe, mas por mais que eu am... Goste de você... e... – Me atropelei com as palavras, quase disse o que não devia, tentei contornar a situação. - Eu realmente... Achava que o Felipe não queria nada com nada, só ligava pra festas, bebedeiras, pegar meninas e tudo mais, mas eu vi outro lado do Felipe esses dias... Se ele continuar mudando, como ele mudou do começo da semana pra hoje, acho que daria certo entre vocês. Por trás daquela figura de “machão” e de “fortão” existe um garoto que não sabe bem controlar seus sentimentos. Eu não sou ninguém pra julgar a criação que os pais deram a ele, mas ele simplesmente não tem limites e sem isso, tudo fica confuso. Ele realmente gosta de você. Você precisava ver como ele ficou depois que te deu aquele soco.
- Ele só se arrependeu e... – O interrompi
- Não! Ele ficou em estado de choque chorando no chão da cozinha... Só estou te dizendo isso porque é visível o amor dele por você. Por mais que ele tente disfarçar pra não dar o braço a torcer, eu sei que ele te ama!
- Você acha que eu devo voltar pra ele?
- Infelizmente... – Sussurrei baixinho e depois voltei a minha voz normal. – Acho!
- Obrigado Brunno, você sempre sabe a coisa certa a se fazer... – Disse ele me abraçando inesperadamente.
O abraço de Diego me pegou de surpresa, eu não sabia nem o que fazer... Eu estava nas nuvens, não sabia bem o que eu estava fazendo. Até que eu cometi um erro terrível.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
PORCENTAGEM ABRASIVA Cap 12
No fim da aula Roberta e Felipe pararam na minha frente quase que sincronicamente. Ele olhou pra ela de cima a baixo com desprezo.
- Vamos Brunno? – Indagou Felipe com sua voz de trovão.
- Brunno? – Disse Roberta cruzando os braços.
- Felipe... A gente conversa amanhã tá certo? – Respondi
- O que? Vai me trocar por... – Eu o interrompi
- Pela minha melhor amiga? Claro que vou!
Ele saiu com raiva sem dizer mais nada. Depois eu amanso essa fera...
- Pronto, Roberta! Feliz?
- Ainda não... Pode começar a falar! Now!
- Minha cara amiga... Não posso entrar em detalhes, mas eu acho que arrumei um jeito de ficar amigo do Diego e do Felipe e... – Ela me interrompeu
- Então é isso... Você quer ser popular? Pensei que você fosse mais que isso...
- Claro que não, você me conhece!
- Eu achava que conhecia, mas eu não sei porque você está abandonando seus amigos de verdade por causa daqueles dois babacas!
- Eles não são babacas! – Intervi
- Já é Best Friend deles agora?
- Não Betão... Eu só estou me permitindo conhecê-los, eles estão passando por problemas agora e eu preciso ajudá-los
- Só não se decepcione quando eles te darem um pé na bunda Brunno! – Advertiu ela preocupada. – Eles podem estar falando com você hoje, só pelo interesse em fazer trabalhos com você e essas coisas, ou você acha mesmo que um deles ia falar com um de nós sem segundas intenções?
- Você não entende...
O telefone dela tocou.
- Está certo vovô... Já estou indo! – Disse ela atendendo à ligação. – Cuidado com isso Brunno, pise devagar porque esse campo é minado! – Aplicou um beijo rápido em minha bochecha. – Preciso ir.
Apesar de saber muito bem o que levara Felipe e o Diego a falarem comigo as palavras de Roberta ecoaram por minha cabeça. Realmente, de qualquer outra forma “um deles” jamais falaria com “um de nós”. Essa idéia de chantagem pela primeira vez me pareceu a loucura que de fato era. Mesmo que eles ‘merecessem’ quem sou eu para julgá-los? Quem sou eu pra dizer o que é certo ou não e ainda aplicar uma ‘punição’ neles? Eu já tinha ido longe de mais, tudo que aconteceu de ruim na vida desses dois nesses últimos dias era culpa minha. Foi aí que eu tomei a minha decisão: Preciso devolver o vídeo a eles. Talvez essa decisão não seja pelo Felipe, mas pelo Diego. Eu acabei descobrindo quem era o Diego de verdade, ou pelo menos, uma fração do que era o Diego de verdade, mas mesmo esses 5% de Diego com o qual eu pude ter contato já me dissera muito do que eu não pude perceber apenas observando de longe. Diego era, no fundo, um garoto meigo e cheio de sonhos e que o seu único erro é deixar-se influenciar por Felipe, mas eu vi o amor reluzindo em suas lágrimas, vi tudo o que ele passou e mesmo que aparentemente ele esteja com raiva de Felipe, dentro de pouco tempo ele não vai se agüentar e vai voltar correndo pros braços de Felipe.
Preciso voltar pra casa, para resolver isso. Será que é isso mesmo que eu devo fazer?
- Vamos Brunno? – Indagou Felipe com sua voz de trovão.
- Brunno? – Disse Roberta cruzando os braços.
- Felipe... A gente conversa amanhã tá certo? – Respondi
- O que? Vai me trocar por... – Eu o interrompi
- Pela minha melhor amiga? Claro que vou!
Ele saiu com raiva sem dizer mais nada. Depois eu amanso essa fera...
- Pronto, Roberta! Feliz?
- Ainda não... Pode começar a falar! Now!
- Minha cara amiga... Não posso entrar em detalhes, mas eu acho que arrumei um jeito de ficar amigo do Diego e do Felipe e... – Ela me interrompeu
- Então é isso... Você quer ser popular? Pensei que você fosse mais que isso...
- Claro que não, você me conhece!
- Eu achava que conhecia, mas eu não sei porque você está abandonando seus amigos de verdade por causa daqueles dois babacas!
- Eles não são babacas! – Intervi
- Já é Best Friend deles agora?
- Não Betão... Eu só estou me permitindo conhecê-los, eles estão passando por problemas agora e eu preciso ajudá-los
- Só não se decepcione quando eles te darem um pé na bunda Brunno! – Advertiu ela preocupada. – Eles podem estar falando com você hoje, só pelo interesse em fazer trabalhos com você e essas coisas, ou você acha mesmo que um deles ia falar com um de nós sem segundas intenções?
- Você não entende...
O telefone dela tocou.
- Está certo vovô... Já estou indo! – Disse ela atendendo à ligação. – Cuidado com isso Brunno, pise devagar porque esse campo é minado! – Aplicou um beijo rápido em minha bochecha. – Preciso ir.
Apesar de saber muito bem o que levara Felipe e o Diego a falarem comigo as palavras de Roberta ecoaram por minha cabeça. Realmente, de qualquer outra forma “um deles” jamais falaria com “um de nós”. Essa idéia de chantagem pela primeira vez me pareceu a loucura que de fato era. Mesmo que eles ‘merecessem’ quem sou eu para julgá-los? Quem sou eu pra dizer o que é certo ou não e ainda aplicar uma ‘punição’ neles? Eu já tinha ido longe de mais, tudo que aconteceu de ruim na vida desses dois nesses últimos dias era culpa minha. Foi aí que eu tomei a minha decisão: Preciso devolver o vídeo a eles. Talvez essa decisão não seja pelo Felipe, mas pelo Diego. Eu acabei descobrindo quem era o Diego de verdade, ou pelo menos, uma fração do que era o Diego de verdade, mas mesmo esses 5% de Diego com o qual eu pude ter contato já me dissera muito do que eu não pude perceber apenas observando de longe. Diego era, no fundo, um garoto meigo e cheio de sonhos e que o seu único erro é deixar-se influenciar por Felipe, mas eu vi o amor reluzindo em suas lágrimas, vi tudo o que ele passou e mesmo que aparentemente ele esteja com raiva de Felipe, dentro de pouco tempo ele não vai se agüentar e vai voltar correndo pros braços de Felipe.
Preciso voltar pra casa, para resolver isso. Será que é isso mesmo que eu devo fazer?
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 11
Fiquei sem reação, as palavras urgentes de Felipe não deixavam espaço pra minha concentração focar na lei das malhas que o professor estava tentando explicar com aquele sotaque chato de interior e suas brincadeiras sem graça.
De fato, eu ainda não tinha entendido a relação de Diego e Felipe. Tantos altos e baixos e sentimentos tão à flor da pele faziam a minha cabeça girar. No final das duas primeiras aulas, Felipe passou por minha mesa e me laçou um olhar furtivo. Levantei e fui seguindo ele discretamente, ele se sentou em um dos bancos de azulejo azul no local da escola que nós denominávamos de "Espaço" que nada mais era do que um "espaço" vazio com alguns bancos em volta onde se realizavam algumas atividades e aulas 'fora da sala'. Ele escolheu o banco mais afastado, onde só conseguiriam nos ver quem se aproximasse demasiadamente.
- O que você quer agora Felipe?
- Você se diz tão inteligente e não soube interpretar o bilhete? Preciso que você me tire dessa e logo!
- Depende... - Deixei em reticências
- Depende do que imbecil?
- Primeiro baixe essa sua bola, precisa vir armado não que não vai ter guerra! E segundo, depende do que você estiver disposto a falar...
- Disposto a falar? - Indagou respirando fundo
- Por mais que eu seja perspicaz, e por mais que eu raciocine eu ainda não entendi essa relação de vocês dois e eu só posso te ajudar se eu souber de alguma coisa...
- É que... - Parou por uns segundos. - Isso é tão pessoal...
- Eu acho que eu já vi, ou melhor, assisti o que tinha de mais 'pessoal' entre vocês!
- Vai ficar tirando sarro agora?
- Não, eu só estou dizendo que isso pra mim é bobagem
- E se você contar?
- Eu não mostrei o vídeo, que por si só já é auto explicativo... Imagine só fazer fofoquinhas
- Se você contar eu... - Interrompi sua fala
- Me envenena, me esquarteja e joga meus pedaços em um tanque de tubarões... Já sei Senhor "Eu sou o macho alfa intimidador"... Alguma coisa nova?
- Está bem... Eu vou te contar... - Respirou fundo e começou. - Diego e eu somos amigos de infância, nossos pais se conheceram através de amigos em comum na festa de inauguração de uma dessas mansões que fazem festas daqui da cidade, nós éramos muito pequenos quando isso aconteceu e desde lá somos amigos, estudamos nos mesmos colégios e tudo mais. Quando nós completamos 12 anos, mais ou menos, eu começei a sentir umas coisas estranhas quando estava com o Diego... Uma vontade de abraçar ele e de não deixar que nada o fizesse mal... De início eu achei isso estranho, mas eu deixei pra lá, achei que era sentimentos normais de amigo pra amigo. Com o passar do tempo ficou difícil administrar esses sentimentos, eu me pegava muitas vezes olhando pra ele com cara de idiota e eu percebia que ele me olhava também, mas eu não tinha certeza se ele me olhava pelo mesmo motivo que eu olhava. Nesse tempo a onda era ficar com as meninas e tirar o BV* (NA: boca Virgem pra quem não sabe), mas eu tinha receio... Ao passo que eu queria ser igual os outros e não ser mais bv eu não queria perder o bv com qualquer pessoa... Você deve achar isso uma idiotice...
- Não acho não Felipe...
- Enfim, um dia eu fui pra casa de praia dele em paripueira e a gente estava conversando antes de dormir, e como sempre estávamos falando do jogo de digimon que tinha no PS1 dele e anotando numa folha quantas vezes um derrotou o outro naquele dia... Essas bobagens que os muleques fazem quando são pequenos... Aí a mãe dele entrou no quarto e mandou a gente apagar a luz e dormir... Diego levantou, ligou o ar condicionado, fechou a porta, apagou a luz e voltou pra cama e a gente ficou conversando baixinho... Foi quando eu tive aquela vontade queimando dentro de mim e beijei ele. Ele ficou sem ação, mas acabou retribuindo o beijo, mas a gente ficou com vergonha e nunca mais falamos desse assunto... Então, quando a gente fazia 1° ano, a gente voltou de um aniversário de 15 anos da Isadora e ele acabou me beijando e ficou a noite toda no meu quarto...
- Vocês fizeram...?
- Claro que não... A gente resolveu conversar e resolvemos que a gente ia se 'divertir' juntos, mas que mesmo assim iríamos pegar as meninas e que seríamos 'héteros' mesmo ficando uma vez ou outra. E de lá pra cá a gente vem ficando, sem compromisso, e se divertindo na baixa* (NA: Na baixa aqui no meu esstado significa 'discretamente' não sei se no de vocês é assim também...). Eu nunca levei o meu relacionamento com o Diego a sério...
- Então, o que vocês tem de fato?
- Uma amizade com bônus... Nós continuamos amigos, vamos pra balada juntos, comemos umas meninas por aí e brigamos como todo homem briga, jogamos futebol e essas coisas de macho...
- "Coisas de macho"... Aham... Sei Felipe...
- Pronto! Não é linda minha historinha de amor seu idiota? - Ironizou, franzind a boca levemente.
- É um história bonita! - Ignorei o seu sarcasmo. - É a primeira vez que você bate nele?
- Lembra de quando o Diego etava de braço enfaixado?
- Foi você?
- Eu empurrei ele sem querer e ele caiu...
- Só foram essas duas vezes?
- Ah tá... Foram mais, confesso. Mas ele quebrou minha perna uma vez quando me empurrou quando eu estava correndo!
- Ah... é uma competição de quem quebra mais os ossos do outro?
- Não! - Respondeu fechando a cara. - Vai me ajudar ou não mamãe?
- Sua situação não está nada boa... Por mais que vocês sejam eio agressivos um com o outro, dar um soco... Um soco é uma coisa bem mais intencional que um empurrão...
- Eu estava com raiva...
- Primeiro, eu acho que você tem que descarregar essa raiva, já que você gosta de malhar, tente jogar essa força nos aparelhos ou vá procurar aulas de artes marciais... Sei lá... E segundo, o que é mais importante, você vai ter que se desculpar com o Diego!
- Eu já pedi desculpas!
- Isso não é o suficiente!
- E o que você sugere Senhor sabe tudo?
O sinal tocou e já era hora de voltar pra aula.
- Eu acho que eu sei o que fazer... - Dei um sorriso e me afastei dali rapidamente.
- O que é? - Perguntou ele me seguindo.
- Agora tem aula, depois eu te digo...
- Tá! - Respondeu a contra-gosto.
Voltamos para a sala, eu me sentei e começei a copiar o que o professor estava escrevendo no quadro.
- Estou esperando... - Disse Roberta, sentada na mesa ao lado da minha, batendo o pé no chão
- Esperando o que?
- Explicações... Por que você não fica mais conversando comigo no intervalo?
Hoje vai ser um longo dia...
De fato, eu ainda não tinha entendido a relação de Diego e Felipe. Tantos altos e baixos e sentimentos tão à flor da pele faziam a minha cabeça girar. No final das duas primeiras aulas, Felipe passou por minha mesa e me laçou um olhar furtivo. Levantei e fui seguindo ele discretamente, ele se sentou em um dos bancos de azulejo azul no local da escola que nós denominávamos de "Espaço" que nada mais era do que um "espaço" vazio com alguns bancos em volta onde se realizavam algumas atividades e aulas 'fora da sala'. Ele escolheu o banco mais afastado, onde só conseguiriam nos ver quem se aproximasse demasiadamente.
- O que você quer agora Felipe?
- Você se diz tão inteligente e não soube interpretar o bilhete? Preciso que você me tire dessa e logo!
- Depende... - Deixei em reticências
- Depende do que imbecil?
- Primeiro baixe essa sua bola, precisa vir armado não que não vai ter guerra! E segundo, depende do que você estiver disposto a falar...
- Disposto a falar? - Indagou respirando fundo
- Por mais que eu seja perspicaz, e por mais que eu raciocine eu ainda não entendi essa relação de vocês dois e eu só posso te ajudar se eu souber de alguma coisa...
- É que... - Parou por uns segundos. - Isso é tão pessoal...
- Eu acho que eu já vi, ou melhor, assisti o que tinha de mais 'pessoal' entre vocês!
- Vai ficar tirando sarro agora?
- Não, eu só estou dizendo que isso pra mim é bobagem
- E se você contar?
- Eu não mostrei o vídeo, que por si só já é auto explicativo... Imagine só fazer fofoquinhas
- Se você contar eu... - Interrompi sua fala
- Me envenena, me esquarteja e joga meus pedaços em um tanque de tubarões... Já sei Senhor "Eu sou o macho alfa intimidador"... Alguma coisa nova?
- Está bem... Eu vou te contar... - Respirou fundo e começou. - Diego e eu somos amigos de infância, nossos pais se conheceram através de amigos em comum na festa de inauguração de uma dessas mansões que fazem festas daqui da cidade, nós éramos muito pequenos quando isso aconteceu e desde lá somos amigos, estudamos nos mesmos colégios e tudo mais. Quando nós completamos 12 anos, mais ou menos, eu começei a sentir umas coisas estranhas quando estava com o Diego... Uma vontade de abraçar ele e de não deixar que nada o fizesse mal... De início eu achei isso estranho, mas eu deixei pra lá, achei que era sentimentos normais de amigo pra amigo. Com o passar do tempo ficou difícil administrar esses sentimentos, eu me pegava muitas vezes olhando pra ele com cara de idiota e eu percebia que ele me olhava também, mas eu não tinha certeza se ele me olhava pelo mesmo motivo que eu olhava. Nesse tempo a onda era ficar com as meninas e tirar o BV* (NA: boca Virgem pra quem não sabe), mas eu tinha receio... Ao passo que eu queria ser igual os outros e não ser mais bv eu não queria perder o bv com qualquer pessoa... Você deve achar isso uma idiotice...
- Não acho não Felipe...
- Enfim, um dia eu fui pra casa de praia dele em paripueira e a gente estava conversando antes de dormir, e como sempre estávamos falando do jogo de digimon que tinha no PS1 dele e anotando numa folha quantas vezes um derrotou o outro naquele dia... Essas bobagens que os muleques fazem quando são pequenos... Aí a mãe dele entrou no quarto e mandou a gente apagar a luz e dormir... Diego levantou, ligou o ar condicionado, fechou a porta, apagou a luz e voltou pra cama e a gente ficou conversando baixinho... Foi quando eu tive aquela vontade queimando dentro de mim e beijei ele. Ele ficou sem ação, mas acabou retribuindo o beijo, mas a gente ficou com vergonha e nunca mais falamos desse assunto... Então, quando a gente fazia 1° ano, a gente voltou de um aniversário de 15 anos da Isadora e ele acabou me beijando e ficou a noite toda no meu quarto...
- Vocês fizeram...?
- Claro que não... A gente resolveu conversar e resolvemos que a gente ia se 'divertir' juntos, mas que mesmo assim iríamos pegar as meninas e que seríamos 'héteros' mesmo ficando uma vez ou outra. E de lá pra cá a gente vem ficando, sem compromisso, e se divertindo na baixa* (NA: Na baixa aqui no meu esstado significa 'discretamente' não sei se no de vocês é assim também...). Eu nunca levei o meu relacionamento com o Diego a sério...
- Então, o que vocês tem de fato?
- Uma amizade com bônus... Nós continuamos amigos, vamos pra balada juntos, comemos umas meninas por aí e brigamos como todo homem briga, jogamos futebol e essas coisas de macho...
- "Coisas de macho"... Aham... Sei Felipe...
- Pronto! Não é linda minha historinha de amor seu idiota? - Ironizou, franzind a boca levemente.
- É um história bonita! - Ignorei o seu sarcasmo. - É a primeira vez que você bate nele?
- Lembra de quando o Diego etava de braço enfaixado?
- Foi você?
- Eu empurrei ele sem querer e ele caiu...
- Só foram essas duas vezes?
- Ah tá... Foram mais, confesso. Mas ele quebrou minha perna uma vez quando me empurrou quando eu estava correndo!
- Ah... é uma competição de quem quebra mais os ossos do outro?
- Não! - Respondeu fechando a cara. - Vai me ajudar ou não mamãe?
- Sua situação não está nada boa... Por mais que vocês sejam eio agressivos um com o outro, dar um soco... Um soco é uma coisa bem mais intencional que um empurrão...
- Eu estava com raiva...
- Primeiro, eu acho que você tem que descarregar essa raiva, já que você gosta de malhar, tente jogar essa força nos aparelhos ou vá procurar aulas de artes marciais... Sei lá... E segundo, o que é mais importante, você vai ter que se desculpar com o Diego!
- Eu já pedi desculpas!
- Isso não é o suficiente!
- E o que você sugere Senhor sabe tudo?
O sinal tocou e já era hora de voltar pra aula.
- Eu acho que eu sei o que fazer... - Dei um sorriso e me afastei dali rapidamente.
- O que é? - Perguntou ele me seguindo.
- Agora tem aula, depois eu te digo...
- Tá! - Respondeu a contra-gosto.
Voltamos para a sala, eu me sentei e começei a copiar o que o professor estava escrevendo no quadro.
- Estou esperando... - Disse Roberta, sentada na mesa ao lado da minha, batendo o pé no chão
- Esperando o que?
- Explicações... Por que você não fica mais conversando comigo no intervalo?
Hoje vai ser um longo dia...
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 10
- Hey gente!!! - Disse entrando no quarto e quebrando o clima. - Temos que nos aprontar ou vamos nos atrasar pra aula! - Sorri e me sentei na cama, Felipe me lançou um olhar assassino.
- É, aninda temos que resolver isso... - Comentou Diego pensativo.
- Você devia ficar aqui! - Disse Felipe. - Eu cuido de você!
- Não! - Respondeu Diego de prontidão, a dor que sentia não o deixava esquecer da noite passada. - Vá pra escola! Estude pra variar, quem sabe você não aprende alguma coisa... - Levantou-se da cama vestindo sua camisa.
- Pra onde você vai Diego?
- Pra casa óbvio!
- Mas, como você vai assim pra casa? - Perguntou Felipe preocupado.
- A essa hora meu pai já deve estar indo pro consultório e minha mãe deve estar fazendo compras em Madri.
Gente que diferença, minha mãe deve estar lavando os pratos do café-da-manhã agora... *risos*
- Eu tenho que ir logo, preciso ir em casa ainda, tomar banho, pegar meu uniforme...
- O Felipe empresta um uniforme pra você, uma toalha e tudo que você precisar... Eu te deixo na escola antes de ir pra casa.
Felipe não falou mais nada, só assentiu e foi pegar as coisas que Diego tinha mandado. Diego ficou frente ao espelho do guarda-roupa examinando os machucados de ontem.
- Você não acha que foi um pouco duro com ele? - Sussurrei.
- Você achou? - Indagou ele se virando para mim, o seu olho azul contrastando com o roxo do machucado.
Fiquei calado, ele realmente estava muito magoado.
Depois de tomar um banho (com sabonete da Natura, vale ressaltar!) eu vesti um uniforme que o Felipe me emprestou e pela primeira vez na vida usei um perfume importado! Um que é o formato de uma mão dando um soco. Até nisso Felipe é violento...
Minutos depois.
- Vamos Brunno? - Perguntou secamente colocando seus óculos de sol preto.
- Sim! - Respondi, terminando de ajeitar meu cabelo e acompanhando ele.
- Vamos no seu carro ou no meu? - Perguntou Felipe.
- Você vai no seu, e nós vamos no meu!
[...] Minutos depois...
- Desculpe por ter que presenciar isso tudo Brunno, mas eu cansei! Cansei de ficar seguindo ele pra todo lugar, fazendo tudo que ele manda, cansei de ser a sombra dele.
- Você sabe que eu não simpatizo com ele, e nem simpatizava com você alguns dias atrás, mas eu acho que ele foi sincero hoje de manhã...
- Você ouviu nossa conversa?
- Desculpe, eu estava entrando e ouvi o finalzinho...
- Como eu já te disse, eu conheço bem o Felipe. Ele faz a linha morde e assopra, entende? Hoje ele está aí pedindo desculpas e tudo mais, amanhã ele vai estar fazendo tudo de novo!
- Você não devia dar uma chance a ele?
- Outra? E você acha que é a primeira vez que ele faz isso?
- Tá... - Falei em reticências. Ele parou na frente da escola. - Obrigado pela carona!
Atravessei o corredor abarrotado de gente, me desviando aqui e ali pra não esbarrar em ninguém. Fiquei pensando na relação deles, tudo era muito intenso, não existiam linhas que delimitassem as coisas. Felipe era de fato, uma pessoa que não sabia controlar suas emoções. Não sei porque, mas acho que Diego estava fazendo um esforço sobre-humano pra não perdoar e e ir correndo pros braços de Felipe. Eu não entendo esses sentimentos intensos que eles têm, prefiro minha boa aula de estatística! CHeguei na sala e me sentei sem dizer palavra.
- Gente, que cheiro é esse? o Felipe chegou? - Comentou Tânia procurando a origem do cheiro.
Essa retardada tem um faro apurado pra coisas caras. Deve ser uma ferramenta que ela usa pra caçar dotes, isso é tão primitivo.
- Vem da-qui! - Comentou cheirando o meu pescoço de forma indelicada.
- Bom dia pra você também Tânia!
- Ah bruninhoooo... Perfume novo?
- Ganhei de presente ontem, gostou? - Disfarcei.
- É igual ao que o Felipe usa! Enfim... - Passou a vista pela sala. - Gabrielleeeeeeeeeeeee!!! - Bradou ela com aquela voz enjoada. - Você precisa ver minhas unhas craquelês! - Completou se afastando de mim.
Roberta olhou pra mim com aquele olhar investigativo que só ela sabia fazer.
- Brunno?
- O que?
- Explica!
- Explicar o que?
- Você ganhou mesmo esse perfume?
- O professor chegou, tá na hora da aula.
Felipe chegou com raiva, batendo a porta e sentando-se no fundo da sala. O professor ignorou toda a cena. Afinal, ele era pago pra isso. Estudar em um colégio tão elitista como esse dá nisso, você praticamente compra um diploma e faz todos ao seu redor de babás que ignoram suas pirraças. Sorte minha ser bolsista e realmente querer estudar.
- Nem pense que você vai escapar ouviu Sr. Brunno? Quero ouvir essa história no intervalo.
Roberta não ia ficar ali sem saber das coisas. Eu vou ter que mentir mais. Uma pessoa me cutucou (a Mariana) e me entregou um bilhete.
"Não sei o que fazer, mas você vai ter que me ajudar!" Dizia o pedaço de papel com uma caligrafia borrada.
- É, aninda temos que resolver isso... - Comentou Diego pensativo.
- Você devia ficar aqui! - Disse Felipe. - Eu cuido de você!
- Não! - Respondeu Diego de prontidão, a dor que sentia não o deixava esquecer da noite passada. - Vá pra escola! Estude pra variar, quem sabe você não aprende alguma coisa... - Levantou-se da cama vestindo sua camisa.
- Pra onde você vai Diego?
- Pra casa óbvio!
- Mas, como você vai assim pra casa? - Perguntou Felipe preocupado.
- A essa hora meu pai já deve estar indo pro consultório e minha mãe deve estar fazendo compras em Madri.
Gente que diferença, minha mãe deve estar lavando os pratos do café-da-manhã agora... *risos*
- Eu tenho que ir logo, preciso ir em casa ainda, tomar banho, pegar meu uniforme...
- O Felipe empresta um uniforme pra você, uma toalha e tudo que você precisar... Eu te deixo na escola antes de ir pra casa.
Felipe não falou mais nada, só assentiu e foi pegar as coisas que Diego tinha mandado. Diego ficou frente ao espelho do guarda-roupa examinando os machucados de ontem.
- Você não acha que foi um pouco duro com ele? - Sussurrei.
- Você achou? - Indagou ele se virando para mim, o seu olho azul contrastando com o roxo do machucado.
Fiquei calado, ele realmente estava muito magoado.
Depois de tomar um banho (com sabonete da Natura, vale ressaltar!) eu vesti um uniforme que o Felipe me emprestou e pela primeira vez na vida usei um perfume importado! Um que é o formato de uma mão dando um soco. Até nisso Felipe é violento...
Minutos depois.
- Vamos Brunno? - Perguntou secamente colocando seus óculos de sol preto.
- Sim! - Respondi, terminando de ajeitar meu cabelo e acompanhando ele.
- Vamos no seu carro ou no meu? - Perguntou Felipe.
- Você vai no seu, e nós vamos no meu!
[...] Minutos depois...
- Desculpe por ter que presenciar isso tudo Brunno, mas eu cansei! Cansei de ficar seguindo ele pra todo lugar, fazendo tudo que ele manda, cansei de ser a sombra dele.
- Você sabe que eu não simpatizo com ele, e nem simpatizava com você alguns dias atrás, mas eu acho que ele foi sincero hoje de manhã...
- Você ouviu nossa conversa?
- Desculpe, eu estava entrando e ouvi o finalzinho...
- Como eu já te disse, eu conheço bem o Felipe. Ele faz a linha morde e assopra, entende? Hoje ele está aí pedindo desculpas e tudo mais, amanhã ele vai estar fazendo tudo de novo!
- Você não devia dar uma chance a ele?
- Outra? E você acha que é a primeira vez que ele faz isso?
- Tá... - Falei em reticências. Ele parou na frente da escola. - Obrigado pela carona!
Atravessei o corredor abarrotado de gente, me desviando aqui e ali pra não esbarrar em ninguém. Fiquei pensando na relação deles, tudo era muito intenso, não existiam linhas que delimitassem as coisas. Felipe era de fato, uma pessoa que não sabia controlar suas emoções. Não sei porque, mas acho que Diego estava fazendo um esforço sobre-humano pra não perdoar e e ir correndo pros braços de Felipe. Eu não entendo esses sentimentos intensos que eles têm, prefiro minha boa aula de estatística! CHeguei na sala e me sentei sem dizer palavra.
- Gente, que cheiro é esse? o Felipe chegou? - Comentou Tânia procurando a origem do cheiro.
Essa retardada tem um faro apurado pra coisas caras. Deve ser uma ferramenta que ela usa pra caçar dotes, isso é tão primitivo.
- Vem da-qui! - Comentou cheirando o meu pescoço de forma indelicada.
- Bom dia pra você também Tânia!
- Ah bruninhoooo... Perfume novo?
- Ganhei de presente ontem, gostou? - Disfarcei.
- É igual ao que o Felipe usa! Enfim... - Passou a vista pela sala. - Gabrielleeeeeeeeeeeee!!! - Bradou ela com aquela voz enjoada. - Você precisa ver minhas unhas craquelês! - Completou se afastando de mim.
Roberta olhou pra mim com aquele olhar investigativo que só ela sabia fazer.
- Brunno?
- O que?
- Explica!
- Explicar o que?
- Você ganhou mesmo esse perfume?
- O professor chegou, tá na hora da aula.
Felipe chegou com raiva, batendo a porta e sentando-se no fundo da sala. O professor ignorou toda a cena. Afinal, ele era pago pra isso. Estudar em um colégio tão elitista como esse dá nisso, você praticamente compra um diploma e faz todos ao seu redor de babás que ignoram suas pirraças. Sorte minha ser bolsista e realmente querer estudar.
- Nem pense que você vai escapar ouviu Sr. Brunno? Quero ouvir essa história no intervalo.
Roberta não ia ficar ali sem saber das coisas. Eu vou ter que mentir mais. Uma pessoa me cutucou (a Mariana) e me entregou um bilhete.
"Não sei o que fazer, mas você vai ter que me ajudar!" Dizia o pedaço de papel com uma caligrafia borrada.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
PORCENTAGEM ABRASIVA cap 9
O cheiro de café fresco invadiu o ambiente. Não poderia dizer de certeza se estava num sonho ou se isso tudo era real. Abri os olhos lentamente e pude ver o rosto de Diego perto do meu. Ele parecia até um anjo dormindo. Um anjo com o corpo perfeito como uma estátua esculpida em mármore branco, fiquei adimirando sua tatuagem de tribal, todas aquelas linhas curvadas se entrelaçando na superfície do seu ombro esquerdo.
- Ele é lindo não é? - Comentou Felipe entrando no quarto somente de cueca. Alguém sabe o que a palavra pijama significa? Não conseguia nem me concentrar... *risos*
- Des-Desculpe... - Respondi me sentando na cama, alisando meus dedos naquele lençol super macio.
- Cinco mil fios, Algodão egípcio... Bem diferente dos trapos que você se enrola não é? Esqueci de botar o jornal no canto da parede pra você se deitar... - Começou a rir, mas dessa vez seu riso era mais de descontração do que de gozação.
- Vocês não tem jeito não é? - Comentou Diego ao acordar. Sentou-se na cama.
- Bom dia... - Disse Felipe visivelmente desconcertado, o ollho de Diego ainda estava muito machucado. Colocou a bandeja de café da manhã no colo de Diego.
- Se eu soubesse que você iria me tratar tão bem assim deveria ter pedido pra você me dar um soco bem antes! - Brincou Diego. Sentindo o aroma da rosa vermelha que estava num vasinho minúsculo de cristal.
Felipe apenas sentou-se na cama e ficou olhando pra ele sem dizer nada. Passou a mão no rosto e no cabelo de Diego. Ele estava com uma expressão meio triste.
- Hum... Geléia de Framboesa... - Comentou Diego de forma vaga, passando com uma faca a geléia numa torrada. - Brunno!? - Sibilou, me dando a torrada.
- Obrigado! - Disse assentindo de leve. Comi a minha torrada com pressa e me levantei da cama. - Vou no banheiro... - Comentei. Os dois precisavam ficar a sós.
Olhei-me do espelho do vasto banheiro. Meu cabelo parecia bem pior quando eu acordava se ondulando e ficando armado. Começei a molhar as mãos e a tentar melhorar a situação. Sai do banheiro devagar, pisando de leve. Visualizei o quarto aos poucos, queria ver o que eles estavam fazendo. Felipe ainda estava um pouco pra baixo, sem saber o que dizer. Diego o beijou sem dizer nada e ficou adimirando ele. O silêncio era mortal.
- Eu... Eu... Nós precisamos conversar Dih... - Começou de cabeça baixa.
- Acho que você já disse tudo ontem...
- Desculpa... Eu preciso que você me perdoe...
- Eu também contribui, não devia ter falado aquelas coisas.
- Mesmo assim, eu não tinha o direito de...
- Lipe! É verdade o que você me disse ontem ou foi uma coisa que você falou sem pensar? Você gosta mesmo de mim?
- Dizem que você só valoriza alguma coisa, quando perde essa coisa, e ontem eu tive tanto medo de te perder. Eu nunca parei pra pensar que você é tão importante pra mim. Nós nos conhecemos desde pequenos e eu nunca percebi o quanto você se dedicou a mim...
- Lipe você... - Foi interrompido.
- Eu estou falando sério! Eu te amo!
- Felipe Duarte! Você nunca foi dessas coisas... - Comentou em tom de repreensão.
- Você quer namorar comigo? - Indagou com precisão e intensidade.
Nesse momento parece que a cena congelou. Diego ficou sem reação, totalmente estático.
- Ele é lindo não é? - Comentou Felipe entrando no quarto somente de cueca. Alguém sabe o que a palavra pijama significa? Não conseguia nem me concentrar... *risos*
- Des-Desculpe... - Respondi me sentando na cama, alisando meus dedos naquele lençol super macio.
- Cinco mil fios, Algodão egípcio... Bem diferente dos trapos que você se enrola não é? Esqueci de botar o jornal no canto da parede pra você se deitar... - Começou a rir, mas dessa vez seu riso era mais de descontração do que de gozação.
- Vocês não tem jeito não é? - Comentou Diego ao acordar. Sentou-se na cama.
- Bom dia... - Disse Felipe visivelmente desconcertado, o ollho de Diego ainda estava muito machucado. Colocou a bandeja de café da manhã no colo de Diego.
- Se eu soubesse que você iria me tratar tão bem assim deveria ter pedido pra você me dar um soco bem antes! - Brincou Diego. Sentindo o aroma da rosa vermelha que estava num vasinho minúsculo de cristal.
Felipe apenas sentou-se na cama e ficou olhando pra ele sem dizer nada. Passou a mão no rosto e no cabelo de Diego. Ele estava com uma expressão meio triste.
- Hum... Geléia de Framboesa... - Comentou Diego de forma vaga, passando com uma faca a geléia numa torrada. - Brunno!? - Sibilou, me dando a torrada.
- Obrigado! - Disse assentindo de leve. Comi a minha torrada com pressa e me levantei da cama. - Vou no banheiro... - Comentei. Os dois precisavam ficar a sós.
Olhei-me do espelho do vasto banheiro. Meu cabelo parecia bem pior quando eu acordava se ondulando e ficando armado. Começei a molhar as mãos e a tentar melhorar a situação. Sai do banheiro devagar, pisando de leve. Visualizei o quarto aos poucos, queria ver o que eles estavam fazendo. Felipe ainda estava um pouco pra baixo, sem saber o que dizer. Diego o beijou sem dizer nada e ficou adimirando ele. O silêncio era mortal.
- Eu... Eu... Nós precisamos conversar Dih... - Começou de cabeça baixa.
- Acho que você já disse tudo ontem...
- Desculpa... Eu preciso que você me perdoe...
- Eu também contribui, não devia ter falado aquelas coisas.
- Mesmo assim, eu não tinha o direito de...
- Lipe! É verdade o que você me disse ontem ou foi uma coisa que você falou sem pensar? Você gosta mesmo de mim?
- Dizem que você só valoriza alguma coisa, quando perde essa coisa, e ontem eu tive tanto medo de te perder. Eu nunca parei pra pensar que você é tão importante pra mim. Nós nos conhecemos desde pequenos e eu nunca percebi o quanto você se dedicou a mim...
- Lipe você... - Foi interrompido.
- Eu estou falando sério! Eu te amo!
- Felipe Duarte! Você nunca foi dessas coisas... - Comentou em tom de repreensão.
- Você quer namorar comigo? - Indagou com precisão e intensidade.
Nesse momento parece que a cena congelou. Diego ficou sem reação, totalmente estático.
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