terça-feira, 3 de janeiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 29


    Eu fiz uma cara de pseudo-medo para tornar as coisas mais interessantes e me sentei. Olhando para minha irmã com olhos fugidios, eu queria saborear cada gotinha de veneno dela e para isso eu precisava estar, ou parecer, apavorado. Como meu plano já estava Todo arquitetado, eu apenas precisava PARECER apavorado.
    - Bruninho querido irmão... Como você é descuidado não é? Deixa suas coisas por aí à toa...
    - Você sabe que não estava à toa! – Rebati, imprimindo um nervosismo teatral na minha voz.
    - Bom... Eu fui procurar fita dupla-face e acabei encontrando uma coisa bem mais interessante, mas imagine se fosse a mamãe que tivesse visto isso! – Ela recomeçou falando pausadamente, fingindo que se importa. – Então, que sorte a sua de eu ter encontrado não é mesmo? Fiquei realmente curiosa ao ver um DVD tão cuidadosamente escondido... E você sabe como eu sou não é? Precisava checar...
    - Tem como encurtar esse papinho?
    - Calma irmãozinho querido, não vamos apressar as coisas... – Respondeu ela, irônica. Para pessoas retardadas que nem ela, uma situação dessas equivale a um flagra após uma longa investigação. Pena que ela não se tocou que tudo isso foi pura sorte. - Bom, continuando... E olha que surpresa que eu tive! Vi que meu irmãozinho já está bem crescido e vendo vídeos pornôs, claro que um pornô brasileiro bem amador, mas... – Ela fez uma pausa e continuou. – Ah! Mas tem um agravante não é? Eram 2 homens transando naquele vídeo, admito que eles eram bonitos... Um desperdício total, se bem que eles devem ganhar uma boa grana... Enfim, aonde eu quero chegar é o seguinte: Conto a mamãe primeiro que você é gay ou que anda assistindo vídeos pornôs?
    - Não sei... O que você sugere? – Respondi sarcástico. Foi aí que eu tive um daqueles “clicks” que trazem à mente um fragmento de conversa de volta ao pensamento. Laura havia dito, ‘vídeo pornô’ e ainda insinuou que os garotos do vídeo eram ‘profissionais’. Não sei como não tinha me dado conta disso antes. Mas é que ela é tão lerda que se perde na própria fala e me confunde.
    - O que eu sugiro é que  você me dê algum motivo para ‘esquecer’ o que eu ouvi e não contar a mamãe!
    - O que você quer? – Indaguei pensativo, afinal, a visão dela é tão limitada como a de um jegue. Ela não tem visão de futuro, não olha para frente. Contar a minha mãe é o pior que poderia a acontecer é Laura? Burra de mais, mas isso era melhor ainda...
    - Quero usar seu Laptop a hora que eu quiser, quero que você faça todas as minhas obrigações de casa, isso inclui tirar o lixo, arrumar a mesa, lavar os pratos e claro, lavar minhas roupas...
    - Isso é um ultraje! – Protestei, mas na verdade essa chantagem barata dela me deu uma idéia bem interessante para finalizar meu plano.
    - É isso ou eu falo tudo para a mamãe, queridinho...
    - Eu aceito com uma condição!
    - Nada de condições, eu que mando aqui!
    - Eu preciso do Laptop hoje para terminar de digitar um trabalho, amanhã ele é todo seu por tempo indeterminado... – Na verdade você não vai ficar com ele mais que uma semana sua idiota! Pensei.
    - Ai... Ai... Você tem sorte por eu ser boazinha, o Fred deve estar no ônibus da viagem agora e a internet fica péssima mesmo... Mas amanhã cedo eu quero ele para levar para a faculdade.
    Ah! Esqueci de dizer que minha irmã idiota faz uma faculdade particular aqui da minha cidade, já que ela é burra de mais para entrar na federal ela tentou todas as faculdades possíveis e entrou na mais peba* de todas. (Peba = fraquinha, fuleira, de má qualidade...). Nem vou dizer o curso que ela faz, para depois não gerar um mal-estar aí! Medicina é que não é.
      Enfim, depois de ouvir todas as bobagens que minha irmã tinha a dizer, eu fui para o meu quarto e me tranquei lá. Coloquei meu cd “fallen” da banda Evanescence e comecei a trabalhar. Liguei os dois laptops, e depois fui buscar um travesseiro para colocar nas minhas costas, o serviço iria demorar bastante...

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 28


    Tinha que colocar minha cabeça para funcionar. Ainda não sabia o que fazer quando recuperasse o maldito DVD, mas sabia muito bem como iria consegui-lo. Eu não podia subestimar a inteligência da minha irmã, apesar de qualquer chimpanzé bem treinado conseguir ser mais esperto que ela, o cérebro dela sabia fazer duas coisas bem funcionais: Fazer chantagem e roubar. Então, eu precisava contra-atacar. Mas como fazer tudo isso?
    Comecei a andar em direção a orla. Lá seria mais fácil de eu pegar um ônibus para voltar para casa. Apesar de não ser rico como os mauricinhos cabeças-ocas, eu não morava muito longe dali, meu bairro também era um dos melhores da cidade. Logo minha cabeça estava explodindo com pensamentos de cunho vingativo, a maresia batendo forte no meu rosto e embaçando meus óculos. (Como se eu já não tivesse cego o bastante).
    Por um milagre quase divino, o ônibus não demorou, e como não era um horário de pico ainda consegui um lugar para sentar.
    Meu plano tinha que ser perfeito, infalível. Com 100% de chance de dar certo. Então, eu precisava abarcar todos os pontos dessa situação. Para um melhor engajamento, tentei mentalizar todas as minhas vilãs favoritas das novelas, isso sempre me ajudava. Imaginei Paola Bracho rindo estrondosamente, por conseguir seu tão sonhado 1 milhão de dólares, na companhia de Nazaré Tedesco, rindo descontraidamente por ter inaugurado sua nova escada matando 50 pessoas numa só festa, e a Flora Pereira da Silva rindo à toa em um glamoroso cassino. Que sonho participar de uma conversa com essas 3 divas da maldade heim?
    Enfim consegui, inflamado por essa maravilhosa inspiração proposta por minha fértil imaginação, avaliar a situação em seus pormenores. Eu precisava encontrar e recuperar aquele DVD, mas não podia descartar a possibilidade da minha querida irmãzinha mais velha ter feito uma cópia dele, nessa situação, conseguir pegar o DVD só seria um agravante que conduziria ela a entregar o cd a minha mãe ou postar o vídeo na internet.
Então, eu precisava de uma contra-chantagem que conseguisse me dar segurança se minhas tentativas falhassem. É óbvio que eu vou precisar de uma ajudinha da minha querida amiga Robertão! Vou aproveitar que o ponto que é perto da casa dela já é aqui um pouco depois do Posto 7 e vou fazer uma visitinha! Com essa segurança, já posso pensar em como invadir o quarto dela. Minha irmã tranca seu quarto à chave já faz algum tempo, usando a desculpa da privacidade, mas pode ser que ela esteja escondendo o namorado dela por lá ou guardando coisas que ninguém deveria ver. Como saber? Enfim... Voltando ao foco: Eu preciso de uma cópia daquela chave. Arrombação não é uma coisa muito discreta, nem sofisticada. Sempre há uma barra de sabão para tirar o molde de uma chave não é mesmo?
    Desci no ponto e comecei a caminhar rumo à casa da Roberta, minha cabeça estava a mil. Idéias pipocando a todo segundo. No entanto, não podia me precipitar, esse plano demandava tempo para colher todas as informações necessárias para minha contra-chantagem. Com o plano já esboçado em minha mente eu precisava saber o que fazer quando aquele maravilhoso vídeo retornar às minhas mãos...
    Entrei no prédio de minha amiga com cara de triunfo, perguntei ao porteiro se ela estava em casa e em resposta a sua afirmativa, fui logo subindo, nem precisei de elevador. Bati freneticamente na porta até que ela me atendeu.
    - Bruninho lindooooo!!! – Disse ela entusiasmada me dando um abraço apertado.
    - Oi Betão!
    - O que te traz aqui menino? Vamos entrando!
    - Preciso de um favor seu! – Respondi me jogando preguiçosamente no sofá vermelho.
    - Ihhh! Essa cara de malandro! Parece até vilão de novela mexicana, o que você está tramando?
    - Você parece que tem um raio x néh amiga? Você adquiriu o poder de ler mentes?
    - Nem precisa, só de conviver com você esse tempo todo já sei o que significa esse sorriso de bomba nuclear que você está mostrando aí! Me conte tudo!
    - Não posso contar tudo agora porque não tenho tempo, mas preciso do seu Laptop para ontem!
    - Gente... Para quê essa urgência?
    - Digamos que eu vou dar um xeque-mate de uma vez por toda nessa situação!
    - Mais de 50% de chance de dar certo? – Sorriu ela imitando minha mania de colocar probabilidade em tudo.
    - 100% de chance de sucesso e de felicidade garantida!
    - Bruninho... Tenha cuidado, eu tenho até medo dos seus planos...
    - Eu não atiro para errar, você sabe bem disso!
    - Claro que sei! Por morrerei sua Best Friend! – Respondeu ela caindo na gargalhada. – Vou buscar o Laptop agorinha mesmo.
     Encostei minha cabeça no braço do sofá, deixando um leve sorriso no ar. Fechei os olhos e visualizei o fim dessa situação. Não pude nem me estender nos meus devaneios, Roberta logo voltou com uma bolsa na mão.
    - Milhões de cuidados com meu bebezinho viu? – Disse ela me entregando a bolsa.
    - Então vou ir embora logo  para não ficar perigoso!
    - Não vai ficar mais um pouco e me contar a sua idéia? Tem um sorvetinho de menta com chocolate no congelador que tá uma delícia!
    - Você está jogando sujo já! – Disse rindo, Roberta sabia que eu tinha uma quedinha por sorvetes, principalmente o de menta com chocolate que era meu favorito.
    - Você não quer? Tão refrescante nesse dia tão quente... Com chocolate crocante que derrete na boca...
    - Não... Não... Tenho que manter meu foco! Breve brindaremos o sucesso da minha  empreitada com maravilhosos Milk shakes da Bali!
    - Nossa... Que chique!
    - Preciso ir Betão... Há muito o que fazer.
[...]
    Voltei para casa, extasiado. Tantos planos para executar... Abri a porta com cara de triunfo.
    - Olha só quem chegou... – Disse minha irmã do sofá. – Meu irmãozinho favorito! Quero ter um papinho de Brother and Sister com você!!!
    

domingo, 1 de janeiro de 2012

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 27


    - Ah... É só você Felipe? – Comentou Diego com Desdém.
    Eu corri para me vestir, não sei muito bem o motivo, deveria ser o nervosismo.
    - O que vocês pensam que estão fazendo? – Indagou ele fazendo uma pergunta bem idiota, mas não podemos exigir muito do intelecto limitado de um cabeça-oca.
    - Não é óbvio? – Respondeu Diego, praticamente lendo a minha mente.
    - Eu pensei que a gente estava bem... – Rebateu Felipe tentando se acalmar.
    - Bem? Se você acha... Vejo que nossa relação está bem moderna agora!
    - Do que você está falando? – Perguntou Felipe confuso. Eu terminei de me vestir e sentei na cadeira do computador ficando de voyeur da cena.
    - Você achou que eu não ia descobrir? Você acha que eu sou tão imbecil assim? Eu sei que você está de rolo com a Tânia, a rainha das biscates! – Agora começava a fazer sentido a atração repentina de Diego por mim.
    - Quem... Quem... Foi você não é? – Felipe voltou seu olhar furioso para mim.
    - Não foi ele... Precisa alguém dizer? Ela fez questão de encher a boca para falar com as amiguinhas dela sobre você!
    - Mas eu pensei que a gente não vivesse problemas com isso!
    - E não tem... Tanto é que eu estava aqui me divertindo com o Brunno!
    Eu fiz cara de indignação, mas Diego ignorou minha presença. Preferi ver o resto da discussão e ver onde isso ia culminar.
    - Mas ele é homem!
    - E daí? – Indagou Diego arqueando uma sobrancelha.
    - As mulheres estão liberadas, os homens não!
    - Quem disse isso?
    - Pensei que já fizesse parte do acordo! – Repeliu Felipe, alterando o tom da voz.
    - Não assinei nenhum contrato, além disso dá no mesmo! Se você pode eu também posso...
    - Você nunca criou confusão por causa disso! Por que está criando caso agora?
    - Porque antes nós éramos só amigos com bônus, e agora, pelo menos eu pensei que fôssemos namorados e olha só o que você faz!
    - Agora sim! Você se acha muito maduro não é? Devolveu na mesma moeda, nem sequer falou comigo sobre a situação e usou esse nerdzinho sem sal para me atingir? Faça-me o favor!
    - OBRIGADO! – Eu disse num tom de voz acima do tom dos dois. -  Não tenho que ficar aqui ouvindo isso. – Eu saí do quarto praticamente correndo, meus olhos começaram a se encher de lágrimas.
    Apertei o maldito botão do elevador, mas ele ainda estava no subsolo, demoraria demais para chegar até a cobertura. Abri a porta da escada de incêndio e comecei a descer desesperado. Na pressa, acabei pisando de mal jeito e cai da escada, meu óculos voou longe. Minhas costas começaram a arder. Alguma coisa me puxou para cima.
    - É um idiota mesmo! – Disse Felipe rindo enquanto me ajudava.
    - Não preciso da sua ajuda seu retardado! – Respondi, me libertando dos braços dele dando o empurrão mais forte que consegui. Catei meus óculos no chão com dificuldade, afinal, eu precisava de óculos até para achar os óculos. Quando finalmente o encontrei coloquei ele no rosto e voltei a descer as escadas com dificuldade me agarrando no corrimão com todas as minhas forças.
    - Eu ainda acho bem pregado Ó Majestade Brunno! Achou que chantageando a gente ia conseguir algo além de uma falsa-amizade? Você não é tão inteligente quanto aparenta! Devia ter aceitado desde o início uma boa quantia dinheiro, sei lá... Para comprar uns joguinhos de computador ou um Box completo de Star Wars talvez até sobrasse dinheiro para você comprar pelo menos um óculos novo!
    Notei que meus óculos estavam rachados.
   - Eu vou embora! – Completei descendo as escadas rapidamente.
   - Não vai não que eu ainda não acabei com você! – Ele me puxou pelo braço e me empurrou na parede. – Você se acha especial não é? Só porque tira umas notinhas melhores que as minhas? É óbvio que você tem que se matar de estudar porque você é pobre e não vai ter tudo que eu tenho assim de mão beijada. Além disso, você é feio moleque! Não dá pra ser modelo, nem ator, acho que nem pra balconista você serve! Então estude! Seja um daqueles pesquisadores solitários que passam décadas desenvolvendo pesquisas que só vão para frente se tiver pessoas ricas como eu para patrocinar, ou melhor... Talvez você não chegue a tanto, talvez você só seja mais um professor fracassado de Física que tem que berrar para ser ouvido por alunos elitizados de escolas particulares que não estão nem aí para o que você está tentando ensinar!
   Nessa hora eu não agüentei. Comecei a chorar, mas eram lágrimas de raiva que brotavam de meus olhos.
   - E tem mais! – Continuou Felipe, com um prazer sádico misturado a sua voz grossa. – Você pensou mesmo que o Diego pudesse estar gostando de você? – Ele deu uma gargalhada. – Provavelmente ele só estava querendo pegar o vídeo de volta... Ele tem bom gosto, ele nunca ficaria com alguém como você! – Felipe me olhou dos pés à cabeça. – Então chore... Mas chore muito! Porque enquanto você está aí lutando para sobreviver eu estou coberto de dinheiro e pior ainda pra você: Enquanto você está aí nessa sua solidão anti-social eu estou cheio de amigos e estou dormindo com Diego! – Ele me empurrou grosseiramente na parede voltando a subir as escadas.
    Eu fiquei ali chorando por um tempo. Estava muito difícil de segurar aquilo tudo. Eu geralmente tinha estabilidade emocional, mas como eu costumava guardar muito as coisas ruins que me aconteciam, uma faísca era o bastante para eu explodir. Depois de algum tempo, não sei ao certo quanto, me levantei e me recompus.
   - Isso não vai ficar assim! – Disse para mim mesmo – Eu quero aquele DVD de volta!

sábado, 24 de dezembro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 26


    Procurei meu óculos que tinha deixado cair em algum dos beijos que Diego me roubou. Coloquei rapidamente e comecei a pensar em um meio de sairmos dali sem sermos vistos. Ouvi Diego rindo baixinho de mim outra vez.
    - O que foi agora?
    - Seus óculos... – Sussurrou ele se aproximando de mim. – Estão embaçados! – Ele tirou lentamente os meus óculos, me aplicando um beijo na testa e começou a limpá-lo em minha camisa. – Pronto, assim está melhor! – Finalizou ele colocando meus óculos novamente no meu rosto.
    - Como é que a gente vai sair daqui?
    - É simples Brunno, pare de complicar as coisas... Sua irmã deve estar contando alguma fofoca pra amiga dela ou mostrando alguma calçinha que comprou no Sex Shop... – Ele voltou a rir. – É só você se recompor e sair do quarto para ver se a barra está limpa e depois nós poderemos sair juntos e dar uma boa caminhada na praia.
    - Como você consegue ser tão tranqüilo?
    - Cresci junto com o Felipe, alguém precisa manter a cabeça no lugar!
    - Certo, vou fazer isso... – Eu disse enquanto tentava me arrumar me olhando no espelho. Meu cabelo como sempre estava com raiva de mim, vivíamos numa guerra constante, então apenas coloquei um boné. – Diego, fica aqui atrás da porta, caso ela esteja por aqui não vai te ver!
    Abri a porta vagarosamente tentando suprimir ao máximo o ruído chato que ela produzia. Fui até a porta do quarto da minha irmã e pude ouvir ela e a amiga conversando animadas e rindo bastante, parece que a fofoca está rendendo. É bom aproveitar essa deixa. Voltei pro quarto, busquei a minha chave e o Diego e saímos de fininho.

[...]

    - Até que não foi tão difícil... – Comentei fechando a porta do carro.
    - Está vendo? É só não complicar as coisas que podem ser simplificadas...
    - E agora, nós vamos para onde?
    - Que tal estudar na minha casa? – Indagou Diego, jogando um punhado generoso de malícia na palavra “estudar”.
    - É... É... – Gaguejei.
    - Vou considerar essa resposta como um sim!
Ele então ligou o carro e tratou de acelerar. Não demorou muito para nós estarmos entrando no subsolo de um dos mais sofisticados e caros edifícios do Stella Maris.

[...]

    - Home sweet home! – Soltou Diego com uma risadinha abafada enquanto abria a porta.
    O apartamento de Diego ocupava todo o último 8° andar do prédio e ainda tinha a posse total da cobertura. A decoração era simplesmente impecável que variava nos tons neutros na escala de tonalidades do cinza e com muitos elementos em preto e branco. Em cima da mesa de jantar tinha um belíssimo lustre de cristal que se refletia no espelho que ocupava toda a parede adjacente à mesa de jantar.
    Senti um puxão forte e em instantes já estava nos braços de Diego. Ele mordia meus lábios suavemente e fincava seus dedos em meu cabelo.
    - E então, gostou do meu apartamento? – Indagou ele me soltando de seus braços e logo eu senti um vazio imenso.
    - É perfeito! – Comentei em um suspiro. – E olhe que eu só vi a sala.
    - Que tal passarmos pro quarto?
    - E os seus pais Dih? – Voltei a raciocinar normalmente, a presença de Diego me fazia perder o bom senso em medir as consequências de meus atos.
    - Minha mãe só volta semana que vem da sua viagem pra Milão e meu pai deve estar no consultório, só chega bem tarde... Vamos pro quarto?
    - Claro! – Eu praticamente pulei em Diego e fiquei na ponta dos meus pés para lhe roubar mais um beijo.
    Em algum momento meu subconsciente veio me atormentar, queria me trazer de volta a realidade. O que você está pensando? Você bateu a cabeça? Ele só quer te usar! Dizia aquela maldita voz na minha cabeça. Eu respondi bruscamente: Dane-se!!! E logo estava me concentrando novamente no beijo de Diego. Ele tinha a boca mais bonita que eu já vi e roçava seus lábios macios no meu pescoço enquanto me conduzia até seu quarto.
    Diego me jogou na sua king size, tirando a camisa quase que instantaneamente. A tatuagem de tribal no seu ombro esquerdo se entrelaçando com todas as linhas musculosas de seu braço. Ele tirou os tênis e a calça, se jogando na cama com sua cueca Box branca da Calvin Klein, já mostrando que estava pronto pro Fight. Ele começou a me beijar já colocando a mão no zíper da minha bermuda. Ele se ajoelhou na minha frente e puxou minha bermuda com força até que ela saiu.
    - Pra quê essa violência toda? – Comentei zoando com ele.
    - Eu gosto assim, na brutalidade!
    Agora eu entendi porque ele e Felipe se dão tão bem.
    Logo ele estava tirando minha camisa antes que eu fizesse qualquer objeção. Era nesse momento que eu me sentia mais vulnerável. Eu não me sentia confortável com meu corpo, mas Diego não estava nem aí para isso. Ele voltou a me beijar, mordendo meus lábios com mais força ainda. Desceu levemente me aplicando mordidas por todo o corpo até começar a tirar minha cueca com os dentes.
    - MAS QUE PALHAÇADA É ESSA? – Uma voz trovejou da porta do quarto. Agora ferrou tudo...

domingo, 18 de dezembro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 25


    - Olha só... Ele ficou revoltadinho! – Diego começou a rir de mim.
    - Se você quer e eu quero não tem pra quê não fazer... – Voltei a beijar Diego com toda a intensidade que consegui.
    Eu não tenho uma vasta experiência em beijos, mas com Diego tudo era mais fácil. Era muito bom aprender alguma coisa com ele também. Ele sabia muito bem o que fazer e quando fazer e isso me deixava nas nuvens. Nem no melhor dos meus sonhos eu poderia cogitar a possibilidade de ter o Diego em minha cama. Eu já tinha desconsiderado todas as consequências desse ato completamente irresponsável. Apesar de saber que ele poderia me abandonar depois, eu precisava disso, mesmo que isso fosse tão tóxico e viciante como a pior de todas as drogas.
    Diego arrancou minha camisa antes que eu fizesse qualquer objeção. Isso era um pouco desconfortável para mim porque eu não tinha um corpo escultural como o Diego e ainda por cima tinha um pouco de espinhas nas costas. Ele nem reparou nisso e foi logo tirando a camisa também. Eu pude sentir o calor do corpo dele colado no meu e isso me deixava ainda mais extasiado.
    - Brunno... – Sussurrou ele entre um beijo e outro – vamos repetir a dose? – Indagou, fazendo alusão ao episódio do hospital.
    - Certo... – Respondi prontamente em um sibilo descendo até o zíper da sua calça.
    - Dessa vez vamos inverter a ordem! – Ele me puxou pra cima de novo, rolando comigo na cama e me deixando por baixo.  – Vou te ensina runs truques novos! – Ele disse, lançando um sorriso maroto que me atingiu em cheio.
    Diego abriu o zíper lentamente, puxou minha bermuda e jogou ela no chão. Ele voltou a aproximar seu rosto do meu, me deu um beijo na testa, depois um beijo na boca e foi descendo gradativamente os beijos. Quando ele chegou no  meu tórax eu já estava prestes a explodir. Ele voltou a sorrir, como se dissesse: “Hey! Eu estou no controle!”. De fato, eu estava a mercê de todos os caprichos de Diego. Estava entregue para qualquer vontade que lhe ocorresse a mente.
    Nesse momento eu pude ouvir o barulho da porta de casa abrindo. Eu gelei na mesma hora. Quem podia ser uma hora dessas? Dei um pulo da cama e tratei de trancar a porta do quarto. Liguei o meu som, uma música instrumental começou a tocar. A partir daí consegui respirar novamente, porém de forma ofegante.
    Voltei a encarar Diego, que começou a rir de mim, eu fiz cara feia para ele e fui até a porta e encostei o ouvido nela. Precisava saber quem era. Para minha felicidade, ou não, consegui ouvir minha irmã conversar com uma amiga dela e se trancar no quarto.
    - Pra quê isso tudo? – Reiniciou ele ainda com um ar de riso.
    - Você queria que alguém nos visse nesse estado? – Indaguei catando minhas roupas no chão.
    - Não... Eu entendi porque você fechou a porta, eu não entendi o porque da música...
    - É que eu estudo ouvindo música clássica, isso me ajuda a ficar concentrado.
    - Você estuda toda vez assim? Quero vir estudar com você mais vezes... – Disse ele fazendo uma piadinha.
    - Claro que eu... – Fiz uma pausa. – nem vou te responder seu besta!
    - Sei... Sei... E agora, o que a gente faz?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 24


   - Diego... Diego... - Tentei afastá-lo de mim, mesmo que isso fosse um sacrifício monumental. - Vai devagar... Eu já não estou entendendo mais você! Diego, por mais que eu goste de você eu não vou continuar a fazer isso!
    - Isso o quê? - Indagou ele fazendo aquela cara de menino pidão que desmonta qualquer tanque de guerra.
    - Você não se acertou com o Felipe? Por que está me agarrando agora?
    - Porque eu gosto de você... - Respondeu, anexando o sorriso mais lindo do mundo.
    - Falando sério! É bem melhor você parar com essas coisas...
    - Que coisas?
    - De olhar pra mim com olhos de promessas e depois sorrir, como quem nada quer!
    - Brunno... Relaxe! A gente não está se divertindo juntos? - Indagou ele me arrancando um beijo.
    - Eu tenho medo de onde isso vai dar...
    - Você pensa demais... Você calcula demais... Dá pra você curtir um momento de cada vez?
    - Eu só começo uma caminhada, sabendo onde eu vou chegar...
    - Mas as surpresas são a melhor parte das jornadas! - Respondeu ele com o entusiasmo de uma criança na manhã de natal.
    - Se for um urso faminto no meio de uma floresta, significa game over!
    - Como você é pessimista! - Disse ele caindo no riso.
    - Realista, somente. Não gosto de correr riscos. Além disso sou um rapaz de família! Não sou para ficadas sem sentido... - Comentei rindo.
    - E se o risco for... - Reiniciou ele em um sussurro, passando a mão por meu corpo... - Eu? - Ele enfiou a mão na minha cueca!
    - Bom esse é um risco... que... eu... - Nem conseguia completar meus pensamentos. Até que ele parou, olhou no fundo dos meus olhos...
    - Onde fica o banheiro Brunno?
    - Hã? - Como ele conseguiu cortar o clima desse jeito???
    - Banheiro...
    - Segunda a esquerda depois do quarto!
    Eu já não sabia o que pensar. O que Diego achava que eu era? Um brinquedinho? Ele acha que pode vir aqui e 'se divertir' e depois voltar pra o Felipe. E amanhã? Eu vou ficar chupando o dedo? Por mais que eu queira ficar com ele, e aproveitar tudo que posso... E depois?
    - Voltei!!!
    - Diego... Se você não veio pra estudar é melhor... - Fui interrompido.
    - A gente continuar o que já estava fazendo... - Completou ele prontamente me empurrando na cama e subindo em cima de mim.
    - Não faz isso... Não sabe que eu não consigo resistir?
    - A ideia é justamente essa Brunno! - Ele se aproximou lentamente, fingiu que ia me beijar e ficou olhando para mim com aqueles olhos de oceano.
    Eu tentei beijá-lo, mas ele se esquivou e meu beijo foi parar na sua bochecha. Ele segurou firma minhas duas mãos contra a cama, me imobilizando. A "reação instantânea" voltou a dar o ar da graça. Eu mal conseguia levantar a cabeça para beijar Diego. Ele voltou a se aproximar de mim, bem lentamente, sussurrou umas coisas no meu ouvido, e voltou a fugir dos meus beijos.
    - Por que você está fugindo dos meus beijos?
    - Não foi você mesmo que disse que era um 'rapaz de família' e tudo mais... - Comentou ele, me parafraseando.
    - E daí?
    - Rapazes de família... - Reiniciou, fazendo uma pausa entre suas palavras sussurrantes - Tem que ficar quietinhos, não podem nem beijar! Só vou te deixar na vontade...
    - Diego... Também não é assim...
    - Ah! Agora você quer é? - Disse ele saindo de cima de mim. - Agora eu que é que sou difícil! - Ele se levantou e saiu da cama.
    - Difícil é? - Comentei me levantando bruscamente. Puxei Diego pelo braço e o joguei na cama, pulei em cima dele logo em seguida. - Vamos ver agora quem é que é o difícil!

sábado, 26 de novembro de 2011

PORCENTAGEM ABRASIVA cap 23


    Depois de ter conseguido, enfim, confidenciar parte do que eu passei esses dias à Roberta e ter descarregado um pouco tudo que eu estava guardando, eu pude me sentir um pouco mais leve. O plano que ela tinha arquitetado parecia bem prático mesmo, era só revirar o quarto de Laura quando ela saísse de casa. Mas tinha um, porém, por mais que minha irmã fosse desmiolada, ela jamais guardaria um tesouro daqueles em um lugar óbvio de mais e nem deixaria o local exposto. Provavelmente, toda vez que ela fosse sair, ela trancaria a porta. Diante desse impasse sobram duas opções: Copiar a chave de alguma forma, ou arrombar a porta. Enquanto eu bolava esse estratagema, eu desci do ônibus e caminhei absorto, por aqueles malditos corredores abarrotados de gente.
    Entrei na sala praticamente sem ser notado.
    Todos tinham seus próprios grupinhos e seus comentários para fazer sobre as festas caras regadas a álcool que costumavam frequentar. A futilidade se espalhava pelo ar e quase me fazia sufocar. Era um dia como outro qualquer e para aprender a conviver com eles é preciso colocar minha máscara de oxigênio e mergulhar nesse mar de luxúria e mediocridade emocional.
    Pude ver Diego e Felipe nos lugares que costumavam se sentar. Sentei no meu lugar habitual, ao lado de Roberta, que me sorriu com a surpresa estampada nos lábios. Tive que me esforçar ao máximo  pra copiar tudo o que perdi no dia anterior e prestar atenção nos novos assuntos que brotavam freneticamente da boca dos professores apressados. Vez ou outra, eu me permitia olhar para Diego novamente, como que para verificar se ele estava bem. Seu olho já estava bem melhor e a ‘roxidão’ de outrora deu lugar a uma leve mancha quase que lilás. Eu senti aquela tristeza dentro de mim novamente, eu queria estar ali! Mas, eu estava me descuidando muito com os estudos e precisava manter o foco, não é fácil manter a bolsa nesse colégio. Além disso, eu precisava dar essa alegria a minha mãe, que tanto investiu em mim, e precisava corresponder às minhas expectativas pessoais.
    O que eu estava fazendo? Por que eu tive essa ideia quase que ilógica de ameaçar os garotos populares da sala? Será que só era vingança? Ou será que eu sentia vontade de que Diego pudesse, finalmente, me enxergar? E o Felipe? Será que era atração? Desejo? Hoje é um daqueles dias que minha mente está um caos, um daqueles dias em que basta um sopro para todo o meu castelo desmoronar... O "outro" voltou à minha mente, não pude deixar de lembrar dele... Em todos os momentos de fundo-do-poço ele retorna à minha mente com todas as forças pra arrancar o restinho de paz que sobrou no meu coração... Esse era um daqueles dias que acabam comigo ouvindo Whitney Houston jogado no chão e chorando! Que pensamento ridículo... - Eu ri comigo mesmo - eu preciso ter as rédeas da minha vida novamente.
    Voltei a desenhar os gráficos de física II, tentando manter minha mente o mais vazia possível. O sinal tocou de forma estrondosa. Eu pude ouvi Roberta perguntando se eu queria alguma coisa da cantina, eu só respondi mexendo a cabeça em negativa e voltei a copiar.
    - Brunno? - Indagou uma voz que se confundiu ao burburinho da multidão.
    - Já disse que não... - Iniciei levantando minha cabeça, redefini minha fala com um lance de olhar surpreso.  - Ah! Diego... Nem percebi que era você, desculpe...
    - Brunno... - Repetiu ele dando uma nova roupagem à pronúncia do meu nome. - Por que você não foi sentar com a gente?
    Pude ver Felipe passando em direção à porta, olhando pelo rabo do olho a minha expressão de tristeza. ele não esboçou nenhuma reação. Passou direto sem falar palavra.
    - Eu tenho muitas coisas pra copiar e muita matéria para colocar em dia...
    - Você acha que me engana Brunno? Eu sei que te conheço, pelo menos verdadeiramente, há pouco tempo... Mas acho que sei o que se passa na sua cabeça...
    - Você não... - Ele me interrompeu.
    - "Você não entenderia" - Rebateu ele antes que eu dissesse. - E antes que você complete, eu sei que "é complicado"...
    - Então, o que eu vou dizer?
    - Eu preciso estudar física... E não consigo pensar em alguém melhor do que você pra ensinar... Às três horas da tarde na minha casa!
    - Mas eu não... - Ele tornou a me interromper.
    - Não notou minha frase exclamativa? Vou ter que te dar uma aulinha de gramática? Isso não foi um pedido, foi uma ordem!!!
    - Você deve ter seus planos com Felipe e...
    - Ordens são ordens! Não cabe a você questioná-las e sim obedecê-las!
    - Está bem! - Concordei a contragosto. No final das contas eu gostava de ser controlado... *Risos*
[...]
    Cheguei em casa para mais uma sessão de chantagem subjetiva. Joguei minha mochila na cama e fui ver o que tinha pra comer, afinal, se é pra ir pra guerra, pelo menos, não vou de estômago vazio. Minha mãe estava terminando de se arrumar para sair. Senti aquele cheiro de ‘Florata in Rose’ se expandir pelo ar.
    - Brunno! Vou ter que sair e resolver algumas coisas no banco... Provavelmente vou passar a tarde inteira por lá! - Iniciou ela.
    - E a Laura?
    - A Laura saiu, foi pra casa da Joana lá no Jaraguá e também não vem tão cedo! - Ela fez uma pausa, procurando o celular na bolsa. - Almoce, lave a louça e deixe tudo no lugar viu? - Ordenou ela indo embora apressada.
    Nem deu tempo de avisar que eu ia estudar com Diego lá em casa. Comecei a comer assistindo "Say yes to the dress". Somente minutos depois eu consegui processar as informações. Eu vou ficar em casa sozinho, sem chantagem da Laura e o Diego vai vir pra cá!
    - Preciso me arrumar! - Exclamei pra mim mesmo em um sobressalto.
    Eu precisava arrumar a casa e deixar tudo em ordem, e precisava ficar bonito... (Mesmo que essa fosse uma missão quase impossível). Era o que eu costumava chamar de entrar no quarto como sapo e sair como príncipe. Se bem que eu ficava mais pra o figurante da cena que o  príncipe protagonizava do que, de fato, o próprio príncipe...
[...]
    - Desculpe a demora! - Iniciou Diego entrando de forma tímida no meu humilde apartamento.
    - Sem problemas... - Comentei meio encabulado, conduzindo-o para o meu quarto.
    - Cadê sua mãe? - Perguntou ele notando o silêncio.
    - Saiu...
    - E sua irmã?
    - Também...
    - Quer dizer que... Você está sozinho? - Indagou Diego em um sorriso maroto.
    - É... - Foi só o que eu consegui responder antes dele me agarrar e me beijar, praticamente me arrastando até o quarto. - Você... Não... Queria... Estudar... Física?... - Perguntei entre beijos.
    - Estudar... Pra... Quê? - Respondeu ele da mesma forma, me empurrando na cama.
    Ele pulou em cima de mim mordendo meu pescoço e pressionando seu corpo no meu. Minha "reação na área periférica" foi instantânea! *Risos* Ele começou a passar uma das mãos pela minha perna e subiu, tentando subir minha camisa...